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terça-feira, 3 de março de 2026

Mães enlutadas de filhos vivos... 🥲😪

Existe um luto que não tem velório.
Não tem flores, não tem condolências, não tem abraços públicos.

É o luto das mães que perderam os filhos… sem que eles tenham morrido.
Filhos que se afastaram.
Filhos que romperam.
Filhos que cresceram para longe.
Filhos que mudaram tanto que já não cabem na lembrança que a mãe guardava no peito.
É um luto silencioso — porque a sociedade não reconhece.

Afinal, “se está vivo, está tudo bem”.
Mas nem sempre está.
Ser mãe é viver com o coração do lado de fora.
É carregar para sempre um pedaço de si andando pelo mundo.
E quando esse pedaço se distancia, endurece, acusa ou simplesmente não olha mais para trás, a dor não é pequena. Ela é funda.

Mas aqui mora o conflito.

Como ser justa quando a própria maternidade nos atravessa?
Como ouvir o filho adulto, suas versões, suas dores, suas memórias, sem imediatamente defender o próprio amor?
Como aceitar que, talvez, tenhamos errado — ainda que tentando acertar?
Porque também existem filhos que carregam suas próprias feridas.

Filhos que interpretaram silêncios como rejeição.
Que sentiram ausência onde havia exaustão.
Que viram dureza onde havia medo.

Não é simples.

Ser justa exige um exercício quase impossível: despir-se da autoridade da maternidade e vestir a humildade da humanidade.
Entender que amar não nos isenta de falhar.
E que sofrer não nos torna automaticamente certos.

Talvez o caminho não seja decidir quem está certo.
Talvez seja reconhecer que existem duas dores legítimas convivendo no mesmo espaço.
Mães enlutadas de filhos vivos não precisam de julgamento.
Precisam de escuta.
E, às vezes, precisam apenas aceitar que amar também é soltar — mesmo que doa.

E eu escrevo isso sabendo o quanto ser mãe me torna vulnerável.
Sabendo que meu coração sempre penderá para proteger.
Mas tentando, ainda assim, lembrar que justiça não é escolher um lado…
É ter coragem de olhar para todos.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Coisas de mãe...

Com o tempo eu descobri:
... que ser mãe é antes de tudo respeitar! 

Começa tendo que se ter respeito na gravidez quando, cientes de que somos artífice e forma, temos que abrir mão de prazeres, tempo, vaidades...

Que durante muito tempo da jornada teremos que aprender a segurar a vontade de ir ao banheiro... a fome... o choro...

Que temos em nós ( quando somos realmente dedicadas) uma antena parabólica...um sensor... que dioturnamente nos faz prestar atenção em qualquer sinal diferente...

Que apesar de nossa vontade de protege--los, eles crescem e com eles as vontades, as descobertas, a necessidade de voar...

E eles voam... e não há nada que possamos fazer para impedir... 

Porque é voando que eles evoluem... e é permitindo o voo que completamos nossa missão!

É...talvez seja mesmo... ser mãe é padecer em um paraíso...