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quinta-feira, 9 de abril de 2026

O peso e a Luz dos dias...

Os últimos dias têm sido densos…
daqueles que pesam mais na alma do que no corpo.

O cansaço chegou devagar, quase sem pedir licença,
e quando percebi, já estava ocupando espaços dentro de mim.

Tenho feito o necessário — o básico da vida —
como quem acende pequenas luzes para não deixar o dia apagar de vez:
preparar a comida, cuidar da casa, colocar uma roupa para lavar...
gestos simples, mas que exigem mais de mim do que antes.

Tenho repousado mais.
Não apenas o corpo… mas o coração também.

As partidas recentes tocaram fundo.
Pessoas queridas que seguiram para o outro lado da vida
deixaram um silêncio diferente no mundo —
e dentro de mim também.
É um tipo de saudade que não faz barulho,
mas ocupa.

Talvez seja o tempo…
talvez seja o acúmulo dos dias, das responsabilidades,
ou essa caminhada muitas vezes solitária de dar conta de tudo.

Mas há algo em mim que permanece firme.
Porque, apesar do cansaço,
apesar das ausências,
apesar dos dias mais pesados…
eu não desisto de viver bem.

E viver bem, agora eu sei,
nem sempre é estar cheia de energia ou rodeada de certezas.
Às vezes, viver bem é simplesmente continuar.

É respeitar o próprio tempo,
acolher o próprio limite,
e ainda assim… escolher seguir.
Com calma.
Com verdade.
Com coragem quieta.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Cansaço da alma

Cansaço da alma

Às vezes o cansaço não mora no corpo.
Não é sono acumulado.
Não é a idade que chega.
Não são as tarefas que pesam.
É um cansaço que vem da alma.

Cansaço de pessoas que se sentem superiores, como pequenos Narcisos da vida real, encantados demais com o próprio reflexo para perceberem que o mundo não gira ao redor de seus umbigos.

Cansaço dos “coitados por profissão”, especialistas em autopiedade, que transformam qualquer conversa em tribunal emocional. Gente que oprime com silêncio, com culpa, com manipulação — e ainda se coloca no papel de vítima.

Cansaço de quem precisa diminuir o outro para se sentir grande.
De quem suga energia como se fosse direito adquirido.
De quem confunde amor com controle.

Esse tipo de convivência desgasta.
Machuca.
Envelhece por dentro.

Mas há uma verdade que aprendi no meio das minhas próprias travessias: não somos responsáveis por curar o ego alheio. Somos responsáveis por proteger a nossa paz.

Às vezes, amadurecer é se afastar.
Às vezes, é silenciar.
Às vezes, é simplesmente não reagir.
Porque a alma se cansa…

mas também aprende.
Aprende a escolher melhor.
Aprende a impor limites.
Aprende que dignidade não se negocia.
E quando o peso parece demais, eu me lembro:

Um dia de cada vez…
cada dia um pouquinho…
até o reencontro com aquilo que é leve, verdadeiro e de paz.