domingo, 5 de junho de 2016

Dom Orani se reúne com mães de jovens vítimas da violência no Rio...

No dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Cardeal Orani João Tempesta, acolheu no Edifício João Paulo II, mães que perderam seus filhos vítimas da violência urbana da cidade do Rio de Janeiro.

O encontrou contou também com a presença dos responsáveis pela Assistência Religiosa aos Adolescentes Privados de Liberdade na Arquidiocese do Rio, padre Gilvan André da Silva e o diácono Roberto dos Santos, e promotora pública e coordenadora da Tutela Coletiva Infracional do Estado do Rio de Janeiro, Janaína Pagan.   


As mães pediram o encontro com Dom Orani na certeza de ouvirem uma palavra de conforto e com o desejo de falar sobre a impunidade e a ausência do Estado, que potencializam o aumento da dor de quem, assim como Maria viu seu filho ser crucificado, perdeu a guerra para a violência.

Mãe do policial civil Eduardo da Silva Oliveira, de 25 anos, assassinado por um colega em 2012, Rosemar Vieira da Silva participou do encontro e ainda hoje luta por justiça. O assassinato do Eduardo me causou outra morte. Eu morri naquele dia 19 de abril de 2012”, disse emocionada. 

Já o filho de Maria de Fátima foi executado por policiais na comunidade Rocinha, Zona Sul do Rio. O meu celular tocou e era um amigo da família que minha filha havia pedido para me ligar informando. Ele disse: “Fatinha, a Mirelle pediu pra eu te ligar e mandou te dizer que a polícia acabou de matar o Hugo””, contou Maria de Fátima aos prantos.  

O Ano Santo da Misericórdia foi lembrado no encontro com maior ênfase sobre a importância do perdão. Filho único de Jane Albuquerque, o lutador Marco Jara foi morto por um adolescente durante um assalto. A mãe da vítima conseguiu perdoar o assassino. Eu segurei nas mãos dele e, de joelhos, olhei nos olhos dele e perdoei. O ódio mata e o perdão me salvou”, afirmou Jane.

Dentre as diversas solicitações feitas pelas mães a Dom Orani, destacaram-se o pedido de ajuda para que a Igreja auxilie no acompanhamento dos processos, na busca por justiça, no cuidado com a saúde psicológica e física das mães e no auxílio de recursos básicos para a sobrevivência, muitas vezes omitidos pelo Estado.  


Cartilha do Luto


Formado por mães que perderam seus filhos, o “Instituto Mães SemNome” vai lançar no dia 08 de junho, às 11h, na Fundação Getúlio Vargas, a “Cartilha Jurídica do Luto: orientações práticas e jurídicas aos familiares”, que aborda os desdobramentos de um episódio de morte. (Veja no menu ao lado o link para o evento)

"A importância de elaborar a cartilha está no fato de que, mesmo sendo um tema árido e desestabilizante, é absolutamente necessário estarmos bem informados para tomarmos decisões”, disse a presidente do instituto, Márcia Noleto.

Para a difícil tarefa, o Instituto Mães SemNome contou com a Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas (FGV Direito Rio), especificamente com um grupo de alunos de graduação da FGV Direito Rio, orientados pela advogada Ana Paula Sciammarella, supervisora da Clínica LAJES (Laboratório de Assistência Jurídica a Organizações Sociais).

Na ocasião, haverá um debate sobre políticas públicas para o luto, com a presença de Andrea Sepúlveda, defensora pública e subsecretária de Defesa e Promoção de Direitos Humanos; José Muiños Piñeiro, desembargador do Tribunal de Justiça do RJ e colaborador da revisão jurídica da cartilha; e Valéria Velasco, presidente do Comitê Nacional de Vítimas de Violência. A mediação será de André Mendes, coordenador do Núcleo de Prática Jurídica da FGV.

A partir do dia 08, a cartilha poderá será compartilhada online, por meio do website do Instituto Mães SemNome (www.maessemnome.com.br) e da Biblioteca Digital da Fundação Getúlio Vargas (http://bibliotecadigital.fgv.br).

Fonte: ArqRio

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Quando se tem dentro do peito a sensação de que está fazendo a sua parte...


Hoje, durante uma conversa no grupo do G.A.M.E, no WhatsApp, resolvi encorajar o meu amigo Elder Alberto Maceira a falar sobre o luto dele e  que influência tinha um grupo de ajuda neste processo... A resposta veio através de um depoimento por vídeo no Facebook.


