terça-feira, 26 de maio de 2026

Me permitindo a preguiça boa....

Tem dias em que a alma pede silêncio.
Não é tristeza, nem fraqueza.
É só o corpo e a mente avisando que também precisam descansar.

Vivemos numa época em que parece obrigatório estar sempre produzindo, sorrindo, performando, dando conta de tudo… mas ninguém floresce o ano inteiro. Até a natureza respeita seus próprios ciclos.

Hoje é dia de preguiça boa.
Daquelas sem culpa.
Dia de desacelerar os pensamentos, respirar mais devagar, aquietar o coração e permitir que o espírito encontre descanso.

Porque descansar também é cuidado.

Também é equilíbrio.

Também é sabedoria. 

domingo, 24 de maio de 2026

“Você não era difícil de amar. Era fácil de controlar.” 😑😶😐


Se apaixonar por alguém com fortes traços narcisistas costuma ser uma das experiências emocionais mais confusas que existem.

Porque, no começo, muitas vezes a pessoa não encontra frieza… encontra intensidade. Atenção. Encantamento. A sensação de finalmente ter sido vista.

E é exatamente aí que mora o perigo.
A manipulação raramente começa com agressão.
Ela começa com vínculo.

Aos poucos, a pessoa vai deixando de confiar na própria percepção, nos próprios sentimentos, nas próprias decisões. O outro passa a definir o que é exagero, o que é drama, o que é loucura, o que é culpa. E quando você percebe… já está emocionalmente dependente de alguém que alterna afeto e punição como forma de controle.

O mais cruel é que a vítima muitas vezes não permanece por fraqueza.
Ela permanece porque foi condicionada emocionalmente.

E então chega o momento mais doloroso:
quando o conhecimento desperta.
Porque entender que está sendo manipulada não significa conseguir sair imediatamente. Às vezes a mente entende antes do coração. Antes da coragem. Antes da autonomia emocional voltar.

A auto preservação começa quase como um luto:
luto da pessoa que você acreditava que ele fosse;
luto da relação que você sonhou;
e, principalmente, luto da versão de si mesma que foi se perdendo para sobreviver à dinâmica.

Reagir dói porque a dependência emocional criada por relações assim não é apenas afetiva. Ela pode se tornar psicológica, financeira, social e até identitária.
E existe uma culpa silenciosa em quem acorda:
“Como eu deixei isso acontecer comigo?”
Mas relacionamentos manipuladores não aprisionam pela lógica.

Aprisionam pela esperança.
Talvez um dos maiores atos de coragem seja justamente este: parar de tentar salvar a relação… e começar a salvar a si mesma.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A arte de criar filhos em tempos modernos... parte 2

Há uma sabedoria muito profunda nesse provérbio japonês:
“A ponte que resiste ao rio não é a que desafia a corrente, mas a que aprende onde apoiar seus pilares.”
No cotidiano, principalmente na educação dos filhos, isso fala menos sobre força… e muito mais sobre inteligência emocional, adaptação e equilíbrio.
Muitos pais acreditam que educar é controlar cada passo, endurecer regras, impor vontades e lutar contra tudo aquilo que o mundo moderno traz. Mas filhos não são rios que podemos represar eternamente. Eles crescem, pensam, questionam, sentem, erram, se transformam.
E talvez o grande desafio da maternidade e da paternidade atual seja justamente entender onde apoiar os pilares.
Porque uma ponte forte não é feita apenas de concreto. Ela é construída com cálculo, flexibilidade e compreensão da força da correnteza. Pais também precisam aprender isso.
Há momentos em que será necessário firmeza. Em outros, escuta. Às vezes orientação. Às vezes silêncio. Às vezes acolhimento. Às vezes limites muito claros.
Educar filhos hoje exige perceber que o mundo mudou. As dores mudaram. As influências são outras. As pressões emocionais são enormes. Redes sociais, excesso de informação, ansiedade, comparações, imediatismo… tudo isso atravessa a vida deles diariamente.
E muitos conflitos familiares nascem quando tentamos educar nossos filhos apenas com os pilares do passado, ignorando a correnteza do presente.
Isso não significa abrir mão de valores. Significa aprender a sustentá-los de maneira que não quebre a ponte entre pais e filhos.
Porque filhos que só recebem rigidez podem aprender medo. Filhos que só recebem liberdade podem crescer sem direção. Mas filhos que encontram apoio, coerência, diálogo e presença… geralmente encontram um caminho de volta, mesmo quando a vida os leva para longe por algum tempo.
Talvez educar seja exatamente isso: não lutar contra o rio o tempo inteiro… mas construir relações fortes o suficiente para atravessá-lo juntos.

“Coerência tem seu preço: nem sempre serei unanimidade.”

Nem sempre eu digo o que as pessoas querem ouvir. Procuro ser coerente com meus pensamentos, com minha índole e com minha essência.

Também nem sempre vou escrever ou falar de uma forma que a minha própria família considere exatamente como fui educada. E isso é natural. O tempo, os valores, as dores e as marcas da vida foram ampliando minha percepção sobre a existência, sobre reforma íntima e sobre o ser humano.

