Os últimos dias têm sido densos…
daqueles que pesam mais na alma do que no corpo.
O cansaço chegou devagar, quase sem pedir licença,
e quando percebi, já estava ocupando espaços dentro de mim.
Tenho feito o necessário — o básico da vida —
como quem acende pequenas luzes para não deixar o dia apagar de vez:
preparar a comida, cuidar da casa, colocar uma roupa para lavar...
gestos simples, mas que exigem mais de mim do que antes.
Tenho repousado mais.
Não apenas o corpo… mas o coração também.
As partidas recentes tocaram fundo.
Pessoas queridas que seguiram para o outro lado da vida
deixaram um silêncio diferente no mundo —
e dentro de mim também.
É um tipo de saudade que não faz barulho,
mas ocupa.
Talvez seja o tempo…
talvez seja o acúmulo dos dias, das responsabilidades,
ou essa caminhada muitas vezes solitária de dar conta de tudo.
Mas há algo em mim que permanece firme.
Porque, apesar do cansaço,
apesar das ausências,
apesar dos dias mais pesados…
eu não desisto de viver bem.
E viver bem, agora eu sei,
nem sempre é estar cheia de energia ou rodeada de certezas.
Às vezes, viver bem é simplesmente continuar.
É respeitar o próprio tempo,
acolher o próprio limite,
e ainda assim… escolher seguir.
Com calma.
Com verdade.
Com coragem quieta.