terça-feira, 31 de março de 2026

A mulher que me tornei...

A mulher que um dia eu fui começou frágil.
Não frágil de delicadeza — mas de medo.
Medo de perder, de desagradar, de não sustentar o amor que acreditava ser tudo.
Vivi por muito tempo tentando caber, tentando manter, tentando segurar o mundo com mãos trêmulas.

Até que, em algum momento, algo dentro de mim despertou.
Descobri uma força que eu não sabia que existia.
Lutei, me posicionei, acreditei — não só por mim, mas também por quem eu amava.

Ali nasceu uma mulher firme. Decidida.
Uma mulher que aprendeu a dizer “não” sem culpa e “sim” com doçura.

Mas a vida… a vida também me atravessou.
E o luto me quebrou.
Não foi uma fragilidade de início — foi ruptura.
Fui uma mulher partida, tentando juntar pedaços que já não encaixavam como antes.
Por muito tempo, me senti apagada… como se existisse apenas em silêncio.

Foram anos.
Anos de tentativa, de dor, de reconstrução.
Anos de psicoterapia, de fé, de busca.
E, pouco a pouco, fui me reencontrando.

Hoje, a mulher que eu sou não é a mesma — e nem poderia ser.
Sou calma. Sou consciente.
Aprendi que família não é prisão — é convivência com respeito, com espaço, com amor leve.

Aprendi, sobretudo, a habitar a mim mesma.
Existe em mim uma paz que não é ausência de dor,
mas presença de entendimento.

E talvez essa seja a maior transformação:
eu não precisei voltar a ser quem eu era —
eu precisei me tornar quem eu sou.


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