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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Depois da porta arrombadada...


Eu sei que a imagem é caricata demais... no entanto ela expressa parte do que quero conversar com vocês.

Existe um ditado antigo que diz que não adianta colocar cadeado depois da porta arrombada. Ainda assim, quantas vezes fazemos exatamente isso?

Vivemos adiando cuidados, ignorando sinais, acreditando que determinadas tragédias acontecem apenas com os outros. Até que um dia a notícia chega perto. Às vezes tão perto que atravessa a nossa própria porta.

Foi assim com o episódio que tomou conta das conversas destes últimos dias. Um salto sem a corda. Um risco subestimado. Uma vida interrompida. E, de repente, surgem as perguntas, os alertas, as discussões, as preocupações que deveriam ter existido antes.

Mas essa não é apenas uma reflexão sobre um acontecimento específico. É uma reflexão sobre nós.

Por que esperamos o diagnóstico para cuidar da saúde?

Por que esperamos perder alguém para dizer o quanto amamos?

Por que esperamos o acidente para revisar os procedimentos?

Por que esperamos a solidão para valorizar as companhias?

Parece que o ser humano possui uma estranha tendência a acreditar que o amanhã está garantido. Como se a vida tivesse nos concedido um contrato de permanência sem prazo para terminar.

Não tem.

A vida é um empréstimo diário.

Talvez a verdadeira sabedoria esteja em desenvolver a capacidade de aprender com as portas arrombadas dos outros, sem precisar que a nossa seja destruída também.

Prevenir nunca terá o mesmo impacto emocional que remediar. O problema é que, muitas vezes, quando a lição chega pela dor, ela vem acompanhada de perdas irreparáveis.

A maturidade nos ensina que prudência não é medo. Cuidado não é pessimismo. Atenção não é excesso de preocupação.

É apenas respeito pela fragilidade da vida.

E talvez seja exatamente isso que os acontecimentos mais marcantes tentam nos lembrar: algumas cordas precisam ser verificadas antes do salto. Algumas portas precisam ser protegidas antes da invasão. Alguns abraços precisam ser dados antes da despedida.
Porque existem coisas que podem ser consertadas depois.
Outras, infelizmente, não.

A superficialidade no viver não pode e nem deve nos causar riscos desnecessários!