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domingo, 20 de setembro de 2026

Quando uma mãe chora todas as outras mães choram também!

Quando um caso atual te faz voltar a 2015

Quando uma mãe chora, choram todas as outras mães juntas.

Desde ontem, venho acompanhando, pelas redes sociais, as manifestações em torno da morte de uma jovem de apenas 22 anos, no Ceará.

Vi a postagem da mãe.

E, meu Deus...

Aquela mulher não estava apenas contando uma história.
Ela estava tentando entender o inexplicável.
Tentando juntar pedaços de uma realidade que, para uma mãe, simplesmente não deveria existir.

E foi impossível não voltar a 2015.

Foi impossível não voltar para o meu próprio filho.

Há dores que não precisam ser iguais nos detalhes para serem reconhecidas por quem já atravessou aquele território.

Eu sei o que é olhar para uma história e sentir o corpo reagir antes mesmo que a razão consiga organizar os pensamentos.

Sei o que é ouvir determinadas palavras e voltar, por alguns segundos, para aquele dia.

Sei o que é procurar respostas.

Sei o que é conviver com perguntas.

E sei, principalmente, o que significa ser mãe quando aquilo que mais queremos é descobrir a verdade sobre o que aconteceu com um filho.

Por isso, minha solidariedade a essa mãe não nasce apenas da maternidade.

Nasce da experiência.

Eu vivi.

E talvez seja justamente por isso que esse caso esteja me cutucando tanto... me incomodando, me machucando, me remoendo.

Porque quando uma mãe chora, existe algo naquela dor que ultrapassa a história individual daquela família.

Uma mãe que perdeu um filho reconhece o desespero de outra mãe.

Mesmo sem conhecer aquela mulher.

Mesmo sem conhecer aquela jovem.

Mesmo sem saber ainda tudo o que aconteceu.

A dor materna não precisa de tradução.

E existe algo que me inquieta profundamente em histórias assim:

quando as respostas não chegam, o silêncio começa a gritar.

Não estou aqui para apontar culpados antes que as investigações esclareçam os fatos.

Não cabe a mim fazer julgamentos.

Mas cabe a mim, como mãe e como alguém que já passou por uma perda cercada de perguntas, dizer que nenhuma família deveria precisar implorar para ser ouvida.

Nenhuma mãe deveria precisar transformar a própria dor em uma campanha para que o mundo perceba que existe uma história por trás de um corpo.

Nenhuma morte deveria ser apenas mais uma notícia que desaparece depois de alguns dias.

Porque, para aquela mãe, não existe "mais um caso".

Existe a filha dela.

E talvez seja por isso que essa história tenha me levado de volta a 2015.

Porque há onze anos eu também descobri que o calendário continua andando enquanto, dentro da gente, algumas perguntas permanecem paradas no tempo.

E quando vejo outra mãe tentando encontrar sentido onde só existe desespero, alguma coisa dentro de mim reconhece aquela mulher.

Eu não sei o que aconteceu com essa jovem.

E justamente por não saber, não quero inventar respostas.

Quero apenas que as perguntas sejam feitas.

Que sejam investigadas.

Que sejam esclarecidas.

Que a verdade, seja ela qual for, tenha espaço para aparecer.

Porque quando uma mãe perde um filho, ela não perde apenas o presente.

Ela passa a carregar para sempre a necessidade de compreender.

E talvez seja essa a maior semelhança entre tantas histórias de mães:

nós seguimos vivendo... mas nunca deixamos de procurar.

E eu, que em 2015 comecei uma caminhada que jamais imaginei percorrer, hoje olho para essa mãe e sinto vontade de dizer apenas:

Eu sei.

Não sei a sua história.

Não sei as respostas que você procura.

Mas sei o tamanho do vazio que começa quando um filho parte...

E sei como algumas perguntas conseguem atravessar onze anos e ainda encontrar a gente pelo caminho.

Que a verdade encontre essa família.

Que a justiça não se perca no silêncio.

E que nenhuma mãe precise desistir de perguntar aquilo que o coração dela sabe que precisa ser respondido. 😌😪


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

As dicas do Bruno...


