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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Quando a tragédia nos leva a algo acima da revolta: a reflexão de que a mudança que quero para o mundo começa em mim!

Foto da Gazeta do Espírito Santo 
Essa semana, as imagens que chegam de Ubá e Juiz de Fora parecem cenas que a gente custa a acreditar que são reais. A água subindo sem pedir licença. Invadindo casas, lojas, escolas, supermercados. Carregando móveis, histórias, fotografias, sonhos. A chuva, que tantas vezes é bênção, transformada em medo.

Imagino o desespero silencioso de quem vê o nível da água alcançar o portão… depois a sala… depois o que antes era abrigo. O coração dispara, a mão treme, a mente tenta salvar o que é possível — documentos, remédios, alguma lembrança de valor afetivo.

 E, quando não dá tempo, resta apenas assistir. Assistir ao que a força da natureza faz quando encontra cidades despreparadas e pessoas vulneráveis.

Há algo de profundamente angustiante na sensação de impotência. A água que sobe do lado de fora parece também subir por dentro — um misto de pânico, tristeza e exaustão. E, ainda assim, no meio do caos, surgem mãos estendidas. Vizinhos que ajudam vizinhos. Voluntários que distribuem doações. Gente que, mesmo com pouco, divide. É na tragédia que também se revela a capacidade humana de empatia.

Mas, passado o susto imediato, precisamos refletir. É verdade que a ineficiência de alguns gestores públicos favorece prejuízos — materiais e emocionais. A falta de planejamento, de infraestrutura adequada, de políticas preventivas custa caro. Muito caro. Porém, se queremos justiça na análise, precisamos também fazer a nossa mea culpa.

Cidade que mais se varre não é, necessariamente, a que mais se limpa — pode ser apenas a que mais se suja. 

Não adianta cobrar drenagem eficiente se insistimos em jogar lixo nas ruas. Não adianta exigir responsabilidade se não cultivamos responsabilidade nos pequenos gestos diários. 

A mudança que exigimos começa, inevitavelmente, nos nossos hábitos.
Há uma urgência que vai além das obras e dos discursos: a urgência da educação. Educação ambiental. Educação cidadã. Educação que nos ensine que o que jogamos fora não desaparece — ele volta. E, às vezes, volta em forma de enchente.

Que a dor dessa semana não seja apenas mais uma memória triste. Que ela nos transforme. Que nos torne mais conscientes, mais solidários e mais comprometidos com a cidade que desejamos habitar. Porque reconstruir paredes é possível. Reconstruir valores é indispensável.