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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Vivendo um eterno subir e descer de elevador...


Eu já disse aqui algumas vezes que a vida de uma mãe enlutada não é fácil! A vida mais parece como um elevador, às vezes uma montanha russa, em outras um trem fantasma... A gente sabe como está, mas nunca podemos afirmar que estaremos do mesmo jeito daqui a um mês, ou a uma semana, ou amanhã.

Estou em uma semana de quedas... Às vezes me imagino um náufraga: eu afundo e vejo, ao olhar para a margem,  pedaços de madeira em que poderia me amparar e nado, nado, mas não consigo chegar lá. É tudo tão sufocante... Tão pesaroso... E isso me causa uma decepção... Desânimo.

Hoje eu fiz uma coisa ruim. Eu estava muito triste e muitos são os motivos para isso: a saudade do Bruno, a inatividade da DH da capital, assuntos de trabalho que não tenho ânimo para resolver, problemas domésticos e a ida do meu marido para Campos dos Goytacazes... 

Ficar sem ele comigo é como me quebrar as muletas... E num momento sozinha, eu trinquei os dentes! Aliás, venho fazendo muito isso depois da partida do Bruno. O tal bruxismo está acabando com meus dentes! Hoje, eu trinquei tão forte que senti um estalo... Pronto, o dente ficou mole! Eu cutuquei ele e percebi o estrago e doeu... Não dor de dente, pois ele não estava estragado, mas uma dor na gengiva... Uma dor na carne! E num impulso sem controle, peguei um algodão e arranquei o meu dente! Ah, Senhor! Quanto prazer em sentir aquela dor... aquela mutilação!

E então, me lembrei da Drª. Danielle Hassene, minha psiquiatra, conversando comigo quando no início do luto, eu arrancava meu cabelo... "Quanto prazer nos dá sentir essa dor, não é Márcia? Parece que ela adormece a dor do luto, não é?"

E agora, eu estou aqui... Me abrindo para vocês... envergonhada de todas as maneiras... decepcionada comigo mesma e triste porque sei que essa não era a mulher que inspirou esta declaração:


"Amor de mãe sou eu... amor de mãe sou eu... amor de mãe sou.... amor de mãe...." ♪♫♩♫♭ 
Se eu puder herdar um terço da força dessa mulher para conseguir superar as dificuldades da vida, sempre com pensamento de ajudar o próximo, sem preconceitos, sempre com muito amor, tenho certeza que poderei ultrapassar qualquer obstáculo que vier pela frente. E olha que a vida nunca foi... e continua não sendo fácil pra ela.
Obrigado por ter me escolhido para ser seu filho, obrigado pela oportunidade de poder compartilhar essa vida com vc, obrigado por todo amor e compreensão. Perdões minhas falhas, meus excessos, minha intolerância.
Te amo. Feliz dia das mães. — com Márcia Maralhas Olivieri."


Ele escreveu isso no seu Instagram num Dia das Mães! Me perdoa, meu filho! Só estou cansada... muito cansada! E você sabe disso e, por isso, me aconselhou a retroceder... descansar... para depois continuar!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Filhos que vão, pais que ficam | Dra Betty Wainstock


Palestra sobre a tese de pós-doutorado da Drª. Betty Wainstock

As fases do luto.


Eu assisti a uma palestra com a mãe enlutada e empresária Andrea Murguel em que ela explica com muita delicadeza este processo do luto!

Cinco são as fases do luto: Negação, Raiva, Depressão, Barganha e Aceitação. 

A primeira fase é aquela em que as pessoas facilmente classificam como "o não caiu a ficha!" Comigo, logo de cara eu me senti traída, retalhada, mas tinha em mim uma necessidade visceral de ser forte, de consolar a minha família e certos amigos: os verdadeiros... Me lembro de várias vezes no velório ter tido a preocupação com amigos do Bruno que se desesperavam ao ver o corpo inerte e eu os acalentava... Não como mãe enlutada, mas como mãe e sei que minha força veio da minha mãe Yemanjá! Aliás, minha e dele!  Me recordo dos rostos, da tristeza, do vazio... E esse vazio é cruel! 

Me lembro dos rostos de três pessoas que estavam com ele. Me lembro de um deles chorando aos meus pés... Me lembro de tudo o que ele me disse e me lembro que enquanto ele falava, eu mentalmente pedia a minha mãe Yemanjá forças... Parecia que eu queria ser à prova de dores, mas mesmo assim ali na hora de levarem o corpo, meu organismo disse: chega! E eu caí sem forças com a pressão tão baixa e os batimentos tão altos que não dava para acreditar! 

