quarta-feira, 19 de agosto de 2026

EM QUE MOMENTO NÓS NOS PERDEMOS?


Em que momento nós nos perdemos?

Há imagens que a gente assiste e gostaria de poder esquecer.

Mas algumas imagens não deveriam ser esquecidas.

Um pai caminhando tranquilamente com a filha pequena, aparentemente a caminho da escola. Uma criança ao seu lado, seguindo a rotina de qualquer manhã. Até que um carro se aproxima e, segundo o que mostram as imagens, homens atiram contra ele sem demonstrar qualquer preocupação com a presença daquela criança.

O motivo que levou à execução não é o que quero discutir aqui.

Porque existe algo ainda mais assustador do que tentar compreender por que alguém decidiu matar outro ser humano: é perceber que, naquele momento, aparentemente não houve sequer a preocupação de poupar uma criança do horror.

E isso me faz pensar que alguma coisa muito profunda se rompeu.

Durante muito tempo, mesmo no universo brutal da criminalidade, existiam limites que pareciam ser reconhecidos. Crianças, idosos, famílias... havia, ou pelo menos se imaginava haver, determinados códigos que não deveriam ser ultrapassados.

Hoje, até isso parece estar desaparecendo.

A vida humana está sendo banalizada.

A morte virou uma cena cotidiana. Um corpo no chão, tiros disparados em plena rua, pessoas correndo, alguém filmando, alguém comentando nas redes sociais... e, pouco depois, seguimos para o próximo assunto.

Como se a vida tivesse perdido o seu valor.

Como se matar fosse apenas mais um acontecimento.

E o que mais me assusta é que não estamos falando apenas de criminosos cada vez mais violentos. Estamos falando de uma sociedade que está sendo obrigada a conviver diariamente com o medo, com a insegurança e com a sensação de que ninguém está realmente protegido.

Hoje é um pai levando a filha para a escola.

Amanhã pode ser alguém indo trabalhar.

Uma mãe voltando para casa.

Um idoso atravessando a rua.

Uma criança brincando na calçada.

Quem será o próximo?

E não estou falando de uma cidade específica. O problema ultrapassou fronteiras. É um sentimento que alcança diferentes lugares deste país.

E nós vamos ficando cansados.

Cansados de assistir.

Cansados de sentir medo.

Cansados de ouvir histórias de pessoas assassinadas, assaltadas, sequestradas, vítimas de uma violência que parece não encontrar mais freios.

Cansados de precisar calcular caminhos, horários, lugares e riscos.

Cansados de tentar proteger quem amamos.

E talvez o mais perverso de tudo seja isso: a violência não mata apenas pessoas. Ela vai matando, aos poucos, a nossa sensação de liberdade.

A gente começa a ter medo de sair.

Medo de voltar.

Medo de estar no lugar errado, na hora errada.

Medo por nossos filhos, nossos netos, nossos pais.

E como continuar vivendo assim sem adoecer por dentro?

Como não sentir angústia diante de um mundo em que uma criança pode presenciar o assassinato do próprio pai simplesmente porque estava caminhando ao lado dele?

Eu me pergunto, sinceramente:

Em que momento nós nos perdemos enquanto humanidade?

Em que momento a vida passou a valer tão pouco?

Em que momento a crueldade deixou de chocar?

Em que momento uma criança deixou de ser um limite?

E, principalmente, até onde nós vamos?

Eu não tenho uma resposta.

Mas ainda quero acreditar que existe salvação.

Porque, se eu deixar de acreditar nisso, então a violência terá conseguido levar mais do que vidas. Terá levado também a nossa esperança.

Talvez a salvação comece justamente quando a gente se recusa a considerar o absurdo normal.

Quando uma morte ainda nos revolta.

Quando uma criança ainda nos faz parar e pensar.

Quando nos recusamos a dizer simplesmente: “É assim mesmo.”

Não. Não deveria ser assim.

Uma sociedade que perde a capacidade de se indignar diante da morte já começou a morrer também.

Por isso, diante dessas imagens, eu não quero apenas sentir medo.

Quero fazer a pergunta que talvez todos nós precisemos fazer:

Que país estamos deixando para nossas crianças?

