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quinta-feira, 18 de junho de 2026

O avanço da tecnologia versus a irresponsabilidade de quem precisa gerir... deixando a porta ser arrombada...

Foto copiada do site Sou Petrópolis.

Vivemos uma época curiosa. Nunca tivemos tanta capacidade de prever os humores da natureza. Satélites observam oceanos, computadores simulam cenários climáticos e especialistas alertam com meses de antecedência sobre secas, enchentes, ondas de calor e tempestades cada vez mais severas.

Ao mesmo tempo, nunca pareceu tão comum assistir às tragédias anunciadas acontecerem diante dos nossos olhos.

Se um possível super El Niño vier a se confirmar, não poderemos dizer que fomos pegos de surpresa. Os sinais estão aí. As previsões estão aí. A informação circula em velocidade instantânea. O que falta não é conhecimento; é compromisso.

Enquanto cidadãos recebem alertas em seus celulares, muitas cidades continuam sem planejamento adequado, sem obras preventivas, sem manutenção da infraestrutura e sem políticas capazes de proteger as populações mais vulneráveis. A ganância, os interesses eleitorais de curto prazo e a velha cultura de agir apenas depois do desastre parecem falar mais alto do que a responsabilidade coletiva.

Precisamos ter coragem de levantar essa discussão. Não para espalhar medo, mas para exigir prevenção. Não para apontar culpados depois da tragédia, mas para cobrar providências antes dela.

Porque a chuva é um fenômeno natural. O calor extremo é um fenômeno natural. Os ventos são fenômenos naturais. Mas transformar previsões em ações concretas é uma obrigação humana.

E quando a sociedade se cala diante dos alertas ignorados, acaba assistindo, mais uma vez, à repetição de uma história que poderia ter sido diferente.

Talvez o mais preocupante não seja a possibilidade de um super El Niño. Talvez o mais preocupante seja nossa capacidade de assistir aos alertas, conhecer os riscos, prever as consequências e, ainda assim, esperar que a tragédia aconteça para agir.
Temos informações, tecnologia, estudos e previsões. O que falta, muitas vezes, é transformar conhecimento em prevenção.
Vivemos reclamando da cultura do "depois da porta arrombada". Mas, neste caso, a porta está balançando diante dos nossos olhos, os avisos estão sendo dados e os riscos estão sendo amplamente divulgados.

A pergunta que fica não é apenas o que a natureza fará nos próximos meses.

A pergunta que fica é: o que está sendo feito no seu município para prevenir as consequências desse fenômeno?
As galerias pluviais estão sendo limpas? As áreas de risco estão sendo monitoradas? Existe um plano para proteger idosos e pessoas vulneráveis durante ondas de calor? Há preparo para enfrentar enchentes, deslizamentos, secas ou interrupções no abastecimento?

Porque, quando a porta finalmente arromba, já não há tempo para prevenção. Resta apenas contar os prejuízos e lamentar aquilo que poderia ter sido evitado.

domingo, 17 de maio de 2026

Comandante Felipe / luto e revolta pela violência

Foto tirada do perfil do Instagram da viúva Kleidna.

Ele poderia ser meu filho… ou o seu… ou o da vizinha ao lado…

E hoje, uma família inteira chora.
Chora o homem que partiu cansado de uma luta de meses após o maldito tiro…

Chora a ausência na cadeira vazia, o silêncio da casa, os planos interrompidos.
E fica em nós esse grito preso na garganta: até quando?

Até quando pais e mães de família — civis ou militares — terão que morrer tentando nos proteger, sem sequer serem protegidos?
Então começam as fases do luto…

O entorpecimento… a negação… a revolta…
E talvez a revolta seja a pior delas, porque ela corrói por dentro.

Ela nos faz querer apontar culpados, gritar contra políticos, governos, leis frouxas, contra toda a estrutura que parece falhar justamente com quem trabalha, sonha e luta para sobreviver honestamente.

E eu entendo essa revolta.
Porque quem já perdeu um filho para a violência nunca mais olha o mundo da mesma forma.

Uma parte da gente morre junto.
Mas no meio dessa dor, existe algo que não pode morrer: nossa humanidade.
Não podemos permitir que a banalização da violência transforme vidas em números e manchetes passageiras.

Cada pessoa perdida tinha nome, história, família, sonhos e alguém esperando seu retorno para casa.

Hoje, não é dia de disputa política.
É dia de lembrar que nenhuma mãe deveria enterrar um filho.
Nenhuma criança deveria crescer sem o abraço do pai.
Nenhuma família deveria aprender a sobreviver carregando um vazio causado pela violência.

Que anjos de Luz e Afinidades o acompanhe em seu retorno ao nosso Verdadeiro Lar!  Que Felipe descanse em paz.

E que Deus conforte todos os corações feridos — os de hoje… e os que ainda sangram perdas antigas que nunca cicatrizaram completamente.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Quando a tragédia nos leva a algo acima da revolta: a reflexão de que a mudança que quero para o mundo começa em mim!

Foto da Gazeta do Espírito Santo 
Essa semana, as imagens que chegam de Ubá e Juiz de Fora parecem cenas que a gente custa a acreditar que são reais. A água subindo sem pedir licença. Invadindo casas, lojas, escolas, supermercados. Carregando móveis, histórias, fotografias, sonhos. A chuva, que tantas vezes é bênção, transformada em medo.

Imagino o desespero silencioso de quem vê o nível da água alcançar o portão… depois a sala… depois o que antes era abrigo. O coração dispara, a mão treme, a mente tenta salvar o que é possível — documentos, remédios, alguma lembrança de valor afetivo.

 E, quando não dá tempo, resta apenas assistir. Assistir ao que a força da natureza faz quando encontra cidades despreparadas e pessoas vulneráveis.

Há algo de profundamente angustiante na sensação de impotência. A água que sobe do lado de fora parece também subir por dentro — um misto de pânico, tristeza e exaustão. E, ainda assim, no meio do caos, surgem mãos estendidas. Vizinhos que ajudam vizinhos. Voluntários que distribuem doações. Gente que, mesmo com pouco, divide. É na tragédia que também se revela a capacidade humana de empatia.

Mas, passado o susto imediato, precisamos refletir. É verdade que a ineficiência de alguns gestores públicos favorece prejuízos — materiais e emocionais. A falta de planejamento, de infraestrutura adequada, de políticas preventivas custa caro. Muito caro. Porém, se queremos justiça na análise, precisamos também fazer a nossa mea culpa.

Cidade que mais se varre não é, necessariamente, a que mais se limpa — pode ser apenas a que mais se suja. 

Não adianta cobrar drenagem eficiente se insistimos em jogar lixo nas ruas. Não adianta exigir responsabilidade se não cultivamos responsabilidade nos pequenos gestos diários. 

A mudança que exigimos começa, inevitavelmente, nos nossos hábitos.
Há uma urgência que vai além das obras e dos discursos: a urgência da educação. Educação ambiental. Educação cidadã. Educação que nos ensine que o que jogamos fora não desaparece — ele volta. E, às vezes, volta em forma de enchente.

Que a dor dessa semana não seja apenas mais uma memória triste. Que ela nos transforme. Que nos torne mais conscientes, mais solidários e mais comprometidos com a cidade que desejamos habitar. Porque reconstruir paredes é possível. Reconstruir valores é indispensável.