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domingo, 21 de junho de 2026

Uma mãe, vários filhos...


Uma realidade muitas vezes escondida atrás de um comentário debochado...
Há muito mais mágoa pelo que não se teve do que espanto ou graça diante de uma mãe zelosa, presente e atenta.

Meus filhos sofreram um pouco com isso, é verdade. Afinal, eles eram os "pintinhos da mamãe". E eu sempre fui, antes de qualquer outra coisa, mãe.

Dediquei meu tempo, minha energia e meu coração. Estive ao lado deles nos momentos bons e nos difíceis. Falei o que precisava ser falado, sem deixar de caminhar junto, sem abandonar a mão que eu mesma ensinava a seguir o próprio caminho.

E talvez por isso muitos amigos deles — os de verdade, os da infância, aqueles que a vida foi trazendo para dentro da nossa casa — tenham acabado me considerando mais do que uma simples "tia". Eu me tornei uma espécie de mãe emprestada, um porto seguro, um colo disponível, um ouvido atento.

Hoje entendo que o amor vigilante de uma mãe pode até despertar algumas brincadeiras. Mas a ausência desse amor costuma deixar marcas muito mais profundas do que sua presença.

Porque filhos crescem, ganham o mundo, constroem suas próprias histórias... mas nunca deixam de precisar saber que existe um lugar onde são amados sem medida e sem condições.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

A intrigante missão de refinar o olhar para reconhecer os tesouros que já foram colocados em nossas mãos.



"Meu texto hoje foi motivado por algumas postagens que vi no Instagram: duas atrizes falando das marcas da vida e uma citava a ansiedade provocada pelo medo de em face ao trabalho não poder acompanhar o crescimento da filha com mais presença; o vídeo da mãe relatando o pedido do filho para jogar bafo mais que ela, por estar na Internet não deu naquele momento a atenção solicitada e, mais tarde,  ao ver na mídia uma mãe implorar oração pelo filho pequeno morrendo no hospital, teve um momento de mea culpa; também pensei muito na mãe do Henry Borel... Munique me fez ler sobre Medeia e essa coisa de que muitos não conseguem a classificar como vítima ou algoz."

Às vezes observo algumas mães e me pergunto se elas percebem o tamanho da missão que receberam.

Não falo de perfeição. Nenhuma mãe é perfeita. Falo da presença. Do olhar. Da atenção aos pequenos sinais. Daquilo que não aparece nas fotografias, não rende aplausos e não produz reconhecimento social.

Vivemos uma época que valoriza muito o externo. O sucesso, a carreira, os relacionamentos, as conquistas, a imagem. Tudo isso tem seu valor. Mas me pergunto se, por vezes, não corremos o risco de nos encantar tanto com o que está fora que deixamos de enxergar o que cresce silenciosamente dentro de casa.

Não escrevo isso para julgar. Cada ser humano está em seu próprio estágio de aprendizado. Talvez algumas pessoas ainda estejam vivendo experiências necessárias ao desenvolvimento da própria consciência.
 Talvez ainda precisem descobrir que o amor não se mede apenas pelo que se oferece materialmente, mas pela disponibilidade de estar presente.

Dentro da visão espiritual que abraço, acredito que nada acontece por acaso. Nem os filhos chegam por acaso. Talvez eles sejam espíritos que aceitaram compartilhar uma jornada de crescimento mútuo. Talvez algumas almas venham para ensinar e outras para aprender. Talvez, muitas vezes, os papéis se invertam ao longo do caminho.
Há filhos que recebem colo em abundância. Há filhos que aprendem a sobreviver à ausência. Nenhuma dessas experiências é simples. Mas todas carregam possibilidades de evolução.

O que me toca é pensar que a infância passa depressa. O tempo não volta. O olhar que não foi dado, a conversa que não aconteceu, a presença que foi adiada para depois, tudo isso deixa marcas.

Talvez a verdadeira evolução não esteja apenas em conquistar o mundo, mas em perceber quem está sentado à nossa mesa enquanto tentamos conquistá-lo.

Será que estamos tão ocupados construindo uma vida que, às vezes, esquecemos de vivê-la? E o que é o viver para você? ( Essa é uma resposta para você dar a você mesmo, porque ela fatalmente te levará a uma reflexão que só a você cabe).


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Junho, o mês das duas margens...

Junho nunca mais foi apenas junho.

Nele, celebro o primeiro choro de um filho que chegava ao mundo e, também nele, escuto o silêncio de outro filho que partiu.

É um mês que me abraça com uma das mãos e me aperta o coração com a outra.
No mesmo calendário onde guardo a alegria de um nascimento, guardo a saudade de uma despedida.

Durante muito tempo achei que precisava escolher qual sentimento sentir. Hoje entendo que não.

Posso sorrir ao lembrar um bebê de olhos brilhantes e, no instante seguinte, chorar a ausência daquele que regressou à pátria espiritual.

Porque o amor não conhece contradições.
É a vida que, às vezes, escreve no mesmo mês as páginas mais felizes e as mais dolorosas da nossa história.

E nós seguimos lendo ambas, com lágrimas nos olhos e gratidão no coração.

domingo, 10 de maio de 2026

Ser mãe...


Ser mãe…
Ah, ser mãe foi o sonho mais bonito que nasceu ainda na infância, quando eu imaginava pequenos braços me envolvendo, vozes me chamando, passos correndo pela casa e um amor tão grande que mal caberia no peito.

A vida, com sua maneira única de escrever histórias, realizou esse sonho de forma ainda mais bonita do que eu poderia imaginar. Sou mãe de três.

Dos meus meninos biológicos, gerados no ventre e embalados no compasso do meu coração desde antes do primeiro choro…
E da minha menina do coração, escolhida pela alma, acolhida pelo amor e eternizada no lugar mais bonito que existe em mim.