E, se ainda houver salvação — e eu quero acreditar que há —, talvez ela comece quando decidirmos que a vida humana precisa voltar a ter valor.

Toda vida.

Sem exceção.

Porque quando uma criança deixa de ser um limite para a violência, não é apenas aquela família que está em perigo.

Somos todos nós.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Dor e cansaço...

Só um instantinho

Há dias em que a vida parece ficar sem inspiração.

Não porque tenham acabado as histórias, os sentimentos ou as palavras. Mas porque o corpo cansa. E quando o corpo cansa demais, até a alma parece pedir silêncio.

Ultimamente tenho me sentido assim.

As dores da artrite, da fibromialgia, esse cansaço que parece não ter fim… há momentos em que chega a ser cruel. E, ainda assim, a gente levanta, segue, conversa, sorri, responde às pessoas e tenta manter as aparências.

Porque, de alguma maneira, aprendemos que não podemos reclamar demais.

A dor incomoda.
O cansaço incomoda.
A tristeza incomoda.

E ninguém quer ser aquela pessoa que está sempre dizendo que não está bem.

Então a gente disfarça.

Reclama um pouquinho, só para não parecer que está tudo bem… mas não reclama demais, porque também não quer pesar na vida de ninguém.

Só que existe um preço para esse silêncio.

Esse cansaço tem roubado minhas horas de sono. E, junto com elas, tem levado um pouco da minha inspiração.

Eu, que tantas vezes acordei querendo escrever, querendo colocar palavras no mundo, querendo compartilhar alguma coisa logo pela manhã, tenho encontrado dias em que simplesmente não tenho forças.

E talvez eu precise aceitar isso.

Aceitar que existem fases em que a gente não produz, não cria, não floresce.

Apenas atravessa.

Mas eu também sei que a vida é feita de ciclos. E aquilo que hoje parece interminável, amanhã será apenas uma lembrança de um período difícil.

Eu vou voltar.

Vai voltar a vontade de escrever pela manhã.
Vai voltar a alegria de encontrar uma palavra e transformá-la em sentimento.
Vai voltar aquela mulher que acorda querendo conversar com o mundo através das palavras.

Por enquanto, talvez eu só precise me permitir existir assim: cansada, dolorida, menos inspirada… mas ainda aqui.

E me lembro de uma frase que li em uma carta psicografada, atribuída a um espírito que dizia à sua mãezinha:

“Isso é só um instante. É só um instantinho.”

É nisso que eu quero acreditar hoje.

Porque a dor pode ser grande.
O cansaço pode ser cruel.
Mas nenhum instante é eterno.

E esse também vai passar.

Depois, eu volto a escrever.

E, quem sabe, descubro que até esse silêncio tinha alguma coisa para me ensinar.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A política "do faça o que eu digo"...


Eu gosto da democracia.

Gosto da ideia de que um país possa ter esquerda, direita, centro, extremos, moderados, conservadores, progressistas e até aqueles que mudam de opinião no meio do caminho.

O que eu não gosto é de viver em um país onde parece que, para alguns, democracia só é bonita quando o outro concorda.

E talvez seja aí que esteja uma das nossas maiores doenças políticas: a incoerência.

Houve um tempo em que o Brasil tinha apenas dois partidos oficiais: ARENA e MDB. Depois veio a abertura, o pluripartidarismo, e os partidos começaram a se multiplicar. Multiplicaram-se tanto que, às vezes, tenho a impressão de que fizeram como coelho: ninguém sabe mais exatamente de onde veio cada um, mas continuam aparecendo.

O problema não é existirem muitos partidos.

O problema é quando existem muitos partidos e poucas convicções.

Porque política deveria ser, antes de qualquer coisa, uma questão de princípios. Mas, em algum momento, princípios começaram a ser negociados em reuniões fechadas, em troca de cargos, verbas, alianças e conveniências.

E isso não é exclusividade de esquerda ou de direita.

Mas existe uma coisa que me incomoda profundamente quando vem de quem passou anos fazendo da defesa da liberdade uma bandeira.

É difícil ouvir alguém falar em nome dos pobres enquanto vive cercado de privilégios.

