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domingo, 9 de agosto de 2026

QUANDO A INVESTIGAÇÃO QUE NÃO ACONTECEU TAMBÉM VIRA PARTE DO LUTO...


Há dias em que o luto parece adormecido.
E há dias em que basta um nome.

Hoje, sem querer, vi o nome do delegado que estava à frente da Delegacia de Homicídios da Barra em 2015. E, junto com aquele nome, voltou uma história que eu gostaria de conseguir colocar em algum lugar definitivo da minha memória.

Meu filho mais velho foi a uma festa de música eletrônica para homenagear o irmão da mulher que amava.

Foi a uma festa.

E não voltou.

Três tiros tiraram sua vida.

Até hoje, quando penso nisso, algumas perguntas continuam me perseguindo.
O que pensar quando você recebe a notícia de que seu filho foi assassinado e não sabe por quem, nem por quê?

O que pensar quando um crime acontece dentro de uma festa, diante de tantas pessoas, e, de repente, parece que todos emudecem?

Nenhuma história circulando.

Nenhuma fofoca.

Nenhuma postagem.

Nenhuma informação que ajudasse a entender o que havia acontecido.

Em tempos em que as pessoas fotografam, filmam e publicam absolutamente tudo, como pode um assassinato acontecer em meio a uma multidão e, depois, existir tamanho silêncio?

E talvez a pergunta mais dolorosa seja outra:
O que pensar quando você espera que o Estado investigue a morte do seu filho e fica com a sensação de que essa investigação nunca aconteceu de verdade?

Eu não sou uma mulher ignorante.

Sou uma mãe. E mãe, quando tem um filho assassinado, não consegue simplesmente sentar e esperar.

Eu fui atrás.

Pesquisei. Procurei nomes. Procurei informações. Cruzei histórias. Tentei entender quem eram as pessoas que estavam naquela festa, o que havia acontecido, quem poderia saber alguma coisa.

Não porque eu quisesse brincar de detetive.
Mas porque era o meu filho.
E quando uma mãe percebe que as respostas não chegam, ela procura as respostas onde consegue.

O tempo passou.
O crime continuou sem resposta para mim.

E hoje, quase onze anos depois, eu me deparo novamente com o nome daquele delegado.
E descubro que o homem que ocupava aquela posição de autoridade, aquele a quem cabia conduzir uma investigação sobre a morte do meu filho, está preso há alguns anos por envolvimento em outros crimes.

Isso não me permite afirmar que ele tenha cometido qualquer irregularidade no caso do meu filho.

Mas me permite fazer perguntas.

Perguntas que talvez eu nunca consiga deixar de fazer.

Será que tudo foi investigado como deveria?

Será que todas as pessoas foram ouvidas?

Será que todas as informações foram consideradas?

Será que tudo aquilo que poderia ter levado à verdade foi realmente perseguido?

Será que alguma coisa foi deixada de lado?
Será que houve omissão?

E, principalmente:
por que eu, mãe de um homem assassinado, fiquei com tantas perguntas e tão poucas respostas?

Não estou escrevendo isso para condenar ninguém.
Estou escrevendo porque existe uma diferença enorme entre aceitar que um crime não foi solucionado e acreditar que ele foi investigado com toda a seriedade que a vida de um ser humano exige.

Meu filho não era um número.
Não era mais um registro numa ocorrência policial.
Não era apenas mais um homicídio.
Era Bruno.
Era meu filho.
Era o filho de alguém, irmão de alguém, amigo de alguém, homem amado por alguém.

E quando a Polícia não consegue descobrir quem matou um filho, a dor da família já é imensa.

Mas quando essa família carrega também a sensação de que poderia ter havido mais investigação, mais empenho, mais perguntas, mais busca pela verdade, nasce uma segunda dor.

A dor da dúvida.

E talvez essa seja uma das formas mais cruéis de prolongar um luto: não saber.
Eu não tenho como voltar a 2015.
Não tenho como refazer aquela investigação.
Não tenho como recuperar as horas, os depoimentos, as informações que talvez tenham se perdido pelo caminho.
Mas ainda tenho o direito de perguntar.

