Este blog é mais uma ferramenta para ajudar mães enlutadas a viverem seus dias de saudade entre o céu e a terra.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Tempos angustiantes...
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Está chegando o dia em que voltar a ter as rédeas do país só dependerá de nós!
Será que você vem observando o que está acontecendo com o pessoal da segurança pública no Rio de Janeiro?
Pois é... eu venho observando.
Tenho acompanhado o movimento de profissionais da segurança pública que estão colocando seus nomes à disposição para disputar cargos legislativos e executivos. Policiais federais, civis, militares e outros profissionais que conhecem a criminalidade não apenas pelos números das estatísticas, mas pelo que encontram todos os dias nas ruas.
E há algo nesse movimento que merece ser analisado com atenção.
Talvez muitos desses profissionais tenham chegado à conclusão de que não basta continuar prendendo.
Não basta prender o assaltante, o traficante, o integrante de uma organização criminosa... para, pouco tempo depois, vê-lo de volta às ruas por brechas legais, interpretações jurídicas, fragilidades processuais ou por um sistema que, em determinados casos, não consegue manter preso quem representa efetivamente uma ameaça à sociedade.
E aqui é preciso fazer uma distinção: não estou dizendo que toda soltura seja ilegal ou que todo profissional do Judiciário esteja equivocado. O Estado de Direito exige regras, devido processo e garantias. O problema é outro:
as leis e as estruturas criadas para combater o crime precisam acompanhar a velocidade com que o crime se organiza.
O crime mudou.
As organizações criminosas mudaram.
O narcotráfico se profissionalizou, ampliou seus territórios, criou redes financeiras, armamentos, comunicação e logística cada vez mais sofisticadas.
E nós ainda discutimos muitas vezes como se estivéssemos enfrentando o mesmo criminoso de décadas atrás.
Enquanto isso, quem está na ponta dá o murro em ponta de faca.
Prende.
Investiga.
Produz provas.
Arrisca a própria vida.
E, quando o criminoso volta para a rua, muitas vezes retorna ainda mais estruturado e perigoso.
É compreensível, portanto, que parte desses profissionais esteja começando a olhar para o Legislativo e pensar:
“Talvez eu precise estar lá para mudar aquilo que, aqui fora, eu não consigo mudar.”
Porque segurança pública não se faz somente com viatura, fuzil, investigação e operação policial.
Segurança pública também se faz com leis adequadas à realidade, inteligência, integração entre instituições, investigação financeira, fortalecimento das estruturas policiais, sistema prisional eficiente e um sistema de Justiça capaz de responsabilizar, dentro da lei, quem efetivamente comete crimes.
E talvez seja justamente essa percepção que esteja levando tantos profissionais da segurança a sair das ruas e entrar na política.
Não necessariamente porque desistiram de combater o crime.
Talvez porque tenham entendido que combater o crime também significa combater, dentro das instituições, aquilo que permite que ele continue se reproduzindo.
E há ainda uma discussão maior, que merece ser feita com muita responsabilidade: como aperfeiçoar os mecanismos de controle e responsabilização de todos os agentes públicos envolvidos no sistema de Justiça, preservando a independência institucional e as garantias constitucionais.
Eu mesma já pensei sobre a possibilidade de mecanismos diferentes de escolha ou avaliação para determinadas funções do sistema de Justiça. Mas isso é um debate constitucional e institucional complexo, que não pode ser reduzido a simplesmente “eleger juiz”. Afinal, independência judicial também é uma garantia importante do Estado de Direito.
O ponto central, para mim, é outro:
não podemos exigir que o policial resolva sozinho um problema que é muito maior do que a polícia.
Enquanto um profissional arrisca a vida para retirar um criminoso das ruas, o restante do sistema precisa funcionar.
Porque, se não funciona, chegamos a uma situação perversa:
o policial prende, o criminoso retorna e a sociedade continua refém.
E talvez seja justamente por isso que estamos vendo tantos homens e mulheres da segurança pública decidindo ocupar espaços na política.
Eles já experimentaram o limite da atuação de dentro das ruas.
Agora querem participar da construção das regras que organizam o jogo.
E isso, gostemos ou não, é um movimento que merece ser observado.
Porque quando quem passa a vida combatendo o crime começa a concluir que precisa entrar no Legislativo para mudar as condições desse combate...
talvez seja um sinal de que há alguma coisa muito séria precisando ser discutida no Brasil.
Um fim de semana que valeu a minha vida!
Um fim de semana muito bom! ❤️
Um lugar paradisíaco... pessoas dispostas a tornar nossa estada ainda mais prazerosa... e uma harmonia que parecia blindada pelos céus!
Tudo concorreu para o êxito da viagem: o tempo, o lugar escolhido... até São Pedro deu um refresco e liberou o sol — mesmo que um tanto envergonhado —, mas ele esteve por lá durante toda a sexta e o sábado! ☀️🌿🌊
Mas houve algo que, para mim, bateu forte no coração: ver pais e filhos em uma integração que pouco se vê nos dias atuais, quando a pressa da vida parece não deixar espaço para o simples e tão necessário “crescer juntos”.
Não teve briga... não teve malcriação... não houve necessidade de uma palavra mais ríspida.
Houve convivência.
Houve presença.
Houve brincadeira, conversa, cumplicidade e, acima de tudo, tempo compartilhado.
Foi um daqueles fins de semana que certamente ficarão guardados no HD pessoal de cada criança e de cada adulto que esteve ali... como uma memória boa para ser acessada lá na frente, quando a vida estiver corrida demais e o coração precisar se lembrar de tempos felizes.
E para mim e meu marido, que pertencemos à ala da terceira idade desse encontro, ficou uma alegria tranquila e profunda: a de ver nossos netos e seus amiguinhos cercados por pais dispostos a mostrar, através das próprias atitudes, que família é o melhor investimento que podemos fazer na vida.
Que essas crianças cresçam carregando muito mais do que fotografias desse fim de semana.
Que carreguem lembranças.
Que carreguem afetos.
Que carreguem a certeza de que houve um tempo em que seus pais pararam tudo para simplesmente... estar com eles.
Deus abençoe a todos! 🙏🏻
E que dias assim, dignos de memória positiva, aconteçam cada vez com maior frequência. ❤️
Porque, no fim das contas, talvez seja isso que realmente importa:
criar memórias felizes enquanto ainda temos tempo de vivê-las.
domingo, 27 de setembro de 2026
Tudo por ela... nossa arco-íris!
Nina... 11 anos de um amor que chegou para iluminar nossos dias! 💙🌊🧜♀️
Ela só completa 11 anos amanhã...
Mas nós resolvemos antecipar a comemoração e passar este fim de semana prolongado aqui na ilha, em Angra, cercados pelo vovô, pela vovó, pela outra vovó, papai, mamãe, irmão, as melhores amigas e o primo do coração.
E que fim de semana!...
Um lugar paradisíaco, daqueles que parecem ter sido cuidadosamente preparados por Deus para nos lembrar que a vida também sabe ser bonita.
Com sol ou sem sol, Angra oferece uma paz... meu Deus, uma paz maravilhosa!
As fotos não negam a felicidade.
Os sorrisos não deixam esconder.
As memórias já estão guardadas para sempre. ❤️
Mas, apesar de toda essa beleza, ela é o foco.
Ela é a nossa rainha.
A menina que chegou para encantar os nossos corações, para trazer alegria e, de alguma maneira tão bonita, devolver razões para sorrir e continuar acreditando que a vida sempre pode nos surpreender.