A minha emoção foi imensa... Chorei por um bom tempo... A cada frase dita com uma dificuldade que só quem passa por isso entende, eu me conscientizava que estou no caminho certo! Tive a certeza que juntos somos muito fortes!

O Elder é marido da Cassia, eles são de São Paulo e perderam a anja deles em um acidente durante o posicionamento dela em um selfie macabro. A Clarinha pensou em fingir estar se enforcando e tirar um selfie... Desequilibrou do banco e acabou caindo e fraturando o pescoço. Uma tragédia!!!!!!

Este casal é especial... Eles juntos compõem uma família de 07 filhos... Bem assim: os meus... os seus... e os nossos! Ops! Esses nossos são 03 crianças adotadas... 03 irmãos filhos de uma família destruída pelo crack!

Conversei com a Cássia pela primeira vez de madrugada, pelo Facebook. Eu estava dormindo e sonhei com meu Bruno me pedindo para acordar e entrar no face... Acordei e encafifada com o sonho, resolvi ligar o notebook e entrar no Facebook... De cara apareceu uma página que sigo sobre mães que perderam seus filhos tragicamente... Lá, a Cassia postava uma dor desmedida... Uma sugestão de que iria se matar... Senti uma vontade imensa de colocá-la no colo e dizer: pode chorar comigo, eu conheço a sua dor! Daquele dia em diante, nunca mais deixamos de nos falar... Até que ela chegou via internet, no G.A.M.E.




No feriado de São Jorge, eles vieram ao Rio e foram a Mangaratiba me ver! Foi uma felicidade sem tamanho!

Hoje, se eu tivesse que escrever sobre GRATIDÃO, eu escreveria: "Senhor, mesmo diante desta dor dilacerante que me consome todos os dias, eu lhe agradeço pela oportunidade de estar fazendo parte disto"!

Que muitos pais se sintam encorajados a fazer o mesmo! E que o mundo entenda de uma vez por todas: perder um filho é romper com toda lei de coerência da vida e que sentir esta dor independe de gênero... Nesta dor, somos todos iguais! Nesta dor, Somos Todos Um!

E para finalizar, deixo uma música para reforçar a idéia de que sempre que precisarem, EU ESTAREI AQUI!


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Encerrando o dia... Faça uma oração no seu credo... Deus te ama e ouve em Sua infinita misericórdia...


Uma grande cantora alemã de origem russa chamada Helene Fischer gravou uma versão da Ave Maria de Schubert, onde a oração - que já era um libelo de esperança - se torna um bálsamo para corações tão cansados...




Ave Maria, Cheia de Graça!
Ave, mães e pais, tão amados por Deus!

Deus, meu Pai, meu mestre, eu Te agradeço pela oportunidade de estar viva e pela fé que me sustenta! E embora, por vezes, os teus desígnios possam me atordoar, eu jamais deixarei de crer em Tua palavra! 

Sei, ó Pai, que em Sua infinita sabedoria, Estás a preparar um exército de mulheres fortes e crentes em Teu Evangelho, para ajudar na regeneração deste mundo tão cruel e egoísta! 

Que eu possa ser exercício da Tua Palavra e assim ajudar a cada irmão e irmã em dor a passar por esta estrada tão difícil em que nos encontramos!

E mesmo diante da incredulidade de alguns, eu Lhe dou graças pela oportunidade que me Ofereces. 

Amém!

A publicação é grande, mas muito menor do que o meu amor por ele... Vocês entenderão!


Parte desta publicação é um texto tirado da internet do site "O PENSADOR", que diz ser o texto de autor desconhecido.


"Nossa vida é:
como uma viagem de trem, cheia de embarques e
desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de
surpresas agradáveis com alguns embarques e de
tristezas com os desembarques...

Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem,
encontramos duas pessoas que, acreditamos, farão
conosco a viagem até o fim: Nossos pais. 

Não é verdade?

Infelizmente, em alguma estação eles
desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos,
proteção, amor e afeto.

Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. 
Outros fazem a viagem experimentando somente tristezas.
E no trem há, também, pessoas que passam de vagão a vagão,
prontas para ajudar a quem precisa. 

Muitos descem e deixam saudades eternas.

Outros tantos viajam no trem de tal forma que, 

quando desocupam seus assentos, 
ninguém sequer percebe.
Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros,

acomodam-se em vagões diferentes do nosso. 
Isso obriga a fazer essa viagem separados deles.
Mas claro que isso não nos impede de, com grande dificuldade,

atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. 
O difícil é aceitarmos que não podemos nos assentar ao seu lado, 

pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.

Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, 

fantasias, esperas, embarques e desembarques. 
Sabemos que esse trem jamais volta. 
Façamos, então, essa viagem, da melhor maneira possível, 

tentando manter um bom relacionamento com todos os passageiros,
procurando em cada um deles o que tem de melhor,
lembrando sempre que, em algum momento do trajeto, 
poderão fraquejar e, provavelmente, 
precisaremos entender isso.

Nós mesmos fraquejamos algumas vezes.
E, certamente, alguém nos entenderá. 
O grande mistério, afinal, é que não sabemos em qual parada desceremos.

E fico pensando: 
quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim. 

Deixar meu filho viajando nele sozinho será muito triste. 
Separar-me de alguns amigos que nele fiz, 

do amor da minha vida, 
será para mim dolorido. 

Mas me agarro na esperança de que, 
em algum momento, estarei na estação principal, 
e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, 
que não tinham quando desembarcaram.

E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, 

posso ter colaborado para que ela tenha crescido 
e se tornado valiosa.
Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade

para que embarquem e desembarquem pessoas. 
Minha expectativa aumenta, 
à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... 
Quem entrará? Quem saíra?

Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, 

não só como a representação da morte, mas, também, 
como o término de uma história, 
de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, 
por um motivo íntimo, deixaram desmoronar.

Fico feliz em perceber que certas pessoas, como nós, 

têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. 
Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver,
é tirar o melhor de "todos os passageiros". 
Agradeço a Deus por você fazer parte da minha viagem, 
e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, 
com certeza, o vagão é o mesmo".

* * *
Bem, como disse no início desta publicação, este texto infelizmente não foi escrito por mim e considera-se de autor desconhecido. Eu acredito, no entanto, que ele me apareceu para que eu pudesse finalmente elucidar a mensagem de despedida deixada por meu filho, em uma rede social, mesmo que  involuntariamente. Neste trem, estamos todos: pais, irmãos, familiares e amigos , das vítimas dessa desenfreada violência. Estamos unidos por estes sentimentos de dor, impotência, saudade e de muitos por quês?E o Bruno, em uma de suas ultimas postagens no Facebook escreveu: "Liberte-se... Um dia de cada vez... Até o reencontro!E eu que acredito em reencarnação, em preparação dos espíritos encarnados para o desencarne, principalmente em face a sua evolução espiritual, penso que meu filho se despediu querendo passar a seguinte mensagem:"Liberte-se: do medo... das formalidades... das imposições da vida cotidiana... das convenções...Viva harmonicamente um dia de cada vez, olhando sempre para o próximo com o mesmo amor que olha para os seus... Seja GRATO!!!! Porque a vida é uma grande oportunidade de aprendizado, não desperdice-a! Confie em Deus e nos espíritos de Luz, porque mesmo quando tudo parecer errado... Desgraçadamente cruel, DEUS tem um porquê e esse porquê nunca é ruim...Até o reencontro... Porque de alguma forma, em algum dia, nos encontraremos naquela mesma estação!"



Conflito de emoções


Antigamente, eu costumava ansiar pelo mês de junho... O mês que me trouxe antecipadamente um bebê lindo, rosado, gordinho, mesmo tendo nascido de 8 meses. E ainda sou grata pelo nascimento do Lourencinho.       

                                                                                                                                       





Mas, infelizmente, o mês e junho também ficará marcado em minha vida como o mês que levou embora meu primogênito, meu filho amado, companheiro, meu Bruno Olivieri, o Bolinha!

Será o mês que me lembrará que não devemos confiar em todo mundo... O mês que me lembrará que nem todo mundo que se diz amigo o é! O mês que me ratificou a conclusão de que nesta vida, tudo tem um preço! 

21/06 - 01 ano sem o Bruno... 01 ano desacreditando na humanidade!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Cliquem na frase abaixo... Ela não está mais encarnada...mas nos deixou um legado!




É difícil, mas não impossível... Continuar é uma questão de amor ao filho entregue de volta ao Pai...

Sempre reforçamos a ideia, de que o amor entre pais e filhos é incondicional... Mas, será que sabemos mesmo o que é amor incondicional?

incondicional
         adjetivo de dois gêneros
1que não depende de, não está sujeito a qualquer tipo de condição, restrição ou limitação; incondicionado; "rendição i."
2fisl psic m.q. INCONDICIONADO.


