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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Reflexões sobre escolhas difíceis


Em outubro de 2021, Deus falou profundamente ao meu coração. Naquele momento, Ele me fez revisitar uma parte da minha história e me questionar se, diante de uma situação tão semelhante à que eu estava vivendo, eu havia sido prudente, amorosa... ou se, movida pelo medo, havia agido com arrogância e impulso.

Depois da consulta com a cardiologista, após uma internação, passei dias refletindo sobre a atitude que tive anos antes, quando minha mãe recebeu um diagnóstico difícil e um prognóstico de sobrevida limitado.

Naquela época, eu só conseguia enxergar uma missão: ser forte. Eu era a filha mais velha. O médico dizia que eu seria a pessoa que ajudaria minha mãe a tomar decisões. Ela era viúva, e toda a responsabilidade parecia repousar sobre mim.

Hoje percebo que, embora movida pelo amor, cometi um grande equívoco.
Eu quis tanto manter minha mãe viva e poupá-la da dor que tomei para mim uma decisão que também era dela. Não lhe dei a oportunidade de expressar seus medos, seus desejos, suas esperanças. Não perguntei o que ela queria para a própria vida. Eu decidi por ela.

Foi então que Deus, com a sabedoria de um Pai perfeito, permitiu que eu ocupasse o lugar da minha mãe.

Em 2021, recebi praticamente o mesmo diagnóstico. Em apenas um mês, precisei decidir o rumo da minha própria vida.
Mas, dessa vez, a história foi diferente.

Meu filho Lourenço sentou-se ao meu lado com serenidade. Explicou todas as possibilidades, ouviu minhas dúvidas e, com uma maturidade que me emocionou, apenas disse:
"Mãe, a vida é sua. Só você pode decidir. A mim cabe estar ao seu lado e ajudá-la a seguir o caminho que escolher."

Naquele instante, compreendi a lição que Deus estava me ensinando havia tantos anos.
Sou profundamente grata a Ele. Inclusive pelas dificuldades.

Hoje entendo que cada provação não é um castigo, mas uma oportunidade de crescimento, de amadurecimento e de transformação.

Fiz a cirurgia em junho de 2022. Como os médicos já previam, algum tempo depois a doença voltou a se manifestar. Em 2024, ela reapareceu no coração. E agora, mais uma vez, preciso enfrentar uma nova cirurgia.

A diferença é que hoje caminho com muito mais consciência do que caminhei um dia.
Mais uma vez terei que decidir. E, mais uma vez, decidirei com coragem. Não porque não exista medo, mas porque existe fé.

Tenho ao meu lado um filho que me apoia, me respeita e me fortalece. E, acima de tudo, tenho um Deus que nunca me abandona.

A vida me ensinou que ser forte não é decidir pelo outro. Ser forte é amar a ponto de respeitar a liberdade de quem vive a própria história. E essa talvez tenha sido uma das maiores lições que Deus já escreveu na minha.

Há lições que só compreendemos quando Deus, com infinita misericórdia, nos permite mudar de lugar.
Enquanto estamos de um lado, acreditamos que sabemos o que é melhor. Quando passamos para o outro lado, entendemos que o maior ato de amor não é decidir por alguém, mas caminhar ao seu lado enquanto ele decide.

Hoje olho para minha história sem culpa, mas com gratidão. Eu fiz o melhor que sabia fazer naquele momento. E Deus, em Sua infinita bondade, transformou minhas limitações em aprendizado, meu medo em coragem e minha dor em sabedoria.

A segunda cirurgia ainda não aconteceu... não porque decisão minha ou dos médicos mas por questões pontuais da vida... mas eu continuo acreditando que tudo vai dar certo...
Continuo acreditando que sonhos não morrem, que a esperança nunca se cala e que a fé sempre encontra um caminho. E, seja qual for o próximo capítulo da minha vida, seguirei confiando naquele que escreve a minha história muito melhor do que eu jamais poderia escrever.

DEUS ESTÁ SEMPRE NO CONTROLE! NOSSA FÉ VÃ É QUE AS VEZES NOS DESANIMA!

domingo, 21 de junho de 2026

Uma mãe, vários filhos...


Uma realidade muitas vezes escondida atrás de um comentário debochado...
Há muito mais mágoa pelo que não se teve do que espanto ou graça diante de uma mãe zelosa, presente e atenta.

Meus filhos sofreram um pouco com isso, é verdade. Afinal, eles eram os "pintinhos da mamãe". E eu sempre fui, antes de qualquer outra coisa, mãe.

Dediquei meu tempo, minha energia e meu coração. Estive ao lado deles nos momentos bons e nos difíceis. Falei o que precisava ser falado, sem deixar de caminhar junto, sem abandonar a mão que eu mesma ensinava a seguir o próprio caminho.

E talvez por isso muitos amigos deles — os de verdade, os da infância, aqueles que a vida foi trazendo para dentro da nossa casa — tenham acabado me considerando mais do que uma simples "tia". Eu me tornei uma espécie de mãe emprestada, um porto seguro, um colo disponível, um ouvido atento.

Hoje entendo que o amor vigilante de uma mãe pode até despertar algumas brincadeiras. Mas a ausência desse amor costuma deixar marcas muito mais profundas do que sua presença.

Porque filhos crescem, ganham o mundo, constroem suas próprias histórias... mas nunca deixam de precisar saber que existe um lugar onde são amados sem medida e sem condições.