Nina chegou pequenininha... e trouxe um mundo inteiro de amor com ela.
E hoje, olhando para essa menina de 11 anos, eu só consigo agradecer a Deus pelo presente que nos deu.
Minha oração é que os caminhos dela sejam sempre protegidos pela Virgem Mãe Maria e iluminados pelo Pai Maior.
Que ela cresça com a mesma vontade de vencer que vê no pai e na mãe...
com o senso de justiça que o pai carrega...
com o valor da família que aprendemos a cultivar...
com esse amor incondicional que tenho pela minha família.
Mas, acima de tudo, que ela nunca perca o sentido de quem ela é.
Porque é isso que mais desejo para ela:
Que ela saiba que pode amar, cuidar, ajudar, lutar, abraçar o mundo inteiro...
Mas que nunca se esqueça de si mesma.
Que compreenda, desde cedo, que estar segura, estar feliz, estar em paz e ser fiel àquilo que acredita também é uma forma de amar os outros.
Porque ela pode ser muito por todos nós...
mas, antes de tudo, precisa ser por ela.
E talvez seja esse o maior presente que eu possa desejar para os seus 11 anos:
Que a vida não lhe ofereça apenas fins de semana como este...
Que nem todos os dias sejam ensolarados, cercados pelo mar, pela família, pelos amigos e pela alegria.
Porque a vida também terá dias nublados.
Terá desafios, escolhas, perdas, medos e recomeços.
E, quando eles chegarem, minha menina, que você tenha dentro de si a mesma força, a mesma determinação e a mesma intensidade com que viveu este fim de semana.
Que você aprenda a vencer não apenas os dias felizes, mas também aqueles que parecerem difíceis demais.
Que seja forte sem deixar de ser doce.
Que seja determinada sem deixar de ser sensível.
Que seja justa sem perder a ternura.
Que ame profundamente... sem jamais esquecer de se amar.
E que Nossa Senhora caminhe sempre ao seu lado, colocando luz nos seus caminhos e proteção sobre os seus passos.
Porque você é, e sempre será, uma das histórias mais bonitas que Deus escreveu em nossas vidas.
Feliz 11 anos, minha Nina! 🩷
Que você continue mergulhando na vida com essa coragem de quem sabe que o mundo é enorme, bonito e cheio de possibilidades...
E que nunca se esqueça:
você é muito amada.
Você é muito importante.
E nós estaremos sempre aqui... torcendo, amparando, celebrando e agradecendo a Deus por ter colocado você em nossas vidas.
Amanhã você completa 11...
E nós completamos mais um ano de privilégio por ter você conosco. 🌊🧜♀️🎂💙
Te amamos, nossa menina do mar! 🩷🩵🌊✨
sábado, 26 de setembro de 2026
Presentes de Deus...
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Insônia... desgaste constante...
Não consegui dormir a maior parte da noite... estou acordada faz horas e daqui a pouco preciso ir ao dentista...
Estou cansada... faz dias... há em mim uma preguiça da alma... um esgotar de emoções...
Não consigo passar pela dor dos outros como quem olha pela janela. Eu entra nela. Sinto. Penso. Me coloco no lugar. E, quando o mundo está cheio de sofrimento, acabo carregando um pouco de cada história dentro de mim.
Ando demais solidária a dor dos outros... não sei fugir disso!
Hoje só precisava atravessar esta manhã.
Mesmo estando sem dormir, cansada há dias e ainda precisando ir ao dentista... Então farei o mínimo necessário. Irei devagar. Depois, voltarei para casa, se puder, me permitirei não produzir nada. Não preciso escrever o bom dia perfeito, não preciso responder todo mundo, não preciso absorver mais nenhuma dor.
Hoje só preciso atravessar esta manhã.
Às vezes o cansaço coloca na gente uma espécie de neblina sobre aquilo que, em outro dia, conseguimos enxergar com mais clareza.
E eu já atravessei neblinas antes.
Hoje, talvez seja só mais um daqueles dias em que a frase do Bruno precisa ser aplicada a mim:
um dia de cada vez… cada dia um pouquinho… até o reencontro.
Só que, desta vez, sem cuidar de todo mundo primeiro.
Preciso cuidar de mim...
Ando demais desanimada com o rumo da vida...
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dias sim... dias não... mas vou sobrevivendo sem um arranhão... ou quase!
Tem dias que, mesmo que não esteja chovendo, eles são nublados...
Isso acontece... com algumas pessoas mais vezes do que gostariam, mais vezes do que imaginamos que alguém pudesse suportar... mas elas atravessam o dia assim mesmo.
Elas entendem que faz parte de todo um processo... que nem todo dia precisa ser bonito para ser importante.
Agora, existem dias ensolarados... cheios de cor, de sons que evidenciam a vida em harmonia, de cheiros que despertam memórias, de calor que abraça...
Isso também acontece com algumas pessoas que, às vezes, nem acreditam que merecem tamanha Luz e tanto Calor!
A vida é assim...
Tem variações de tempo, de temperatura, de humores, de sentimentos... há manhãs de céu azul e há tardes em que precisamos simplesmente esperar a tempestade passar.
E, no fim, talvez esteja tudo bem...
Porque aquele que confia no processo e no Criador continua caminhando.
Vai se reformulando... aprendendo... amadurecendo... fazendo sua reforma íntima... e se preparando.
Até o dia em que o Pai Maior disser:
— Pronto, Filho... agora é Comigo!
E então, quem sabe, a gente finalmente compreenda que todos aqueles dias nublados também faziam parte do caminho até a Luz...
Um dia de cada vez...
Cada dia um pouquinho...
Até o reencontro...
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Sou... mas quem não é? rsrs
E tô eu aqui hoje, tranquila, fazendo minha comidinha saudável, convivendo com minhas dores e tentando cuidar de mim, sem incomodar absolutamente ninguém… quando abro o direct e encontro:
“Amiga, você está obcecada por fazer campanha política para a direita. Maneira um pouco, você está ficando enfadonha.”
Bom… vamos conversar.
Primeiro: quem vê o que eu publico é porque está no meu perfil, entre as pessoas que eu permiti que estivessem ali. Meu perfil não é público. É um espaço onde compartilho minha vida, meus pensamentos, minhas experiências e, naturalmente, minhas opiniões.
Você não concorda comigo? Tudo bem.
Não gosta do que eu escrevo? Tudo bem também.
Pode deixar de acompanhar, silenciar, sair da minha lista de amigos… e eu prometo que não vou ficar magoada, contrariada ou pensando mal de você por isso. Cada pessoa tem o direito de pensar diferente. É assim que a vida funciona.
Agora, você quer saber por que eu estou tão obstinada em falar sobre política e em defender uma mudança no cenário que considero necessário para o nosso país?
Porque, para mim, isso não começou ontem.
Quando o assunto é segurança pública, eu tenho 11 anos de uma história que não me permite tratar esse tema como uma simples discussão política. Eu perdi um filho para a violência. E depois de viver o que vivi, segurança pública deixou de ser uma pauta distante. Passou a fazer parte da minha história, da minha dor e das minhas preocupações.
Também aprendi, dentro da minha própria casa, que a vida precisa caber dentro daquilo que podemos pagar.
Quando eu estava a poucos meses de uma cirurgia cardíaca, nossa realidade financeira mudou e meu marido precisou adequar nosso plano de saúde ao padrão de vida que conseguíamos sustentar naquele momento. E eu entendi perfeitamente.
