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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Uma eleição onde eu e a direita nos redescobrimos....


O ano em que a política me ajudou a sair do buraco

Eu nunca imaginei que um ano eleitoral pudesse ter esse efeito sobre mim.

Durante muito tempo, eu estive tentando simplesmente sobreviver aos meus próprios dias. Há momentos em que a gente não percebe que está no buraco... só percebe que tudo parece pesado demais, que a vontade diminui, que as palavras custam a sair e que até aquilo que um dia nos movia parece distante.

Eu conheço esse lugar.

Conheço o silêncio de quem está cansada de sentir. Conheço o esforço de levantar quando a alma pede para permanecer quieta. Conheço a diferença entre preguiça e exaustão... entre não querer e não conseguir.

E então veio este ano eleitoral.

E, curiosamente, alguma coisa começou a acontecer.

Eu voltei a me interessar. Voltei a observar. Voltei a pesquisar, conversar, escrever, questionar, discordar, argumentar. Voltei a sentir aquela inquietação que sempre fez parte de mim diante daquilo que considero injusto ou errado.

Voltei a ter vontade de falar.

E foi aí que percebi...

Talvez eu não estivesse apenas falando de política.

Talvez eu estivesse, sem perceber, voltando para mim.

Porque durante tantos anos da minha vida eu fui uma mulher de ação. Fui professora, alfabetizadora, secretária de Cultura, escritora, mãe, mulher de opinião, mulher de luta. Sempre tive alguma coisa para construir, transformar, defender ou aprender.

E a vida, com suas perdas e seus golpes, foi me colocando em um lugar de recolhimento.

O luto me ensinou muito. A dor me transformou. A fé me sustentou. Mas, em algum momento, eu precisei descobrir que continuar vivendo também significava voltar a participar da vida.

E foi isso que este ano eleitoral me devolveu.

A vontade de participar.

Não estou dizendo que a política me curou. Não seria justo colocar sobre ela um papel que não lhe pertence.

Quem me ajudou a atravessar o pior foram muitas coisas: minha família, minha fé, minha terapia, o tempo, as experiências que vivi e, principalmente, a decisão diária de continuar.

Mas a política me deu uma coisa que eu estava precisando encontrar novamente:

propósito.

De repente, eu estava novamente incomodada.

E, para mim, isso foi quase uma boa notícia.

Porque quando a gente volta a se incomodar com o mundo, talvez seja sinal de que voltou a se importar com a vida.

Comecei a perceber que ainda tenho voz. Que ainda tenho ideias. Que ainda posso provocar reflexão. Que ainda posso escrever aquilo que penso, ouvir quem pensa diferente, defender aquilo em que acredito e, principalmente, continuar aprendendo.

E talvez seja essa a maior vitória deste ano para mim.

Não convencer ninguém.

Não ganhar discussão.

Não ter razão o tempo inteiro.

Mas ter recuperado uma parte de mim que estava adormecida.

A mulher que pergunta.

A mulher que observa.

A mulher que não aceita simplesmente o “sempre foi assim”.

A mulher que ainda acredita que mudança é possível.

E, principalmente, a mulher que descobriu que ainda tem muito para viver.

Talvez seja isso que esteja acontecendo comigo...

Aos poucos, eu estou saindo do buraco.

Não de uma vez.

Não sem tropeços.

Não sem dias difíceis.

Mas estou saindo.

Um dia de cada vez.

Cada dia um pouquinho...

E olha só que curioso: depois de tudo o que a vida me ensinou, foi justamente no meio de uma eleição que eu percebi que ainda havia dentro de mim uma mulher com vontade de lutar pelaquilo em que acredita.

E talvez seja por isso que eu esteja escrevendo tanto novamente.

Porque quando a gente recupera a voz...

é porque, de algum modo, também está recuperando a vida.