Curiosamente, quando escrevo, a música quase nunca vem antes.
Primeiro vêm as palavras. Vêm as lembranças, as reflexões, as dores, os aprendizados. O texto nasce cru, como um tecido recém-tecido.
Só depois a música chega.
Ela vem como uma renda. Um acabamento delicado que não muda a essência da peça, mas revela o seu desenho.
Foi exatamente isso que aconteceu quando me dei conta do significado de Believer, da banda Imagine Dragons.
A música fala sobre dor. Mas não sobre uma dor que destrói. Fala sobre uma dor que transforma.
Ao ouvi-la com atenção, percebi que ela conversava com partes da minha própria história.
Não porque eu agradeça pelas perdas que vivi. Não porque eu ache que o sofrimento seja necessário. Nenhuma mãe escolheria os caminhos que a vida às vezes nos obriga a percorrer.
Mas porque, olhando para trás, reconheço que cada cicatriz deixou uma marca. E que, de alguma forma, elas também me moldaram.
A mulher que sou hoje não existiria sem a menina que sonhou, sem a esposa que se decepcionou, sem a mãe que amou, sem a mãe que perdeu, sem a avó que reaprendeu a sorrir através dos olhos dos netos.
A vida me atingiu muitas vezes.
E, ainda assim, não levou de mim a capacidade de amar.
Talvez seja por isso que Believer tenha encontrado um lugar tão especial dentro de mim. Porque ela traduz algo que eu nunca consegui explicar completamente:
não somos feitos apenas das alegrias que vivemos.
Também somos feitos das dores que sobrevivemos.
E, quando a música encontra a nossa história, acontece uma espécie de milagre silencioso.
Ela nos devolve em melodia aquilo que a alma tentou dizer durante anos.
"A música dá linguagem para emoções que às vezes são difíceis de explicar apenas com palavras."
❤️🩵