É assim que pessoas honestas fazem: quando o dinheiro não dá, a gente corta, adapta, muda hábitos, deixa de ter algumas coisas e tenta viver dentro das nossas possibilidades.
Mas também me entristece ver pessoas que sempre trabalharam, pagaram suas contas, colocaram comida na mesa e tentaram viver com dignidade começarem a sentir que até o básico está ficando difícil.
E tem uma coisa que me incomoda profundamente: a sensação de que a corrupção deixou de causar indignação em parte da sociedade e passou, muitas vezes, a ser tratada como algo inevitável, quase como se fosse normal.
Isso me revolta.
Então, sim, eu estou indignada.
Estou cansada.
Estou triste.
E estou falando muito sobre política porque, neste momento da minha vida, eu não consigo simplesmente fingir que não estou vendo aquilo que me incomoda.
Talvez para você seja enfadonho.
Para mim, é a minha forma de exercer o meu direito de pensar, falar e participar da vida do meu país.
Você não precisa concordar comigo.
Só precisa respeitar o fato de que eu também tenho o direito de não me calar.
E, se aquilo que eu escrevo não faz mais sentido para você, está tudo bem.
A porta é a mesma pela qual você entrou.
Pode sair em paz.
Eu continuarei aqui… escrevendo, pensando, questionando e dizendo aquilo em que acredito.
Porque ficar em silêncio só para não incomodar os outros nunca foi exatamente o meu jeito de viver.
Ps. Esse texto não é direcionado a pessoa que , de verdade, se preocupou comigo esses dias ... eu entendo sua preocupação... e sou infinitamente grata por ela! A senhora sabe que a amo! O texto de hoje é direito de resposta que me dei por conta de um direct de outra pessoa!
domingo, 20 de setembro de 2026
Quando uma mãe chora todas as outras mães choram também!
Quando um caso atual te faz voltar a 2015
Quando uma mãe chora, choram todas as outras mães juntas.
Desde ontem, venho acompanhando, pelas redes sociais, as manifestações em torno da morte de uma jovem de apenas 22 anos, no Ceará.
Vi a postagem da mãe.
E, meu Deus...
Aquela mulher não estava apenas contando uma história.
Ela estava tentando entender o inexplicável.
Tentando juntar pedaços de uma realidade que, para uma mãe, simplesmente não deveria existir.
E foi impossível não voltar a 2015.
Foi impossível não voltar para o meu próprio filho.
Há dores que não precisam ser iguais nos detalhes para serem reconhecidas por quem já atravessou aquele território.
Eu sei o que é olhar para uma história e sentir o corpo reagir antes mesmo que a razão consiga organizar os pensamentos.
Sei o que é ouvir determinadas palavras e voltar, por alguns segundos, para aquele dia.
Sei o que é procurar respostas.
Sei o que é conviver com perguntas.
E sei, principalmente, o que significa ser mãe quando aquilo que mais queremos é descobrir a verdade sobre o que aconteceu com um filho.
Por isso, minha solidariedade a essa mãe não nasce apenas da maternidade.
Nasce da experiência.
Eu vivi.
E talvez seja justamente por isso que esse caso esteja me cutucando tanto... me incomodando, me machucando, me remoendo.
Porque quando uma mãe chora, existe algo naquela dor que ultrapassa a história individual daquela família.
Uma mãe que perdeu um filho reconhece o desespero de outra mãe.
Mesmo sem conhecer aquela mulher.
Mesmo sem conhecer aquela jovem.
Mesmo sem saber ainda tudo o que aconteceu.
A dor materna não precisa de tradução.
E existe algo que me inquieta profundamente em histórias assim:
quando as respostas não chegam, o silêncio começa a gritar.
Não estou aqui para apontar culpados antes que as investigações esclareçam os fatos.
Não cabe a mim fazer julgamentos.
Mas cabe a mim, como mãe e como alguém que já passou por uma perda cercada de perguntas, dizer que nenhuma família deveria precisar implorar para ser ouvida.
Nenhuma mãe deveria precisar transformar a própria dor em uma campanha para que o mundo perceba que existe uma história por trás de um corpo.
Nenhuma morte deveria ser apenas mais uma notícia que desaparece depois de alguns dias.
Porque, para aquela mãe, não existe "mais um caso".
Existe a filha dela.
E talvez seja por isso que essa história tenha me levado de volta a 2015.
Porque há onze anos eu também descobri que o calendário continua andando enquanto, dentro da gente, algumas perguntas permanecem paradas no tempo.
E quando vejo outra mãe tentando encontrar sentido onde só existe desespero, alguma coisa dentro de mim reconhece aquela mulher.
Eu não sei o que aconteceu com essa jovem.
E justamente por não saber, não quero inventar respostas.
Quero apenas que as perguntas sejam feitas.
Que sejam investigadas.
Que sejam esclarecidas.
Que a verdade, seja ela qual for, tenha espaço para aparecer.
Porque quando uma mãe perde um filho, ela não perde apenas o presente.
Ela passa a carregar para sempre a necessidade de compreender.
E talvez seja essa a maior semelhança entre tantas histórias de mães:
nós seguimos vivendo... mas nunca deixamos de procurar.
E eu, que em 2015 comecei uma caminhada que jamais imaginei percorrer, hoje olho para essa mãe e sinto vontade de dizer apenas:
Eu sei.
Não sei a sua história.
Não sei as respostas que você procura.
Mas sei o tamanho do vazio que começa quando um filho parte...
E sei como algumas perguntas conseguem atravessar onze anos e ainda encontrar a gente pelo caminho.
Que a verdade encontre essa família.
Que a justiça não se perca no silêncio.
E que nenhuma mãe precise desistir de perguntar aquilo que o coração dela sabe que precisa ser respondido. 😌😪
Dentro de mim moram alguns eusss...
Dentro de mim moram várias Márcias.
E cada uma delas, no seu tempo, foi responsável por caminhar por esse difícil, doloroso e, ao mesmo tempo, tão necessário trajeto da evolução.
Meu Deus... quantas dores eu passei.
Às vezes eu paro e penso que mal tive tempo de ser criança. Tão pequena, precisei observar, compreender e atravessar situações que talvez fossem grandes demais para os olhos de uma menina.
Mas, dentro daquela criança, já havia uma sementinha...
A sementinha do divino.
Do saber.
Da fé.
Da presença do Pai Maior.
E talvez tenha sido ela que, mesmo sem que eu compreendesse, me sustentou tantas vezes.
Porque, por mais difícil que fosse a caminhada, eu instintivamente me recusei a me revoltar. Recusei-me a desistir.
Eu caminhei.
Trafeguei por estradas que muitas vezes não escolhi. Atravessei caminhos tortuosos. Em alguns momentos, quase caí... e em outros, caí mesmo.
Mas eu sempre levantei.
Sempre.
Renascendo das minhas próprias cinzas, recolhendo os pedaços, juntando os caquinhos e seguindo adiante.
E fui crescendo...
Fui aprendendo.
Fui amadurecendo.
Fui compreendendo que algumas dores não chegam para nos destruir, mas para nos transformar.
E, de todas essas Márcias, nasceu essa que hoje, todos os dias, conversa com vocês.
Não me sinto vaidosa por dominar alguma área da vida. Não é isso que me faz sentir orgulho.
