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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Tempos angustiantes...

Hoje eu acordei assim...

Cansada.
Sem ter feito tanta coisa.
Com a cabeça fazendo um barulhinho estranho, como se houvesse um assovio lá dentro... uma tomada permanentemente ligada.

E um aperto no peito.

Não é aquele aperto que eu reconheço como dor física. É outro. É aperto de alma. Daqueles que a gente sente e não consegue explicar direito.

E, por alguma razão, hoje eu me lembrei de uma história antiga...

Quando eu era jovem, eu trabalhava numa empresa chamada Danemman. Minha tia também trabalhava lá e nós costumávamos ir juntas para o trabalho.

Um dia, no caminho, o nosso Fusquinha resolveu nos pregar uma peça: a correia dentada arrebentou.

Apareceu um motorista de táxi que, com aquela boa vontade que a gente encontrava mais facilmente antigamente, nos ajudou a trocar a correia.

Antes de irmos embora, ele nos aconselhou:

— Vão direto comprar outra. É melhor não arriscar.

Minha tia, então, soltou uma daquelas frases que ficam guardadas na memória:

— Ah... um raio não cai duas vezes na mesma árvore.

Pois é...

Na volta para casa, adivinhem?

A correia arrebentou novamente.

E lá fomos nós chamar reboque, resolver o problema e aceitar que, às vezes, aquilo que a gente acredita que não vai acontecer de novo... acontece.

Hoje, por algum motivo, essa história não sai da minha cabeça.

Talvez porque eu esteja olhando para o que acontece ao nosso redor e pensando justamente nisso:

quantas vezes precisamos ver a mesma coisa acontecer para entender que não se trata mais de acaso?

Vivemos dias de muita tensão.

Violência demais.
Medo demais.
Ódio demais.
Gente cansada de pedir segurança.
Gente cansada de assistir à vida sendo interrompida pela violência.

E, no meio disso tudo, uma campanha eleitoral chegando ao fim, com os ânimos cada vez mais acirrados.

Eu não sei se a minha angústia de hoje vem disso.

Talvez venha.

Talvez seja apenas cansaço.

Talvez seja a soma de tantas coisas que a gente vai acumulando pelo caminho e que, em algum momento, fazem barulho dentro da gente.

Mas uma coisa eu sei:

não quero me acostumar.

Não quero achar normal aquilo que não deveria ser normal.

Não quero que a violência vire paisagem.

Não quero que o medo vire rotina.

E também não quero viver alimentando ódio.

Quero continuar acreditando que podemos pensar diferente sem deixar de ser humanos. Que podemos defender nossas ideias sem desejar o mal de quem pensa diferente. E que podemos cobrar segurança, justiça e responsabilidade sem transformar ninguém em inimigo.

Hoje eu estou cansada.

Hoje minha alma está apertada.

Hoje minha cabeça parece uma tomada ligada...

E talvez eu nem precise descobrir exatamente o porquê.

Talvez bastasse reconhecer que, às vezes, até quem é forte também fica exausta.

Mas a história da correia dentada me deixou uma pergunta:

será que um raio realmente não cai duas vezes na mesma árvore... ou será que, às vezes, a gente simplesmente precisa parar de acreditar que a próxima vez não vai acontecer?

Que Deus nos dê lucidez para enxergar.

Coragem para agir.

E serenidade para não perdermos aquilo que nenhuma circunstância deveria nos tirar:

a nossa humanidade.

Um dia de cada vez...

Cada dia um pouquinho...

Até que a gente consiga respirar novamente.