E enquanto eu estiver viva, vou continuar perguntando:
Quem matou meu filho?

E outra pergunta, talvez ainda mais incômoda:
Será que fizeram tudo o que poderiam ter feito para descobrir?

Porque algumas mães enterram seus filhos.
Outras, além de enterrá-los, precisam continuar procurando a verdade.
Eu sou uma dessas mães.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Somos todas Marias... um texto às mães enlutadas!

Quando uma mãe perde um filho, todas as outras mães se aproximam. Não porque sintam a mesma dor — a dor da perda de um filho é única, impossível de ser medida ou comparada — mas porque cada mãe sabe, em alguma dimensão da alma, o peso que um filho ocupa dentro de nós.

Costumo dizer que somos todas Marias.

Marias que, em algum momento da vida, caminham até o pé de uma cruz invisível. Marias que aprendem sobre amor e entrega de uma forma que jamais desejaram aprender. Marias que seguem vivendo mesmo depois que uma parte de si parece ter partido.
Foi compreendendo a figura da Virgem Maria que comecei a elaborar meu luto. Não a Maria distante dos altares, mas a mãe. A mulher que viu o filho sofrer. A mulher que não pôde impedir. A mulher que precisou permanecer de pé quando tudo dentro dela desejava cair.
Naquele momento, percebi que não estava sozinha na minha dor. Havia uma mãe, há mais de dois mil anos, que conhecia aquele caminho.

E então encontrei uma outra reflexão, muito presente no espiritismo: a de que os filhos escolhem suas mães. Não somos nós que os escolhemos. Eles nos escolhem porque sabem que seremos o colo possível, o aprendizado necessário, o equipamento emocional e espiritual de que precisarão para a experiência que vieram viver.

Durante muito tempo, confesso que essa ideia me intrigou. Depois, ela me consolou.
Porque, se meu filho me escolheu, talvez tenha visto em mim uma força que eu mesma desconhecia. Talvez tenha sabido que eu conseguiria amá-lo exatamente como ele precisava ser amado. Talvez tenha sabido que, mesmo depois da despedida, eu encontraria um jeito de continuar carregando sua existência dentro de mim.

Hoje acredito que o amor entre mãe e filho não termina na ausência física. Ele muda de forma. Sai dos abraços e passa a habitar as lembranças. Sai da convivência diária e passa a morar na saudade. Sai dos olhos e passa a ocupar a alma.

E talvez seja por isso que nós, mães enlutadas, nos reconhecemos tão rapidamente umas nas outras.
Porque carregamos uma ausência que só outra mãe compreende.

E porque, no fundo, seguimos sendo Marias: feridas, saudosas, mas ainda capazes de amar.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Junho, o mês das duas margens...

Junho nunca mais foi apenas junho.

Nele, celebro o primeiro choro de um filho que chegava ao mundo e, também nele, escuto o silêncio de outro filho que partiu.

É um mês que me abraça com uma das mãos e me aperta o coração com a outra.
No mesmo calendário onde guardo a alegria de um nascimento, guardo a saudade de uma despedida.

Durante muito tempo achei que precisava escolher qual sentimento sentir. Hoje entendo que não.

Posso sorrir ao lembrar um bebê de olhos brilhantes e, no instante seguinte, chorar a ausência daquele que regressou à pátria espiritual.

Porque o amor não conhece contradições.
É a vida que, às vezes, escreve no mesmo mês as páginas mais felizes e as mais dolorosas da nossa história.

E nós seguimos lendo ambas, com lágrimas nos olhos e gratidão no coração.

domingo, 17 de maio de 2026

Comandante Felipe / luto e revolta pela violência

Foto tirada do perfil do Instagram da viúva Kleidna.

Ele poderia ser meu filho… ou o seu… ou o da vizinha ao lado…

E hoje, uma família inteira chora.
Chora o homem que partiu cansado de uma luta de meses após o maldito tiro…

Chora a ausência na cadeira vazia, o silêncio da casa, os planos interrompidos.
E fica em nós esse grito preso na garganta: até quando?