O que sou hoje talvez não seja uma cópia exata daquilo que aprendi na infância. Não. Carrega a base do que vivi, mas passou por transformação, amadurecimento e aperfeiçoamento.

Talvez eu tenha me tornado mais religiosa no sentido mais amplo da palavra. Mais preocupada com justiça, com direitos, com humanidade e, principalmente, com a prática verdadeira da palavra de Deus — sem estar presa às amarras de uma religião específica.
Procuro manter um pensamento crítico, mas também coerente. E mais do que falar sobre valores, procuro ser exemplo deles.

Por isso, não escrevo para agradar pessoas ou para confirmar aquilo que elas já pensam. Escrevo sobre aquilo em que realmente acredito.

Mesmo que isso me faça escolher um lado do muro. Mesmo que provoque desconforto. Mesmo que existam costas viradas, narizes torcidos ou gritos pelo caminho.

Porque, no fim, o que realmente importa para mim é que, em algum lugar, de alguma forma, minhas palavras possam tocar alguém e despertar um exercício mais verdadeiro de justiça, consciência e humanidade.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

A PEDRA, A RÉGUA E A INCOERÊNCIA HUMANA!



“Quem nunca pecou, atire a primeira pedra.”
A frase dita em Bíblia Sagrada atravessa séculos porque continua descrevendo exatamente quem somos.

Vivemos tempos em que muitos falam de Deus. Uns chamam Deus de Pai, outros de Alá, Oxalá, Jeová… pouco importa o nome dado em cada idioma, em cada crença, em cada religião. No fundo, todas pregam algo muito parecido: amor, compaixão, perdão, respeito, humanidade.

Mas de que adianta sermos tão religiosos, tão “crentes”, tão defensores da fé, se a régua que usamos para julgar o outro não tem absolutamente nada a ver com aquilo que aprendemos nas palavras sagradas?

É curioso como sabemos citar versículos, repetir ensinamentos, compartilhar mensagens bonitas… e, ainda assim, muitas vezes tratamos as pessoas com dureza, arrogância e crueldade.

Parece que existe uma enorme distância entre aquilo que pregamos e aquilo que praticamos.

Queremos misericórdia para os nossos erros, mas justiça severa para os erros alheios.
Pedimos compreensão para as nossas falhas, mas dificilmente oferecemos a mesma compreensão ao próximo.

Defendemos amor ao próximo… até que o próximo pense diferente de nós, erre diferente de nós ou viva diferente de nós.
E então surge a velha incoerência humana:
“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.”

Talvez a verdadeira espiritualidade não esteja na quantidade de vezes que alguém entra em um templo, em uma igreja ou em uma cerimônia religiosa. Talvez ela esteja na forma como essa pessoa olha para quem caiu.

Porque é muito fácil carregar a pedra nas mãos. Difícil é soltá-la.
Difícil é corrigir sem humilhar.
Discordar sem destruir.
Ter fé sem arrogância.
Defender valores sem perder a humanidade.

Afinal, ninguém passa pela vida sem errar. Ninguém é completamente puro a ponto de ter autoridade moral para apedrejar o outro sem antes olhar para si mesmo.

No fim, talvez Deus — independentemente do nome que cada um lhe dê — esteja menos interessado nos discursos que fazemos sobre fé e muito mais interessado na maneira como fazemos as pessoas se sentirem quando cruzam o nosso caminho.

A arte de criar filhos em tempos modernos... parte 1


Ser pai e mãe nos tempos modernos talvez seja uma das tarefas mais desafiadoras da vida. Porque existe uma ilusão silenciosa que acompanha muitas famílias: a de que, oferecendo a mesma educação, os filhos necessariamente seguirão caminhos parecidos. Mas não é assim.

Dentro de uma mesma casa nascem universos diferentes.
O filho mais sensível.
O mais rebelde.
O que agrada.
O que confronta.
O que precisa de colo.
O que parece não precisar de ninguém.
O que guarda tudo.
O que explode.

E então os pais se perguntam, muitas vezes em silêncio:
“Onde foi que erramos?”
Mas nem sempre existe erro. Existe individualidade.
Cada filho chega ao mundo carregando sua própria forma de sentir, interpretar, reagir e existir. A educação é a mesma… mas o coração que recebe essa educação nunca é igual.

Há filhos que transformam dor em força.
Outros transformam proteção em sufoco.
Uns amadurecem cedo.
Outros passam a vida inteira procurando respostas.
E talvez a parte mais difícil de ser pai e mãe seja exatamente aceitar que amor não é controle.

Educar não é moldar cópias.
Criar filhos é, muitas vezes, aprender a amar pessoas completamente diferentes de nós — e diferentes entre si.
Os tempos modernos ainda acrescentaram novos ingredientes:
a internet educando junto,
as redes sociais influenciando valores,
a ansiedade precoce,
as comparações constantes,
a necessidade de pertencimento,
os conflitos de identidade,
a pressa do mundo.