É difícil ouvir alguém defender as minorias enquanto trata como inimigo qualquer pessoa que pense diferente.

É difícil ouvir discursos inflamados sobre democracia quando a liberdade de expressão parece ser considerada maravilhosa — desde que a expressão seja a que agrada.

Aí eu me lembro daquela velha frase, tão simples e tão atual:

“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.”

E talvez seja exatamente isso que esteja afastando tanta gente da política.

Não é necessariamente a esquerda.

Não é necessariamente a direita.

É a sensação de que existe uma classe política que descobriu como falar bonito para o povo enquanto continua vivendo muito confortavelmente às custas dele.

E tem mais.

Eu não quero um político que pense como eu.

Quero um político que tenha coragem de pensar diferente e, ainda assim, respeite o meu direito de discordar.

Quero poder criticar um governo sem ser chamada de inimiga.

Quero poder elogiar uma medida de esquerda sem ser considerada de esquerda.

Quero poder elogiar uma medida de direita sem ser considerada de direita.

Quero continuar sendo apenas uma cidadã que pensa.

Porque foi para isso que lutamos tanto pela democracia: para que ninguém tivesse o monopólio da verdade.

A liberdade de expressão não pode ser uma concessão do poder.

E democracia não pode ser um prêmio concedido somente a quem se comporta de acordo com a cartilha de quem está mandando.

Se eu posso falar apenas aquilo que não incomoda, então eu não sou livre.

Se você pode falar apenas aquilo que o seu grupo aprova, você também não é.

E talvez esteja na hora de lembrarmos de uma coisa muito simples:

Democracia não é o direito de ouvir apenas aquilo que queremos.

É o direito de ouvir o que não queremos, responder, discordar, argumentar e continuar vivendo juntos.

Eu não tenho medo de uma esquerda forte.

Não tenho medo de uma direita forte.

Tenho medo de qualquer poder forte demais e de uma sociedade fraca demais para questioná-lo.

Porque quando o cidadão deixa de poder perguntar “por quê?”, o poder começa a acreditar que não precisa mais responder.

E aí, meus amigos, a coisa fica perigosa.

Muito perigosa.

Não importa a cor da bandeira.
Quando o poder se sente dono da verdade, a liberdade começa a perder a sua.

BRUNO, MEU PEQUENO GUERREIRO ...

Bieliver



Hoje o meu netinho Bruno completa 5 anos.

Ele chegou ao mundo em um tempo estranho, difícil, assustador. Nasceu em meio a uma pandemia, quando todos nós aprendíamos a conviver com o medo e com as incertezas. E, quando tinha apenas dois meses de vida, quase precisou partir por causa de uma bronquiolite.

Mas esse menino já chegou mostrando a que veio.

Bruno é um guerreiro.

Venceu os primeiros obstáculos da vida e cresceu forte, esperto, alegre, carinhoso e cheio de personalidade. Uma verdadeira espoleta — igualzinho ao pai! 😂

Ele recebeu o nome do tio, e é impossível não perceber algumas pequenas semelhanças que parecem atravessar o tempo.

Tem a inteligência, a curiosidade, o gosto pelos jogos, essa paixão por música... aliás,  ama Believer do Imagine Dragons, que me faz sorrir quando vejo o quanto ele gosta… 🎶 E tem esse jeitinho de mergulhar nas coisas de que gosta, como se o mundo inteiro pudesse caber dentro daquela cabecinha inquieta.

Mas existe uma coisa que é só dele.

O meu neto Bruno é o meu neto Bruno.

É aquele menino que me ama com uma intensidade que me desmonta. Que me admira, que me olha como se eu fosse muito mais importante do que realmente sou. Que me enche de beijos, de abraços, de perguntas, de risadas e de vida.

Ele não sabe, talvez ainda não tenha idade para compreender, mas é um dos grandes presentes que a vida me deu.

E talvez seja justamente isso que eu mais quero celebrar hoje: a vida.

A vida desse menino que chegou tão pequenininho, atravessou seus primeiros desafios e hoje está aqui, completando cinco anos, fazendo bagunça, jogando seus joguinhos, ouvindo suas músicas e espalhando alegria por onde passa.