O Bruno, em uma de suas últimas postagens no Facebook, escreveu:

“Liberte-se... Um dia de cada vez... Até o reencontro!”

E eu, que acredito em reencarnação, em preparação dos espíritos encarnados para o desencarne, principalmente em face à sua evolução espiritual, penso que meu filho se despediu querendo passar a seguinte mensagem:

“Liberte-se: do medo... das formalidades... das imposições da vida cotidiana... das convenções...

Viva harmonicamente um dia de cada vez, olhando sempre para o próximo com o mesmo amor que olha para os seus... Seja GRATO!!!! Porque a vida é uma grande oportunidade de aprendizado, não desperdice-a! Confie em Deus e nos espíritos de Luz, porque mesmo quando tudo parecer errado... Desgraçadamente cruel, DEUS tem um porquê e esse porquê nunca é ruim...

Até o reencontro... Porque, de alguma forma, em algum dia, nos encontraremos naquela mesma estação!”

Hoje, tantos anos depois, leio essas palavras com outros olhos...

E talvez seja isso que chamamos de evolução.

A vida não é apenas aquilo que conseguimos acumular, conquistar ou deixar para trás. Talvez a nossa verdadeira missão esteja naquilo que conseguimos transformar dentro de nós enquanto caminhamos...

Aprender a amar. Aprender a perdoar. Aprender a agradecer. Aprender a respeitar o tempo do outro e o nosso próprio tempo. Aprender, principalmente, a não permitir que as dores da vida nos tornem pessoas diferentes daquilo que fomos chamadas a ser.

E, quando penso no meu filho, uma certeza me acompanha...

Eu soube educar.

Não porque consegui protegê-lo de todas as dores — isso nenhuma mãe consegue.

Não porque consegui impedir que a vida lhe apresentasse seus caminhos, suas escolhas, seus encontros e desencontros...

Mas porque, quando ele partiu, levou consigo aquilo que uma mãe realmente pode oferecer a um filho: valores, amor, respeito, solidariedade, fé, liberdade para escolher e consciência de que cada escolha tem suas consequências.

Educar um filho é plantar sem saber exatamente quando — ou se — veremos a árvore florescer.

É ensinar enquanto eles ainda precisam da nossa mão e, depois, confiar que aquilo que ensinamos caminhará com eles quando soltarmos essa mão.

Bruno cresceu...

E eu cresci junto com ele.

Hoje compreendo que talvez uma das maiores missões de uma mãe seja justamente essa: preparar um espírito para caminhar pela vida sem ser propriedade de ninguém, nem mesmo da própria mãe.

E talvez, dentro daquilo em que acredito, preparar também seja ensinar que a vida terrena é apenas uma estação...

Uma passagem...

Uma oportunidade.

Por isso, quando releio:

“Um dia de cada vez... até o reencontro!”

não consigo enxergar apenas uma frase.

Enxergo uma síntese de tudo aquilo que ainda estou aprendendo...

Libertar-me do medo. Libertar-me da culpa. Libertar-me do “e se”... Libertar-me da necessidade de encontrar respostas para tudo.

E continuar vivendo.

Um dia de cada vez...

Cada dia um pouquinho...

Porque, se existe uma missão que a vida me deixou depois dele, talvez seja justamente essa:

continuar aprendendo, continuar amando e continuar evoluindo... até que, um dia, naquela mesma estação, nossos caminhos se encontrem novamente.

E quando esse dia chegar...

Talvez eu finalmente possa dizer a ele:

“Filho... eu entendi.” 🩷🩵


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Reflexões sobre escolhas difíceis


Em outubro de 2021, Deus falou profundamente ao meu coração. Naquele momento, Ele me fez revisitar uma parte da minha história e me questionar se, diante de uma situação tão semelhante à que eu estava vivendo, eu havia sido prudente, amorosa... ou se, movida pelo medo, havia agido com arrogância e impulso.

Depois da consulta com a cardiologista, após uma internação, passei dias refletindo sobre a atitude que tive anos antes, quando minha mãe recebeu um diagnóstico difícil e um prognóstico de sobrevida limitado.