Os pais de hoje tentam equilibrar diálogo sem perder autoridade.
Tentam acolher sem passar a mão na cabeça.
Tentam ensinar limites em uma sociedade que confunde liberdade com ausência deles.
E no meio disso tudo existe a culpa.
A eterna culpa dos pais.

Mas talvez seja preciso compreender algo importante:
bons pais não são os que conseguem filhos perfeitos.
São os que permanecem presentes.
Os que tentam.
Os que escutam.
Os que corrigem quando necessário.
Os que também erram, pedem desculpas e continuam amando.

E quando um filho toma um caminho cujas atitudes em nada coadunam com os discursos e valores vividos dentro da própria família? Quando tudo aquilo que foi ensinado parece ter se perdido no meio do caminho?
Talvez esse seja um dos momentos mais dolorosos para um pai e uma mãe. Porque além da preocupação, nasce também a impotência. Surge a sensação de fracasso. O medo do julgamento. A pergunta silenciosa que corrói por dentro: “Como alguém criado no mesmo lar escolheu um rumo tão diferente?”

Mas novamente a vida lembra algo difícil de aceitar: os filhos passam pela nossa formação… mas pertencem às próprias escolhas.

E isso não significa desistir. Significa compreender que amor também é firmeza. Que acolher não é concordar com tudo. Que impor limites ainda é necessário. Que algumas vezes será preciso dizer “não”, manter distância de certas atitudes e permitir que a vida ensine lições que os pais já tentaram ensinar em palavras.

Há momentos em que o diálogo ajuda. Outros em que a ajuda profissional se faz necessária. E existem aqueles em que os pais precisarão apenas permanecer ali… como porto… esperando que o filho encontre o caminho de volta para si mesmo.

Porque educar nunca foi garantir resultados. Educar sempre foi plantar.
E quem planta amor, valores, caráter e presença talvez não controle a colheita imediata… mas dificilmente terá semeado em vão.

Por  fim, ser pai e mãe é viver permanentemente entre duas dores: a de querer proteger os filhos do mundo… e a de compreender que, em algum momento, eles precisarão enfrentar o mundo — e a si mesmos — pelas próprias escolhas.

E talvez a verdadeira arte de educar esteja justamente aí: em oferecer raízes sem aprisionar asas.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Depois de 10 anos encontrei meu eixo...


Muita gente me pergunta como consegui, agora em 2026, voltar a postar quase todos os dias no blog.

Inspirações nunca me faltaram. Mas inspiração sozinha não sustenta ninguém quando a mente está cansada, ferida ou perdida de si mesma.

Depois de 10 anos de terapia, de tratamento psiquiátrico, de medicações e de muito enfrentamento interno, consegui reencontrar meu eixo. E isso não aconteceu por acaso.

Seguindo o conselho e sendo acolhida por aquela que literalmente ajudou a salvar meu psiquismo e minha estrutura emocional, a doutora Danielle Rodrigues Hassene, fui aprendendo, aos poucos, a voltar para mim mesma.

Hoje consigo escrever novamente com constância. Consigo transformar dor em reflexão, saudade em palavras, e pensamentos em algo que talvez também ajude outras pessoas.

E se eu pudesse deixar um conselho para alguém que esteja vivendo ansiedade, depressão, angústia ou qualquer sofrimento emocional, eu diria: procure ajuda.
Se puder, faça terapia. Procure um psicoterapeuta, um psicólogo, um psiquiatra.

 Não trate a saúde mental como algo menor.
E se as condições financeiras forem difíceis, procure os CAPS do seu município. O serviço público pode ser um apoio fundamental para muita gente.

Nós aprendemos desde cedo a cuidar da saúde física, mas os tempos atuais têm mostrado, cada vez mais, o quanto a saúde mental também precisa de atenção, acolhimento e tratamento.

Pedir ajuda não é fraqueza. Às vezes, é exatamente o primeiro passo para voltar ao próprio eixo.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

QUANDO O AMOR PERMANECE...


Ainda estou profundamente emocionada com o desencarne do comandante Felipe.
E fico olhando as fotos… no Instagram, no Facebook… tentando entender como algumas pessoas conseguem transformar até a dor em testemunho de amor.

No meio de tudo o que vimos nesse último ano — a luta, a guerra diária pela sobrevivência, a coragem diante da doença — existe algo que me atravessa o coração de maneira muito forte: o amor deles.

O comandante Felipe foi exemplo de força. De resistência. De luta pela vida até o último instante. E sua história também nos faz refletir sobre o quanto o Rio de Janeiro precisa olhar com mais seriedade para a segurança pública, valorizando quem realmente conhece a guerra das ruas, e não entregando temas tão sérios nas mãos de amadores.

Mas hoje, meu olhar também repousa sobre Keidna Marques.
Essa mulher exemplifica o amor.
Um amor puro. Um amor dedicado. Um amor bíblico.

Porque amar também é permanecer. É cuidar quando o outro já não consegue. É sustentar esperança mesmo enquanto o coração sangra. É estar presente em cada consulta, em cada noite difícil, em cada silêncio, em cada oração.

