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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Violência e empatia humana... um olhar triste para essa realidade...


Em que momento perdemos a humanidade?

Hoje eu me peguei pensando no ponto de violência ao qual chegamos.
E, sinceramente, estou horrorizada.

Não falo apenas dos grandes crimes que estampam os jornais. Falo da violência que parece ter se tornado banal. Da facilidade com que se tira uma vida. Da frieza com que se maltrata, se sacrifica, se judia. Pessoas contra pessoas. Pessoas contra crianças. Pessoas contra idosos. Pessoas contra animais.

E então uma pergunta não saiu da minha cabeça:
Em que momento nós voltamos aos primórdios da civilização?

Porque, se pararmos para pensar, até o homem das cavernas tinha uma razão para a violência. Ele caçava para alimentar sua tribo. Lutava para defender seu território, sua família, seu clã. A violência estava ligada à sobrevivência.

Nós, não.
Nós evoluímos.

Ou, pelo menos, era para termos evoluído.

Criamos leis, estudamos filosofia, desenvolvemos a ciência, a medicina, a tecnologia. Falamos de civilização, de direitos humanos, de respeito, de dignidade. Construímos cidades, universidades, tribunais, igrejas.

Mas o que fizemos com toda essa evolução, se ainda somos capazes de matar por tão pouco?

Hoje se mata por dinheiro, por poder, por vingança, por uma discussão. Mata-se por domínio. Mata-se porque alguém estava no lugar errado, na hora errada. E, pior, mata-se muitas vezes sem sequer demonstrar qualquer preocupação com quem está ao lado da vítima, com uma criança que assiste, com uma família que ficará destruída para sempre.

É essa falta de empatia que mais me assusta.
Essa incapacidade — ou falta de vontade — de se colocar no lugar do outro.
Parece que a dor deixou de doer quando não é na nossa carne.

O sofrimento do outro virou notícia. Estatística. Vídeo compartilhado. Comentário nas redes sociais.

E depois... seguimos para o próximo assunto.
O mundo inteiro vive tempos de violência, mas nós, brasileiros, estamos convivendo diariamente com uma realidade que parece fugir ao controle. E eu penso especialmente no Rio de Janeiro, mas também em tantos outros estados onde a população vive acuada pela criminalidade, pelo medo e pela sensação de impotência.

Há uma baderna moral instalada.

Uma crise de valores.

Uma ausência assustadora de limites.

E enquanto isso, discutimos política, culpamos este ou aquele, direita ou esquerda, governo ou oposição. Sim, os governos têm responsabilidades enormes. Os políticos deveriam ter caráter, compromisso e hombridade para cuidar do povo que os colocou onde estão. As leis precisam ser discutidas. A segurança pública precisa ser levada a sério.

Mas existe algo ainda mais profundo acontecendo.
O ser humano está perdendo a capacidade de reconhecer o outro como seu semelhante.
E quando isso acontece, qualquer coisa passa a ser possível.

Talvez o que mais me assuste não seja apenas a existência da violência.
A violência sempre existiu.
O que me apavora é a naturalidade.
É assistir a uma crueldade e, minutos depois, continuar vivendo como se nada tivesse acontecido.

É ver uma vida ser destruída e perguntar apenas: «Mas o que ele fez?»
Como se existisse alguma resposta capaz de justificar a crueldade.
Não sei em que momento chegamos até aqui.
Não sei quando a evolução do homem deixou de caminhar junto com a evolução da sua alma.

Mas sei de uma coisa:
Não podemos nos acostumar.
Não podemos achar normal ter medo de sair de casa.

Não podemos aceitar que crianças cresçam ouvindo tiros como se fosse parte da rotina.
Não podemos aceitar animais sendo torturados.

Não podemos aceitar que a vida tenha tão pouco valor.

Porque talvez o dia em que deixarmos de nos horrorizar seja o dia mais perigoso de todos.
Enquanto ainda houver alguém olhando para toda essa crueldade e perguntando, indignado, «Meu Deus, o que aconteceu conosco?», talvez ainda exista esperança.

Porque o horror diante da maldade é a prova de que, apesar de tudo, a nossa humanidade ainda não morreu.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

MEDO E ABANDONO NO RIO

Mais uma noite no Rio de Janeiro.
Uma noite que começou como tantas outras. A família reunida, as crianças em casa, a rotina seguindo seu curso. Mas bastaram alguns minutos para que o som seco dos disparos rompesse a normalidade. Não eram fogos de artifício. Eram tiros. Tiros que já se tornaram tão frequentes que algumas pessoas insistem em confundi-los com outra coisa, talvez numa tentativa desesperada de acreditar que a realidade não seja tão cruel.

Aqui, perto do apartamento do meu filho, o medo chegou antes mesmo da noite amadurecer.

E junto com ele veio um sentimento difícil de explicar. Um sentimento de abandono. A sensação de que estamos perdendo uma batalha que nem deveria existir. Vi meu filho fazer aquilo que qualquer pai faria: proteger sua família pedindo que ficassemos dentro do quarto. Vi meus netos vulneráveis diante de uma realidade que nenhuma criança deveria conhecer. E eu senti medo. Um medo profundo, daqueles que deixam a alma entorpecida.

Hoje, ainda tento organizar os pensamentos.
Como chegamos até aqui?
Em que momento nos acostumamos a viver entre barricadas, operações, confrontos e notícias de inocentes atingidos? Em que momento o direito de ir e vir passou a depender da sorte, do horário ou da rua escolhida?

O que está faltando para que haja uma reação verdadeira? O que falta para que o Rio de Janeiro recupere as rédeas da própria história? As rédeas do bem viver, da tranquilidade, da esperança?

Até quando a hipocrisia permitirá que discursos substituam ações?
Até quando a covardia impedirá que se enfrentem os problemas pelo nome que eles têm?
Até quando a conveniência política continuará servindo de desculpa para a inércia?

Porque o cidadão comum sabe o que está vendo. Sabe o que está ouvindo. Sabe o que está vivendo.

Quando homens circulam portando armamentos de guerra, quando territórios são dominados pelo medo, quando estratégias militares são usadas para sufocar adversários e controlar comunidades inteiras, não estamos falando apenas de criminalidade comum. Estamos falando de um nível de violência que transforma bairros em campos de tensão permanente e moradores em reféns de uma guerra que nunca escolheram travar.

Enquanto isso, famílias se escondem atrás de paredes, mães rezam pelos filhos, avós abraçam seus netos e tentam fingir serenidade para não aumentar o medo das crianças.

Mas a verdade é que estamos cansados.
Cansados de enterrar sonhos.
Cansados de adaptar a vida ao medo.
Cansados de ouvir promessas.
O Rio de Janeiro merece mais do que sobreviver. Seu povo merece viver.

E talvez a pergunta mais urgente não seja apenas como chegamos até aqui.
Talvez seja: quanto mais estamos dispostos a perder antes de decidir que já perdemos demais?

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Aviso

Meninas, tenho no Facebook, uma página cujo nome é: Mães da Violência e Esquecidas - MEVE.

PROCUREM SER ADD...PROCUREM MÃES DA VIOLÊNCIA...VAMOS DISCUTIR O PORQUE QUEM NOS DEVERIA AJUDAR NOS ESQUECE? NOSSOS GUERREIROS ESTAO SENDO ABATIDOS SEM DIREITO A UMA DEFEDA DIGNA!

Essa é a cara de uma mae coragem!