O que me faz feliz, verdadeiramente feliz, é saber que, apesar de tudo o que vivi, eu não permiti que a dor arrancasse de mim a capacidade de amar.
Ao contrário...
Se existe alguma coisa que considero uma das minhas maiores conquistas, é saber que me tornei um ser capaz de semear o bem no coração de alguém.
Talvez eu não consiga mudar o mundo.
Talvez eu não consiga resolver todas as dores que encontro pelo caminho.
Mas, se uma palavra minha alcançar um coração cansado...
se uma reflexão minha fizer alguém pensar...
se um gesto meu devolver um pouquinho de esperança a alguém...
então toda aquela caminhada teve sentido.
Porque, no fim das contas, talvez seja isso que significa evoluir:
não chegar ao final da estrada perfeita...
mas chegar um pouco mais humana, um pouco mais consciente, um pouco mais amorosa...
e deixar, por onde passamos, algumas sementes de luz.
Dentro de mim ainda moram várias Márcias.
A menina que precisou ser forte cedo demais.
A mulher que caiu.
A mulher que chorou.
A mulher que recomeçou.
A mulher que ainda sente.
A mulher que aprendeu.
E todas elas continuam caminhando comigo...
Porque nenhuma das Márcias que fui deixou de existir.
Elas apenas foram se transformando...
até chegar a esta que hoje olha para trás, respira fundo e consegue dizer:
eu sobrevivi às minhas dores sem permitir que elas me transformassem em alguém que eu não queria ser.
E talvez essa seja a minha maior vitória.
Não ter vencido pessoas, situações ou dificuldades...
mas ter conseguido vencer, todos os dias, a vontade de desistir de mim mesma.
Um dia de cada vez...
cada dia um pouquinho...
até o reencontro.
sábado, 19 de setembro de 2026
Bom fim semana... a todos!
Bom dia! ☕📖
Hoje, o meu Café com Literatura vai, especialmente, para aqueles que pensam como eu, que estão cansados como eu, que desejam mudanças como eu.
Não significa que eu não queira coisas boas para todos. Quero, sim. E talvez seja justamente por pensar no todo, e não apenas em mim e na minha família, que eu me exponho tanto, escrevendo, falando, colocando em palavras aquilo em que acredito.
Mas hoje eu quero conversar com quem compartilha desses mesmos anseios.
E, principalmente, quero falar àqueles que estão colocando seus nomes, sua história e sua integridade à disposição de um projeto de mudança nas próximas eleições:
não desistam de nós.
Continuem firmes.
E a vocês que caminham ao lado dessas pessoas, que trabalham, ajudam, acreditam e colocam energia para transformar um sonho em realidade: não desistam também.
Mas existe uma coisa que eu gostaria de pedir a todos nós:
não entremos no oba-oba do “já ganhamos”.
Porque uma guerra só termina quando chega ao fim.
Só podemos falar em vitória quando o último minuto passou, quando a batalha terminou e uma nova era, de fato, começou.
Até lá, é trabalho.
É humildade.
É respeito.
É perseverança.
É saber defender aquilo em que acreditamos sem precisar agredir quem pensa diferente.
Não precisamos transformar divergência em ofensa, nem convicção em arrogância.
Quem realmente deseja mudança precisa estar disposto a trabalhar por ela até o último instante.
Então, neste sábado, desejo a todos um fim de semana de paz, de alegria e, principalmente, de consciência.
Que não nos falte coragem para continuar, humildade para reconhecer que ainda há muito caminho pela frente e serenidade para percorrê-lo.
Sem agressões.
Sem provocações.
Sem desafios negativos.
Sem soberba.
Apenas trabalho, fé e perseverança.
Porque sonho que se quer transformar em realidade não pode parar no meio do caminho.
Bom dia! Um sábado de paz para todos nós. 🌷
Um dia de cada vez... cada dia um pouquinho...
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
As dicas do Bruno...
O Bruno, em uma de suas últimas postagens no Facebook, escreveu:
“Liberte-se... Um dia de cada vez... Até o reencontro!”
E eu, que acredito em reencarnação, em preparação dos espíritos encarnados para o desencarne, principalmente em face à sua evolução espiritual, penso que meu filho se despediu querendo passar a seguinte mensagem:
“Liberte-se: do medo... das formalidades... das imposições da vida cotidiana... das convenções...
Viva harmonicamente um dia de cada vez, olhando sempre para o próximo com o mesmo amor que olha para os seus... Seja GRATO!!!! Porque a vida é uma grande oportunidade de aprendizado, não desperdice-a! Confie em Deus e nos espíritos de Luz, porque mesmo quando tudo parecer errado... Desgraçadamente cruel, DEUS tem um porquê e esse porquê nunca é ruim...
Até o reencontro... Porque, de alguma forma, em algum dia, nos encontraremos naquela mesma estação!”
Hoje, tantos anos depois, leio essas palavras com outros olhos...
E talvez seja isso que chamamos de evolução.
A vida não é apenas aquilo que conseguimos acumular, conquistar ou deixar para trás. Talvez a nossa verdadeira missão esteja naquilo que conseguimos transformar dentro de nós enquanto caminhamos...
Aprender a amar. Aprender a perdoar. Aprender a agradecer. Aprender a respeitar o tempo do outro e o nosso próprio tempo. Aprender, principalmente, a não permitir que as dores da vida nos tornem pessoas diferentes daquilo que fomos chamadas a ser.
E, quando penso no meu filho, uma certeza me acompanha...
Eu soube educar.
Não porque consegui protegê-lo de todas as dores — isso nenhuma mãe consegue.
Não porque consegui impedir que a vida lhe apresentasse seus caminhos, suas escolhas, seus encontros e desencontros...
Mas porque, quando ele partiu, levou consigo aquilo que uma mãe realmente pode oferecer a um filho: valores, amor, respeito, solidariedade, fé, liberdade para escolher e consciência de que cada escolha tem suas consequências.
Educar um filho é plantar sem saber exatamente quando — ou se — veremos a árvore florescer.
É ensinar enquanto eles ainda precisam da nossa mão e, depois, confiar que aquilo que ensinamos caminhará com eles quando soltarmos essa mão.
Bruno cresceu...
E eu cresci junto com ele.
Hoje compreendo que talvez uma das maiores missões de uma mãe seja justamente essa: preparar um espírito para caminhar pela vida sem ser propriedade de ninguém, nem mesmo da própria mãe.
E talvez, dentro daquilo em que acredito, preparar também seja ensinar que a vida terrena é apenas uma estação...
Uma passagem...
Uma oportunidade.
Por isso, quando releio:
“Um dia de cada vez... até o reencontro!”
não consigo enxergar apenas uma frase.
Enxergo uma síntese de tudo aquilo que ainda estou aprendendo...
Libertar-me do medo. Libertar-me da culpa. Libertar-me do “e se”... Libertar-me da necessidade de encontrar respostas para tudo.
E continuar vivendo.
Um dia de cada vez...
Cada dia um pouquinho...
Porque, se existe uma missão que a vida me deixou depois dele, talvez seja justamente essa:
continuar aprendendo, continuar amando e continuar evoluindo... até que, um dia, naquela mesma estação, nossos caminhos se encontrem novamente.
E quando esse dia chegar...
Talvez eu finalmente possa dizer a ele:
“Filho... eu entendi.” 🩷🩵
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Graças a Deus eu tenho...
Quando a dor nos faz olhar para o outro...
Não é fácil.