Ao olhar para ela e para tudo o que fez durante esse processo, é impossível não enxergar a beleza de um amor verdadeiro.

Que Deus fortaleça essa mulher. Que Deus a ampare nos dias em que a saudade apertar. E que permita que ela atravesse esse período com dignidade, fé e força… mesmo sabendo que existem dores que palavra nenhuma consegue alcançar.

A régua: julgo você por mim!

Existe uma mania muito humana — e ao mesmo tempo muito injusta — de medir o outro pela nossa própria régua. Julgamos a dor do outro pela intensidade da nossa dor. Julgamos a força do outro pela nossa capacidade de suportar. Julgamos reações, sentimentos, escolhas e até limites emocionais com base naquilo que nós faríamos.

E talvez esteja aí um dos maiores erros da convivência humana.
Cada pessoa carrega uma história que ninguém vê inteira. Carrega marcas, medos, traumas, experiências, educação, criação, abandono, excesso de cobrança, falta de amor, excesso de responsabilidade… coisas que moldam profundamente sua forma de agir diante da vida.

Mas ainda assim, muita gente insiste em dizer: “Se fosse comigo, eu faria diferente.” “Eu no lugar dela já teria superado.” “Isso é fraqueza.” “É drama.” “É exagero.”
Não… talvez não seja.

Talvez seja apenas alguém vivendo uma batalha que você não suportaria viver nem por um dia.

Infelizmente, a maior parte das pessoas não percebe que julga o outro usando a própria estrutura emocional como referência. Só que aquilo que é fácil para um pode ser insuportável para outro. O que destrói uma pessoa pode não abalar outra. E vice-versa.
Há pessoas que suportam dores físicas absurdas e desmoronam emocionalmente por uma rejeição. Outras atravessam perdas gigantescas, mas não suportam pressão. Algumas conseguem trabalhar sob caos. Outras entram em colapso por excesso de cobrança.

E nenhuma delas está errada por isso.
Nem todo mundo nasceu com os mesmos recursos emocionais. Nem todo mundo teve apoio, acolhimento ou amor suficiente para aprender a enfrentar a vida da mesma maneira.

A empatia começa justamente quando abandonamos a arrogância de achar que nossa régua serve para medir o mundo inteiro.

Porque maturidade não é pensar: “Eu conseguiria.”
Maturidade é compreender: “Talvez eu nunca tenha vivido o que essa pessoa viveu.”
E talvez, se tivéssemos atravessado exatamente as mesmas dores, os mesmos abandonos, os mesmos medos e as mesmas noites em silêncio… agiríamos igual. Ou até pior.

Antes de julgar alguém, vale lembrar: aquilo que em você virou cicatriz, no outro ainda pode ser ferida aberta.

domingo, 17 de maio de 2026

Comandante Felipe / luto e revolta pela violência

Foto tirada do perfil do Instagram da viúva Kleidna.

Ele poderia ser meu filho… ou o seu… ou o da vizinha ao lado…

E hoje, uma família inteira chora.
Chora o homem que partiu cansado de uma luta de meses após o maldito tiro…

Chora a ausência na cadeira vazia, o silêncio da casa, os planos interrompidos.
E fica em nós esse grito preso na garganta: até quando?

Até quando pais e mães de família — civis ou militares — terão que morrer tentando nos proteger, sem sequer serem protegidos?
Então começam as fases do luto…

O entorpecimento… a negação… a revolta…
E talvez a revolta seja a pior delas, porque ela corrói por dentro.

Ela nos faz querer apontar culpados, gritar contra políticos, governos, leis frouxas, contra toda a estrutura que parece falhar justamente com quem trabalha, sonha e luta para sobreviver honestamente.

E eu entendo essa revolta.
Porque quem já perdeu um filho para a violência nunca mais olha o mundo da mesma forma.

Uma parte da gente morre junto.
Mas no meio dessa dor, existe algo que não pode morrer: nossa humanidade.
Não podemos permitir que a banalização da violência transforme vidas em números e manchetes passageiras.

Cada pessoa perdida tinha nome, história, família, sonhos e alguém esperando seu retorno para casa.

Hoje, não é dia de disputa política.
É dia de lembrar que nenhuma mãe deveria enterrar um filho.
Nenhuma criança deveria crescer sem o abraço do pai.
Nenhuma família deveria aprender a sobreviver carregando um vazio causado pela violência.

Que anjos de Luz e Afinidades o acompanhe em seu retorno ao nosso Verdadeiro Lar!  Que Felipe descanse em paz.

E que Deus conforte todos os corações feridos — os de hoje… e os que ainda sangram perdas antigas que nunca cicatrizaram completamente.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Banheiros Unisex X segurança

Vivemos tempos em que qualquer opinião parece precisar virar guerra. E talvez um dos assuntos mais delicados da atualidade seja justamente a discussão sobre os banheiros femininos e a presença de mulheres trans nesses espaços.

Quero deixar algo muito claro: respeito profundamente quem enfrenta conflitos internos, quem não se identifica com o próprio sexo biológico e busca viver sua verdade da forma mais digna possível. Não acredito que pessoas devam ser humilhadas, perseguidas ou tratadas com crueldade por serem diferentes.