Naquela época, eu só conseguia enxergar uma missão: ser forte. Eu era a filha mais velha. O médico dizia que eu seria a pessoa que ajudaria minha mãe a tomar decisões. Ela era viúva, e toda a responsabilidade parecia repousar sobre mim.

Hoje percebo que, embora movida pelo amor, cometi um grande equívoco.
Eu quis tanto manter minha mãe viva e poupá-la da dor que tomei para mim uma decisão que também era dela. Não lhe dei a oportunidade de expressar seus medos, seus desejos, suas esperanças. Não perguntei o que ela queria para a própria vida. Eu decidi por ela.

Foi então que Deus, com a sabedoria de um Pai perfeito, permitiu que eu ocupasse o lugar da minha mãe.

Em 2021, recebi praticamente o mesmo diagnóstico. Em apenas um mês, precisei decidir o rumo da minha própria vida.
Mas, dessa vez, a história foi diferente.

Meu filho Lourenço sentou-se ao meu lado com serenidade. Explicou todas as possibilidades, ouviu minhas dúvidas e, com uma maturidade que me emocionou, apenas disse:
"Mãe, a vida é sua. Só você pode decidir. A mim cabe estar ao seu lado e ajudá-la a seguir o caminho que escolher."

Naquele instante, compreendi a lição que Deus estava me ensinando havia tantos anos.
Sou profundamente grata a Ele. Inclusive pelas dificuldades.

Hoje entendo que cada provação não é um castigo, mas uma oportunidade de crescimento, de amadurecimento e de transformação.

Fiz a cirurgia em junho de 2022. Como os médicos já previam, algum tempo depois a doença voltou a se manifestar. Em 2024, ela reapareceu no coração. E agora, mais uma vez, preciso enfrentar uma nova cirurgia.

A diferença é que hoje caminho com muito mais consciência do que caminhei um dia.
Mais uma vez terei que decidir. E, mais uma vez, decidirei com coragem. Não porque não exista medo, mas porque existe fé.

Tenho ao meu lado um filho que me apoia, me respeita e me fortalece. E, acima de tudo, tenho um Deus que nunca me abandona.

A vida me ensinou que ser forte não é decidir pelo outro. Ser forte é amar a ponto de respeitar a liberdade de quem vive a própria história. E essa talvez tenha sido uma das maiores lições que Deus já escreveu na minha.

Há lições que só compreendemos quando Deus, com infinita misericórdia, nos permite mudar de lugar.
Enquanto estamos de um lado, acreditamos que sabemos o que é melhor. Quando passamos para o outro lado, entendemos que o maior ato de amor não é decidir por alguém, mas caminhar ao seu lado enquanto ele decide.

Hoje olho para minha história sem culpa, mas com gratidão. Eu fiz o melhor que sabia fazer naquele momento. E Deus, em Sua infinita bondade, transformou minhas limitações em aprendizado, meu medo em coragem e minha dor em sabedoria.

A segunda cirurgia ainda não aconteceu... não porque decisão minha ou dos médicos mas por questões pontuais da vida... mas eu continuo acreditando que tudo vai dar certo...
Continuo acreditando que sonhos não morrem, que a esperança nunca se cala e que a fé sempre encontra um caminho. E, seja qual for o próximo capítulo da minha vida, seguirei confiando naquele que escreve a minha história muito melhor do que eu jamais poderia escrever.

DEUS ESTÁ SEMPRE NO CONTROLE! NOSSA FÉ VÃ É QUE AS VEZES NOS DESANIMA!

domingo, 21 de junho de 2026

Uma mãe, vários filhos...


Uma realidade muitas vezes escondida atrás de um comentário debochado...
Há muito mais mágoa pelo que não se teve do que espanto ou graça diante de uma mãe zelosa, presente e atenta.

Meus filhos sofreram um pouco com isso, é verdade. Afinal, eles eram os "pintinhos da mamãe". E eu sempre fui, antes de qualquer outra coisa, mãe.

