Vamos conversar sobre a Ilha Grande?
Essa fotinho me motivou a escrever... foi tirada em um Carnaval onde, eu grávida de 7 para 8 meses do meu primogênito que hoje teria 45 anos, passei todos os dias em um veleiro pequeno circulando o mar entre Angra e Mangaratiba...
Lembrei de meus filhos já crescidos indo com amigos para a Ilha ficar em campings os quais os donos já conheciam e chamavam pelo nome todos os adolescentes... nessa época a ilha era tranquila... nativa... com problemas pontuais de lugares pequenos...
Que tal emplementarmos uma discussão como já existe em vários lugares do mundo que enfrentam pressão turística sobre territórios tradicionais e ambientalmente frágeis.
O nome disso pode variar conforme o enfoque:
ordenamento territorial;
plano diretor participativo;
zoneamento ecológico-econômico;
política de preservação cultural;
gestão sustentável do território;
proteção de comunidades tradicionais.
E, no caso da Ilha Grande, muitos especialistas diriam que isso deveria ser ainda mais rigoroso justamente porque a ilha tem três fragilidades simultâneas:
ambiental;
logística;
cultural.
A Ilha Grande não é uma cidade continental comum.
Ela possui limites físicos muito claros:
água;
mata atlântica;
dificuldade de abastecimento;
saneamento limitado;
mobilidade restrita;
dependência de travessias marítimas.
Ou seja: existe um limite real de suporte humano e estrutural.
O que proponho, o que percebo, inclusive reconhecido por estudos ambientais e urbanos: chama-se muitas vezes “capacidade de carga” do território.
Em outras palavras: quantas pessoas, construções, negócios e turistas um lugar consegue suportar sem colapsar ambientalmente, socialmente e culturalmente?
O que proponho é : limitar pousadas, controlar construções, organizar comércio, preservar determinadas praias e proteger moradias tradicionais — e sei que seria visto por muitos urbanistas e antropólogos como uma forma de proteção territorial e cultural.
Inclusive, em alguns países e ilhas turísticas existem regras como:
limite de hotéis;
proibição de verticalização;
controle rígido de novas licenças;
preservação de arquitetura tradicional;
restrição à compra especulativa;
prioridade de moradia para residentes históricos;
proteção especial a populações tradicionais.
No caso brasileiro, isso esbarra em vários desafios:
interesses econômicos;
pressão imobiliária;
turismo como fonte de arrecadação;
falta de fiscalização;
conflitos políticos;
desigualdade social;
ausência de planejamento contínuo.
E há outro ponto muito importante a ser considerado: a logística.
A dependência de travessias por:
Angra dos Reis;
Mangaratiba;
Conceição de Jacareí
faz com que saúde, educação, abastecimento, segurança e mobilidade sejam muito mais complexos.
Por isso, políticas públicas para a Ilha Grande precisariam ser específicas — não apenas copiar modelos urbanos do continente.
E talvez o ponto mais importante seja este:
preservar cultura caiçara não significa “congelar” a ilha no passado.
Significa permitir que ela evolua sem perder sua alma.
Porque quando um território tradicional passa a funcionar apenas para atender mercado turístico, ele corre o risco de virar cenário: bonito por fora, mas vazio da vida original que o tornou especial.
E fica aqui a reflexão: o que queremos de verdade deixar para as novas gerações? Um exemplo de RESPEITO: as culturas, ao meio ambiente, aos que construíram a história da ilha, ou o de abandono, desleixo, ganância... oportunismo?
HÁ QUE SE DISCUTIR SEM VIOLÊNCIA... SEM OFENSAS... MAS COM A CONVICÇÃO DE QUE O TEMA É BEM DIFÍCIL EM FACE DESSE ESPÍRITO OPORTUNISTA,GANANCIOSO,DESPREZÍVEL DAQUELES QUE GOVERNAM LICITAMENTE OU PARALELAMENTE!
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