E tô eu aqui hoje, tranquila, fazendo minha comidinha saudável, convivendo com minhas dores e tentando cuidar de mim, sem incomodar absolutamente ninguém… quando abro o direct e encontro:
“Amiga, você está obcecada por fazer campanha política para a direita. Maneira um pouco, você está ficando enfadonha.”
Bom… vamos conversar.
Primeiro: quem vê o que eu publico é porque está no meu perfil, entre as pessoas que eu permiti que estivessem ali. Meu perfil não é público. É um espaço onde compartilho minha vida, meus pensamentos, minhas experiências e, naturalmente, minhas opiniões.
Você não concorda comigo? Tudo bem.
Não gosta do que eu escrevo? Tudo bem também.
Pode deixar de acompanhar, silenciar, sair da minha lista de amigos… e eu prometo que não vou ficar magoada, contrariada ou pensando mal de você por isso. Cada pessoa tem o direito de pensar diferente. É assim que a vida funciona.
Agora, você quer saber por que eu estou tão obstinada em falar sobre política e em defender uma mudança no cenário que considero necessário para o nosso país?
Porque, para mim, isso não começou ontem.
Quando o assunto é segurança pública, eu tenho 11 anos de uma história que não me permite tratar esse tema como uma simples discussão política. Eu perdi um filho para a violência. E depois de viver o que vivi, segurança pública deixou de ser uma pauta distante. Passou a fazer parte da minha história, da minha dor e das minhas preocupações.
Também aprendi, dentro da minha própria casa, que a vida precisa caber dentro daquilo que podemos pagar.
Quando eu estava a poucos meses de uma cirurgia cardíaca, nossa realidade financeira mudou e meu marido precisou adequar nosso plano de saúde ao padrão de vida que conseguíamos sustentar naquele momento. E eu entendi perfeitamente.
É assim que pessoas honestas fazem: quando o dinheiro não dá, a gente corta, adapta, muda hábitos, deixa de ter algumas coisas e tenta viver dentro das nossas possibilidades.
Mas também me entristece ver pessoas que sempre trabalharam, pagaram suas contas, colocaram comida na mesa e tentaram viver com dignidade começarem a sentir que até o básico está ficando difícil.
E tem uma coisa que me incomoda profundamente: a sensação de que a corrupção deixou de causar indignação em parte da sociedade e passou, muitas vezes, a ser tratada como algo inevitável, quase como se fosse normal.
Isso me revolta.
Então, sim, eu estou indignada.
Estou cansada.
Estou triste.
E estou falando muito sobre política porque, neste momento da minha vida, eu não consigo simplesmente fingir que não estou vendo aquilo que me incomoda.
Talvez para você seja enfadonho.
Para mim, é a minha forma de exercer o meu direito de pensar, falar e participar da vida do meu país.
Você não precisa concordar comigo.
Só precisa respeitar o fato de que eu também tenho o direito de não me calar.
E, se aquilo que eu escrevo não faz mais sentido para você, está tudo bem.
A porta é a mesma pela qual você entrou.
Pode sair em paz.
Eu continuarei aqui… escrevendo, pensando, questionando e dizendo aquilo em que acredito.
Porque ficar em silêncio só para não incomodar os outros nunca foi exatamente o meu jeito de viver.
Ps. Esse texto não é direcionado a pessoa que , de verdade, se preocupou comigo esses dias ... eu entendo sua preocupação... e sou infinitamente grata por ela! A senhora sabe que a amo! O texto de hoje é direito de resposta que me dei por conta de um direct de outra pessoa!