Não é fácil conviver com a dor todos os dias... e, quando chega uma friagem dessas que tem castigado o Rio de Janeiro e tantas regiões do Sudeste e do Sul, parece que o corpo inteiro sente.
Para quem convive com artrite reumatoide e fibromialgia, o frio pode significar mais do que simplesmente precisar colocar um agasalho.
É dor.
É desconforto.
É mal-estar.
É aquele corpo que parece reclamar de cada movimento... como se a friagem encontrasse exatamente os lugares onde já existe sofrimento e resolvesse apertá-los um pouco mais.
E, ao mesmo tempo, há coisas que parecem contraditórias...
Um tempo extremamente úmido e, ainda assim, aquela sensação de ressecamento nos olhos, nas mucosas... um incômodo que vai se somando a tantos outros.
Meu Deus... é cruel.
Mas hoje, no meio dessa minha própria dor, uma coisa não sai da minha cabeça:
graças a Deus, eu tenho.
Tenho um agasalho.
Tenho cobertas.
Tenho uma casa.
Tenho um teto.
Tenho abrigo.
Tenho condições de buscar algum alívio, ainda que não possa utilizar tudo aquilo que seria o tratamento mais adequado para mim.
Tenho outras condições de saúde que limitam algumas possibilidades, mas ainda posso contar com medidas paliativas para atravessar esses períodos.
E então eu penso em quem não tem.
Quem sente frio sem ter um agasalho.
Quem sente dor sem ter um teto.
Quem dorme sem saber se estará protegido da chuva, do vento, da friagem...
Quem precisa de um medicamento e simplesmente não pode comprá-lo.
E talvez uma das coisas mais cruéis da dor seja justamente esta:
quem não sente na própria pele aquilo que o outro sente pode acabar julgando aquilo que não compreende.
“É só uma dor.”
“É só frio.”
“É só cansaço.”
Não...
Às vezes, para quem carrega uma doença crônica, o que parece pequeno para os olhos de quem observa pode ser gigantesco para quem está vivendo.
E isso me faz pensar ainda mais em quem não tem sequer o mínimo para amenizar aquilo que sente.
Eu tenho uma consciência espiritual que me ensina que nem tudo aquilo que vivemos precisa ser compreendido imediatamente. Há experiências que atravessamos, aprendizados que fazemos, reformas íntimas que precisamos buscar...
Mas existe uma coisa que eu ainda não consigo fazer:
ficar indiferente diante do sofrimento do outro.
Talvez porque a minha própria dor tenha me ensinado que sentir dor muda a maneira como enxergamos o mundo.
E, quando a dor nos torna mais sensíveis à dor alheia, talvez ela também possa se transformar em alguma coisa maior do que sofrimento.
Pode se transformar em compaixão.
Em gratidão.
Em oração.
Em vontade de fazer alguma coisa.
Hoje, portanto, antes de reclamar somente do frio que dói em mim, eu quero agradecer pelo teto que me protege.
Pelas cobertas que me aquecem.
Pelo agasalho que posso vestir.
Pelo alimento que tenho.
Pelo recurso que, dentro das minhas possibilidades, ainda consigo buscar.
E quero pedir por aqueles que não têm.
Porque, meu Deus...
tem piedade de nós.
Olha pelos que sentem frio.
Pelos que sentem fome.
Pelos que sentem dor.
Pelos que não conseguem comprar o medicamento de que precisam.
Pelos que não têm onde descansar o corpo quando a noite chega.
E, principalmente, não permita que a nossa própria dor nos torne indiferentes à dor do outro.
Dá-nos misericórdia.
Dá-nos força.
Dá-nos sensibilidade para enxergar.
E coragem para ajudar quando pudermos.
Porque há dias em que continuar é difícil...
Muito difícil.
Mas talvez seja justamente nesses dias que precisamos nos lembrar:
um dia de cada vez... cada dia um pouquinho... até o reencontro.
E que, enquanto estivermos aqui, que a nossa dor não seja apenas algo que carregamos...
Que ela também possa nos ensinar a carregar um pouquinho da dor do outro.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Estou exausta de ter medo...
Porque vou votar com eles...
EU ESTOU EXAUSTA DE TER MEDO
O que a gente pensa — ou deveria pensar — quando, através do voto, delega poderes a uma pessoa para decidir por nós?
Na Câmara dos Deputados, na Câmara de Vereadores, na Assembleia Legislativa, no Senado, na Presidência da República, nas prefeituras, nos governos dos estados...
O voto é muito mais do que escolher um nome.
É entregar a alguém uma parcela da nossa voz, da nossa confiança e do poder de decidir sobre aquilo que interfere diretamente na nossa vida.
E talvez seja justamente por isso que, neste momento, o meu voto esteja tão ligado à defesa da segurança pública.
Eu estou cansada.
Estou exausta de ter medo.
Cansada de ver tragédias.
De ver gente estirada no chão por causa de um tiro.
De ver carros parados nas estradas e pessoas se jogando ao chão, apavoradas, sem saber se serão as próximas vítimas.
Estou cansada de ter medo de sair com o celular.
De colocar um cordão, ainda que simples, no pescoço.
De usar uma aliança de casamento.
Cansada de pensar que objetos que, muitas vezes, nem têm um valor tão grande podem se transformar em motivo para alguém perder a própria vida.
Mas existe um medo ainda maior...
O medo de receber novamente a notícia de que um filho meu foi encontrado morto.
Eu já conheço essa dor.
E eu não quero passar por isso outra vez.
Não quero viver presa a esse sofrimento.
Mas também não quero transformar a minha dor em vingança.
Não quero alimentar ódio.
Não quero alimentar violência.
Quero outra coisa.
Quero acreditar que podemos construir uma sociedade em que a vida tenha valor.
Quero acreditar que, com representantes comprometidos com a segurança pública, podemos discutir e elaborar leis que acompanhem a realidade que estamos vivendo.
Uma sociedade mudou. Os problemas mudaram. As formas de violência também mudaram.
E talvez as nossas leis precisem acompanhar essas mudanças.
Não acredito que segurança pública seja sinônimo de vingança.
Não acredito que combater a criminalidade precise significar abandonar direitos, dignidade ou humanidade.
Mas também não acredito que proteger direitos possa significar ignorar o direito mais básico de todos: o direito de viver.
Por isso, quando penso no meu voto, penso também naquilo que eu espero daqueles a quem vou delegar poder.
Quero representantes que compreendam que segurança pública não é apenas uma pauta política.
É o direito de uma mãe voltar para casa.
É o direito de um trabalhador atravessar uma estrada sem precisar deitar no chão para se proteger de tiros.
É o direito de uma mulher usar sua aliança sem medo.
É o direito de um jovem sair de casa e voltar.
É o direito de uma família não receber a ligação que muda sua história para sempre.
É o direito de todos nós de viver sem que o medo determine até onde podemos ir.
Meu voto, neste momento, será também uma resposta àquilo que eu tenho vivido e observado.
Não por ódio.
Não por vingança.
Mas porque eu preciso acreditar.
Preciso acreditar que ainda é possível elaborar leis mais adequadas ao tempo em que vivemos.
Preciso acreditar que podemos encontrar caminhos para proteger a população sem abandonar a humanidade.
Preciso acreditar que vale a pena continuar morando aqui.
Preciso acreditar que o Brasil pode voltar a ser, para nós, mais do que um lugar bonito no mapa.
