"Meu texto hoje foi motivado por algumas postagens que vi no Instagram: duas atrizes falando das marcas da vida e uma citava a ansiedade provocada pelo medo de em face ao trabalho não poder acompanhar o crescimento da filha com mais presença; o vídeo da mãe relatando o pedido do filho para jogar bafo mais que ela, por estar na Internet não deu naquele momento a atenção solicitada e, mais tarde, ao ver na mídia uma mãe implorar oração pelo filho pequeno morrendo no hospital, teve um momento de mea culpa; também pensei muito na mãe do Henry Borel... Munique me fez ler sobre Medeia e essa coisa de que muitos não conseguem a classificar como vítima ou algoz."
Às vezes observo algumas mães e me pergunto se elas percebem o tamanho da missão que receberam.
Não falo de perfeição. Nenhuma mãe é perfeita. Falo da presença. Do olhar. Da atenção aos pequenos sinais. Daquilo que não aparece nas fotografias, não rende aplausos e não produz reconhecimento social.
Vivemos uma época que valoriza muito o externo. O sucesso, a carreira, os relacionamentos, as conquistas, a imagem. Tudo isso tem seu valor. Mas me pergunto se, por vezes, não corremos o risco de nos encantar tanto com o que está fora que deixamos de enxergar o que cresce silenciosamente dentro de casa.
Não escrevo isso para julgar. Cada ser humano está em seu próprio estágio de aprendizado. Talvez algumas pessoas ainda estejam vivendo experiências necessárias ao desenvolvimento da própria consciência.
Talvez ainda precisem descobrir que o amor não se mede apenas pelo que se oferece materialmente, mas pela disponibilidade de estar presente.
Dentro da visão espiritual que abraço, acredito que nada acontece por acaso. Nem os filhos chegam por acaso. Talvez eles sejam espíritos que aceitaram compartilhar uma jornada de crescimento mútuo. Talvez algumas almas venham para ensinar e outras para aprender. Talvez, muitas vezes, os papéis se invertam ao longo do caminho.
Há filhos que recebem colo em abundância. Há filhos que aprendem a sobreviver à ausência. Nenhuma dessas experiências é simples. Mas todas carregam possibilidades de evolução.
O que me toca é pensar que a infância passa depressa. O tempo não volta. O olhar que não foi dado, a conversa que não aconteceu, a presença que foi adiada para depois, tudo isso deixa marcas.
Talvez a verdadeira evolução não esteja apenas em conquistar o mundo, mas em perceber quem está sentado à nossa mesa enquanto tentamos conquistá-lo.
Será que estamos tão ocupados construindo uma vida que, às vezes, esquecemos de vivê-la? E o que é o viver para você? ( Essa é uma resposta para você dar a você mesmo, porque ela fatalmente te levará a uma reflexão que só a você cabe).
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