Meu pequeno Bruno, que você cresça sabendo que é profundamente amado.

Que nunca lhe faltem saúde, coragem, alegria, curiosidade e sonhos.

Que a vida seja generosa com você.

E que você continue sendo essa criança luminosa, espoleta, inteligente e amorosa que faz a nossa família sorrir.

Você ganhou o nome de alguém muito amado por mim.

Mas você ganhou também o direito de escrever a sua própria história.

E eu estarei aqui, meu amor, para assistir a cada capítulo dela — torcendo, vibrando, cuidando, rindo das suas travessuras e agradecendo a Deus pelo privilégio de ser sua avó.

Feliz 5 anos, meu Bruno! 💙

Que Deus abençoe seus passos e conserve sempre essa luz que existe em você.

A vovó te ama mais do que as palavras conseguem dizer.
Você é alegria na minha vida. 💙🎂🎈

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

As três versões da Márcia...


Tenho pensado que talvez existam três versões de uma pessoa.

A primeira é aquela que os outros enxergam.

A segunda é aquela que somos quando ninguém está olhando.

E a terceira é aquela que gostaríamos de nos tornar.

E talvez amadurecer seja justamente ter coragem de colocar as três diante do espelho e perguntar: onde elas se encontram?

Como as pessoas me veem?

Algumas me veem como uma mulher boazinha, religiosa, sensível. Depois da morte do Bruno, talvez algumas tenham passado a me enxergar principalmente através da piedade. A mulher que perdeu um filho. A mãe que luta. A mulher que sofreu.

Alguns me veem como forte. Corajosa. Uma espécie de Fênix, dessas que parecem ter aprendido a renascer das próprias cinzas.

Outros, certamente, me acham mandona. Autoritária. Intensa demais. Apaixonada demais pelas coisas que defendo.

E provavelmente todos estão, de alguma maneira, certos.

Porque sou tudo isso.

Tenho uma religiosidade que faz parte de mim, mas não quero que a minha fé seja confundida com fragilidade. Sou sensível, mas sensibilidade nunca foi sinônimo de fraqueza.

Também sou forte. Mas não sou forte o tempo inteiro.

Sou uma mulher que chora, que sente medo, que se decepciona, que se cansa. E também sou aquela que, depois de tudo, levanta.

Sou apaixonada.

E talvez essa seja uma das características que mais definem quem eu sou.

Eu me apaixono por pessoas, por músicas, por livros, por ideias, por causas. Apaixono-me por aquilo que considero justo. E, quando alguma coisa toca profundamente aquilo em que acredito, eu não sei defendê-la pela metade.

Defendo com veemência.

E aí talvez esteja uma das minhas maiores qualidades e também um dos meus maiores defeitos.

Porque a mesma veemência que me faz lutar por aquilo em que acredito pode fazer com que algumas pessoas me enxerguem como autoritária.

Talvez eu seja.

Ou talvez, algumas vezes, eu precise aprender que ter convicção não significa necessariamente precisar convencer.

Essa é uma das coisas que ainda estou aprendendo.

Eu sou uma pessoa extremamente caseira.

Não gosto de aglomerações. Não gosto de shopping, de balada, de conversa vazia, de gente falando no meu ouvido o tempo inteiro. Não preciso estar cercada de pessoas para me sentir viva.

Eu gosto da minha casa.

Gosto do silêncio.

Gosto de um livro, de uma boa peça de teatro, de música — e música eu amo de uma maneira quase inexplicável.

Gosto da minha própria companhia.

E existe uma diferença enorme entre ser uma pessoa solitária e ser uma pessoa que escolheu a solitude.

Eu não sou sozinha porque ninguém me quer por perto.

Eu sou, muitas vezes, sozinha porque gosto.

Gosto da liberdade de não precisar falar o tempo inteiro.

Gosto de poder pensar.

Gosto de poder ficar quieta.

Gosto de não precisar representar alegria quando não estou alegre, nem disposição quando quero simplesmente ficar no meu canto.

Eu gosto de liberdade.

Talvez seja uma das coisas que mais amo na vida.

E não estou falando apenas da liberdade de ir e vir.

Falo da liberdade de decidir.

Da liberdade de pensar.

