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domingo, 11 de outubro de 2026

Você confia nas universidades públicas?

☕ Papo da Manhã...

Universidade pública: liberdade para aprender ou licença para tudo?

Hoje, o assunto do nosso papo da manhã é sério, polêmico e, certamente, será compreendido por alguns e provocará a revolta de muitos outros.

Tudo bem! Nem sempre precisamos dizer aquilo que agrada. Existem coisas que precisam ser ditas, questionadas e discutidas. E também precisamos ter coragem de demonstrar nossa indignação quando acreditamos que determinados limites estão sendo ultrapassados.

Confesso que ando cansada...

Cansada de ver jovens que, em nome de uma suposta liberdade sem limites, adotam comportamentos e defendem ideias que, muitas vezes, parecem ignorar os valores, os compromissos e as responsabilidades que deveriam acompanhar o processo de amadurecimento.

E não estou falando apenas dos jovens.
Estou falando também de adultos, inclusive professores, que têm a responsabilidade de ensinar, estimular o pensamento crítico e preparar pessoas para a vida em sociedade.
A universidade deve ser um espaço de liberdade intelectual. É justamente ali que ideias precisam ser confrontadas, conceitos questionados e diferentes visões de mundo colocadas à prova.

Mas será que estamos confundindo liberdade com ausência de responsabilidade?
Porque existe uma diferença enorme entre defender uma ideia e desrespeitar quem pensa diferente. Entre contestar regras injustas e simplesmente ignorar todas as regras. Entre exercer a própria autonomia e acreditar que os outros têm a obrigação de sustentar as consequências das nossas escolhas.

E aqui chegamos a um ponto delicado.
Há jovens que ainda dependem financeiramente dos pais, dos avós ou de outros familiares, mas que parecem não reconhecer a responsabilidade que acompanha essa dependência. Isso não significa que precisem pensar como suas famílias. Significa apenas que liberdade de pensamento e responsabilidade pessoal não deveriam ser tratadas como inimigas.

Ninguém é obrigado a reproduzir as convicções da família. Mas todos precisam aprender que a liberdade de cada um encontra limites nos direitos dos outros.
E o assunto fica ainda mais sério quando falamos das universidades públicas.
Essas instituições são mantidas, em grande parte, com recursos provenientes dos impostos pagos pela população. Inclusive por famílias que trabalham duro, enfrentam dificuldades e fazem sacrifícios para manter suas contas em dia.

Por isso, é legítimo perguntar: como estão sendo utilizados esses espaços? Como são tratados o patrimônio público, a segurança dos estudantes e o respeito à diversidade de pensamento?

Quando há depredação, pichações não autorizadas, intimidação, uso indevido das instalações ou consumo de substâncias em desacordo com as normas e a legislação aplicáveis, é necessário investigar os fatos e adotar providências.

Não podemos transformar a tolerância em omissão.
E não podemos aceitar que a liberdade acadêmica seja utilizada como justificativa para comportamentos que prejudiquem outras pessoas ou comprometam o funcionamento das instituições.

A universidade precisa ser um espaço de conhecimento, não um território sem regras.
E faço aqui uma ressalva importante: não estou afirmando que todas as universidades públicas sejam assim, nem que todo estudante que defenda ideias libertárias tenha comportamentos inadequados. Seria injusto colocar milhares de pessoas diferentes dentro de uma mesma caixa.

O que defendo é que os problemas concretos sejam enfrentados, onde quer que existam, sem proteção ideológica, privilégios ou perseguições.

Também considero legítimo discutir os critérios de ingresso nas universidades públicas. Entretanto, acredito que o debate precisa ir além de simplesmente tornar o vestibular mais difícil.

Precisamos discutir qualidade do ensino básico, mérito acadêmico, igualdade de oportunidades, permanência estudantil e responsabilidade institucional.

E, quando alguém depredar o patrimônio público, as consequências devem ser proporcionais à infração, com apuração dos fatos e respeito ao devido processo. A responsabilização precisa existir, mas não pode se transformar em instrumento de perseguição contra quem pensa diferente.
Afinal, uma universidade que ensina liberdade precisa ensinar responsabilidade.

Uma instituição que defende a diversidade precisa garantir espaço para o contraditório.
E uma sociedade que deseja formar cidadãos autônomos precisa compreender que autonomia não significa viver sem limites, deveres ou consequências.

E sabe o que mais me preocupa?
É pensar que famílias possam estar deixando de considerar a universidade pública uma opção segura para seus filhos, não por causa da qualidade do ensino, mas por receio de ambientes que consideram incompatíveis com seus valores ou preocupantes para a segurança e o bem-estar dos jovens.

Se essa percepção existe, ela merece ser ouvida e investigada. As instituições precisam prestar contas à sociedade e demonstrar que são capazes de proteger seus estudantes, respeitar a pluralidade e preservar o ambiente acadêmico.

Não podemos permitir que o debate se transforme em uma guerra entre pais e filhos, entre professores e famílias, ou entre pessoas que defendem visões de mundo diferentes.

O que precisamos é recuperar o sentido da educação como instrumento de emancipação, conhecimento e formação humana.

Porque educar não é doutrinar.
Pensar diferente não é crime.
Questionar não é desrespeitar.
E defender a liberdade não significa conceder a alguém o direito de fazer qualquer coisa, em qualquer lugar, sob qualquer justificativa.

O patrimônio público pertence à sociedade. A universidade pertence ao conhecimento. E a liberdade precisa caminhar de mãos dadas com a responsabilidade.

É isso que espero para o futuro dos meus netos.
Um Brasil em que eles possam estudar, questionar, discordar, defender suas convicções e construir seus próprios caminhos.

Um Brasil em que não precisem ter medo de pensar diferente.
Mas que também aprendam, desde cedo, que seus direitos vêm acompanhados de deveres e que nenhuma ideologia deveria colocá-los acima da lei.

Porque não é esse o Brasil que desejo deixar para eles: um país dividido entre quem pode tudo e quem precisa aceitar tudo calado.
Quero um Brasil de verdade. Um Brasil onde a liberdade não seja confundida com libertinagem, onde a educação não seja confundida com doutrinação e onde a responsabilidade não seja considerada uma forma de opressão.

Esse é o Brasil que desejo para os meus netos.

E você, o que pensa sobre isso?

Vamos conversar. Com argumentos, respeito e coragem para ouvir aquilo de que nem sempre gostamos.

Porque o silêncio pode evitar conflitos, mas não resolve os problemas que precisamos enfrentar.

☕ Bom dia! E que o nosso papo de hoje nos ajude a pensar, mesmo quando pensar nos incomoda. 🇧🇷