Até quando pais e mães de família — civis ou militares — terão que morrer tentando nos proteger, sem sequer serem protegidos?
Então começam as fases do luto…

O entorpecimento… a negação… a revolta…
E talvez a revolta seja a pior delas, porque ela corrói por dentro.

Ela nos faz querer apontar culpados, gritar contra políticos, governos, leis frouxas, contra toda a estrutura que parece falhar justamente com quem trabalha, sonha e luta para sobreviver honestamente.

E eu entendo essa revolta.
Porque quem já perdeu um filho para a violência nunca mais olha o mundo da mesma forma.

Uma parte da gente morre junto.
Mas no meio dessa dor, existe algo que não pode morrer: nossa humanidade.
Não podemos permitir que a banalização da violência transforme vidas em números e manchetes passageiras.

Cada pessoa perdida tinha nome, história, família, sonhos e alguém esperando seu retorno para casa.

Hoje, não é dia de disputa política.
É dia de lembrar que nenhuma mãe deveria enterrar um filho.
Nenhuma criança deveria crescer sem o abraço do pai.
Nenhuma família deveria aprender a sobreviver carregando um vazio causado pela violência.

Que anjos de Luz e Afinidades o acompanhe em seu retorno ao nosso Verdadeiro Lar!  Que Felipe descanse em paz.

E que Deus conforte todos os corações feridos — os de hoje… e os que ainda sangram perdas antigas que nunca cicatrizaram completamente.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Você sabe o que é luto?


Você sabe o que é luto?
Quantos lutos você já viveu na sua vida até hoje?
Você sabia que crianças sofem profundamente com alguns tipos de luto — mesmo quando ainda não conseguem explicar em palavras o que sentem?
Quando ouvimos a palavra “luto”, quase sempre pensamos imediatamente na morte. Sim… a perda de alguém amado é uma das dores mais intensas que um ser humano pode experimentar. Mas o luto vai muito além da despedida física. O luto nasce sempre que algo importante dentro de nós se rompe, muda ou deixa de existir da forma como conhecíamos.
Existe o luto pela morte.
Mas existe também o luto pelo abandono, pela separação, pela rejeição, pela mudança brusca da vida, pelo fim de um relacionamento, pela perda da saúde, do emprego, da segurança, da inocência, dos sonhos e até da imagem que construíamos de nós mesmos.
Há pessoas vivendo lutos silenciosos todos os dias…
Sorrindo por fora enquanto tentam reorganizar os pedaços da alma por dentro.
E as crianças… ah, as crianças também vivem lutos profundos.
Muitas vezes sem compreender exatamente o que está acontecendo.
Uma mudança de casa.
A separação dos pais.
A ausência emocional de alguém importante.
A chegada de um irmão.
A perda de um animal de estimação.
Uma rotina quebrada.
Uma palavra dura dita repetidamente.
Tudo isso pode representar perdas gigantescas no universo emocional infantil.
A criança nem sempre sabe dizer: “Estou vivendo um luto.”
Mas ela demonstra.
No silêncio.
Na irritação.
Na queda do rendimento escolar.
Na insegurança.
No medo de ser abandonada.
Na dificuldade de dormir.
Na necessidade maior de colo e proteção.
O luto não tem idade.
Não escolhe classe social, religião ou fase da vida.
E talvez uma das maiores violências emocionais seja quando dizem para alguém:
“Você precisa superar isso.”
Como se sentimentos obedecessem relógios.
Não existe tempo exato para o coração reaprender a viver depois de uma perda.
Cada ser humano atravessa a dor do seu próprio modo.
Alguns choram.
Outros silenciam.
Alguns adoecem.
Outros transformam a dor em força, acolhimento e reconstrução.
Mas uma coisa é certa:
todo luto precisa ser visto, respeitado e elaborado.
Porque dores ignoradas não desaparecem.
Elas apenas encontram outras formas de se manifestar.
Talvez amadurecer seja justamente compreender que viver também é aprender a lidar com despedidas.
E que, apesar das cicatrizes, o amor vivido jamais se perde completamente.
Ele apenas aprende a existir de outra maneira dentro de nós.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Saudades de você, meu filho!