Mas também acredito que mulheres têm o direito de expressar suas preocupações sem serem imediatamente chamadas de preconceituosas.

Como avó de meninas e meninos, eu penso diariamente sobre segurança, privacidade e proteção. O mundo em que vivemos infelizmente está cheio de pessoas mal-intencionadas, oportunistas e predadores que se aproveitam de qualquer brecha para agir. E negar esse medo que muitas mulheres sentem não ajuda o debate — apenas silencia quem também merece ser ouvida.

Minha preocupação nunca foi contra pessoas trans. Minha preocupação é com a segurança feminina em espaços íntimos e vulneráveis, como banheiros, vestiários e locais reservados às mulheres e crianças.

Talvez esteja na hora de buscarmos soluções equilibradas e humanas. Em vez de transformar tudo em confronto, por que não ampliar a existência de banheiros individuais ou espaços unissex para quem se sentir mais confortável? Um ambiente onde ninguém precise se sentir constrangido, ameaçado ou excluído.

Respeitar pessoas trans não deveria significar ignorar as preocupações das mulheres. E defender mulheres também não deveria significar atacar pessoas trans.

A convivência só será possível quando entendermos que ouvir o outro não é concordar com tudo — é reconhecer que todos merecem dignidade, segurança e respeito.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

A incoerência de quem critica o sistema, mas vive dele...

Charge El País América. 

Vivemos tempos curiosos. Tempos em que muitos se dizem defensores do povo, da igualdade e da justiça social, mas não abrem mão das mordomias proporcionadas justamente pelo sistema que tanto criticam. 

É interessante observar como determinados grupos apontam o dedo para quem produz, trabalha, empreende e sustenta a economia, enquanto desfrutam confortavelmente dos frutos desse mesmo esforço.

Há uma narrativa repetida à exaustão de que a direita não possui projetos, não possui propostas ou preocupação social. Entretanto, quando analisamos determinados períodos recentes da história do país, encontramos um cenário diferente daquele pintado pelos discursos ideológicos.

 Houve momentos em que o Brasil apresentou crescimento econômico, recuperação de indicadores, redução de algumas dívidas e maior sensação de estabilidade. E isso não pode simplesmente ser apagado porque contraria certas narrativas políticas.

Por outro lado, também é impossível ignorar o sentimento crescente da população diante da perda do poder de compra, do aumento do endividamento, da insegurança econômica e da sensação de retrocesso em áreas que já pareciam encaminhadas. O cidadão comum sente isso no mercado, nas contas do mês, nos impostos e na dificuldade de manter uma vida minimamente confortável.

O mais preocupante, porém, talvez não seja a divergência política em si. Democracia pressupõe pensamentos diferentes. O que entristece é perceber pessoas inteligentes, cultas e esclarecidas defendendo cegamente ideologias, mesmo quando elas contradizem princípios básicos de coerência, ética e responsabilidade. Em muitos casos, o discurso deixa de ser sobre justiça e passa a ser sobre conveniência.

Existe uma diferença enorme entre defender pautas sociais e defender privilégios seletivos. Existe uma diferença entre lutar por igualdade e justificar favorecimentos apenas porque beneficiam determinados grupos ou interesses políticos.

Nenhum espectro político está livre de erros. A direita também falha quando abandona seus princípios, quando se distancia das pessoas ou quando transforma política em idolatria. Mas talvez a grande diferença esteja na disposição de reconhecer erros e cobrar coerência — inclusive daqueles que estão “do próprio lado”.

O Brasil precisa menos de torcidas organizadas e mais de maturidade política. Precisa de cidadãos capazes de questionar, analisar resultados concretos e exigir responsabilidade de qualquer governo, independentemente de bandeiras ideológicas.

Porque quando a ideologia se torna mais importante que a verdade, perde-se a capacidade de enxergar a realidade. E um país que deixa de encarar a realidade está condenado a repetir seus próprios erros.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Nossa Senhora de Fátima

Neste 13 de maio, meu coração se volta em oração para Nossa Senhora de Fátima, para os pequenos pastorinhos Jacinta Marto, Francisco Marto e Lúcia dos Santos.
 Hoje celebramos o dia da primeira aparição, quando o Céu, através da simplicidade de três crianças, falou ao mundo sobre fé, oração, esperança e conversão.

Eu creio em Nossa Senhora de Fátima. Creio em seu amor materno, em seu olhar misericordioso sobre os aflitos e em seu poder de interceder junto a Deus pelos que sofrem. Creio também na pureza dos pastorinhos, especialmente em Jacinta Marto, por quem tenho profunda devoção e de quem já pude testemunhar graças alcançadas — uma delas envolvendo meu neto, Bruno, guardada para sempre em meu coração como sinal de fé e cuidado divino.

Hoje, emocionada, elevo minha oração por todos os doentes, conhecidos e desconhecidos; pelos que perderam a esperança; pelos que enfrentam a tristeza profunda, a solidão e a dor silenciosa da alma. Que Nossa Senhora de Fátima derrame consolo, cura e paz sobre cada um deles.