Com o passar dos dias, eu comecei a sentir uma raiva imensa das pessoas que estavam com meu filho! Me lembrei do meu marido dizendo que encontrou tíquetes de lanche durante o dia e nas horas em que meu filho estava sumido. Mas como assim? O Bruno sumido e a galera foi lanchar no carro dele? Que irmandade é essa que sai para lanchar com o amigo sumido e nem sequer liga para a família para dizer o que estava ocorrendo? Talvez esperassem "o momento certo" para ligar! 

E eu me joguei em um colchonete no chão do meu quarto e lá fiquei por quase um mês: sem querer me alimentar, sem querer falar com as pessoas, sem querer conversar com Deus!

Foi um período muito difícil... E eu tinha sonhos com o Bruno sendo assassinado com o lugar onde eu supunha que ele havia sido escondido para sangrar até morrer... Com a minha vingança... Sim, vingança! Porque na fase da raiva o que você mais pensa é que os algozes do seu filho precisam sofrer o que ele sofreu e seus parentes mais ainda! E até hoje quando penso em parentes sinto uma vontade de vomitar horrível!

A fase da raiva dura um bom par de meses, principalmente para quem perdeu seu ente para a violência! E é uma fase em que você quer esbofetear quem vem com aquelas malditas frases de efeito: 

"Ah, ele era tão bom que Deus queria ele perto dele!"
"Não chore assim, ele está em um bom lugar. Aliás, melhor que nós!" 
"Não fique chorando, você vai atrapalhar ele na espiritualidade!" 

Cara essa frase foi a que mais me doeu... Principalmente, por ouvir de espíritas metidos a Alan Kardec! Que ódio dessa gente! Gente burra que ao invés de calar a boca e simplesmente me abraçar, vendiam ou tentavam me vender uma premissa completamente falsa! Nos primeiros tempos após o desencarne, o espírito é colocado num sono profundo num hospital, para que possa se situar e não passar pela tristeza de ver a família desesperada! Gente, a espiritualidade é maravilhosa! Nós é que somos seres em evolução e às vezes, uns asnos!

Bem, quando começamos a deixar a ficha finalmente cair, vem a maldita depressão e com ela muitas síndromes! Eu por exemplo fiquei muito desgostosa da vida! Passei a odiar o município em que morava... Odiar a minha casa... Aliás, isso dura até hoje! Se insisto em voltar a Mangaratiba, entro de novo em depressão! Prefiro a morte! 

A depressão é cruel... Ela afeta a pessoa e todos ao seu redor! Ela destrói uma família! Destrói uma carreira... Hoje eu percebo que não sou arremedo do que já fui um dia! E a depressão é a fase que mais vai e volta! E as pessoas não estão preparadas para conviverem com um depressivo! É chato, angustiante, mas eu entendo. 

Tive o merecimento de ter algumas pessoas que me apoiaram durante este período cruel e ao contrário das estatísticas, eu e meu marido ficamos muito mais unidos! Tive dois episódios de quase-morte provocados pela crise de pânico: uma bem recente e uma na semana antes do Natal! Foi horrível! Desgastante... E o pior é tentar controlar uma coisa que você não consegue!

Bem, a fase da barganha para mim é a que estou... Cheguei a conclusão de que se eu for uma "boa menina", tanto o Altíssimo quanto as pessoas ao meu redor me aceitarão com mais facilidade e eu poderei finalmente merecer o reencontro... É... porque uma mãe enlutada pensa dia e noite em se reencontrar com seu(sua) filho(a) num dia num universo paralelo.

Eu não cheguei a fase de aceitação! Não ainda! A minha fé é que me faz mais calma e mais confiante, mas não é ainda aceitação! Eu ainda preciso entender o por quê dos encarnados para a morte do meu filho. O que aconteceu de verdade? O por quê, da polícia ter ficado tão parada e inoperante? E são tantos os por quês...

Mas eu sei que um dia chegarei lá... E para isso, conto com apoio dos médicos, dos amigos, dos grupos de ajuda com minhas irmãs-amigas, da minha família e principalmente, da minha fé e da Luz do meu anjo Bruno!

E a fase de aceitação não significa necessariamente que aceitamos... Penso que com o tempo, entendemos que este é o ciclo da vida e que quando temos uma religião nos envolvemos na certeza do reencontro.

