A pior solidão
Existe um tipo de solidão que pouca gente entende.
Não é aquela de quem mora sozinho. Não é a de quem não tem com quem conversar.
É a solidão de quem divide a casa, a mesa, a cama... mas já não divide a vida.
É olhar para o lado e perceber que a pessoa está ali apenas de corpo presente. A mente está em outro lugar. As preocupações giram sempre em torno dela mesma. Os seus medos, as suas dores, as suas necessidades parecem invisíveis.
E, aos poucos, você vai aprendendo a silenciar.
Não porque deixou de sentir, mas porque percebe que suas palavras já não encontram abrigo.
É estranho como podemos nos sentir profundamente sozinhos no meio de uma companhia.
Às vezes, um desconhecido oferece mais atenção do que quem prometeu caminhar ao nosso lado.
E o coração vai ficando cansado...
Cansado de esperar uma pergunta sincera: "Como você está?"
Cansado de desejar um abraço que nunca vem. Cansado de acreditar que amanhã será diferente.
A solidão não é a falta de pessoas.
É a falta de presença. É a falta de cuidado. É a falta de interesse pelo que acontece dentro da alma de quem está ao nosso lado.
Talvez muita gente esteja vivendo exatamente isso neste momento.
Sorrindo para o mundo, enquanto, por dentro, sente um vazio imenso.
Se você também se sente assim, saiba apenas de uma coisa: seus sentimentos são reais. Eles merecem ser ouvidos, respeitados e acolhidos.
Ninguém deveria se acostumar a viver invisível dentro da própria história.