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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Precisamos conversar sobre isto!

"Mais do que a violência, o que me assusta é perceber como o respeito deixou de ser um valor inegociável...

Ontem duas notícias me deixaram profundamente inquieta...

A primeira foi a de um guarda municipal de 65 anos, espancado por um grupo de jovens, a ponto de precisar passar por cirurgia. 


 A segunda foi o desabafo emocionado de uma professora que descobriu que um aluno havia colocado cacos de vidro em seu copo de água enquanto ela estava distraída. O mais assustador não foi apenas a atitude do aluno, mas o silêncio da turma inteira, que viu tudo acontecer e não a alertou.


"Mais do que a violência, o que me assusta é perceber como o respeito deixou de ser um valor inegociável. As notícias de ontem não falam apenas de um guarda municipal agredido e de uma professora humilhada. Elas revelam uma sociedade que parece estar perdendo a capacidade de reconhecer limites, autoridade e, acima de tudo, a dignidade do outro."


Esses episódios me fizeram voltar aos meus anos de sala de aula. Eu não vivi situações tão extremas, graças a Deus, mas vi, ao longo do tempo, a mudança no comportamento de muitos alunos. A perda gradual dos limites, do respeito e da autoridade do professor não aconteceu de um dia para o outro. Foi um processo.

Tenho a impressão de que minha geração também tem sua parcela de responsabilidade. 

Aos poucos fomos confundindo amor com ausência de limites, acolhimento com permissividade e liberdade com a ideia de que toda escolha deve ser aceita sem orientação.

 Mas crianças e adolescentes ainda estão formando seu caráter. Elas precisam de direção. Precisam aprender que existem consequências, que respeito não é opcional e que a liberdade caminha junto com a responsabilidade.

Educar nunca foi apenas transmitir conhecimento. Educar é formar consciência, caráter e humanidade. O caminho do bem precisa ser ensinado, vivido e, muitas vezes, corrigido. Limites não aprisionam; eles protegem. Dizer "não" também é um ato de amor.

Talvez ainda haja tempo de mudar esse rumo. Mas isso exigirá coragem para rever conceitos, resgatar valores e compreender que uma sociedade não se fortalece quando abandona seus referenciais, e sim quando ensina suas crianças e seus jovens a distinguir o certo do errado, a respeitar o próximo e a entender que toda liberdade traz consigo uma responsabilidade.

Os acontecimentos de ontem não são apenas duas notícias. São um alerta. E todo alerta existe para que ainda haja tempo de despertar.

O futuro de uma nação não é construído apenas nas universidades, nos tribunais ou nos parlamentos. Ele começa na sala de aula, dentro de casa e em cada 'não' dito na hora certa, porque limites também são uma forma de amor!





segunda-feira, 8 de junho de 2026

“O peso perigoso do excesso de leveza





Às vezes, o excesso de leveza vira ausência.
Na tentativa de não traumatizar, não limitar, não frustrar… alguns adultos acabam não protegendo.

Criar uma criança não é apenas oferecer liberdade.
É oferecer direção.
É ensinar que existem consequências, limites, respeito, cuidado e presença emocional verdadeira.

Há uma diferença enorme entre uma infância leve… e uma infância solta ao vento.
Nem toda rigidez educa, isso é verdade.
Mas a falta absoluta de firmeza também abandona.

Crianças precisam de amor, mas também precisam de contorno.

Precisam sentir que existe um adulto capaz de sustentar o “não”, de perceber perigos, de interromper violências, de proteger até delas mesmas quando necessário.

Vivemos um tempo em que muitos confundem proteção com permissividade.
Confundem escuta com omissão.
Confundem liberdade com ausência de responsabilidade.

E talvez uma das maiores provas de amor seja justamente aquela que exige coragem para desagradar.

Porque proteger uma criança não é deixá-la fazer tudo.
É não deixá-la sozinha diante de tudo.