Quero continuar acreditando naquele verso que aprendemos a cantar:
“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”
E talvez, depois de tudo...
ainda conseguir cantar:
“Mas que beleza...
mas que beleza.”
Porque eu não quero desistir do meu país.
Eu só quero poder viver nele sem medo.🙂.
Eu sei, meu filho... hoje eu estou precisando de você.”
O dia que não terminou
Existem dias que terminam quando o sol se põe.
E existem dias que não terminam nunca...
Ficam suspensos no tempo, congelados em algum lugar dentro da gente, esperando que alguma coisa os descongele. Uma música, uma lembrança, uma fotografia, uma palavra... ou simplesmente um daqueles momentos em que o corpo enfraquece e a alma procura quem um dia foi abrigo.
É nesses momentos que eu sinto ainda mais falta do Bruno.
Porque Bruno não era apenas meu filho.
Era meu parceiro.
Meu amigo.
Meu companheiro.
Era aquele com quem eu podia dividir a vida, as conversas, as pequenas coisas... e talvez seja por isso que, quando eu estou fragilizada, cansada ou sentindo dor, alguma parte de mim ainda procure por ele.
Como se meu coração dissesse:
“Cadê o Bruno?”
E então eu volto para aquele dia...
O dia em que ele me deu um beijo de despedida.
O dia em que eu o vi sair acreditando que a manhã seguinte chegaria normalmente.
O dia em que eu ainda tinha um amanhã com ele.
Mas aquele amanhã não aconteceu como deveria.
E foi assim que aquele dia nunca terminou.
Ele ficou ali...
Naquele beijo.
Naquela porta.
Naquela despedida.
Na certeza de que ele voltaria.
Ficou congelado na minha vida.
Mas aprendi, ao longo desses onze anos, que um dia congelado não significa uma vida congelada.
Eu continuei.
Chorei.
Caí.
Me reconstruí.
Aprendi a conviver com a ausência.
Aprendi que saudade não é retrocesso.
Que sentir falta não significa que eu não tenha seguido em frente.
Significa apenas que alguém foi muito amado.
E o Bruno foi.
É.
Talvez seja por isso que, quando estou mais frágil, eu me lembro tanto dele.
Não é somente da morte que eu me lembro.
Eu me lembro da vida.
Do filho que esteve comigo.
Do amigo que caminhou ao meu lado.
Do companheiro que tantas vezes fez parte dos meus dias.
E talvez seja essa a maior diferença entre a ausência e o esquecimento:
ele está ausente... mas nunca foi esquecido.
O tempo passou.
Muita coisa mudou.
Eu mudei.
Mas aquele dia...
Aquele dia ainda não terminou.
E talvez nunca termine.
Porque algumas histórias não terminam quando a vida física acaba.
Elas apenas mudam de lugar.
Saem dos nossos braços...
E passam a morar para sempre dentro do coração.
E eu sigo...
Um dia de cada vez, cada dia um pouquinho...
Até o reencontro.
Quando até a ética vira relativa...
QUANDO ATÉ A ÉTICA VIRA RELATIVA...
Tem coisas que a gente escuta e demora um pouco para acreditar.
Não porque não tenha entendido as palavras... mas porque custa acreditar que elas tenham sido ditas justamente por quem deveria estar entre os primeiros a defender a lei, a ética, a responsabilidade e o respeito às instituições.
Ouvir que até a máfia tem ética...
Meu Deus... que vergonha!
Não é apenas uma frase. É o que ela revela.
Quando alguém tenta justificar o silêncio diante de possíveis erros cometidos por um colega, sob o argumento de que não se deve expor, divulgar ou julgar aquilo que ele teria feito, alguma coisa muito séria está sendo colocada em discussão.
Porque ética não pode ser uma regra para os outros e uma exceção para os nossos.
Lei não pode ser bonita quando serve para punir quem está do outro lado e inconveniente quando alcança quem caminha ao nosso lado.
E lealdade...
Lealdade não deveria significar proteger o erro.
Deveria significar ter coragem de dizer: você errou.
É justamente aí que mora a minha tristeza.
Porque a gente quer acreditar.
Quer acreditar que ainda existe conserto.
Que ainda existe limite.
Que ainda existe vergonha.
Que ainda existe gente disposta a colocar princípios acima de conveniências.
A gente quer acreditar que o fundo do poço ainda não chegou...
Mas, de repente, vem a turma do "vamos ver"... do "oba-oba"... do "deixa isso pra lá"... muitas vezes vestida de autoridade, de conhecimento, de bons costumes, de gente de bem...
E dá aquela pernada na nossa esperança.
Não é só indignação.
É tristeza.
Tristeza porque, quando aqueles que deveriam ensinar o caminho da lei começam a relativizar a ética para proteger os seus, quem fica sem saber para onde olhar somos nós.
E talvez seja justamente por isso que eu ainda me recuse a desistir.
Porque, apesar de tudo, eu continuo acreditando que erro não deixa de ser erro porque foi cometido por alguém de quem gostamos.
Que crime não muda de nome conforme a pessoa que o pratica.
E que ética, quando é verdadeira, não tem bancada, lado, amizade ou conveniência.
Ou ela vale para todos...
ou não é ética.
É apenas um discurso usado quando interessa. 😔😒
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Vamos orar para que possamos ESPERANÇAR!
Uma escolha só pode ser eterna se te faz bem...
Todo mundo tem direito de ter opinião.
Todo mundo deveria, inclusive, aprender a escolher um lado do muro... saber por que escolheu, conhecer aquilo que esse lado representa e, principalmente, ter consciência de que toda escolha traz consequências. Algumas boas... outras nem tanto.
E assumir as consequências das nossas escolhas faz parte da maturidade.
Mas escolher um lado não significa ficar engessado nele para sempre. Não significa fechar os olhos, tapar os ouvidos e se tornar incapaz de questionar aquilo que está diante dos nossos olhos.
Porque mudar de opinião não é, necessariamente, falta de convicção.
Às vezes, é justamente o contrário.
É preciso muita coragem para olhar para uma escolha que fizemos, reconhecer que alguma coisa não está certa e dizer: “Eu me enganei.”
É preciso humildade para admitir que aquilo que um dia pareceu correto talvez já não seja mais compatível com aquilo que acreditamos.
E é aí que entra a consciência...
Não aquela consciência que a gente apresenta para os outros. Não aquela fé que a gente anuncia aos quatro ventos, mas que desaparece quando nossos interesses são contrariados.
Falo daquela consciência silenciosa... aquela que mora dentro da gente e que, quando estamos sozinhos, não permite que a mentira seja confortável.
Se acreditamos verdadeiramente em Deus, na justiça, na honestidade, na espiritualidade, no amor ao próximo... precisamos permitir que esses valores sejam também instrumentos para avaliar nossas escolhas.
Porque não adianta falar de Deus e defender aquilo que sabemos ser injusto.
Não adianta falar de honestidade enquanto fechamos os olhos para a desonestidade quando ela favorece o nosso lado.
Não adianta falar em justiça quando só consideramos justa a decisão que beneficia aquilo que defendemos.
E não adianta dizer que somos pessoas de fé se a nossa fé só serve para justificar aquilo que queremos acreditar.
Fé também é coragem para enxergar.
É coragem para reconhecer.
É coragem para corrigir.
Por isso, se um dia você perceber que o lado do muro que escolheu não está mais de acordo com aquilo que sua consciência, sua fé e seus princípios lhe dizem ser correto... não tenha vergonha de mudar.
