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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Vivendo o curso normal da vida...

No fim de semana, tivemos um daqueles encontros que fazem bem à alma. Estávamos em Areal, reunidos: os Olivieris e aqueles que chegaram aos Olivieris pelo caminho do amor, da amizade, dos casamentos, da vida.

Em determinado momento, meu filho olhou para mim, referindo-se à minha neta, que já está entrando naquela fase entre os dez e os onze anos, e disse:

— Tá vendo, mãe? Olha só... Agora ela não quer mais saber da vovó, não quer mais perder tempo com a vovó nem com o papai. Você ainda prefere se sacrificar para comprar uma bebê reborn nova, o vestido de caipira mais caro?

E eu sorri.

Mas não sorri porque não houvesse verdade no que ele dizia. Sorri porque havia muito mais preocupação naquele comentário do que realmente preocupação comigo. Havia ali a dorzinha de um pai percebendo que a filha está crescendo.

Eu entendo.

Também já estive naquele lugar.

Houve um tempo em que eu era apenas mãe. E, como toda mãe, também acompanhei meus filhos deixando, pouco a pouco, algumas coisas para trás. A infância vai dando lugar a outras vontades, outros interesses, outras companhias. E nós, adultos, às vezes confundimos esse movimento natural com afastamento.

Quando eles preferem os amigos, pensamos que não querem mais estar conosco.

Quando começam a fazer escolhas próprias, sentimos que estamos perdendo espaço.

Quando já não querem brincar como antes, quase perguntamos, em silêncio: “Em que momento você deixou de precisar tanto de mim?”

Mas a maturidade foi me ensinando, especialmente através dos netos, que crescer não é deixar de amar.

É apenas crescer.

É descobrir o mundo para além do colo da mãe, da mão do pai, da brincadeira com a avó.

É começar a fazer escolhas. Ter preferências. Ser seletivo. Querer aquilo que os adultos, muitas vezes, não entendem. Uma bebê reborn. Um vestido de caipira mais bonito. Uma tarde com os amigos. Um mundo que, aos poucos, começa a ser deles.

E nós precisamos aprender a não transformar cada passo de independência em uma sensação de abandono.

Porque talvez não estejamos perdendo espaço.

Talvez estejamos apenas precisando aprender a ocupar um lugar diferente.

Hoje eu entendo que o meu amadurecimento protege os meus netos. Protege-os da culpa de crescer. Da obrigação de permanecerem pequenos para que os adultos não sofram. Uma criança precisa poder mudar, escolher, experimentar, afastar-se um pouquinho e voltar, sem sentir que está machucando quem a ama.

Mas o meu amadurecimento também protege a mim.

Porque, quando compreendemos o curso natural da vida, não enxergamos todas as mudanças como perdas.

Aquela menina que hoje já não quer passar tanto tempo brincando com a vovó não deixou de amar a vovó.

Ela está apenas crescendo.

E o meu filho, naquele instante, talvez ainda estivesse aprendendo a ser pai de uma menina que já não é tão menina.

Eu olhei para ele e sorri porque hoje sei de uma coisa que talvez só o tempo ensine:

Não devemos tentar impedir que eles cresçam para que continuem precisando de nós.

Precisamos crescer junto com eles, para que, mesmo quando não precisarem mais de nós como antes, continuem querendo voltar para nós.

Porque o colo muda.

As conversas mudam.

As brincadeiras mudam.

O tempo junto muda.

Mas o amor...

Ah, o amor não precisa diminuir.

A vida apenas segue o seu curso.

E nós, que amamos, precisamos aprender a acompanhá-la. ❤️