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domingo, 9 de agosto de 2026

OS Pais da minha vida!



Neste Dia dos Pais, eu desejo a todos os pais um dia tranquilo. Um dia de presença. Presença feliz, verdadeira, inteira. Porque talvez esse seja um dos maiores presentes que um pai possa oferecer a um filho: estar.

E quando penso em pais, inevitavelmente penso nos homens que atravessaram a minha vida e, de alguma maneira, participaram da mulher que me tornei.

O primeiro foi o meu pai biológico.

Ele não me deixou boas lembranças. Foi um pai omisso, irresponsável, pouco carinhoso e pouco preocupado com os filhos. Não foi uma figura paterna que eu aprendi a admirar ou respeitar.

Mas também não vou atirar a primeira pedra.

Porque, olhando para trás com os olhos que a maturidade me deu, compreendo que ele entregou aquilo que sabia entregar. Aquilo que havia aprendido. Aquilo que ele era.

Isso não apaga os erros. Não transforma o que foi ruim em bom. Mas me permite não carregar o peso do julgamento.

Ele foi assim. E ponto.

Mas existe uma coisa importante que aprendi com ele: como eu não queria ser.

Não esquecê-lo foi, de certa maneira, uma forma de não repetir seus erros. Sua ausência me ensinou a importância da presença. Sua falta de cuidado me ensinou sobre responsabilidade. E, quando chegou a minha vez de ser mãe, eu procurei fazer diferente.

Depois veio meu avô Maralhas.

Também teve suas falhas, suas omissões, seus limites. Mas foi uma presença muito mais carinhosa, muito mais próxima, muito mais acolhedora.

E então Deus me presenteou com aquele que chamo de meu pai do coração.

O homem que não me gerou, mas que me ensinou o que era ser pai.

Um homem que recebeu a mim e à minha irmã ainda crianças e nos ofereceu aquilo que talvez seja a essência da paternidade: entrega, família e amor incondicional.

Não me canso de agradecer por ele nas minhas orações. Não me canso de falar sobre a importância que teve na minha formação e na formação da minha irmã.

Talvez, por ser a mais velha, eu tenha absorvido de maneira diferente alguns dos seus ensinamentos. Talvez o meu jeito de ser também tenha contribuído para isso. Mas sei que aquele homem deixou marcas profundas e bonitas na minha história.

E então veio meu marido.

Eu tinha apenas 16 anos quando o conheci. Hoje tenho 67, e nós continuamos juntos.

Com ele tive meus dois filhos.

Como marido e mulher, tivemos nossas dificuldades. Aprendemos, erramos, acertamos, recomeçamos. Afinal, éramos dois jovens aprendendo o que significava construir uma vida a dois.

Mas, como pai, eu não posso deixar de reconhecer o papel que ele cumpriu.

Ele foi provedor, esteve presente à sua maneira e fez o que conseguiu fazer com aquilo que também recebeu da própria história.

E talvez seja importante lembrar disso: nós quase sempre damos aquilo que recebemos.

Os tempos eram outros. As formas de educar eram outras. Os homens também eram formados dentro de modelos diferentes de paternidade.

Não estou aqui para julgar.

Estou aqui para reconhecer.

Ele cumpriu — e continua cumprindo — o seu papel de pai. Hoje com um filho aqui, ao nosso lado, e outro vivendo em outro lugar, no céu, dentro da nossa saudade e do nosso amor.

E então chegaram os pais da minha terceira idade.

Meu filho Lourenço e meu genro, marido da minha filha do coração.

Dois homens que também têm suas dificuldades, suas imperfeições e seus aprendizados. Mas que, todos os dias, procuram melhorar. Participar mais. Se doar mais. Aprender mais.

Porque ser pai não é receber um diploma no dia em que um filho nasce.

Ser pai é passar a vida inteira estudando.

É entender que educar não termina quando a criança cresce. Que o exemplo continua falando quando as palavras já não alcançam. Que presença não significa apenas estar fisicamente perto, mas participar, ouvir, orientar, acolher, colocar limites, reconhecer erros e, sobretudo, amar.

Olho para todos esses homens que foram pais na minha vida e percebo que cada um, à sua maneira, deixou uma lição.

Alguns me ensinaram pelo exemplo.

Outros, pelo que fizeram.

E alguns, principalmente, pelo que não fizeram.

Todos, de alguma forma, contribuíram para a minha formação.

Por isso, neste Dia dos Pais, eu não quero apenas homenagear os pais perfeitos — porque eles não existem.