Filho,
Faltam quatro dias para o que seria o seu aniversário…

E não tem como evitar. A saudade chega.
Ela vem desse jeito estranho, meio tristeza, meio vazio… meio algo que nem sei explicar.

Mas eu estou aqui, vivendo isso.
Porque amar você também é isso: sentir.
Sentir a falta, a dor, a saudade… e entender que tudo isso faz parte do caminho do luto.
E está tudo bem.

Eu me permito sentir… porque você foi amor de verdade.

Filho, eu queria tanto, tanto, tanto saber que você está bem…
Queria ter a certeza de que, de onde você está, você olha por todos nós.
Que continua perto, do seu jeito… cuidando.

Ah, meu filho… que saudade eu tenho de você.
Saudade do que vivemos… e também do que não pudemos viver.

Saudade de te ver construir a sua história,
de saber se você teria filhos…
ou se seguiria dizendo, com aquele seu jeito tão seu,
que ia cuidar da mamãe e do papai.
Você falava que seria juiz…
e, no fundo, eu sei… você já era.
Justo, bom, cheio de amor.

Dói também pensar nas risadas que você não pôde dar com seus sobrinhos,
nas brincadeiras que ficaram só na promessa do tempo…
em tudo aquilo que ficou por vir.

Mas, ainda assim… você vive em nós.
Em cada lembrança, em cada gesto de amor, em cada pedaço da nossa família.

E eu sigo aqui, meu filho…
um dia de cada vez…
com saudade, com amor…
Cada dia um pouquinho 
até o nosso reencontro.

Te amo para sempre.

sábado, 24 de abril de 2021

A felicidade é uma escolha diária! #embuscadaminhamelhorversão

Bom dia, meus amigos! Como vocês estão? Agindo ou reagindo?

Desde o dia 20, fiquei meio "borocoxo" ( nem acredito que usei essa palavra )! Passei estes dias reagindo... Sabem? Meio que automaticamente... 

Eu tracei objetivos para poder correr atrás da minha qualidade de vida ( afinal tinha passado 60 anos de desleixo)... E mesmo sabendo que quebrar paradigmas construídos ao longo de tanto " deixa a vida me levar", eu entendi que não era tarde...

...Mesmo sabendo da dificuldade em me reeducar emocional e fisicamente, fui lá, me abri as dicas... comecei a encarar os "puxões de orelha" não como implicância mas como um "acorda menina!"

Só que, toda vez que uma data marcante aviva em mim a distância física que o luto trás eu baixo minha imunidade... Deprimo... Aff e isso é muito ruim! 

Esse ano, desde o dia do que seria o aniversário do Bruno, fiquei muito mais quieta e recolhida que normalmente sou... ganhei uma"gripezinha" e fiquei entre as dores: de cabeça e corpo e um mal estar em geral.

As noites, principalmente esta, têm sido de pesadelos... tudo me incomoda...

Antes de ontem a noite, eu falei para o meu marido que eu não ia ficar esperando melhorar para fazer os exames que o dr Doc, #embuscadaminhamelhorversão , me solicitou. E ontem, lá estava eu, às 6:25 horas da manhã, no Recreio, em frente ao laboratório Lab's +.

Gente... caraca não foi um exame de sangue... foi uma doação de sangue!🙄😏😅


Só que o exame fazia parte do pacote de metas a cumprir e mesmo "borocoxo" fui lá!

Ainda estou um tanto "resfriada" mas hoje, depois de uma madrugada recheada de dorme, acorda, tem pesadelo, dor de cabeça, me olhei no espelho e disse: chega de reagir! Vamos agir!

E exatamente agora, depois de acordar as 6 da manhã, cumprir minha rotina matinal, estou aqui... esperando meu solzinho, sentada na minha cadeirinha de praia, agradecendo a Deus, o dom da vida e a força por continuar #embuscadaminhamelhorversão!


Hoje reforço o convite a vocês! Busquem saúde! Adubem seu terreno biológico! Tomem as rédeas do seu bem viver! HAJAM!




Pronto! No sol! Cumprindo metas! #obstinados #embuscadaminhamelhorversão