Se entendermos o sentido da palavra incondicional e se reforçarmos nossa fé em um Deus de Amor e Misericórdia, entenderemos que o amor dos pais pelos filhos não se limita à vida encarnada... Não se restringe quando a separação física nos chega...

Se é INCONDICIONAL, é ETERNO!

EU SIGO AMANDO MEU FILHO BRUNO NICOLAU MARALHAS OLIVIERI. 


A importância de interagirmos...





Minhas amigas e meus amigos, irmãos na dor... Somos todos fruto da misericórdia de Deus! Ele nos ama, mesmo quando nossa tão pueril ignorância nos faz querer acreditar que não. Eu creio piamente nisso! Penso que religião é o nome que escolhemos para dar aos diversos idiomas com que o Grande Senhor conversa conosco. 

E até me atrevo a dizer que alguns destes idiomas são mais difíceis de serem articulados por conta do conhecimento das leis Divinas a serem seguidas. Aqueles que mesmo conhecendo a Lei e suas sanções resolve transgredi-las, sabe o preço a pagar... Eu conheço a Lei e creio nela! Me entristeci com o homem... Me revoltei com as atitudes mas, NUNCA, nunca mesmo me virei contra Deus! 

Hoje, vou aos poucos buscando minha coerência (se é que um dia uma mãe enlutada conseguirá isso), lutando com meus altos e baixos. Ter o compromisso de escrever para vocês... De ajudar a vocês, mostrando que somos todos iguais nesse sofrimento desgraçado, me estimula a continuar... E meu Bruno me incentivou a esse trabalho em uma das psicografias.

Preciso que mães e pais enlutados conversem comigo por aqui... Que me falem de suas dúvidas... De suas angustias... Comentem os tópicos... Nossa união e interação nos faz muito fortes!

AMO VOCÊS!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Filho... Pensando em você!






As músicas me consolam... Ouço-as como quem faz uma oração! Fico em êxtase e por uns momentos é como se estivéssemos juntos. Assim, desse jeitinho, vou me reinventando, um dia de cada vez, entre quedas e levantes, mas sempre crendo que um dia nos reencontraremos!


Como se fossem nossos anjos mandando um recado para nós!


Sobre a Dor e sobre os Filhos, por Khalil Gibran

O poeta libanês Khalil Gibran deixou uma vasta obra na qual se destaca a prosa poética... Uma das obras é o livro "O Profeta", seu livro mais conhecido, onde são descritos ensinamentos que podemos levar pela vida inteira... Boa leitura!

* * *

"[...] Uma mulher falou e disse: 

- "Fala-nos da Dor". 

E ele respondeu:  

- "A vossa dor é o quebrar da concha que envolve a vossa compreensão. Assim como o caroço da fruta tem de fender-se para que o seu coração fique exposto ao sol, também vós deveis conhecer a dor. 

E se conseguísseis maravilhar-vos com os milagres diários da vossa vida, a vossa dor não vos pareceria menos intensa do que a vossa alegria. 

E aceitaríeis as estações do vosso coração, tal como haveis aceite as estações que passam sobre o vossos campos. 

E passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas. 

Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção amarga com a qual o médico dentro de vós cura o vosso interior doente. 

Por isso confiai no médico e bebei o seu remédio em silêncio e tranquilidade, pois a sua mão, embora dura e pesada, é guiada pela mão terna do Invisível.

E o cálice que ele vos dá, embora possa queimar os vossos lábios, foi feito com o gesso que o Oleiro umedeceu com as Suas lágrimas sagradas [...]

[...] Depois, uma mulher que trazia uma criança ao colo disse:

- "Fala-nos dos Filhos".

E ele respondeu:

- "Os vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da Vida que anseia por si mesma.

Eles vêm através de vós mas não de vós. E embora estejam convosco não vos pertencem.

Podeis dar-lhes o vosso amor mas não os vossos pensamentos, pois eles têm os seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar os seus corpos mas não as suas almas, pois as suas almas vivem na casa do amanhã, que vós não podereis visitar, nem em sonhos.

Podereis tentar ser como eles, mas não tenteis torná-los como vós, pois a vida não anda para trás nem se detém no ontem.

Vós sois os arcos de onde os vossos filhos, quais flechas vivas, serão lançados.

O Arqueiro vê o sinal no caminho do infinito e Ele com o Seu poder faz com que as Suas flechas partam rápidas e cheguem longe.

Que a vossa inflexão na mão do Arqueiro seja para a alegria, pois assim como Ele ama a flecha que voa,

Ama também o arco que permanece estável [...]".