Peço também um olhar especial e protetor sobre meus netos — meus tesouros, minhas continuações de amor neste mundo. Que ela caminhe à frente deles, iluminando seus caminhos, guardando seus passos e cobrindo suas vidas com seu manto sagrado. 

Até quando a memória me trai e eu me confundo nas contas do coração, o amor permanece inteiro, infinito e indivisível.

Amém.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Você sabe o que é luto?


Você sabe o que é luto?
Quantos lutos você já viveu na sua vida até hoje?
Você sabia que crianças sofem profundamente com alguns tipos de luto — mesmo quando ainda não conseguem explicar em palavras o que sentem?
Quando ouvimos a palavra “luto”, quase sempre pensamos imediatamente na morte. Sim… a perda de alguém amado é uma das dores mais intensas que um ser humano pode experimentar. Mas o luto vai muito além da despedida física. O luto nasce sempre que algo importante dentro de nós se rompe, muda ou deixa de existir da forma como conhecíamos.
Existe o luto pela morte.
Mas existe também o luto pelo abandono, pela separação, pela rejeição, pela mudança brusca da vida, pelo fim de um relacionamento, pela perda da saúde, do emprego, da segurança, da inocência, dos sonhos e até da imagem que construíamos de nós mesmos.
Há pessoas vivendo lutos silenciosos todos os dias…
Sorrindo por fora enquanto tentam reorganizar os pedaços da alma por dentro.
E as crianças… ah, as crianças também vivem lutos profundos.
Muitas vezes sem compreender exatamente o que está acontecendo.
Uma mudança de casa.
A separação dos pais.
A ausência emocional de alguém importante.
A chegada de um irmão.
A perda de um animal de estimação.
Uma rotina quebrada.
Uma palavra dura dita repetidamente.
Tudo isso pode representar perdas gigantescas no universo emocional infantil.
A criança nem sempre sabe dizer: “Estou vivendo um luto.”
Mas ela demonstra.
No silêncio.
Na irritação.
Na queda do rendimento escolar.
Na insegurança.
No medo de ser abandonada.
Na dificuldade de dormir.
Na necessidade maior de colo e proteção.
O luto não tem idade.
Não escolhe classe social, religião ou fase da vida.
E talvez uma das maiores violências emocionais seja quando dizem para alguém:
“Você precisa superar isso.”
Como se sentimentos obedecessem relógios.
Não existe tempo exato para o coração reaprender a viver depois de uma perda.
Cada ser humano atravessa a dor do seu próprio modo.
Alguns choram.
Outros silenciam.
Alguns adoecem.
Outros transformam a dor em força, acolhimento e reconstrução.
Mas uma coisa é certa:
todo luto precisa ser visto, respeitado e elaborado.
Porque dores ignoradas não desaparecem.
Elas apenas encontram outras formas de se manifestar.
Talvez amadurecer seja justamente compreender que viver também é aprender a lidar com despedidas.
E que, apesar das cicatrizes, o amor vivido jamais se perde completamente.
Ele apenas aprende a existir de outra maneira dentro de nós.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Família, União e Bem-estar!



Viver em família é compreender que o amor se fortalece nos detalhes mais simples: no café compartilhado, nas conversas sem pressa, nas risadas espontâneas e na paz de poder ser quem se é, sem cobranças abusivas, sem disputas silenciosas, sem a necessidade constante de provar valor.

A verdadeira harmonia familiar nasce quando o respeito ocupa o lugar das críticas, quando o acolhimento fala mais alto que os julgamentos e quando cada integrante entende que convivência pacífica também é uma forma profunda de amor.

O maior patrimônio que uma família pode deixar para seus netos não está nos bens materiais, mas nas memórias afetivas construídas ao redor da mesa, nos abraços sinceros, na leveza dos encontros e na certeza de pertencimento. São essas lembranças que atravessam gerações e ensinam, sem palavras, o significado de união.

Nada se compara à alegria de um dia de reunião familiar…

A casa cheia…
As vozes misturadas…
As crianças correndo…
Os adultos recordando histórias…
E o coração agradecendo pela oportunidade de viver momentos que, um dia, serão lembranças preciosas.

Porque, no fim, família saudável é isso:
um lugar onde a alma consegue descansar.

" O texto de hoje foi motivado pelo meu dia de ontem! Sou uma pessoa que ama estar em família! Eu acredito na união familiar e  nada nesse mundo para mim é mais importante  que isso!"

domingo, 10 de maio de 2026

Ser mãe...


Ser mãe…
Ah, ser mãe foi o sonho mais bonito que nasceu ainda na infância, quando eu imaginava pequenos braços me envolvendo, vozes me chamando, passos correndo pela casa e um amor tão grande que mal caberia no peito.

A vida, com sua maneira única de escrever histórias, realizou esse sonho de forma ainda mais bonita do que eu poderia imaginar. Sou mãe de três.

