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terça-feira, 16 de junho de 2026

Somos todas Marias... um texto às mães enlutadas!

Quando uma mãe perde um filho, todas as outras mães se aproximam. Não porque sintam a mesma dor — a dor da perda de um filho é única, impossível de ser medida ou comparada — mas porque cada mãe sabe, em alguma dimensão da alma, o peso que um filho ocupa dentro de nós.

Costumo dizer que somos todas Marias.

Marias que, em algum momento da vida, caminham até o pé de uma cruz invisível. Marias que aprendem sobre amor e entrega de uma forma que jamais desejaram aprender. Marias que seguem vivendo mesmo depois que uma parte de si parece ter partido.
Foi compreendendo a figura da Virgem Maria que comecei a elaborar meu luto. Não a Maria distante dos altares, mas a mãe. A mulher que viu o filho sofrer. A mulher que não pôde impedir. A mulher que precisou permanecer de pé quando tudo dentro dela desejava cair.
Naquele momento, percebi que não estava sozinha na minha dor. Havia uma mãe, há mais de dois mil anos, que conhecia aquele caminho.

E então encontrei uma outra reflexão, muito presente no espiritismo: a de que os filhos escolhem suas mães. Não somos nós que os escolhemos. Eles nos escolhem porque sabem que seremos o colo possível, o aprendizado necessário, o equipamento emocional e espiritual de que precisarão para a experiência que vieram viver.

Durante muito tempo, confesso que essa ideia me intrigou. Depois, ela me consolou.
Porque, se meu filho me escolheu, talvez tenha visto em mim uma força que eu mesma desconhecia. Talvez tenha sabido que eu conseguiria amá-lo exatamente como ele precisava ser amado. Talvez tenha sabido que, mesmo depois da despedida, eu encontraria um jeito de continuar carregando sua existência dentro de mim.

Hoje acredito que o amor entre mãe e filho não termina na ausência física. Ele muda de forma. Sai dos abraços e passa a habitar as lembranças. Sai da convivência diária e passa a morar na saudade. Sai dos olhos e passa a ocupar a alma.

E talvez seja por isso que nós, mães enlutadas, nos reconhecemos tão rapidamente umas nas outras.
Porque carregamos uma ausência que só outra mãe compreende.

E porque, no fundo, seguimos sendo Marias: feridas, saudosas, mas ainda capazes de amar.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Você sabe o que é luto?


Você sabe o que é luto?
Quantos lutos você já viveu na sua vida até hoje?
Você sabia que crianças sofem profundamente com alguns tipos de luto — mesmo quando ainda não conseguem explicar em palavras o que sentem?
Quando ouvimos a palavra “luto”, quase sempre pensamos imediatamente na morte. Sim… a perda de alguém amado é uma das dores mais intensas que um ser humano pode experimentar. Mas o luto vai muito além da despedida física. O luto nasce sempre que algo importante dentro de nós se rompe, muda ou deixa de existir da forma como conhecíamos.
Existe o luto pela morte.
Mas existe também o luto pelo abandono, pela separação, pela rejeição, pela mudança brusca da vida, pelo fim de um relacionamento, pela perda da saúde, do emprego, da segurança, da inocência, dos sonhos e até da imagem que construíamos de nós mesmos.
Há pessoas vivendo lutos silenciosos todos os dias…
Sorrindo por fora enquanto tentam reorganizar os pedaços da alma por dentro.
E as crianças… ah, as crianças também vivem lutos profundos.
Muitas vezes sem compreender exatamente o que está acontecendo.
Uma mudança de casa.
A separação dos pais.
A ausência emocional de alguém importante.
A chegada de um irmão.
A perda de um animal de estimação.
Uma rotina quebrada.
Uma palavra dura dita repetidamente.
Tudo isso pode representar perdas gigantescas no universo emocional infantil.
A criança nem sempre sabe dizer: “Estou vivendo um luto.”
Mas ela demonstra.
No silêncio.
Na irritação.
Na queda do rendimento escolar.
Na insegurança.
No medo de ser abandonada.
Na dificuldade de dormir.
Na necessidade maior de colo e proteção.
O luto não tem idade.
Não escolhe classe social, religião ou fase da vida.
E talvez uma das maiores violências emocionais seja quando dizem para alguém:
“Você precisa superar isso.”
Como se sentimentos obedecessem relógios.
Não existe tempo exato para o coração reaprender a viver depois de uma perda.
Cada ser humano atravessa a dor do seu próprio modo.
Alguns choram.
Outros silenciam.
Alguns adoecem.
Outros transformam a dor em força, acolhimento e reconstrução.
Mas uma coisa é certa:
todo luto precisa ser visto, respeitado e elaborado.
Porque dores ignoradas não desaparecem.
Elas apenas encontram outras formas de se manifestar.
Talvez amadurecer seja justamente compreender que viver também é aprender a lidar com despedidas.
E que, apesar das cicatrizes, o amor vivido jamais se perde completamente.
Ele apenas aprende a existir de outra maneira dentro de nós.