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domingo, 19 de julho de 2026

As músicas e os amores abafados no fundo da alma...

Há músicas que não foram feitas para tocar no rádio. Elas vivem dentro de nós.

Basta ouvir os primeiros acordes e, sem pedir licença, elas abrem portas que jurávamos trancadas. Trazem de volta um perfume, um abraço, um olhar, uma rua, uma tarde de chuva, um amor que nunca encontrou coragem para florescer.

Existem amores que não terminam. Apenas se calam.
Ficam abafados sob as responsabilidades da vida, escondidos atrás das escolhas que fizemos, das renúncias que aceitamos e dos caminhos que seguimos. Não morrem. Apenas aprendem a respirar bem devagar, no fundo da alma.

E, então, um dia qualquer, uma música toca.
De repente, o tempo deixa de existir. O coração reconhece aquilo que a razão passou anos tentando esquecer. É como reencontrar uma parte de nós que permaneceu intacta, esperando apenas o som certo para despertar.

Talvez seja por isso que as músicas tenham tanto poder. Elas não nos fazem lembrar apenas das pessoas. Elas nos devolvem quem éramos quando as amávamos.

E descobrimos que algumas melodias são, na verdade, cartas que a vida escreveu para a nossa memória. Cartas que jamais foram rasgadas, apenas guardadas na gaveta mais silenciosa do coração.

Porque há músicas que acabam.
Mas existem amores que continuam vivendo, abafados e guardados no fundo da alma, esperando apenas uma canção para voltar a respirar.