Da liberdade de escolher.

Da liberdade de ser.

Não gosto que tentem me empurrar para dentro da vida que outra pessoa considera ideal.

E talvez por isso eu também procure não fazer com os outros aquilo que não gostaria que fizessem comigo.

Eu quero que cada pessoa tenha o direito de ser quem é.

Como eu quero ter o direito de ser quem sou.

Sou fiel.

À minha família.

Aos meus amigos.

Àqueles que amo.

À minha fé.

E, principalmente, às minhas convicções.

Mas existe uma coisa que talvez eu precise observar nessa fidelidade: às vezes, ser fiel às minhas convicções pode me fazer permanecer tempo demais em algumas batalhas.

Talvez nem toda batalha precise ser vencida.

Algumas precisam apenas ser abandonadas.

Eu sou extremamente dedicada à minha família.

Para mim, família é uma das coisas mais importantes deste mundo.

E quando amo, eu me dedico.

Talvez até demais.

Talvez esse “demais” também seja parte do problema.

Porque pessoas muito dedicadas podem esperar dos outros a mesma intensidade que oferecem.

E nem todo mundo ama na mesma medida.

Nem todo mundo demonstra.

Nem todo mundo compreende.

Nem todo mundo tem a mesma capacidade de entrega.

Isso não significa necessariamente que não amem.

Significa apenas que são diferentes.

E eu ainda estou aprendendo a não transformar diferença em decepção.

Também sou extremamente justa.

Pelo menos é assim que me reconheço.

Procuro ouvir o outro lado. Procuro me colocar no lugar de quem está diante de mim. Tento compreender antes de julgar.

E existe uma ironia nisso.

Às vezes, justamente porque procuro compreender demais, algumas pessoas podem achar que estou sendo falsa.

Como se quem conseguisse enxergar vários lados de uma questão não tivesse opinião própria.

Tenho.

Tenho muitas.

Mas compreender o outro não significa concordar com ele.

Essa talvez seja uma das maiores confusões que as pessoas fazem a meu respeito.

Eu posso entender você e continuar discordando de você.

Posso reconhecer sua dor e ainda assim não aceitar sua atitude.

Posso enxergar seus motivos sem justificar suas escolhas.

Isso não é falsidade.

Isso é tentativa de justiça.

E, talvez, as pessoas que não conseguem compreender isso acabem perdendo uma das melhores coisas que existem em mim: a minha devoção.

Porque eu sou devota.

Não apenas no sentido religioso.

Sou devota das pessoas que amo, das causas em que acredito, das relações que considero verdadeiras.

Quando alguém entra verdadeiramente no meu coração, eu não ofereço uma presença superficial.

Eu ofereço dedicação.

Mas existe um preço em ser assim.

Pessoas intensas podem ser difíceis.

Pessoas que sentem profundamente podem cobrar profundidade.

Pessoas que defendem muito aquilo em que acreditam podem parecer inflexíveis.

Pessoas que amam muito podem, algumas vezes, sufocar sem perceber.

E é aí que entra a terceira Márcia.

A Márcia que eu gostaria de ser.

Não quero ser menos intensa.

Não quero ser menos apaixonada.

Não quero perder minha fé, minha coragem, minha capacidade de lutar, minha lealdade ou meu amor pela família.

Mas gostaria de ser mais leve.

Gostaria de aprender a escolher melhor minhas batalhas.

Gostaria de saber quando falar e quando o silêncio é mais sábio.

Gostaria de continuar defendendo minhas convicções sem transformar toda discordância em enfrentamento.

Gostaria de compreender que algumas pessoas simplesmente não terão a mesma entrega que eu — e que isso não precisa diminuir o valor delas nem o meu.

Gostaria de ser uma mulher cada vez mais livre, mas também cada vez mais tranquila.

Porque talvez liberdade não seja apenas poder fazer o que quero.

Talvez liberdade também seja não precisar provar o tempo inteiro que tenho razão.

E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas do amadurecimento.

Descobrir que não preciso abandonar quem sou para melhorar quem sou.

Posso continuar sendo Márcia.

A mulher da fé.

A mãe.

A amiga.

A apaixonada.

A intensa.

