terça-feira, 30 de junho de 2026

A vida sacrificada dos jogadores

A fotinho foi retirada de um perfil da Internet! Creio ser de um fotógrafo da CBF

É curioso como a maioria das pessoas enxerga apenas a parte mais visível da vida de um jogador de futebol... Os salários, a fama, os contratos milionários, os carros, o reconhecimento...

E, diante disso, muitos concluem que eles não têm o direito de reclamar de absolutamente nada.

Mas quase ninguém se dispõe a olhar o preço que existe por trás de tudo isso...

São meninos que, muitas vezes, deixam sua cidade, seu Estado e até seu país ainda muito jovens. Crescem longe da família, perdem aniversários, natais, momentos únicos ao lado dos pais, dos filhos, da esposa... Vivem entre aeroportos, hotéis, concentrações, treinos e jogos. A vida deles pertence muito mais ao futebol do que a eles mesmos.
E existe um outro lado que poucos enxergam...

Quando um grande jogador entra em campo, ele passa a ser o principal alvo do adversário. A missão é neutralizá-lo. E isso significa marcação implacável, faltas sucessivas, entradas duras, pancadas que nem sempre aparecem nos melhores momentos da partida.

Esses atletas apanham muito... Muito mais do que a maioria de nós consegue imaginar.
Depois vêm as contusões, as cirurgias, a fisioterapia... meses de recuperação... ansiedade, dor, medo de não voltar no mesmo nível.

E, justamente nesse momento, quando mais precisariam de apoio, surgem as críticas, o deboche e os julgamentos.

Estamos vendo isso acontecer com Neymar... Já aconteceu com Casemiro,, Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno, Romário e tantos outros que escreveram páginas brilhantes na história do futebol. Em algum momento, todos foram tratados como se uma lesão fosse sinônimo de falta de compromisso ou de vontade.
O torcedor tem, sim, o direito de cobrar desempenho... Afinal, o futebol vive da paixão de quem torce.

Mas talvez esteja faltando um ingrediente indispensável: a empatia.
Por trás da camisa existe um ser humano. Um homem que sente dor, que se machuca, que se frustra, que luta para voltar a fazer aquilo que mais ama.
É muito fácil aplaudir quando o gol sai, quando o título chega, quando o herói levanta a taça...

O verdadeiro teste da nossa humanidade, porém, é saber estender a mão quando esse mesmo ídolo cai.
Porque antes de serem jogadores de futebol... antes de serem ídolos... eles são pessoas.

E toda pessoa merece respeito... compreensão... carinho... e a oportunidade de se levantar sem ser apedrejada por aqueles que, um dia antes, gritavam o seu nome nas arquibancadas.

"...Porque antes de serem jogadores de futebol... antes de serem ídolos... eles são pessoas. E talvez o mundo estivesse um pouco melhor se aprendêssemos a aplaudir menos apenas as vitórias... e a abraçar um pouco mais aqueles que lutam para se levantar depois de uma queda."

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O esporte alivia e distrai as emoções.


Quando uma nação se reúne em torno do esporte, por alguns instantes os sentimentos se unem, os problemas cotidianos parecem dar uma trégua e todos vibram pelo êxito do país.

Hoje, celebramos a alegria de ver o Brasil avançar mais uma etapa. Mas talvez isso também seja um retrato da nossa realidade: a necessidade de encontrar algo que nos distraia das dificuldades graves e pontuais que enfrentamos diariamente.

O esporte tem esse poder de unir, emocionar e renovar a esperança. No entanto, a euforia de uma vitória não pode nos fazer esquecer os desafios que continuam à nossa espera quando o apito final soa.

Que celebremos as conquistas da nossa Seleção, mas que também mantenhamos o olhar atento ao Brasil que precisa vencer fora dos gramados.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A calma do mar...


O mar e a minha alma...

Há algo no mar que conversa com a minha alma em silêncio...

Talvez seja a sua imensidão que me lembra o quanto somos pequenos diante da grandeza da vida. Talvez seja o movimento constante das águas, que nunca param, mas nunca perdem a capacidade de recomeçar.

Quando observo o mar, meu coração desacelera. As preocupações diminuem de tamanho, os ruídos do mundo ficam distantes e encontro um lugar de calma dentro de mim.

Assim como esse pequeno peixe encontra abrigo entre as rochas, também encontro no mar um refúgio para os dias difíceis, um espaço onde posso respirar fundo, reorganizar os pensamentos e renovar as esperanças.

"O mar acalma minha alma porque conhece o segredo do tempo. Ele sabe avançar sem pressa, recuar sem desistir e recomeçar todos os dias. E, em sua imensidão serena, encontro a paz que tantas vezes procuro dentro de mim."

Talvez seja por isso que amo tanto o mar...

Porque, diante dele, minha alma encontra paz.

domingo, 21 de junho de 2026

Uma mãe, vários filhos...


Uma realidade muitas vezes escondida atrás de um comentário debochado...
Há muito mais mágoa pelo que não se teve do que espanto ou graça diante de uma mãe zelosa, presente e atenta.

Meus filhos sofreram um pouco com isso, é verdade. Afinal, eles eram os "pintinhos da mamãe". E eu sempre fui, antes de qualquer outra coisa, mãe.

Dediquei meu tempo, minha energia e meu coração. Estive ao lado deles nos momentos bons e nos difíceis. Falei o que precisava ser falado, sem deixar de caminhar junto, sem abandonar a mão que eu mesma ensinava a seguir o próprio caminho.

E talvez por isso muitos amigos deles — os de verdade, os da infância, aqueles que a vida foi trazendo para dentro da nossa casa — tenham acabado me considerando mais do que uma simples "tia". Eu me tornei uma espécie de mãe emprestada, um porto seguro, um colo disponível, um ouvido atento.

Hoje entendo que o amor vigilante de uma mãe pode até despertar algumas brincadeiras. Mas a ausência desse amor costuma deixar marcas muito mais profundas do que sua presença.