Descer do muro não é fracasso.
Atravessá-lo não é fraqueza.
Mudar a direção não é falta de inteligência.
Às vezes, é justamente a maior demonstração de inteligência emocional, de caráter e de maturidade que uma pessoa pode oferecer.
Porque permanecer no erro apenas para não dar o braço a torcer é uma das formas mais tristes de escravidão.
A pessoa deixa de defender aquilo em que acredita e passa a defender apenas a própria escolha.
E são coisas muito diferentes.
Eu posso ter escolhido um caminho ontem e perceber hoje que preciso tomar outro.
Posso ter admirado alguém e, diante de novas atitudes, deixar de admirar.
Posso ter acreditado em uma ideia e, depois de enxergar suas consequências, reconsiderá-la.
Isso não me diminui.
Isso me humaniza.
O problema não está em errar na escolha.
O problema está em enxergar o erro e, mesmo assim, continuar caminhando por ele apenas porque admitir a mudança machuca o nosso orgulho.
Talvez seja por isso que algumas pessoas prefiram permanecer do lado errado do muro...
Não porque não enxerguem.
Mas porque enxergar exigiria delas uma coragem que ainda não encontraram.
E talvez a maior liberdade que alguém possa conquistar seja justamente essa:
a liberdade de não ser prisioneiro das próprias escolhas.
Porque princípios não são partidos.
Princípios não têm lado.
Princípios não precisam de torcida.
Ou são princípios... ou não são.
No final das contas, cada um de nós terá que responder não apenas pelo lado do muro que escolheu, mas pelo que fez enquanto esteve ali.
E quando chegar a hora de olhar para trás, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Eu estava do lado certo?”
Talvez seja:
“Quando percebi que estava errado, tive coragem de mudar?”
Porque reconhecer o próprio erro não apaga o caminho percorrido...
Mas pode impedir que continuemos caminhando na direção errada.
E isso também é evolução.
Também é fé.
Também é reforma íntima.
Também é Deus nos ensinando, através da nossa própria consciência, que ninguém precisa permanecer para sempre onde um dia escolheu estar.
A vida é movimento...
E quem realmente busca a verdade precisa estar disposto a caminhar com ela, mesmo quando ela nos obriga a mudar de direção.
sábado, 12 de setembro de 2026
Quando o amor e a família parecem não ter sido suficiente...
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
QUANDO A FELICIDADE DO OUTRO INCOMODA...
Hoje, em meio a quatro dias de dor, exausta, com a voz até mais fraca de tanto cansaço, fiz uma oração pedindo a Deus que me ajudasse a compreender algumas coisas...
E uma palavra ficou latejando na minha cabeça: inveja.
Não sei exatamente por quê.
Talvez porque, em alguns momentos da vida, a gente perceba que nem todo mundo está preparado para assistir à felicidade do outro.
E isso é curioso...
Porque inveja nem sempre chega vestida de maldade. Às vezes ela vem disfarçada de brincadeira, de ironia, de indiferença, de um comentário aparentemente inocente... às vezes vem até acompanhada de um sorriso.
E ela pode estar em qualquer lugar.
Na família, nas amizades, no trabalho, nos relacionamentos mais próximos ou mais distantes...
Mas existe uma coisa que eu aprendi: a felicidade de alguém não diminui a felicidade de ninguém.
Tudo aquilo que conquistamos ao longo da vida teve um preço.
Horas de trabalho, noites maldormidas, escolhas difíceis, organização financeira, renúncias...
Nada veio de graça.
E hoje, como tantas famílias brasileiras, também precisamos fazer escolhas. Diminuímos gastos, abrimos mão de algumas coisas, trocamos planos, reduzimos encontros... até o plano de saúde precisou ser revisto.
Estamos precisando trocar um carro velho, que já começa a representar um risco.
A vida não está fácil.
Mas, apesar de tudo isso, estamos vivendo uma fase bonita.
Meu filho, minha nora e meus netos conseguiram sair de um lugar que não era deles e foram morar em um imóvel próprio.
Um imóvel que estava praticamente destruído e que precisou de muito trabalho para se transformar novamente em um lar.
Meu marido comprou.
Meu filho colocou a mão na massa.
Outros trabalhadores ajudaram.
E, aos poucos, aquilo que era apenas um imóvel passou a ter cara de casa... de família... de conquista.
E eu me alegro.
Muito.
Não porque tenhamos ficado ricos.
Não porque nossa vida tenha se tornado perfeita.
Mas porque, no meio de tantas dificuldades, uma família conseguiu dar um passo adiante.
E talvez seja justamente aí que esteja a questão...
Nem sempre as pessoas conseguem olhar para a felicidade do outro sem compará-la com a própria vida.
Nem sempre conseguem simplesmente dizer:
"Que bom! Fico feliz por vocês."
Às vezes precisam diminuir a conquista.
Questionar.
Ironizar.
Encontrar um defeito.
Disfarçar o incômodo.
Talvez porque a conquista do outro acabe mostrando aquilo que elas próprias ainda não conseguiram alcançar.
Mas eu não quero viver olhando para os lados para descobrir quem está feliz com a minha felicidade e quem não está.
Também não quero esconder minhas alegrias para que ninguém se sinta incomodado.
Quero apenas aprender a protegê-las.
Não com arrogância.
Não com ostentação.
Não com confronto.
Mas com discrição, maturidade e fé.
Porque existe uma diferença enorme entre não provocar a inveja e ter medo dela.
Eu não quero provocar ninguém.
Mas também não quero ter medo de ser feliz.
E talvez seja essa a grande lição...
A negatividade alheia pode nos afetar, pode nos entristecer, pode nos fazer questionar pessoas e relações.
Mas não podemos entregar a ninguém o poder de determinar o tamanho da nossa alegria.
Se Deus nos permitir florescer depois de tantos temporais, não devemos esconder as flores.
Devemos apenas aprender onde colocá-las...
E nas mãos de quem vale a pena entregá-las.
Porque, no fim, talvez a melhor resposta para qualquer olhar atravessado seja continuar vivendo...
Sem ostentar.
Sem provocar.
Sem explicar demais.
Sem diminuir nossas conquistas.
E, principalmente...
sem deixar de agradecer.
A felicidade também é uma forma de resistência.
E quando ela nasce depois de muita luta...
ela merece ser vivida. ❤️
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
QUANDO O PACIENTE DEIXOU DE SER OUVIDO COM MAIS APURO?
QUANDO O PACIENTE DEIXA DE SER OUVIDO?
Ontem eu não estava bem.
Na verdade, a madrugada anterior tinha sido uma daquelas que a gente gostaria de apagar da memória.
Muita dor. Uma dor intensa no abdômen, principalmente na parte superior esquerda. Uma sensação estranha, acompanhada de barulhos no estômago que eu nunca tinha sentido daquela maneira. Depois vieram o enjoo e os vômitos... e o que mais me assustou foi perceber que o vômito estava escuro.
Amanheceu e pedi ao meu marido que me levasse à emergência.
Saímos de Muriqui em direção a Santa Teresa, debaixo de chuva, enfrentando um trânsito que já é difícil em dias normais. Levamos mais de três horas.
Cheguei à emergência com muita dor, cansada, depois de uma madrugada inteira sem dormir.
E quero começar fazendo uma ressalva muito importante:
Eu não fui maltratada.
Muito pelo contrário.