Dos meus meninos biológicos, gerados no ventre e embalados no compasso do meu coração desde antes do primeiro choro…
E da minha menina do coração, escolhida pela alma, acolhida pelo amor e eternizada no lugar mais bonito que existe em mim.

Aprendi que maternidade não se mede apenas pelo sangue. Mede-se pela entrega, pelo cuidado, pelas noites em claro, pelos abraços silenciosos, pelas preocupações constantes e pelo amor que simplesmente decide permanecer.

E como se Deus quisesse multiplicar ainda mais essa alegria, eles cresceram… e aumentaram minha prole.
Vieram os netos, os agregados do amor, as novas histórias, as novas risadas enchendo a casa e a alma.

Hoje, meu coração vive em festa.
Uma festa feita de memórias, de bagunça boa, de mesas cheias, de abraços apertados e daquele sentimento indescritível de olhar para a própria história e perceber:
“Valeu a pena.”

Ser mãe é descobrir que o coração pode sair do peito, caminhar pelo mundo em outros corpos e, ainda assim, continuar batendo dentro da gente.

E eu…
sou infinitamente grata pela honra de viver esse amor todos os dias.

O luto nas datas especiais...

Há datas que não passam pelo calendário… atravessam a alma.

Aniversários. Natais. Dia das Mães.
Dias em que o mundo continua girando normalmente para todos, enquanto dentro de nós o tempo parece parar diante da ausência.

Para uma mãe enlutada, o luto não mora apenas na lembrança da partida.
Ele mora também nas cadeiras vazias, nos silêncios inesperados, nos hábitos que ficaram sem destino, nas mensagens que já não chegam, nos abraços que a memória insiste em procurar.

E mesmo quando seguimos caminhando pelos que ficaram — filhos, netos, família, amigos — existe sempre um espaço que ninguém ocupa.

Um espaço que não diminui o amor pelos presentes, mas revela a profundidade de quem partiu.

Porque o coração de uma mãe não substitui filhos.
Ele aprende, com esforço e lágrimas, a carregar simultaneamente a gratidão pelos que permanecem… e a saudade eterna de quem se foi.

Há dias em que a mente tenta ser forte, racionalizar, continuar.
Mas o coração conhece caminhos que a razão jamais alcança.

E basta uma data, uma música, um perfume, uma fotografia… para que toda a saudade volte a respirar dentro da gente.

Ainda assim, existe algo profundamente bonito na mãe que continua.
Naquela que, mesmo com a alma marcada pela ausência, escolhe amar os que ficaram.
Escolhe levantar da cama.
Escolhe sorrir quando consegue.
Escolhe sobreviver a dias que ninguém imagina o peso que têm.

O luto não acaba.
Ele muda de forma.
Aprende a caminhar ao nosso lado.
E, às vezes, nas datas mais difíceis, ele aperta nossa mão com mais força para lembrar que o amor verdadeiro nunca desaparece.

Porque onde existiu amor infinito… a saudade também será infinita.

sábado, 9 de maio de 2026

Auto defesa - afastamento de pessoas tóxicas

Me questionando sobre a necessidade de me afastar de pessoas tóxicas cheguei a uma conclusão que de certa forma me isenta do sentimento de culpa.

Porque convivência constante com pessoas tóxicas corrói a nossa percepção de realidade. Aos poucos, você começa a duvidar do que sente, do que percebe, do que merece. E isso acontece especialmente quando a manipulação vem disfarçada de fragilidade, de sofrimento, de “coitadismo”.

Há pessoas que aprenderam a controlar o outro não pela força, mas pela culpa. Elas se colocam como vítimas permanentes para que ninguém consiga impor limites sem se sentir cruel. É uma dinâmica muito desgastante, porque quem tem empatia acaba carregando responsabilidades emocionais que não são suas.

Se afastar não é falta de amor. Muitas vezes, é sobrevivência emocional.

Nem todo afastamento nasce do ódio. Alguns nascem do cansaço. Da necessidade de preservar a própria saúde mental, a paz, o equilíbrio e até a própria identidade. Porque viver tentando salvar alguém que não quer mudar — e que usa a dor como ferramenta de manipulação — acaba adoecendo quem tenta ajudar.

E por que não se sentir culpada?
Porque limite não é violência. Distância não é maldade. Silêncio não é abandono.
Você tem o direito de escolher relações que não drenem sua energia, que não transformem carinho em obrigação, nem afeto em prisão emocional.

A culpa costuma aparecer porque pessoas manipuladoras sabem exatamente onde tocar: no senso de responsabilidade, na compaixão, no medo de parecer egoísta. Mas cuidar de si não é egoísmo. Egoísmo seria exigir que alguém suportasse abusos emocionais para que você continue confortável.

Existe uma diferença enorme entre:
ajudar alguém que sofre, e
ser emocionalmente sequestrada pelo sofrimento que essa pessoa usa para controlar você.

Quem ama de verdade pode até sofrer com um limite, mas respeita esse limite. Quem manipula transforma seu limite em acusação.
E talvez uma das coisas mais difíceis da maturidade seja entender isto: você não precisa se destruir para provar que é boa.