Porque filhos crescem, ganham o mundo, constroem suas próprias histórias... mas nunca deixam de precisar saber que existe um lugar onde são amados sem medida e sem condições.

sábado, 20 de junho de 2026

Liberdade de expressão e fé!


Ontem meu marido me chamou a atenção por causa das coisas que escrevo.

Parei para pensar. Sou uma mulher de fé. Sou uma mulher voltada para a minha família, para os meus filhos, para os meus netos. Sou uma mãe que carrega a saudade de um filho que partiu cedo demais. Mas também sou uma mulher que valoriza profundamente a liberdade que Deus nos concedeu: a liberdade de pensar, de escolher e de expressar aquilo em que acreditamos.

Não tenho dificuldade em escolher um lado do muro quando a vida me pede posicionamento. Escolho, assumo as consequências das minhas escolhas e, quando acerto, recebo com gratidão a alegria de ter caminhado de acordo com aquilo que considero correto aos olhos de Deus.
Também não tenho medo de manifestar minha opinião quando o assunto é polêmico. O importante para mim não é agradar a todos. O importante é ser coerente com os meus valores, com a minha fé e com a minha consciência.

Aprendi que a omissão também é uma escolha. E, muitas vezes, aqueles que mais precisam ser ouvidos não têm voz suficiente para se fazer escutar. Se Deus me deu voz, palavras e a oportunidade de alcançar pessoas, não quero desperdiçar esse presente.

Por isso escrevo. Por isso me posiciono. Não por coragem extraordinária, mas porque acredito que viver de acordo com aquilo que se crê é uma forma de testemunho.
Sem medo. Sem agressividade. Sem desrespeito.

Mas também sem abrir mão da verdade que carrego no coração.

11 anos... um longo mas reformulador caminho.

11 anos...

Completa hoje a data fatídica do dia em que meu filho saiu de casa para ir àquela maldita festa, com o objetivo de prestigiar um amigo, irmão da garota por quem era apaixonado.
11 anos que recebi aquele beijinho jogado, acompanhado de um simples:

— Volto de manhã para levar a Jaque na festa...

11 anos que tive um aviso dos céus e te liguei já bem tarde... E você, ao atender pela última vez, mostrou mais uma vez o tamanho do seu coração, preocupado com o Jojo.

11 anos que minha vida se quebrou como vidro de janela em meio a um furacão. E eu fiquei assim: partida entre o desespero, o medo e a dolorosa interrogação de como seria minha vida dali em diante.
Foram quase 11 anos elaborando o luto.

 Aprendendo o que fazer com ele. Aprendendo a caminhar ao seu lado. Reformulando quem eu era a partir dele.

Hoje, eu sei que consegui.

Você não morreu.

Você passeia sereno no lugar mais protegido do mundo:
o meu coração.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Dias bem... outros nem tanto!


"Tem dias em que nosso humor caminha sereno. Há uma leveza silenciosa que nos acompanha, e até os desafios parecem encontrar seu lugar. Mas há dias em que manter a serenidade é um exercício angustiante. Dias em que o mundo parece um ringue, onde opiniões se chocam, intolerâncias se enfrentam e cada palavra pode se transformar em combate.

Nesses momentos, permanecer sereno não significa indiferença ou fraqueza. Ao contrário. Exige força. Exige escolher, a cada instante, não responder à agressividade com mais agressividade, não permitir que o barulho externo se transforme em tempestade interior.


Viver em paz quando tudo ao redor é paz é relativamente simples. Difícil é preservar a calma quando somos constantemente convidados para a luta. E talvez seja justamente aí que a serenidade revele seu maior valor: não como ausência de conflito, mas como a capacidade de não deixar que o conflito nos defina."

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O avanço da tecnologia versus a irresponsabilidade de quem precisa gerir... deixando a porta ser arrombada...

Foto copiada do site Sou Petrópolis.

Vivemos uma época curiosa. Nunca tivemos tanta capacidade de prever os humores da natureza. Satélites observam oceanos, computadores simulam cenários climáticos e especialistas alertam com meses de antecedência sobre secas, enchentes, ondas de calor e tempestades cada vez mais severas.

Ao mesmo tempo, nunca pareceu tão comum assistir às tragédias anunciadas acontecerem diante dos nossos olhos.

Se um possível super El Niño vier a se confirmar, não poderemos dizer que fomos pegos de surpresa. Os sinais estão aí. As previsões estão aí. A informação circula em velocidade instantânea. O que falta não é conhecimento; é compromisso.

Enquanto cidadãos recebem alertas em seus celulares, muitas cidades continuam sem planejamento adequado, sem obras preventivas, sem manutenção da infraestrutura e sem políticas capazes de proteger as populações mais vulneráveis. A ganância, os interesses eleitorais de curto prazo e a velha cultura de agir apenas depois do desastre parecem falar mais alto do que a responsabilidade coletiva.

Precisamos ter coragem de levantar essa discussão. Não para espalhar medo, mas para exigir prevenção. Não para apontar culpados depois da tragédia, mas para cobrar providências antes dela.

Porque a chuva é um fenômeno natural. O calor extremo é um fenômeno natural. Os ventos são fenômenos naturais. Mas transformar previsões em ações concretas é uma obrigação humana.

E quando a sociedade se cala diante dos alertas ignorados, acaba assistindo, mais uma vez, à repetição de uma história que poderia ter sido diferente.

Talvez o mais preocupante não seja a possibilidade de um super El Niño. Talvez o mais preocupante seja nossa capacidade de assistir aos alertas, conhecer os riscos, prever as consequências e, ainda assim, esperar que a tragédia aconteça para agir.
Temos informações, tecnologia, estudos e previsões. O que falta, muitas vezes, é transformar conhecimento em prevenção.
Vivemos reclamando da cultura do "depois da porta arrombada". Mas, neste caso, a porta está balançando diante dos nossos olhos, os avisos estão sendo dados e os riscos estão sendo amplamente divulgados.