A justa.

A que gosta de silêncio.

A que ama música.

A que prefere um livro a uma multidão.

A que luta.

A que se revolta.

A que se recolhe.

A que cai.

A que chora.

A que renasce.

A Fênix.

Mas posso ser uma Fênix diferente.

Uma que não precise esperar o incêndio para descobrir que consegue voar.

E talvez, no fim das contas, o bom e o ruim de ser Márcia estejam exatamente no mesmo lugar.

Eu sinto muito.

Amo muito.

Defendo muito.

Vivo muito.

E, às vezes, tudo isso é minha força.

Às vezes, tudo isso é meu excesso.

Mas é meu.

E se existe uma coisa que eu não quero perder no processo de me tornar uma mulher melhor, é justamente aquilo que me torna reconhecível para mim mesma.

Eu não quero deixar de ser Márcia.

Quero apenas aprender a ser uma versão de Márcia que me dê mais paz.

E você? Quem é você? Há paz no seu "eu sou"?

domingo, 9 de agosto de 2026

QUANDO A INVESTIGAÇÃO QUE NÃO ACONTECEU TAMBÉM VIRA PARTE DO LUTO...


Há dias em que o luto parece adormecido.
E há dias em que basta um nome.

Hoje, sem querer, vi o nome do delegado que estava à frente da Delegacia de Homicídios da Barra em 2015. E, junto com aquele nome, voltou uma história que eu gostaria de conseguir colocar em algum lugar definitivo da minha memória.

Meu filho mais velho foi a uma festa de música eletrônica para homenagear o irmão da mulher que amava.

Foi a uma festa.

E não voltou.

Três tiros tiraram sua vida.

Até hoje, quando penso nisso, algumas perguntas continuam me perseguindo.
O que pensar quando você recebe a notícia de que seu filho foi assassinado e não sabe por quem, nem por quê?

O que pensar quando um crime acontece dentro de uma festa, diante de tantas pessoas, e, de repente, parece que todos emudecem?

Nenhuma história circulando.

Nenhuma fofoca.

Nenhuma postagem.

Nenhuma informação que ajudasse a entender o que havia acontecido.

Em tempos em que as pessoas fotografam, filmam e publicam absolutamente tudo, como pode um assassinato acontecer em meio a uma multidão e, depois, existir tamanho silêncio?

E talvez a pergunta mais dolorosa seja outra:
O que pensar quando você espera que o Estado investigue a morte do seu filho e fica com a sensação de que essa investigação nunca aconteceu de verdade?

Eu não sou uma mulher ignorante.

Sou uma mãe. E mãe, quando tem um filho assassinado, não consegue simplesmente sentar e esperar.

Eu fui atrás.

Pesquisei. Procurei nomes. Procurei informações. Cruzei histórias. Tentei entender quem eram as pessoas que estavam naquela festa, o que havia acontecido, quem poderia saber alguma coisa.

Não porque eu quisesse brincar de detetive.
Mas porque era o meu filho.
E quando uma mãe percebe que as respostas não chegam, ela procura as respostas onde consegue.

O tempo passou.
O crime continuou sem resposta para mim.

E hoje, quase onze anos depois, eu me deparo novamente com o nome daquele delegado.
E descubro que o homem que ocupava aquela posição de autoridade, aquele a quem cabia conduzir uma investigação sobre a morte do meu filho, está preso há alguns anos por envolvimento em outros crimes.

Isso não me permite afirmar que ele tenha cometido qualquer irregularidade no caso do meu filho.

Mas me permite fazer perguntas.

Perguntas que talvez eu nunca consiga deixar de fazer.

Será que tudo foi investigado como deveria?

Será que todas as pessoas foram ouvidas?

Será que todas as informações foram consideradas?

Será que tudo aquilo que poderia ter levado à verdade foi realmente perseguido?

Será que alguma coisa foi deixada de lado?
Será que houve omissão?

E, principalmente:
por que eu, mãe de um homem assassinado, fiquei com tantas perguntas e tão poucas respostas?

Não estou escrevendo isso para condenar ninguém.
Estou escrevendo porque existe uma diferença enorme entre aceitar que um crime não foi solucionado e acreditar que ele foi investigado com toda a seriedade que a vida de um ser humano exige.

