É muito triste viver num tempo em que precisamos explicar quem é honesto.
Esse juiz é correto. Aquele deputado presta. Esse policial é íntegro. Aquele outro não.
Mas não deveria ser assim.
Honestidade não deveria ser qualidade extraordinária. Deveria ser requisito básico. O mínimo. O esperado.
Quando a corrupção invade as estruturas de um país, ela não rouba apenas dinheiro público. Ela rouba a confiança. Rouba o respeito pelas instituições. Rouba a esperança das pessoas comuns que acordam cedo, trabalham, pagam impostos e tentam ensinar valores aos filhos.
E talvez seja exatamente isso o mais doloroso no Brasil de hoje: a sensação de que precisamos o tempo todo desconfiar de todos.
Desconfiar da política. Desconfiar das leis. Desconfiar de quem julga. Desconfiar de quem deveria proteger.
As pessoas passaram a escolher lados como se ética tivesse partido. Como se caráter dependesse de ideologia. E não depende.
O errado continua errado, mesmo quando é cometido por alguém de quem gostamos. E o certo continua certo, mesmo quando vem de alguém de quem discordamos.
Nenhuma sociedade se sustenta quando a honestidade vira artigo raro e a corrupção passa a ser relativizada conforme a conveniência.
Quem sabe o maior perigo não seja a corrupção em si. Talvez seja o momento em que ela se torna tão comum que deixa de causar indignação.
Porque quando um povo perde a capacidade de se indignar, ele começa, aos poucos, a normalizar aquilo que deveria combater.
E um país que normaliza a corrupção adoece não apenas nas leis… adoece na alma.
Quem sabe o maior perigo não seja apenas a corrupção.
Talvez seja o conformismo diante dela.
O momento em que as pessoas passam a aceitar o absurdo como rotina, a injustiça como paisagem e a desonestidade como algo inevitável.
John F. Kennedy dizia: “O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento.”
E talvez seja exatamente isso que aconteça com uma sociedade que perde a capacidade de se indignar.
Ela deixa de lutar. Deixa de acreditar. Deixa de reagir.
E quando um povo se acostuma com o errado, o errado deixa de se esconder.
Ps. LEIS DA CORRUPÇÃO É UM FILME PROTAGONIZADO POR TOM SELEC QUE VALE A PENA CONFERIR!
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