A pergunta que fica não é apenas o que a natureza fará nos próximos meses.

A pergunta que fica é: o que está sendo feito no seu município para prevenir as consequências desse fenômeno?
As galerias pluviais estão sendo limpas? As áreas de risco estão sendo monitoradas? Existe um plano para proteger idosos e pessoas vulneráveis durante ondas de calor? Há preparo para enfrentar enchentes, deslizamentos, secas ou interrupções no abastecimento?

Porque, quando a porta finalmente arromba, já não há tempo para prevenção. Resta apenas contar os prejuízos e lamentar aquilo que poderia ter sido evitado.

A intrigante missão de refinar o olhar para reconhecer os tesouros que já foram colocados em nossas mãos.



"Meu texto hoje foi motivado por algumas postagens que vi no Instagram: duas atrizes falando das marcas da vida e uma citava a ansiedade provocada pelo medo de em face ao trabalho não poder acompanhar o crescimento da filha com mais presença; o vídeo da mãe relatando o pedido do filho para jogar bafo mais que ela, por estar na Internet não deu naquele momento a atenção solicitada e, mais tarde,  ao ver na mídia uma mãe implorar oração pelo filho pequeno morrendo no hospital, teve um momento de mea culpa; também pensei muito na mãe do Henry Borel... Munique me fez ler sobre Medeia e essa coisa de que muitos não conseguem a classificar como vítima ou algoz."

Às vezes observo algumas mães e me pergunto se elas percebem o tamanho da missão que receberam.

Não falo de perfeição. Nenhuma mãe é perfeita. Falo da presença. Do olhar. Da atenção aos pequenos sinais. Daquilo que não aparece nas fotografias, não rende aplausos e não produz reconhecimento social.

Vivemos uma época que valoriza muito o externo. O sucesso, a carreira, os relacionamentos, as conquistas, a imagem. Tudo isso tem seu valor. Mas me pergunto se, por vezes, não corremos o risco de nos encantar tanto com o que está fora que deixamos de enxergar o que cresce silenciosamente dentro de casa.

Não escrevo isso para julgar. Cada ser humano está em seu próprio estágio de aprendizado. Talvez algumas pessoas ainda estejam vivendo experiências necessárias ao desenvolvimento da própria consciência.
 Talvez ainda precisem descobrir que o amor não se mede apenas pelo que se oferece materialmente, mas pela disponibilidade de estar presente.

Dentro da visão espiritual que abraço, acredito que nada acontece por acaso. Nem os filhos chegam por acaso. Talvez eles sejam espíritos que aceitaram compartilhar uma jornada de crescimento mútuo. Talvez algumas almas venham para ensinar e outras para aprender. Talvez, muitas vezes, os papéis se invertam ao longo do caminho.
Há filhos que recebem colo em abundância. Há filhos que aprendem a sobreviver à ausência. Nenhuma dessas experiências é simples. Mas todas carregam possibilidades de evolução.

O que me toca é pensar que a infância passa depressa. O tempo não volta. O olhar que não foi dado, a conversa que não aconteceu, a presença que foi adiada para depois, tudo isso deixa marcas.

Talvez a verdadeira evolução não esteja apenas em conquistar o mundo, mas em perceber quem está sentado à nossa mesa enquanto tentamos conquistá-lo.

Será que estamos tão ocupados construindo uma vida que, às vezes, esquecemos de vivê-la? E o que é o viver para você? ( Essa é uma resposta para você dar a você mesmo, porque ela fatalmente te levará a uma reflexão que só a você cabe).


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bieliver e a renda que a música bordas em nossa história...

Sabem quem me apresentou Bieliver?

O Bruno, meu neto de apenas 4 anos. E vocês não podem imaginar o bom gosto musical desse menino! ❤️

Foi através dele que conheci Bieliver e, desde então, algumas músicas passaram a me acompanhar como se fossem trilhas sonoras de pensamentos que eu já carregava dentro de mim.

E não é só isso. O Bruno também tem um ouvido apuradíssimo para músicas eletrônicas de jogos. Às vezes fico intrigada com certas semelhanças entre as músicas que ele escolhe espontaneamente e aquelas que me emocionam ou que acabam servindo de "acabamento" para os textos que escrevo.

Talvez a música tenha mesmo essa capacidade misteriosa de atravessar gerações.

 Ela encontra caminhos diferentes, mas toca lugares parecidos dentro de nós.

Eu escrevo primeiro. As palavras vêm da vida, das dores, das alegrias, das lembranças e das descobertas. Depois, quase como uma renda delicada que contorna um tecido já pronto, chega a música. Não para explicar o texto, mas para ampliá-lo, para dar melodia às emoções que ele carrega.

E foi assim que Bieliver entrou na minha trajetória: pelas mãos pequeninas de um menino de 4 anos, que talvez nem imagine que me apresentou uma trilha sonora capaz de conversar tão bem com a minha própria história.

terça-feira, 16 de junho de 2026

A renda que a música borda na nossa história...

Believer Imagine Draghttps://youtu.be/7wtfhZwyrcc?is=u7VBHm8dzpznfThzons

Sou uma pessoa profundamente musical.

Curiosamente, quando escrevo, a música quase nunca vem antes. 

Primeiro vêm as palavras. Vêm as lembranças, as reflexões, as dores, os aprendizados. O texto nasce cru, como um tecido recém-tecido.

Só depois a música chega.

Ela vem como uma renda. Um acabamento delicado que não muda a essência da peça, mas revela o seu desenho.

Foi exatamente isso que aconteceu quando me dei conta do significado de Believer, da banda Imagine Dragons.
A música fala sobre dor. Mas não sobre uma dor que destrói. Fala sobre uma dor que transforma.

Ao ouvi-la com atenção, percebi que ela conversava com partes da minha própria história.

Não porque eu agradeça pelas perdas que vivi. Não porque eu ache que o sofrimento seja necessário. Nenhuma mãe escolheria os caminhos que a vida às vezes nos obriga a percorrer.

