O Bruno, em uma de suas últimas postagens no Facebook, escreveu:
“Liberte-se... Um dia de cada vez... Até o reencontro!”
E eu, que acredito em reencarnação, em preparação dos espíritos encarnados para o desencarne, principalmente em face à sua evolução espiritual, penso que meu filho se despediu querendo passar a seguinte mensagem:
“Liberte-se: do medo... das formalidades... das imposições da vida cotidiana... das convenções...
Viva harmonicamente um dia de cada vez, olhando sempre para o próximo com o mesmo amor que olha para os seus... Seja GRATO!!!! Porque a vida é uma grande oportunidade de aprendizado, não desperdice-a! Confie em Deus e nos espíritos de Luz, porque mesmo quando tudo parecer errado... Desgraçadamente cruel, DEUS tem um porquê e esse porquê nunca é ruim...
Até o reencontro... Porque, de alguma forma, em algum dia, nos encontraremos naquela mesma estação!”
Hoje, tantos anos depois, leio essas palavras com outros olhos...
E talvez seja isso que chamamos de evolução.
A vida não é apenas aquilo que conseguimos acumular, conquistar ou deixar para trás. Talvez a nossa verdadeira missão esteja naquilo que conseguimos transformar dentro de nós enquanto caminhamos...
Aprender a amar. Aprender a perdoar. Aprender a agradecer. Aprender a respeitar o tempo do outro e o nosso próprio tempo. Aprender, principalmente, a não permitir que as dores da vida nos tornem pessoas diferentes daquilo que fomos chamadas a ser.
E, quando penso no meu filho, uma certeza me acompanha...
Eu soube educar.
Não porque consegui protegê-lo de todas as dores — isso nenhuma mãe consegue.
Não porque consegui impedir que a vida lhe apresentasse seus caminhos, suas escolhas, seus encontros e desencontros...
Mas porque, quando ele partiu, levou consigo aquilo que uma mãe realmente pode oferecer a um filho: valores, amor, respeito, solidariedade, fé, liberdade para escolher e consciência de que cada escolha tem suas consequências.
Educar um filho é plantar sem saber exatamente quando — ou se — veremos a árvore florescer.
É ensinar enquanto eles ainda precisam da nossa mão e, depois, confiar que aquilo que ensinamos caminhará com eles quando soltarmos essa mão.
Bruno cresceu...
E eu cresci junto com ele.
Hoje compreendo que talvez uma das maiores missões de uma mãe seja justamente essa: preparar um espírito para caminhar pela vida sem ser propriedade de ninguém, nem mesmo da própria mãe.
E talvez, dentro daquilo em que acredito, preparar também seja ensinar que a vida terrena é apenas uma estação...
Uma passagem...
Uma oportunidade.
Por isso, quando releio:
“Um dia de cada vez... até o reencontro!”
não consigo enxergar apenas uma frase.
Enxergo uma síntese de tudo aquilo que ainda estou aprendendo...
Libertar-me do medo. Libertar-me da culpa. Libertar-me do “e se”... Libertar-me da necessidade de encontrar respostas para tudo.
E continuar vivendo.
Um dia de cada vez...
Cada dia um pouquinho...
Porque, se existe uma missão que a vida me deixou depois dele, talvez seja justamente essa:
continuar aprendendo, continuar amando e continuar evoluindo... até que, um dia, naquela mesma estação, nossos caminhos se encontrem novamente.
E quando esse dia chegar...
Talvez eu finalmente possa dizer a ele:
“Filho... eu entendi.” 🩷🩵