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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Uma escolha só pode ser eterna se te faz bem...

Todo mundo tem direito de ter opinião.

Todo mundo deveria, inclusive, aprender a escolher um lado do muro... saber por que escolheu, conhecer aquilo que esse lado representa e, principalmente, ter consciência de que toda escolha traz consequências. Algumas boas... outras nem tanto.

E assumir as consequências das nossas escolhas faz parte da maturidade.

Mas escolher um lado não significa ficar engessado nele para sempre. Não significa fechar os olhos, tapar os ouvidos e se tornar incapaz de questionar aquilo que está diante dos nossos olhos.

Porque mudar de opinião não é, necessariamente, falta de convicção.

Às vezes, é justamente o contrário.

É preciso muita coragem para olhar para uma escolha que fizemos, reconhecer que alguma coisa não está certa e dizer: “Eu me enganei.”

É preciso humildade para admitir que aquilo que um dia pareceu correto talvez já não seja mais compatível com aquilo que acreditamos.

E é aí que entra a consciência...

Não aquela consciência que a gente apresenta para os outros. Não aquela fé que a gente anuncia aos quatro ventos, mas que desaparece quando nossos interesses são contrariados.

Falo daquela consciência silenciosa... aquela que mora dentro da gente e que, quando estamos sozinhos, não permite que a mentira seja confortável.

Se acreditamos verdadeiramente em Deus, na justiça, na honestidade, na espiritualidade, no amor ao próximo... precisamos permitir que esses valores sejam também instrumentos para avaliar nossas escolhas.

Porque não adianta falar de Deus e defender aquilo que sabemos ser injusto.

Não adianta falar de honestidade enquanto fechamos os olhos para a desonestidade quando ela favorece o nosso lado.

Não adianta falar em justiça quando só consideramos justa a decisão que beneficia aquilo que defendemos.

E não adianta dizer que somos pessoas de fé se a nossa fé só serve para justificar aquilo que queremos acreditar.

Fé também é coragem para enxergar.

É coragem para reconhecer.

É coragem para corrigir.

Por isso, se um dia você perceber que o lado do muro que escolheu não está mais de acordo com aquilo que sua consciência, sua fé e seus princípios lhe dizem ser correto... não tenha vergonha de mudar.

Descer do muro não é fracasso.

Atravessá-lo não é fraqueza.

Mudar a direção não é falta de inteligência.

Às vezes, é justamente a maior demonstração de inteligência emocional, de caráter e de maturidade que uma pessoa pode oferecer.

Porque permanecer no erro apenas para não dar o braço a torcer é uma das formas mais tristes de escravidão.

A pessoa deixa de defender aquilo em que acredita e passa a defender apenas a própria escolha.

E são coisas muito diferentes.

Eu posso ter escolhido um caminho ontem e perceber hoje que preciso tomar outro.

Posso ter admirado alguém e, diante de novas atitudes, deixar de admirar.

Posso ter acreditado em uma ideia e, depois de enxergar suas consequências, reconsiderá-la.

Isso não me diminui.

Isso me humaniza.

O problema não está em errar na escolha.

O problema está em enxergar o erro e, mesmo assim, continuar caminhando por ele apenas porque admitir a mudança machuca o nosso orgulho.

Talvez seja por isso que algumas pessoas prefiram permanecer do lado errado do muro...

Não porque não enxerguem.

Mas porque enxergar exigiria delas uma coragem que ainda não encontraram.

E talvez a maior liberdade que alguém possa conquistar seja justamente essa:

a liberdade de não ser prisioneiro das próprias escolhas.

Porque princípios não são partidos.

Princípios não têm lado.

Princípios não precisam de torcida.

Ou são princípios... ou não são.

No final das contas, cada um de nós terá que responder não apenas pelo lado do muro que escolheu, mas pelo que fez enquanto esteve ali.

E quando chegar a hora de olhar para trás, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Eu estava do lado certo?”

Talvez seja:

“Quando percebi que estava errado, tive coragem de mudar?”

Porque reconhecer o próprio erro não apaga o caminho percorrido...

Mas pode impedir que continuemos caminhando na direção errada.

E isso também é evolução.

Também é fé.

Também é reforma íntima.

Também é Deus nos ensinando, através da nossa própria consciência, que ninguém precisa permanecer para sempre onde um dia escolheu estar.

A vida é movimento...

E quem realmente busca a verdade precisa estar disposto a caminhar com ela, mesmo quando ela nos obriga a mudar de direção.