Mas porque, olhando para trás, reconheço que cada cicatriz deixou uma marca. E que, de alguma forma, elas também me moldaram.

A mulher que sou hoje não existiria sem a menina que sonhou, sem a esposa que se decepcionou, sem a mãe que amou, sem a mãe que perdeu, sem a avó que reaprendeu a sorrir através dos olhos dos netos.

A vida me atingiu muitas vezes.

E, ainda assim, não levou de mim a capacidade de amar.

Talvez seja por isso que Believer tenha encontrado um lugar tão especial dentro de mim. Porque ela traduz algo que eu nunca consegui explicar completamente:
não somos feitos apenas das alegrias que vivemos.
Também somos feitos das dores que sobrevivemos.

E, quando a música encontra a nossa história, acontece uma espécie de milagre silencioso.
Ela nos devolve em melodia aquilo que a alma tentou dizer durante anos.

"A música dá linguagem para emoções que às vezes são difíceis de explicar apenas com palavras."


❤️🩵

Somos todas Marias... um texto às mães enlutadas!

Quando uma mãe perde um filho, todas as outras mães se aproximam. Não porque sintam a mesma dor — a dor da perda de um filho é única, impossível de ser medida ou comparada — mas porque cada mãe sabe, em alguma dimensão da alma, o peso que um filho ocupa dentro de nós.

Costumo dizer que somos todas Marias.

Marias que, em algum momento da vida, caminham até o pé de uma cruz invisível. Marias que aprendem sobre amor e entrega de uma forma que jamais desejaram aprender. Marias que seguem vivendo mesmo depois que uma parte de si parece ter partido.
Foi compreendendo a figura da Virgem Maria que comecei a elaborar meu luto. Não a Maria distante dos altares, mas a mãe. A mulher que viu o filho sofrer. A mulher que não pôde impedir. A mulher que precisou permanecer de pé quando tudo dentro dela desejava cair.
Naquele momento, percebi que não estava sozinha na minha dor. Havia uma mãe, há mais de dois mil anos, que conhecia aquele caminho.

E então encontrei uma outra reflexão, muito presente no espiritismo: a de que os filhos escolhem suas mães. Não somos nós que os escolhemos. Eles nos escolhem porque sabem que seremos o colo possível, o aprendizado necessário, o equipamento emocional e espiritual de que precisarão para a experiência que vieram viver.

Durante muito tempo, confesso que essa ideia me intrigou. Depois, ela me consolou.
Porque, se meu filho me escolheu, talvez tenha visto em mim uma força que eu mesma desconhecia. Talvez tenha sabido que eu conseguiria amá-lo exatamente como ele precisava ser amado. Talvez tenha sabido que, mesmo depois da despedida, eu encontraria um jeito de continuar carregando sua existência dentro de mim.

Hoje acredito que o amor entre mãe e filho não termina na ausência física. Ele muda de forma. Sai dos abraços e passa a habitar as lembranças. Sai da convivência diária e passa a morar na saudade. Sai dos olhos e passa a ocupar a alma.

E talvez seja por isso que nós, mães enlutadas, nos reconhecemos tão rapidamente umas nas outras.
Porque carregamos uma ausência que só outra mãe compreende.

E porque, no fundo, seguimos sendo Marias: feridas, saudosas, mas ainda capazes de amar.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Depois da porta arrombadada...


Eu sei que a imagem é caricata demais... no entanto ela expressa parte do que quero conversar com vocês.

Existe um ditado antigo que diz que não adianta colocar cadeado depois da porta arrombada. Ainda assim, quantas vezes fazemos exatamente isso?

Vivemos adiando cuidados, ignorando sinais, acreditando que determinadas tragédias acontecem apenas com os outros. Até que um dia a notícia chega perto. Às vezes tão perto que atravessa a nossa própria porta.

Foi assim com o episódio que tomou conta das conversas destes últimos dias. Um salto sem a corda. Um risco subestimado. Uma vida interrompida. E, de repente, surgem as perguntas, os alertas, as discussões, as preocupações que deveriam ter existido antes.

Mas essa não é apenas uma reflexão sobre um acontecimento específico. É uma reflexão sobre nós.

Por que esperamos o diagnóstico para cuidar da saúde?

Por que esperamos perder alguém para dizer o quanto amamos?

Por que esperamos o acidente para revisar os procedimentos?

Por que esperamos a solidão para valorizar as companhias?

Parece que o ser humano possui uma estranha tendência a acreditar que o amanhã está garantido. Como se a vida tivesse nos concedido um contrato de permanência sem prazo para terminar.

Não tem.

A vida é um empréstimo diário.

Talvez a verdadeira sabedoria esteja em desenvolver a capacidade de aprender com as portas arrombadas dos outros, sem precisar que a nossa seja destruída também.

Prevenir nunca terá o mesmo impacto emocional que remediar. O problema é que, muitas vezes, quando a lição chega pela dor, ela vem acompanhada de perdas irreparáveis.

A maturidade nos ensina que prudência não é medo. Cuidado não é pessimismo. Atenção não é excesso de preocupação.

É apenas respeito pela fragilidade da vida.

E talvez seja exatamente isso que os acontecimentos mais marcantes tentam nos lembrar: algumas cordas precisam ser verificadas antes do salto. Algumas portas precisam ser protegidas antes da invasão. Alguns abraços precisam ser dados antes da despedida.
Porque existem coisas que podem ser consertadas depois.
Outras, infelizmente, não.

A superficialidade no viver não pode e nem deve nos causar riscos desnecessários!

A fé que floresce na infância...


Hoje eu me emocionei.
Vi uma menina, amiguinha da minha neta, fazendo algo que se tornou cada vez mais raro nos nossos dias. Todas as manhãs, ela grava um pequeno devocional e compartilha uma mensagem sobre Deus.

Seu nome é Alua.