Às vezes, o ato mais saudável e mais corajoso é justamente ir embora sem ódio… mas sem retorno.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sucesso é Construção

O sucesso raramente chega de repente. Ele não nasce pronto, não cai no colo e nem costuma visitar quem desiste no primeiro tropeço. O sucesso é construção. É repetição. É insistência silenciosa quando ninguém está vendo.

Vivemos em um tempo em que muitos enxergam apenas o palco iluminado, mas esquecem dos bastidores. Não veem as noites mal dormidas, os medos vencidos em silêncio, as tentativas frustradas, os recomeços e, principalmente, a disciplina diária de continuar mesmo quando os resultados ainda não apareceram.
Porque sucesso não é mágica.
É lapidação.

Assim como uma pedra preciosa precisa ser trabalhada até revelar seu brilho, nós também precisamos nos aprimorar constantemente. Aprender mais. Corrigir rotas. Aceitar críticas. Reconhecer falhas. Melhorar um detalhe por vez. O que hoje parece imperfeito pode, com dedicação e tempo, transformar-se em algo extraordinário.

E talvez esteja aí uma das maiores lições da vida: o propósito é importante, mas o percurso é o que verdadeiramente nos transforma.

É durante a caminhada que amadurecemos.
É no esforço contínuo que desenvolvemos resistência.
É nos dias difíceis que descobrimos o quanto somos capazes.

O sucesso não está apenas no momento da conquista final. Ele também mora na coragem de não parar. Mora no pequeno avanço diário. Na persistência de quem continua trabalhando mesmo sem aplausos.
Há quem desista porque o caminho demora. Mas tudo o que tem valor exige tempo para criar raízes. O imediatismo pode até produzir aparência, mas somente a constância constrói algo sólido.

No fim, percebemos que vencer não é apenas chegar.
Vencer é quem nos tornamos enquanto caminhamos até lá.

terça-feira, 5 de maio de 2026

SER MÃE... A MISSÃO!

O filme A Mãe, estrelado por Jennifer Lopez, é quase um grito silencioso sobre um tipo de amor que não é confortável — é um amor que protege, afasta, endurece… mas nunca abandona.
Ele traz uma verdade difícil: nem toda mãe pode amar do jeito doce que o mundo romantiza. Algumas precisam amar preparando o filho para um mundo que não vai poupar.


Mães que fortalecem, mesmo quando parecem endurecer

Nem toda mãe cria com colo.
Algumas criam com distância.
E quem vê de fora, julga.

Acha frieza onde, muitas vezes, existe estratégia de amor.
Porque há mães que entendem cedo demais que o mundo não será gentil com seus filhos.
E, por isso, escolhem não ser totalmente suaves.

Não porque não amem…
Mas porque amam o suficiente para não mentir.
Criar um filho forte não é sobre endurecer o coração dele.

É sobre ensinar que ele vai cair — e que precisa aprender a levantar sozinho.
É sobre não estar presente o tempo todo…
Mas garantir que, mesmo na ausência, exista uma base invisível sustentando cada passo.

Há relações entre mães e filhos que não nascem prontas.
Elas são interrompidas, atravessadas por dor, por escolhas difíceis…
E, ainda assim, carregam algo que o tempo não rompe.

O vínculo.
E quando há reencontro — não importa quanto tempo passou —
não é sobre recuperar o que foi perdido.

É sobre construir algo novo.
Mais consciente.
Menos idealizado.
Mais verdadeiro.

Porque amar também é isso:
aceitar que, às vezes, fizemos o melhor que podíamos… mesmo que não tenha parecido suficiente.

E ainda assim, tentar de novo.


ENTRE A INTUIÇÃO E O MEDO


Tem dias em que a gente não sabe se recua por sabedoria… ou por medo.
A intuição não grita.

Ela não faz escândalo, não acelera o coração, não cria cenários catastróficos.
Ela sussurra.

É aquele “não vai”… sem explicação lógica.
Aquela sensação de desalinho… mesmo quando tudo parece certo por fora.
Aquela paz estranha ao dizer “não”, mesmo sem entender o porquê.

Já o medo… ah, o medo fala alto.
Ele argumenta, insiste, cria urgência.
O medo precisa convencer.

A intuição não.
Ela só pede que você confie.
O problema é que, muitas vezes, o medo se disfarça de intuição…
principalmente quando já fomos feridos.
Depois de algumas quedas, a gente aprende a se proteger —
mas nem sempre percebe quando proteção vira prisão.

Nem todo “não vá” é sabedoria.
Às vezes, é só o medo tentando evitar que a vida aconteça de novo.
Discernir entre os dois exige silêncio…
coragem…
e, principalmente, honestidade com a própria história.

A intuição traz clareza, mesmo quando dói.
O medo traz confusão, mesmo quando parece te proteger.

A intuição te alinha.

O medo te paralisa.

E talvez o grande exercício da vida seja esse:
aprender a reconhecer a voz que te expande…
e não a que apenas te encolhe.

Porque viver não é sobre nunca mais se machucar.
É sobre não deixar que o medo decida tudo por você.