Dediquei meu tempo, minha energia e meu coração. Estive ao lado deles nos momentos bons e nos difíceis. Falei o que precisava ser falado, sem deixar de caminhar junto, sem abandonar a mão que eu mesma ensinava a seguir o próprio caminho.

E talvez por isso muitos amigos deles — os de verdade, os da infância, aqueles que a vida foi trazendo para dentro da nossa casa — tenham acabado me considerando mais do que uma simples "tia". Eu me tornei uma espécie de mãe emprestada, um porto seguro, um colo disponível, um ouvido atento.

Hoje entendo que o amor vigilante de uma mãe pode até despertar algumas brincadeiras. Mas a ausência desse amor costuma deixar marcas muito mais profundas do que sua presença.

Porque filhos crescem, ganham o mundo, constroem suas próprias histórias... mas nunca deixam de precisar saber que existe um lugar onde são amados sem medida e sem condições.

domingo, 10 de maio de 2026

Ser mãe...


Ser mãe…
Ah, ser mãe foi o sonho mais bonito que nasceu ainda na infância, quando eu imaginava pequenos braços me envolvendo, vozes me chamando, passos correndo pela casa e um amor tão grande que mal caberia no peito.

A vida, com sua maneira única de escrever histórias, realizou esse sonho de forma ainda mais bonita do que eu poderia imaginar. Sou mãe de três.

Dos meus meninos biológicos, gerados no ventre e embalados no compasso do meu coração desde antes do primeiro choro…
E da minha menina do coração, escolhida pela alma, acolhida pelo amor e eternizada no lugar mais bonito que existe em mim.

Aprendi que maternidade não se mede apenas pelo sangue. Mede-se pela entrega, pelo cuidado, pelas noites em claro, pelos abraços silenciosos, pelas preocupações constantes e pelo amor que simplesmente decide permanecer.

E como se Deus quisesse multiplicar ainda mais essa alegria, eles cresceram… e aumentaram minha prole.
Vieram os netos, os agregados do amor, as novas histórias, as novas risadas enchendo a casa e a alma.

Hoje, meu coração vive em festa.
Uma festa feita de memórias, de bagunça boa, de mesas cheias, de abraços apertados e daquele sentimento indescritível de olhar para a própria história e perceber:
“Valeu a pena.”

Ser mãe é descobrir que o coração pode sair do peito, caminhar pelo mundo em outros corpos e, ainda assim, continuar batendo dentro da gente.

E eu…
sou infinitamente grata pela honra de viver esse amor todos os dias.

quinta-feira, 5 de março de 2026

As Mães Também Choram


Há uma mãe chorando pela menina violentada.
Um choro de revolta, de dor, de incredulidade.O tipo de dor que rasga o peito porque nenhuma mãe está preparada para ver a própria filha ferida dessa forma — na dignidade, no corpo, na alma.

Mas, em algum outro lugar, também há outras mães chorando.

Choram de vergonha.

Decepção.

Incredulidade.

Porque descobrir que um filho participou de um ato tão brutal deve ser como olhar para tudo o que se ensinou, tudo o que se sonhou, e sentir o peso esmagador de uma pergunta que não encontra resposta: onde foi que eu falhei?

A maternidade é um território de amor imenso… mas também de uma vulnerabilidade profunda. Criamos filhos tentando ensinar respeito, caráter, humanidade. Tentamos prepará-los para o mundo, mas também tentamos preparar o mundo para recebê-los.
E, ainda assim, o mundo é maior que os nossos braços.

Há uma mãe abraçando uma filha ferida...
E há mães tentando entender como seus filhos puderam ferir alguém.

Nenhuma dessas lágrimas é leve.

Mas que essa tragédia nos lembre de algo essencial: educar meninos para o respeito não é apenas tarefa de uma família. É um compromisso coletivo. Da escola, da sociedade, da cultura que construímos todos os dias.
Porque toda menina merece crescer sem medo.
E toda mãe deveria poder dormir com a certeza de que seu filho jamais será motivo de dor para outra mulher.

Ser mãe é amar com coragem…
mas também carregar o peso permanente da esperança de ter ensinado o caminho certo.