Enquanto muitos acreditam que as crianças são pequenas demais para compreender a espiritualidade, eu observava aquela menina sorrindo diante da câmera e pensava exatamente o contrário. Talvez a infância seja o momento mais precioso para o encontro com a fé.

As crianças aprendem pelo exemplo. Aprendem observando, repetindo hábitos e absorvendo valores. E quando a fé faz parte dessa construção, ela deixa marcas profundas.

Não porque a vida será mais fácil.
Mas porque, quando as dificuldades chegarem, haverá dentro delas um lugar de refúgio.

A fé ensinada na infância se transforma em esperança na juventude, em força na vida adulta e em consolo nos momentos de dor. Ela ajuda a formar seres humanos mais conscientes, mais compassivos e mais conectados com algo maior do que seus próprios desejos.

Ao ver a pequena Alua falando de Deus com tanta naturalidade, fiquei imaginando quantas sementes estão sendo plantadas. Não apenas na vida dela, mas também na vida de outras crianças que a acompanham.

Vivemos tempos em que ensinamos nossos filhos a usar celulares, computadores e inteligências artificiais. Tudo isso é importante. Mas nada substitui os valores que sustentam uma alma.

Porque conhecimento prepara para a profissão.
Mas a fé prepara para a vida.

E toda vez que vejo uma criança crescendo na presença de Deus, tenho a sensação de estar testemunhando o nascimento de um adulto mais forte, mais sereno e mais capaz de enfrentar os desafios que inevitavelmente virão.

As sementes plantadas hoje florescerão amanhã.
E poucas sementes são tão valiosas quanto a fé.

domingo, 14 de junho de 2026

Os Vícios que Não Chamamos de Vício!




Hoje eu queria falar sobre liberdade.
Depois de cinquenta dias na casa do meu filho, voltei para casa ontem. Confesso que estava apreensiva. Foram cinquenta dias convivendo intensamente com os meus netos, compartilhando risadas, brincadeiras, conversas e aquele amor que preenche a alma da gente.

 Eles ocupam a casa, ocupam a mente, ocupam os vazios do coração e fazem a felicidade transbordar pelos cantos.
Por isso, imaginei que voltar para a minha rotina seria difícil. Achei que a ausência daquela movimentação toda me impediria de dormir. Pensei que a saudade falaria mais alto, que os pensamentos tomariam conta da madrugada.

Mas não foi o que aconteceu.

Eu dormi.

Acordei algumas vezes, como costumo fazer naturalmente para beber água ou ir ao banheiro, mas voltei a dormir tranquilamente. Não tive pesadelos, não tive crises de ansiedade, não tive aquela inquietação que tantas vezes me acompanhou durante anos.

E foi então que me dei conta de uma conquista que, talvez, mereça ser celebrada muito mais do que eu costumo celebrar.
Eu consegui me libertar dos remédios para dormir.

Hoje parece simples dizer isso, mas quem já passou por esse processo sabe o quanto ele pode ser doloroso. Durante muito tempo, eu acreditava que jamais conseguiria adormecer sem um comprimido. Achava que o remédio era indispensável, que meu sono dependia dele.

Mas a verdade é que ele havia se tornado muito mais do que um auxílio. Ele havia se transformado em uma muleta emocional.
Comecei a usá-lo pouco tempo depois da morte do Bruno. Eu não queria pensar. Não queria enfrentar o silêncio da noite. Quem já perdeu alguém que ama sabe como a madrugada pode ser cruel. Durante o dia existem distrações, compromissos, pessoas ao redor. Mas à noite, quando tudo silencia, a dor costuma falar mais alto.

O remédio me permitia escapar disso.
E não apenas à noite.
Sempre que alguma situação me magoava profundamente, sempre que eu me sentia emocionalmente exausta, a solução parecia simples: tomar um comprimido e dormir algumas horas. Era uma forma de desligar a mente, ainda que temporariamente.

Sem perceber, fui criando uma dependência que eu não chamava de vício.
Porque existem vícios que chegam disfarçados de solução.

Eles não se apresentam como prisão. Pelo contrário. Apresentam-se como alívio.
Foi somente quando decidi abandonar esse hábito que compreendi o tamanho do desafio.
As primeiras semanas foram extremamente difíceis. Houve noites em que achei que não conseguiria suportar. Houve momentos de exaustão física e emocional. Houve dias em que a vontade de desistir parecia maior do que a determinação de continuar.

Mas eu continuei.

Com fé.

Com foco.

Com persistência.

E, aos poucos, meu corpo e minha mente foram reaprendendo aquilo que sempre souberam fazer: descansar naturalmente.
Hoje durmo bem. Durmo à noite. E, quando estou muito cansada, consigo até tirar um cochilo durante o dia sem que isso prejudique meu sono noturno.

Parece algo simples para quem nunca viveu essa dependência. Mas para mim representa uma enorme vitória.

Porque essa conquista não é apenas sobre dormir sem remédio.
É sobre ter descoberto que sou capaz de enfrentar minhas dores sem me anestesiar.
É sobre entender que algumas feridas só cicatrizam quando paramos de fugir delas.
É sobre perceber que a liberdade, muitas vezes, começa quando temos coragem de abandonar aquilo que acreditávamos ser indispensável.

Ontem, ao adormecer na minha casa depois de cinquenta dias longe, sem remédios, sem medo e sem sofrimento, recebi uma confirmação silenciosa:

A mulher que acreditava não conseguir dormir sozinha ficou para trás.
No lugar dela existe alguém que aprendeu que a paz não vem de um comprimido.
Ela nasce, lentamente, dentro de nós. 

"Existem cicatrizes que não desaparecem. Mas chega um dia em que elas deixam de ser feridas e passam a ser provas da nossa sobrevivência."

sexta-feira, 12 de junho de 2026

A Era das Respostas rápidas e o Valor da Leitura...


Quando ler parece dispensável

O avanço tecnológico trouxe algo extraordinário: respostas em questão de segundos. 