Fui bem recebida na recepção. A enfermeira da triagem foi atenciosa. A enfermeira que administrou a medicação também. O médico me tratou com educação.
Então não é sobre grosseria.
Não é sobre falta de respeito.
É sobre outra coisa...
É sobre a sensação de que faltou investigação.
Eu contei tudo o que estava acontecendo. Expliquei que sou bariátrica. Relatei a dor, os vômitos, a mudança na aparência do vômito, os sintomas que haviam surgido antes.
E fiquei surpresa quando percebi que meu abdômen sequer foi examinado fisicamente.
Não houve aquele exame que nós, pacientes, esperamos de um médico diante de uma dor abdominal: apertar, palpar, procurar onde dói mais, observar a reação do corpo, tentar entender o que aquela dor está dizendo.
A consulta pareceu se concentrar em um único aspecto do meu relato.
O mais simples.
O mais rápido.
E eu saí de lá medicada, sim. A dor melhorou, o enjoo melhorou...
Mas a minha pergunta continuou comigo:
E a causa?
É aí que começa a minha inquietação.
Será que estamos construindo uma medicina em que o tempo de consulta ficou tão curto que o médico precisa escolher rapidamente uma hipótese e seguir adiante?
Será que os protocolos, as autorizações, os custos e a necessidade de controlar despesas estão interferindo, ainda que indiretamente, na profundidade da investigação?
Eu não estou dizendo que o médico recebeu uma ordem para ser superficial.
Eu não tenho como afirmar isso.
Estou perguntando.
Porque existe uma diferença enorme entre atender um paciente e investigar um paciente.
E talvez essa diferença esteja passando despercebida por nós.
Eu penso também em nós dois, meu marido e eu, já idosos, saindo de tão longe, debaixo de chuva, enfrentando horas de estrada e trânsito, chegando a um hospital com uma pessoa em dor intensa, depois de uma madrugada inteira sem dormir...
Será que o sistema de saúde está conseguindo enxergar a pessoa que existe por trás do prontuário?
Ou estamos nos tornando apenas uma queixa, um código, um protocolo, uma medicação e um exame solicitado?
Eu reconheço que ninguém pode fazer todos os exames possíveis em todo paciente.
Eu reconheço que medicina não é adivinhação.
Eu reconheço que o médico precisa trabalhar com hipóteses e probabilidades.
Mas também acredito que uma boa medicina começa pela escuta e passa pelo olhar, pelo toque, pela investigação e pela capacidade de juntar as peças.
Eu saí da emergência melhor da dor.
Mas não saí tranquila.
E talvez essa seja a questão mais grave de todas:
Quando o paciente deixa o hospital medicado, mas continua sem entender o que aconteceu com ele, será que o atendimento terminou?
Ou será que apenas terminou a consulta?
Não quero acusar.
Quero provocar reflexão.
Porque saúde não pode ser apenas uma questão de custo, protocolo e velocidade.
Do outro lado daquela ficha existe uma pessoa.
E, algumas vezes, tudo o que essa pessoa espera é que alguém pare por alguns minutos e realmente tente descobrir o que o corpo dela está dizendo...
Um dia de cada vez... cada dia um pouquinho...
terça-feira, 8 de setembro de 2026
CARTAS QUE CHEGAM ONDE A SAUDADE NÃO CONSEGUE CHEGAR
Hoje eu quero falar de um assunto polêmico, daqueles que estão sendo debatidos nas redes sociais, na televisão e em todos os cantos.
E quero falar não como alguém que simplesmente ouviu falar. Quero falar como mãe enlutada. Como alguém que, há onze anos, conhece de perto o abismo que é perder um filho.
Quero falar sobre os médiuns e, especialmente, sobre as chamadas cartas consoladoras.
Antes de qualquer discussão, antes de qualquer julgamento, antes de qualquer tentativa de desqualificar alguém, talvez fosse importante lembrar de uma coisa: existem pessoas do outro lado dessas cartas. Pessoas que estão sofrendo. Pessoas que perderam filhos, pais, irmãos, companheiros, netos, amigos. Pessoas tentando sobreviver à ausência.
Eu recebi uma carta alguns meses depois da morte do meu filho, Bruno.
Foi escrita por um médium de Sergipe, um rapaz que jamais havia me visto. E aquela carta trazia informações que, para mim, eram absolutamente inimagináveis de serem encontradas nas redes sociais.
Ele mencionava, inclusive, o número da OAB do Bruno, o e-mail e até uma senha que eu sequer conhecia.
E havia detalhes muito mais profundos. Coisas íntimas, nossas, pertencentes à nossa história familiar. Coisas que não estavam publicadas em lugar algum.
Eu não estou aqui para exigir que ninguém acredite naquilo em que eu acredito.
Não estou dizendo que toda carta é verdadeira. Não estou dizendo que todo médium é legítimo. E muito menos que qualquer pessoa que se apresente como médium esteja acima de questionamentos.
Fraude deve ser investigada. Engano deve ser denunciado.
Mas existe uma diferença enorme entre investigar e destruir.
Existe uma diferença entre questionar e transformar a dor alheia em espetáculo.
E é justamente isso que me incomoda profundamente quando vejo determinadas abordagens na televisão e nas redes sociais.
Porque, quando se coloca um médium no centro de uma exposição pública, muitas vezes não existe apenas um profissional sendo questionado.
Existe uma mãe assistindo.
Existe um pai.
Existe uma família inteira.
Existe alguém que talvez tenha encontrado naquela carta o primeiro fio de esperança depois de uma tragédia.
Para quem está de fora, pode parecer apenas uma folha de papel.
Para quem perdeu alguém, pode ser muito mais do que isso.
Pode ser um abraço.
Pode ser uma oportunidade de respirar depois de meses vivendo com a sensação de que o mundo acabou.
Pode ser aquilo que ajuda uma pessoa a continuar caminhando.
Eu sei disso porque vivi isso.
E talvez por isso eu me sinta no direito — e até no dever — de pedir um pouco mais de respeito.
Não estou pedindo que a imprensa deixe de investigar. Estou pedindo que a dor humana não seja esquecida no caminho da audiência.
Tenho profunda solidariedade por Maira.
Tenho solidariedade também por Fernando Ben, que, como tantos outros, passou por momentos extremamente difíceis diante de questionamentos, exposições e julgamentos públicos.
E eu me pergunto:
Será que, em algum momento, nós vamos compreender que nem tudo precisa ser transformado em espetáculo?
Há coisas que pertencem ao território da fé.
Há coisas que pertencem ao território da ciência.
Há coisas que pertencem ao território da investigação.
E há coisas que pertencem ao território íntimo de quem sofre.
Eu não quero convencer ninguém da existência da comunicação entre vivos e mortos.
Eu só peço que não tirem de quem acredita o direito de encontrar, através da fé, uma maneira de continuar vivendo.
Porque quem nunca perdeu um filho talvez não consiga compreender.
Mas quem já esteve naquele lugar sabe:
às vezes, uma palavra de esperança não precisa provar o céu. Ela só precisa ajudar alguém a sobreviver à Terra.
E, para mim, algumas dessas cartas fizeram exatamente isso.
Por isso, antes de destruir um médium, antes de transformar uma carta consoladora em manchete, antes de julgar aquilo que não compreendemos, talvez devêssemos pensar em quem está segurando aquela carta do outro lado.
Talvez ali esteja alguém apenas tentando encontrar forças para viver mais um dia.
E isso, por si só, já deveria merecer respeito.