Quero homenagear os pais que estão dispostos a aprender.

Os que entendem que seus filhos não precisam de perfeição, mas precisam de presença.

Precisam de amor.

Precisam de limites.

Precisam de escuta.

Precisam de alguém que esteja verdadeiramente ali.

Aos pais da minha vida, minha gratidão.

Aos pais que ainda estão aprendendo a ser pais, minha esperança.

E a todos os pais, meu desejo de um domingo tranquilo, feliz e cheio de presença.

Que nunca se esqueçam da grandeza — e da responsabilidade — de participar da formação de um novo ser.

Porque um filho pode até esquecer muitas das palavras que ouvimos ao longo da vida.

Mas dificilmente esquecerá como se sentiu quando estava perto do pai.

Feliz Dia dos Pais!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A santidade que mora em cada um de nós...


É natural que a gente recorra aos santos. Eles nos inspiram, nos fortalecem e nos lembram que é possível viver uma vida de amor, coragem e fé. Eles foram pessoas comuns que, em algum momento, decidiram fazer do extraordinário um hábito: amar, perdoar, servir e perseverar.

Mas será que já nos perguntamos sobre a nossa própria santidade?
Não falo da santidade reconhecida pelos homens, nem daquela que um dia pode ser proclamada por uma instituição. Falo da santidade silenciosa, construída nas pequenas escolhas. Na palavra que acolhe, no gesto que consola, na honestidade quando ninguém está olhando, na coragem de permanecer íntegro mesmo quando seria mais fácil desistir.

Qual é a qualidade da sua santidade?
Durante muito tempo eu mesma procurei entender qual era o meu papel nesta Terra. Custei a compreender que cada vida carrega uma missão. Quando finalmente entendi a minha, percebi que sou exemplo. Sou vitrine. E, se sou vitrine, preciso cuidar daquilo que exponho ao mundo.

Isso não significa ser perfeita. Significa ser coerente. Reconhecer os próprios erros, pedir perdão quando necessário e nunca deixar de tentar ser uma pessoa melhor do que fui ontem.

Talvez seja difícil para muitas pessoas enxergarem isso. Afinal, é mais fácil admirar a santidade dos outros do que assumir a responsabilidade pela própria vida. É mais confortável pedir que um santo interceda por nós do que perguntar: que tipo de exemplo estou oferecendo aos que caminham ao meu lado?

Todos nós deixamos marcas. Todos nós ensinamos alguma coisa, mesmo sem perceber. Nossos filhos, nossos netos, nossos amigos e até desconhecidos aprendem mais com aquilo que fazemos do que com aquilo que dizemos.

Talvez a verdadeira santidade comece exatamente aí: quando entendemos que cada atitude nossa pode aproximar alguém da esperança, da bondade e de Deus.

Quem sabe esse seja o maior milagre que podemos realizar nesta vida: viver de tal maneira que nossa existência seja uma bênção para quem cruza o nosso caminho.

Se sou exemplo, o que minha vida tem ensinado?

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Quinta-feira Santa! Temos seguido o exemplo de Jesus?

A Quinta-feira Santa é um daqueles dias que não passam apenas pelo calendário — eles atravessam o coração.

É a noite da mesa simples, do pão repartido, do gesto que se transforma em eternidade. É quando Jesus Cristo, mesmo sabendo de tudo o que viria, escolhe amar até o fim — não com discursos grandiosos, mas com gestos silenciosos, profundos e eternos.

Foi ali, na Última Ceia, que Ele nos deixou mais do que um ritual: deixou presença.

“Enquanto ceavam, Jesus tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e o deu a seus discípulos dizendo:
Tomai e comei, isto é o meu corpo.
Tomando a taça, pronunciou a ação de graças e deu-a, dizendo:
bebei todos dela, porque este é o meu sangue da aliança, que se derrama por todos para o perdão dos pecados.”

Esse momento não fala apenas de fé — fala de entrega.
Fala de alguém que se doa por inteiro, que se faz alimento, que se faz caminho dentro de nós.

A Quinta-feira Santa também nos convida ao silêncio…
à reflexão sobre como temos nos oferecido ao outro.
Se temos sido pão — que alimenta, acolhe, sustenta.
Ou se temos sido ausência — mesmo estando presentes.

E talvez a pergunta mais profunda dessa noite seja simples:
o quanto de amor temos repartido?
Porque, no fim, a mensagem não está apenas no que Ele fez —
mas no que nós fazemos com isso todos os dias.!