Hoje, uma dúvida que antes exigia horas de pesquisa, livros espalhados sobre a mesa e muita dedicação pode ser resolvida com alguns toques na tela. As inteligências artificiais interpretam textos, resumem conteúdos, explicam conceitos complexos e até organizam ideias.

Diante de tanta facilidade, ler parece ter se tornado dispensável.

Mas será mesmo?

Receber uma resposta pronta não é a mesma coisa que construir um pensamento. Ler não serve apenas para obter informações. Ler amplia o vocabulário, desenvolve o senso crítico, exercita a imaginação e nos permite enxergar o mundo por diferentes perspectivas. 

A leitura nos ensina a questionar, enquanto as respostas rápidas, muitas vezes, apenas satisfazem a curiosidade imediata.

A tecnologia é uma ferramenta poderosa e bem-vinda. Ela facilita caminhos, aproxima conhecimentos e democratiza o acesso à informação. O perigo está em substituir completamente o processo de reflexão pela simples obtenção de respostas.

Ler continua sendo um ato de descoberta. Quem lê não encontra apenas informações; encontra nuances, emoções, contextos e significados que nenhuma resposta instantânea consegue entregar por inteiro.

Talvez o desafio do nosso tempo não seja escolher entre a leitura e a tecnologia. Seja aprender a usar a velocidade das máquinas sem perder a profundidade que só a leitura é capaz de proporcionar. Afinal, respostas podem ser dadas em segundos. Sabedoria, não.

Junho, o mês das duas margens...

Junho nunca mais foi apenas junho.

Nele, celebro o primeiro choro de um filho que chegava ao mundo e, também nele, escuto o silêncio de outro filho que partiu.

É um mês que me abraça com uma das mãos e me aperta o coração com a outra.
No mesmo calendário onde guardo a alegria de um nascimento, guardo a saudade de uma despedida.

Durante muito tempo achei que precisava escolher qual sentimento sentir. Hoje entendo que não.

Posso sorrir ao lembrar um bebê de olhos brilhantes e, no instante seguinte, chorar a ausência daquele que regressou à pátria espiritual.

Porque o amor não conhece contradições.
É a vida que, às vezes, escreve no mesmo mês as páginas mais felizes e as mais dolorosas da nossa história.

E nós seguimos lendo ambas, com lágrimas nos olhos e gratidão no coração.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Cura e redefinição emocional!

Cura e redefinição emocional!

Eu vivi tantos anos me sentindo pequena que jamais imaginei que um dia seria tão importante para alguém.

Passei boa parte da vida tentando agradar, evitar conflitos, suportar críticas e silenciar sentimentos. Muitas vezes me perdi de mim mesma.

Hoje, quando olho para trás, vejo as marcas que ficaram. Mas quando olho para os meus netos, vejo algo muito maior.
Vejo amor.
Um amor puro, espontâneo, sem cobranças.
Meus netos não conhecem a mulher que sofreu. Eles conhecem apenas a avó que os abraça, que os escuta, que faz carinho e que está sempre feliz quando eles chegam.

E talvez seja essa a maior bênção da minha vida.
Porque depois de tantas dores, Deus me permitiu descobrir que sou importante.
Importante para os meus netos.

E isso vale mais do que qualquer reconhecimento que eu tenha deixado de receber ao longo da vida.

Há uma serenidade muito bonita no que  sinto hoje. Não é um texto sobre sofrimento. É um texto sobre gratidão. E isso faz toda a diferença.

Entre o cansaço e a consciência de que a luta continua!

Será que eu estou cansada da luta ou cansada de lutar sozinha?

Porque são coisas diferentes.
A primeira pede desistência. A segunda pede companhia.

E pelo que tenho refletido, eu ainda não desisti. Estou cansada, frustrada, talvez decepcionada. Mas continuo escrevendo. Continuo observando. Continuo me indignando.

Quem desistiu não escreve mais.
Quem desistiu já não se incomoda.
Quem desistiu não sente essa necessidade quase dolorosa de apontar incoerências.

Talvez hoje não seja um dia para convencer ninguém. Talvez seja apenas um dia para reconhecer o meu próprio desgaste e permitir-me descansar um pouco da tarefa de carregar o mundo nas costas.

Às vezes, até a coragem precisa sentar um instante e recuperar o fôlego. 🌷

Entre o Que É e o Que Poderia Ser...



“Ando vivendo de sonhos… e de ‘e se…’
Como quem mora entre o que deseja
e o que nunca teve coragem de tocar.

Às vezes, o sonho aquece.
Outras, aprisiona.
Porque o ‘e se’ é uma casa perigosa:
tem janelas para a esperança,
mas portas abertas para a saudade do que nem aconteceu.

E ainda assim…
há algo bonito em quem não deixou de imaginar.

Pior seria viver sem sonhos,
sem perguntas,
sem a coragem silenciosa de ainda esperar pela vida.”

terça-feira, 9 de junho de 2026

Leis da corrupção



É muito triste viver num tempo em que precisamos explicar quem é honesto.
Esse juiz é correto. Aquele deputado presta. Esse policial é íntegro. Aquele outro não.
Mas não deveria ser assim.

Honestidade não deveria ser qualidade extraordinária. Deveria ser requisito básico. O mínimo. O esperado.

Quando a corrupção invade as estruturas de um país, ela não rouba apenas dinheiro público. Ela rouba a confiança. Rouba o respeito pelas instituições. Rouba a esperança das pessoas comuns que acordam cedo, trabalham, pagam impostos e tentam ensinar valores aos filhos.

E talvez seja exatamente isso o mais doloroso no Brasil de hoje: a sensação de que precisamos o tempo todo desconfiar de todos.

Desconfiar da política. Desconfiar das leis. Desconfiar de quem julga. Desconfiar de quem deveria proteger.

As pessoas passaram a escolher lados como se ética tivesse partido. Como se caráter dependesse de ideologia. E não depende.
O errado continua errado, mesmo quando é cometido por alguém de quem gostamos. E o certo continua certo, mesmo quando vem de alguém de quem discordamos.