Meu filho não era um número.
Não era mais um registro numa ocorrência policial.
Não era apenas mais um homicídio.
Era Bruno.
Era meu filho.
Era o filho de alguém, irmão de alguém, amigo de alguém, homem amado por alguém.

E quando a Polícia não consegue descobrir quem matou um filho, a dor da família já é imensa.

Mas quando essa família carrega também a sensação de que poderia ter havido mais investigação, mais empenho, mais perguntas, mais busca pela verdade, nasce uma segunda dor.

A dor da dúvida.

E talvez essa seja uma das formas mais cruéis de prolongar um luto: não saber.
Eu não tenho como voltar a 2015.
Não tenho como refazer aquela investigação.
Não tenho como recuperar as horas, os depoimentos, as informações que talvez tenham se perdido pelo caminho.
Mas ainda tenho o direito de perguntar.

E enquanto eu estiver viva, vou continuar perguntando:
Quem matou meu filho?

E outra pergunta, talvez ainda mais incômoda:
Será que fizeram tudo o que poderiam ter feito para descobrir?

Porque algumas mães enterram seus filhos.
Outras, além de enterrá-los, precisam continuar procurando a verdade.
Eu sou uma dessas mães.

OS Pais da minha vida!



Neste Dia dos Pais, eu desejo a todos os pais um dia tranquilo. Um dia de presença. Presença feliz, verdadeira, inteira. Porque talvez esse seja um dos maiores presentes que um pai possa oferecer a um filho: estar.

E quando penso em pais, inevitavelmente penso nos homens que atravessaram a minha vida e, de alguma maneira, participaram da mulher que me tornei.

O primeiro foi o meu pai biológico.

Ele não me deixou boas lembranças. Foi um pai omisso, irresponsável, pouco carinhoso e pouco preocupado com os filhos. Não foi uma figura paterna que eu aprendi a admirar ou respeitar.

Mas também não vou atirar a primeira pedra.

Porque, olhando para trás com os olhos que a maturidade me deu, compreendo que ele entregou aquilo que sabia entregar. Aquilo que havia aprendido. Aquilo que ele era.

Isso não apaga os erros. Não transforma o que foi ruim em bom. Mas me permite não carregar o peso do julgamento.

Ele foi assim. E ponto.

Mas existe uma coisa importante que aprendi com ele: como eu não queria ser.

Não esquecê-lo foi, de certa maneira, uma forma de não repetir seus erros. Sua ausência me ensinou a importância da presença. Sua falta de cuidado me ensinou sobre responsabilidade. E, quando chegou a minha vez de ser mãe, eu procurei fazer diferente.

Depois veio meu avô Maralhas.

Também teve suas falhas, suas omissões, seus limites. Mas foi uma presença muito mais carinhosa, muito mais próxima, muito mais acolhedora.

E então Deus me presenteou com aquele que chamo de meu pai do coração.

O homem que não me gerou, mas que me ensinou o que era ser pai.

Um homem que recebeu a mim e à minha irmã ainda crianças e nos ofereceu aquilo que talvez seja a essência da paternidade: entrega, família e amor incondicional.

Não me canso de agradecer por ele nas minhas orações. Não me canso de falar sobre a importância que teve na minha formação e na formação da minha irmã.

Talvez, por ser a mais velha, eu tenha absorvido de maneira diferente alguns dos seus ensinamentos. Talvez o meu jeito de ser também tenha contribuído para isso. Mas sei que aquele homem deixou marcas profundas e bonitas na minha história.

E então veio meu marido.

Eu tinha apenas 16 anos quando o conheci. Hoje tenho 67, e nós continuamos juntos.

Com ele tive meus dois filhos.

Como marido e mulher, tivemos nossas dificuldades. Aprendemos, erramos, acertamos, recomeçamos. Afinal, éramos dois jovens aprendendo o que significava construir uma vida a dois.

Mas, como pai, eu não posso deixar de reconhecer o papel que ele cumpriu.

Ele foi provedor, esteve presente à sua maneira e fez o que conseguiu fazer com aquilo que também recebeu da própria história.