É importantíssimo ressaltar a oscilação dessas fases... Vamos e voltamos a cada uma delas até que um dia nossa psiquê diz: "Chegou a hora!"

E o tempo de duração de um luto? Ah, isso só o próprio tempo vai determinar! Não há uma regra, não há uma condição... E coitado(a) daquele(a) que se julga superior em classificar um(a) enlutado(a) como oportunista de seu luto... A esses, o nosso perdão!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

3030 - Ogum (Clipe Oficial)








Indecisão


Uma personagem foi mais forte que o apelo gritado de uma mãe... Me lembrei tanto daquele dia fatídico onde coloquei meus pés no chão e clamei ao povo cigano pelo meu menino... Pedi ao Senhor Ogum que enviassem seus capangueiros para ajudar meu menino a não ter medo ao ficar sozinho... Meu coração de mãe já me dizia que naquele corpo jazia Bruno... Será que fui fraca? Será que desisti cedo demais? Será que ainda sou fraca? Há justiça nesta incomensurável dor da perda? há justiça no silencio dos amigos? 


Queria eu ter sido forte, como sou para rezar e ajudar a curar os outros... Fui fraca demais... e com isso deixei meu menino ir.

Percebo que continuo fraca e que bem de mansinho, estou também me deixando ir... Evitando o bom combate.

terça-feira, 12 de julho de 2016

"Comunicação de más notícias: desafios e possibilidades", uma palestra para auxiliar os profissionais que comunicam o óbito.

Vi o registro da primeira palestra do Núcleo de Psicologia do Instituto Mães Sem Nome, no Comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em Bonsucesso e desejei compartilhá-lo com vocês, amigos e amigas.

A palestra "Comunicação de más notícias: desafios e possibilidades" foi ministrada pela Dra. Fátima M. Giovagnini e Judith Nemirovsky e faz parte de um projeto inédito que está sendo oferecido aos psicólogos e profissionais da comissão de feridos da Coordenadoria da Polícia Pacificadora do RJ (CPP)Trata-se da comunicação de notícias difíceis, relacionadas ao óbito de policiais para os familiares. Um assunto delicado, porém relevante no âmbito da morte e do luto, em uma fase em que tantos policiais estão morrendo.

No site do instituto foi disponibilizada a Cartilha Jurídica do Luto.

Fonte: https://web.facebook.com/maessemnomereaprendendoaviver/photos/a.568991793169427.1073741828.568987043169902/1045746125493989/?type=3&theater

domingo, 5 de junho de 2016

Dom Orani se reúne com mães de jovens vítimas da violência no Rio...

No dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Cardeal Orani João Tempesta, acolheu no Edifício João Paulo II, mães que perderam seus filhos vítimas da violência urbana da cidade do Rio de Janeiro.

O encontrou contou também com a presença dos responsáveis pela Assistência Religiosa aos Adolescentes Privados de Liberdade na Arquidiocese do Rio, padre Gilvan André da Silva e o diácono Roberto dos Santos, e promotora pública e coordenadora da Tutela Coletiva Infracional do Estado do Rio de Janeiro, Janaína Pagan.   


As mães pediram o encontro com Dom Orani na certeza de ouvirem uma palavra de conforto e com o desejo de falar sobre a impunidade e a ausência do Estado, que potencializam o aumento da dor de quem, assim como Maria viu seu filho ser crucificado, perdeu a guerra para a violência.

Mãe do policial civil Eduardo da Silva Oliveira, de 25 anos, assassinado por um colega em 2012, Rosemar Vieira da Silva participou do encontro e ainda hoje luta por justiça. O assassinato do Eduardo me causou outra morte. Eu morri naquele dia 19 de abril de 2012”, disse emocionada. 

Já o filho de Maria de Fátima foi executado por policiais na comunidade Rocinha, Zona Sul do Rio. O meu celular tocou e era um amigo da família que minha filha havia pedido para me ligar informando. Ele disse: “Fatinha, a Mirelle pediu pra eu te ligar e mandou te dizer que a polícia acabou de matar o Hugo””, contou Maria de Fátima aos prantos.  

O Ano Santo da Misericórdia foi lembrado no encontro com maior ênfase sobre a importância do perdão. Filho único de Jane Albuquerque, o lutador Marco Jara foi morto por um adolescente durante um assalto. A mãe da vítima conseguiu perdoar o assassino. Eu segurei nas mãos dele e, de joelhos, olhei nos olhos dele e perdoei. O ódio mata e o perdão me salvou”, afirmou Jane.