Nenhuma sociedade se sustenta quando a honestidade vira artigo raro e a corrupção passa a ser relativizada conforme a conveniência.

Quem sabe o maior perigo não seja a corrupção em si. Talvez seja o momento em que ela se torna tão comum que deixa de causar indignação.

Porque quando um povo perde a capacidade de se indignar, ele começa, aos poucos, a normalizar aquilo que deveria combater.
E um país que normaliza a corrupção adoece não apenas nas leis… adoece na alma.

Quem sabe o maior perigo não seja apenas a corrupção.

Talvez seja o conformismo diante dela.
O momento em que as pessoas passam a aceitar o absurdo como rotina, a injustiça como paisagem e a desonestidade como algo inevitável.

John F. Kennedy dizia: “O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento.”

E talvez seja exatamente isso que aconteça com uma sociedade que perde a capacidade de se indignar.
Ela deixa de lutar. Deixa de acreditar. Deixa de reagir.
E quando um povo se acostuma com o errado, o errado deixa de se esconder.

Ps. LEIS DA CORRUPÇÃO É UM FILME PROTAGONIZADO POR TOM SELEC QUE VALE A PENA CONFERIR! 

“O dia em que o câncer virou xingamento”

Foto copiada do site Dreamstime.

Ontem, ao buscar a minha neta na escola, eu passei por uma quadra em frente a uma outra escola. Nessa quadra tinham vários adolescentes, meninas, meninos. E aí eu escutei um dos adolescentes, com cara de desvirtuado, coitado, gritando assim para o outro, cala a boca, seu gay...seu gay esculhambado. Se você não calar a boca, eu vou desejar que você fique com câncer, que você morra com câncer.

 E aquilo me deu uma dor no peito, sabe? Aquilo me deu uma tristeza, porque aquele menino não sabe o que é a dor de um paciente com câncer. Ele não sabe o medo que uma pessoa sente quando está com câncer. Essa coisa que o doente terminal pensa...do eu não sei como vai ser o dia de amanhã, embora ninguém saiba como será o amanhã.

No entanto, a grande verdade é essa, que o paciente com câncer, sabe que ele está muito mais perto do desfecho do que uma pessoa saudável.

 E foi exatamente isso que me deu tristeza...  as crianças, os jovens,   perderam a alegria de viver, a singeleza do viver. E eu acho que nós pais perdemos a mão no educar.

O que mais dói nisso tudo é perceber que aquele menino não estava apenas xingando o outro. Ele estava banalizando a dor. Transformando sofrimento humano em arma de humilhação.

E talvez seja exatamente aí que esteja uma das maiores falhas do nosso tempo: muitos jovens aprenderam a reagir, atacar, ironizar… mas não aprenderam a sentir. Não aprenderam a reconhecer a fragilidade da vida, a doença, o medo, o limite do outro.
O câncer virou “xingamento”. A morte virou “deboche”. A diferença virou motivo de violência.

E isso revela uma pobreza emocional enorme.
Porque quem já viu um paciente com câncer de perto sabe… sabe do silêncio de quem tem medo do exame, da angústia de esperar um resultado, do cabelo que cai junto com a autoestima, do esforço para sorrir mesmo sentindo dor. Sabe do olhar de quem, pela primeira vez, entende que o amanhã não é garantido.

Tive uma reação profundamente humana: senti dor. Dor pelo menino ofendido. Dor pelo menino agressor. Dor pelo mundo que estamos construindo.

E talvez a razão não me falhe quando digo que nós, adultos, perdemos um pouco a mão no educar. Em algum momento, confundimos liberdade com ausência de limite. Proteção com falta de responsabilidade. E muitos jovens cresceram sem desenvolver empatia, sem compreender consequência, sem aprender que palavra também machuca, destrói, adoece.

Mas ainda acredito que há esperança exatamente em pessoas que, como eu, ainda se incomodam. Ainda sentem tristeza diante da crueldade. Porque o contrário da barbárie não é a perfeição — é a consciência.
E crianças não aprendem humanidade em discursos. Aprendem observando adultos humanos.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

“O peso perigoso do excesso de leveza





Às vezes, o excesso de leveza vira ausência.
Na tentativa de não traumatizar, não limitar, não frustrar… alguns adultos acabam não protegendo.

Criar uma criança não é apenas oferecer liberdade.
É oferecer direção.
É ensinar que existem consequências, limites, respeito, cuidado e presença emocional verdadeira.

Há uma diferença enorme entre uma infância leve… e uma infância solta ao vento.
Nem toda rigidez educa, isso é verdade.
Mas a falta absoluta de firmeza também abandona.

Crianças precisam de amor, mas também precisam de contorno.

Precisam sentir que existe um adulto capaz de sustentar o “não”, de perceber perigos, de interromper violências, de proteger até delas mesmas quando necessário.

Vivemos um tempo em que muitos confundem proteção com permissividade.
Confundem escuta com omissão.
Confundem liberdade com ausência de responsabilidade.

E talvez uma das maiores provas de amor seja justamente aquela que exige coragem para desagradar.

Porque proteger uma criança não é deixá-la fazer tudo.
É não deixá-la sozinha diante de tudo.

domingo, 7 de junho de 2026

“Pequenos Instantes, Eternas Memórias”


Tem dias que estamos meio lusco fusco... meio partida... Talvez cansada... Talvez desanimada... mas aí a gente lembra do que nos faz sorrir... a FAMÍLIA!

Família não é fotografia perfeita.
É riso atravessado no meio do caos.
É criança interrompendo conversa.
É alguém fazendo sinal de paz enquanto o outro tenta organizar a bagunça da vida.
É o colo improvisado.
É o abraço apertado antes mesmo da foto acontecer.

O tempo passa depressa demais.
Os bebês crescem.
As crianças mudam a voz.
Os adultos carregam marcas que antes não existiam.

Mas existem imagens que conseguem guardar aquilo que o coração não quer perder: o amor simples.

