Hoje, em meio a quatro dias de dor, exausta, com a voz até mais fraca de tanto cansaço, fiz uma oração pedindo a Deus que me ajudasse a compreender algumas coisas...
E uma palavra ficou latejando na minha cabeça: inveja.
Não sei exatamente por quê.
Talvez porque, em alguns momentos da vida, a gente perceba que nem todo mundo está preparado para assistir à felicidade do outro.
E isso é curioso...
Porque inveja nem sempre chega vestida de maldade. Às vezes ela vem disfarçada de brincadeira, de ironia, de indiferença, de um comentário aparentemente inocente... às vezes vem até acompanhada de um sorriso.
E ela pode estar em qualquer lugar.
Na família, nas amizades, no trabalho, nos relacionamentos mais próximos ou mais distantes...
Mas existe uma coisa que eu aprendi: a felicidade de alguém não diminui a felicidade de ninguém.
Tudo aquilo que conquistamos ao longo da vida teve um preço.
Horas de trabalho, noites maldormidas, escolhas difíceis, organização financeira, renúncias...
Nada veio de graça.
E hoje, como tantas famílias brasileiras, também precisamos fazer escolhas. Diminuímos gastos, abrimos mão de algumas coisas, trocamos planos, reduzimos encontros... até o plano de saúde precisou ser revisto.
Estamos precisando trocar um carro velho, que já começa a representar um risco.
A vida não está fácil.
Mas, apesar de tudo isso, estamos vivendo uma fase bonita.
Meu filho, minha nora e meus netos conseguiram sair de um lugar que não era deles e foram morar em um imóvel próprio.
Um imóvel que estava praticamente destruído e que precisou de muito trabalho para se transformar novamente em um lar.
Meu marido comprou.
Meu filho colocou a mão na massa.
Outros trabalhadores ajudaram.
E, aos poucos, aquilo que era apenas um imóvel passou a ter cara de casa... de família... de conquista.
E eu me alegro.
Muito.
Não porque tenhamos ficado ricos.
Não porque nossa vida tenha se tornado perfeita.
Mas porque, no meio de tantas dificuldades, uma família conseguiu dar um passo adiante.
E talvez seja justamente aí que esteja a questão...
Nem sempre as pessoas conseguem olhar para a felicidade do outro sem compará-la com a própria vida.
Nem sempre conseguem simplesmente dizer:
"Que bom! Fico feliz por vocês."
Às vezes precisam diminuir a conquista.
Questionar.
Ironizar.
Encontrar um defeito.
Disfarçar o incômodo.
Talvez porque a conquista do outro acabe mostrando aquilo que elas próprias ainda não conseguiram alcançar.
Mas eu não quero viver olhando para os lados para descobrir quem está feliz com a minha felicidade e quem não está.
Também não quero esconder minhas alegrias para que ninguém se sinta incomodado.
Quero apenas aprender a protegê-las.
Não com arrogância.
Não com ostentação.
Não com confronto.
Mas com discrição, maturidade e fé.
Porque existe uma diferença enorme entre não provocar a inveja e ter medo dela.
Eu não quero provocar ninguém.
Mas também não quero ter medo de ser feliz.
E talvez seja essa a grande lição...
A negatividade alheia pode nos afetar, pode nos entristecer, pode nos fazer questionar pessoas e relações.
Mas não podemos entregar a ninguém o poder de determinar o tamanho da nossa alegria.
Se Deus nos permitir florescer depois de tantos temporais, não devemos esconder as flores.
Devemos apenas aprender onde colocá-las...
E nas mãos de quem vale a pena entregá-las.
Porque, no fim, talvez a melhor resposta para qualquer olhar atravessado seja continuar vivendo...
Sem ostentar.
Sem provocar.
Sem explicar demais.
Sem diminuir nossas conquistas.
E, principalmente...
sem deixar de agradecer.
A felicidade também é uma forma de resistência.
E quando ela nasce depois de muita luta...
ela merece ser vivida. ❤️