Dentre as diversas solicitações feitas pelas mães a Dom Orani, destacaram-se o pedido de ajuda para que a Igreja auxilie no acompanhamento dos processos, na busca por justiça, no cuidado com a saúde psicológica e física das mães e no auxílio de recursos básicos para a sobrevivência, muitas vezes omitidos pelo Estado.  


Cartilha do Luto


Formado por mães que perderam seus filhos, o “Instituto Mães SemNome” vai lançar no dia 08 de junho, às 11h, na Fundação Getúlio Vargas, a “Cartilha Jurídica do Luto: orientações práticas e jurídicas aos familiares”, que aborda os desdobramentos de um episódio de morte. (Veja no menu ao lado o link para o evento)

"A importância de elaborar a cartilha está no fato de que, mesmo sendo um tema árido e desestabilizante, é absolutamente necessário estarmos bem informados para tomarmos decisões”, disse a presidente do instituto, Márcia Noleto.

Para a difícil tarefa, o Instituto Mães SemNome contou com a Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas (FGV Direito Rio), especificamente com um grupo de alunos de graduação da FGV Direito Rio, orientados pela advogada Ana Paula Sciammarella, supervisora da Clínica LAJES (Laboratório de Assistência Jurídica a Organizações Sociais).

Na ocasião, haverá um debate sobre políticas públicas para o luto, com a presença de Andrea Sepúlveda, defensora pública e subsecretária de Defesa e Promoção de Direitos Humanos; José Muiños Piñeiro, desembargador do Tribunal de Justiça do RJ e colaborador da revisão jurídica da cartilha; e Valéria Velasco, presidente do Comitê Nacional de Vítimas de Violência. A mediação será de André Mendes, coordenador do Núcleo de Prática Jurídica da FGV.

A partir do dia 08, a cartilha poderá será compartilhada online, por meio do website do Instituto Mães SemNome (www.maessemnome.com.br) e da Biblioteca Digital da Fundação Getúlio Vargas (http://bibliotecadigital.fgv.br).

Fonte: ArqRio

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Encerrando o dia... Faça uma oração no seu credo... Deus te ama e ouve em Sua infinita misericórdia...


Uma grande cantora alemã de origem russa chamada Helene Fischer gravou uma versão da Ave Maria de Schubert, onde a oração - que já era um libelo de esperança - se torna um bálsamo para corações tão cansados...




Ave Maria, Cheia de Graça!
Ave, mães e pais, tão amados por Deus!

Deus, meu Pai, meu mestre, eu Te agradeço pela oportunidade de estar viva e pela fé que me sustenta! E embora, por vezes, os teus desígnios possam me atordoar, eu jamais deixarei de crer em Tua palavra! 

Sei, ó Pai, que em Sua infinita sabedoria, Estás a preparar um exército de mulheres fortes e crentes em Teu Evangelho, para ajudar na regeneração deste mundo tão cruel e egoísta! 

Que eu possa ser exercício da Tua Palavra e assim ajudar a cada irmão e irmã em dor a passar por esta estrada tão difícil em que nos encontramos!

E mesmo diante da incredulidade de alguns, eu Lhe dou graças pela oportunidade que me Ofereces. 

Amém!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Cliquem na frase abaixo... Ela não está mais encarnada...mas nos deixou um legado!




É difícil, mas não impossível... Continuar é uma questão de amor ao filho entregue de volta ao Pai...

Sempre reforçamos a ideia, de que o amor entre pais e filhos é incondicional... Mas, será que sabemos mesmo o que é amor incondicional?

incondicional
         adjetivo de dois gêneros
1que não depende de, não está sujeito a qualquer tipo de condição, restrição ou limitação; incondicionado; "rendição i."
2fisl psic m.q. INCONDICIONADO.


Se entendermos o sentido da palavra incondicional e se reforçarmos nossa fé em um Deus de Amor e Misericórdia, entenderemos que o amor dos pais pelos filhos não se limita à vida encarnada... Não se restringe quando a separação física nos chega...

Se é INCONDICIONAL, é ETERNO!

EU SIGO AMANDO MEU FILHO BRUNO NICOLAU MARALHAS OLIVIERI. 


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Filho... Pensando em você!






As músicas me consolam... Ouço-as como quem faz uma oração! Fico em êxtase e por uns momentos é como se estivéssemos juntos. Assim, desse jeitinho, vou me reinventando, um dia de cada vez, entre quedas e levantes, mas sempre crendo que um dia nos reencontraremos!


Como se fossem nossos anjos mandando um recado para nós!