A felicidade quase nunca chega anunciada.
Ela aparece assim…
num churrasco qualquer,
num domingo comum,
num sorriso sem pose,
num braço em volta do outro como quem diz silenciosamente:
“eu estou aqui.”

Talvez a vida seja exatamente isso:
colecionar pequenos instantes que, no futuro, terão tamanho de eternidade.

E quando tudo passar…
serão essas memórias que continuarão abraçando a gente por dentro.



sábado, 6 de junho de 2026

Quem ama não mata... nem se omite!



Há violências que não começam no primeiro tapa. Elas começam no silêncio. Na omissão. Na desculpa repetida. No medo que paralisa. Na dependência emocional que cega. Na alma adoecida que já não consegue distinguir proteção de submissão.

E então eu me pergunto: que caminhos psíquicos, emocionais ou até espirituais levam uma mãe a permitir tanta violência contra um filho? Como alguém suporta assistir à destruição daquilo que deveria defender com a própria vida?

Talvez existam prisões invisíveis. Relacionamentos abusivos. Manipulações. Traumas. Medos. Talvez exista uma mente adoecida, esmagada pela culpa, pela dependência ou pela incapacidade de reagir.

Mas ainda assim… dói compreender.

Porque amor deveria proteger. Amor deveria romper o ciclo. Amor deveria gritar quando o filho não consegue mais pedir socorro.

E junto dessa dor vem outra revolta: que leis são essas que ainda deixam brechas? Que sistema é esse que tantas vezes parece lento, confuso e insuficiente diante de crimes tão cruéis? Quantas vítimas ainda precisam existir até que responsabilidade e omissão tenham o peso real que merecem?

Eu fico sem chão. Confusa. Com o coração apertado.
Porque eu daria de um tudo para ter meu filho junto a mim. Tudo.

E talvez seja exatamente isso que minha alma não consegue entender: como alguém consegue permanecer indiferente diante da dor de um filho… quando existem mães que moveriam o mundo inteiro apenas para ouvir mais uma vez a voz dele.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Ilha Grande: o paraíso que corre o risco de esquecer sua alma

Vamos conversar sobre a Ilha Grande?
Essa fotinho me motivou a escrever... foi tirada em um Carnaval onde, eu grávida de 7 para 8 meses do meu primogênito que hoje teria 45 anos, passei todos os dias em um veleiro pequeno circulando o mar entre Angra e Mangaratiba... 

Lembrei de meus filhos já crescidos indo com amigos para a Ilha ficar em campings os quais os donos já conheciam e chamavam pelo nome todos os adolescentes... nessa época a ilha era tranquila... nativa... com problemas pontuais de lugares pequenos... 

Que tal emplementarmos uma discussão  como já existe em vários lugares do mundo que enfrentam pressão turística sobre territórios tradicionais e ambientalmente frágeis.

 O nome disso pode variar conforme o enfoque:
ordenamento territorial;
plano diretor participativo;
zoneamento ecológico-econômico;
política de preservação cultural;
gestão sustentável do território;
proteção de comunidades tradicionais.

E, no caso da Ilha Grande, muitos especialistas diriam que isso deveria ser ainda mais rigoroso justamente porque a ilha tem três fragilidades simultâneas:
ambiental;
logística;
cultural.

A Ilha Grande não é uma cidade continental comum.
Ela possui limites físicos muito claros:
água;
mata atlântica;
dificuldade de abastecimento;
saneamento limitado;
mobilidade restrita;
dependência de travessias marítimas.
Ou seja: existe um limite real de suporte humano e estrutural.

O que proponho, o que percebo,  inclusive reconhecido por estudos ambientais e urbanos: chama-se muitas vezes “capacidade de carga” do território.

Em outras palavras: quantas pessoas, construções, negócios e turistas um lugar consegue suportar sem colapsar ambientalmente, socialmente e culturalmente?




O que  proponho é : limitar pousadas, controlar construções, organizar comércio, preservar determinadas praias e proteger moradias tradicionais — e sei que seria visto por muitos urbanistas e antropólogos como uma forma de proteção territorial e cultural.
Inclusive, em alguns países e ilhas turísticas existem regras como:
limite de hotéis;
proibição de verticalização;
controle rígido de novas licenças;
preservação de arquitetura tradicional;
restrição à compra especulativa;
prioridade de moradia para residentes históricos;
proteção especial a populações tradicionais.

No caso brasileiro, isso esbarra em vários desafios:
interesses econômicos;
pressão imobiliária;
turismo como fonte de arrecadação;
falta de fiscalização;
conflitos políticos;
desigualdade social;
ausência de planejamento contínuo.

E há outro ponto muito importante a ser considerado: a logística.
A dependência de travessias por:
Angra dos Reis;
Mangaratiba;
Conceição de Jacareí
faz com que saúde, educação, abastecimento, segurança e mobilidade sejam muito mais complexos.

Por isso, políticas públicas para a Ilha Grande precisariam ser específicas — não apenas copiar modelos urbanos do continente.

E talvez o ponto mais importante seja este:
preservar cultura caiçara não significa “congelar” a ilha no passado.
Significa permitir que ela evolua sem perder sua alma.
Porque quando um território tradicional passa a funcionar apenas para atender mercado turístico, ele corre o risco de virar cenário: bonito por fora, mas vazio da vida original que o tornou especial.

E fica aqui a reflexão: o que queremos de verdade deixar para as novas gerações? Um exemplo de RESPEITO: as culturas, ao meio ambiente, aos que construíram a história da ilha, ou o de abandono, desleixo, ganância... oportunismo?

HÁ QUE SE DISCUTIR SEM VIOLÊNCIA... SEM OFENSAS... MAS COM A CONVICÇÃO DE QUE O TEMA É BEM DIFÍCIL EM FACE DESSE ESPÍRITO OPORTUNISTA,GANANCIOSO,DESPREZÍVEL DAQUELES QUE GOVERNAM LICITAMENTE OU PARALELAMENTE!