Aprendi que maternidade não se mede apenas pelo sangue. Mede-se pela entrega, pelo cuidado, pelas noites em claro, pelos abraços silenciosos, pelas preocupações constantes e pelo amor que simplesmente decide permanecer.

E como se Deus quisesse multiplicar ainda mais essa alegria, eles cresceram… e aumentaram minha prole.
Vieram os netos, os agregados do amor, as novas histórias, as novas risadas enchendo a casa e a alma.

Hoje, meu coração vive em festa.
Uma festa feita de memórias, de bagunça boa, de mesas cheias, de abraços apertados e daquele sentimento indescritível de olhar para a própria história e perceber:
“Valeu a pena.”

Ser mãe é descobrir que o coração pode sair do peito, caminhar pelo mundo em outros corpos e, ainda assim, continuar batendo dentro da gente.

E eu…
sou infinitamente grata pela honra de viver esse amor todos os dias.

terça-feira, 5 de maio de 2026

SER MÃE... A MISSÃO!

O filme A Mãe, estrelado por Jennifer Lopez, é quase um grito silencioso sobre um tipo de amor que não é confortável — é um amor que protege, afasta, endurece… mas nunca abandona.
Ele traz uma verdade difícil: nem toda mãe pode amar do jeito doce que o mundo romantiza. Algumas precisam amar preparando o filho para um mundo que não vai poupar.


Mães que fortalecem, mesmo quando parecem endurecer

Nem toda mãe cria com colo.
Algumas criam com distância.
E quem vê de fora, julga.

Acha frieza onde, muitas vezes, existe estratégia de amor.
Porque há mães que entendem cedo demais que o mundo não será gentil com seus filhos.
E, por isso, escolhem não ser totalmente suaves.

Não porque não amem…
Mas porque amam o suficiente para não mentir.
Criar um filho forte não é sobre endurecer o coração dele.

É sobre ensinar que ele vai cair — e que precisa aprender a levantar sozinho.
É sobre não estar presente o tempo todo…
Mas garantir que, mesmo na ausência, exista uma base invisível sustentando cada passo.

Há relações entre mães e filhos que não nascem prontas.
Elas são interrompidas, atravessadas por dor, por escolhas difíceis…
E, ainda assim, carregam algo que o tempo não rompe.

O vínculo.
E quando há reencontro — não importa quanto tempo passou —
não é sobre recuperar o que foi perdido.

É sobre construir algo novo.
Mais consciente.
Menos idealizado.
Mais verdadeiro.

Porque amar também é isso:
aceitar que, às vezes, fizemos o melhor que podíamos… mesmo que não tenha parecido suficiente.

E ainda assim, tentar de novo.


terça-feira, 3 de março de 2026

Mães enlutadas de filhos vivos... 🥲😪

Existe um luto que não tem velório.
Não tem flores, não tem condolências, não tem abraços públicos.

É o luto das mães que perderam os filhos… sem que eles tenham morrido.
Filhos que se afastaram.
Filhos que romperam.
Filhos que cresceram para longe.
Filhos que mudaram tanto que já não cabem na lembrança que a mãe guardava no peito.
É um luto silencioso — porque a sociedade não reconhece.

Afinal, “se está vivo, está tudo bem”.
Mas nem sempre está.
Ser mãe é viver com o coração do lado de fora.
É carregar para sempre um pedaço de si andando pelo mundo.
E quando esse pedaço se distancia, endurece, acusa ou simplesmente não olha mais para trás, a dor não é pequena. Ela é funda.

Mas aqui mora o conflito.

Como ser justa quando a própria maternidade nos atravessa?
Como ouvir o filho adulto, suas versões, suas dores, suas memórias, sem imediatamente defender o próprio amor?
Como aceitar que, talvez, tenhamos errado — ainda que tentando acertar?
Porque também existem filhos que carregam suas próprias feridas.

Filhos que interpretaram silêncios como rejeição.
Que sentiram ausência onde havia exaustão.
Que viram dureza onde havia medo.

Não é simples.

Ser justa exige um exercício quase impossível: despir-se da autoridade da maternidade e vestir a humildade da humanidade.
Entender que amar não nos isenta de falhar.
E que sofrer não nos torna automaticamente certos.

Talvez o caminho não seja decidir quem está certo.
Talvez seja reconhecer que existem duas dores legítimas convivendo no mesmo espaço.
Mães enlutadas de filhos vivos não precisam de julgamento.
Precisam de escuta.
E, às vezes, precisam apenas aceitar que amar também é soltar — mesmo que doa.

E eu escrevo isso sabendo o quanto ser mãe me torna vulnerável.
Sabendo que meu coração sempre penderá para proteger.
Mas tentando, ainda assim, lembrar que justiça não é escolher um lado…
É ter coragem de olhar para todos.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Coisas de mãe...

Com o tempo eu descobri:
... que ser mãe é antes de tudo respeitar! 

Começa tendo que se ter respeito na gravidez quando, cientes de que somos artífice e forma, temos que abrir mão de prazeres, tempo, vaidades...

Que durante muito tempo da jornada teremos que aprender a segurar a vontade de ir ao banheiro... a fome... o choro...

Que temos em nós ( quando somos realmente dedicadas) uma antena parabólica...um sensor... que dioturnamente nos faz prestar atenção em qualquer sinal diferente...

Que apesar de nossa vontade de protege--los, eles crescem e com eles as vontades, as descobertas, a necessidade de voar...

E eles voam... e não há nada que possamos fazer para impedir... 

Porque é voando que eles evoluem... e é permitindo o voo que completamos nossa missão!

É...talvez seja mesmo... ser mãe é padecer em um paraíso...