E talvez seja importante lembrar disso: nós quase sempre damos aquilo que recebemos.

Os tempos eram outros. As formas de educar eram outras. Os homens também eram formados dentro de modelos diferentes de paternidade.

Não estou aqui para julgar.

Estou aqui para reconhecer.

Ele cumpriu — e continua cumprindo — o seu papel de pai. Hoje com um filho aqui, ao nosso lado, e outro vivendo em outro lugar, no céu, dentro da nossa saudade e do nosso amor.

E então chegaram os pais da minha terceira idade.

Meu filho Lourenço e meu genro, marido da minha filha do coração.

Dois homens que também têm suas dificuldades, suas imperfeições e seus aprendizados. Mas que, todos os dias, procuram melhorar. Participar mais. Se doar mais. Aprender mais.

Porque ser pai não é receber um diploma no dia em que um filho nasce.

Ser pai é passar a vida inteira estudando.

É entender que educar não termina quando a criança cresce. Que o exemplo continua falando quando as palavras já não alcançam. Que presença não significa apenas estar fisicamente perto, mas participar, ouvir, orientar, acolher, colocar limites, reconhecer erros e, sobretudo, amar.

Olho para todos esses homens que foram pais na minha vida e percebo que cada um, à sua maneira, deixou uma lição.

Alguns me ensinaram pelo exemplo.

Outros, pelo que fizeram.

E alguns, principalmente, pelo que não fizeram.

Todos, de alguma forma, contribuíram para a minha formação.

Por isso, neste Dia dos Pais, eu não quero apenas homenagear os pais perfeitos — porque eles não existem.

Quero homenagear os pais que estão dispostos a aprender.

Os que entendem que seus filhos não precisam de perfeição, mas precisam de presença.

Precisam de amor.

Precisam de limites.

Precisam de escuta.

Precisam de alguém que esteja verdadeiramente ali.

Aos pais da minha vida, minha gratidão.

Aos pais que ainda estão aprendendo a ser pais, minha esperança.

E a todos os pais, meu desejo de um domingo tranquilo, feliz e cheio de presença.

Que nunca se esqueçam da grandeza — e da responsabilidade — de participar da formação de um novo ser.

Porque um filho pode até esquecer muitas das palavras que ouvimos ao longo da vida.

Mas dificilmente esquecerá como se sentiu quando estava perto do pai.

Feliz Dia dos Pais!

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

E você, o que tem feito para se prevenir?


Estamos sendo, graças a Deus, bombardeados por avisos.

Defesa Civil, especialistas, meteorologistas, municípios, meios de comunicação e até influencers têm nos alertado sobre os efeitos agressivos que esse fenômeno climático pode provocar na vida da população.

Há dias, recebemos avisos quase diariamente. Alertas sobre ventos fortes, chuvas intensas, riscos, mudanças no tempo. Orientações sobre como agir, onde não estar, o que evitar, o que fazer para proteger a nossa casa, a nossa família e, principalmente, a nossa própria vida.

E então eu faço uma pergunta muito simples:
O que você tem feito para se prevenir?

Não estou perguntando se você ficou assustado.

Não estou perguntando se você compartilhou o alerta no grupo da família.

Não estou perguntando se você comentou: “Meu Deus, que vento!”

Estou perguntando o que você efetivamente fez.

Você verificou as condições da sua casa? Olhou suas janelas? Retirou objetos que poderiam cair? Pensou nas árvores próximas? Conferiu aquilo que poderia oferecer risco? Conversou com quem mora com você sobre o que fazer caso a situação se agrave?

Ou você é daqueles que só começa a pensar no problema quando ele já está dentro de casa?

Essa pergunta vale para muito mais do que o vento.

Você acredita em prevenção?

Até que ponto você acredita nos órgãos técnicos que trabalham incessantemente para nos orientar? Até que ponto você confia em quem estudou, acompanha os fenômenos e tem a responsabilidade de nos avisar antes que alguma coisa aconteça?

É claro que nem todo alerta significa que uma tragédia acontecerá.
Mas será que precisamos esperar a tragédia para acreditar no alerta?

Talvez uma das grandes dificuldades do ser humano seja justamente essa: temos uma tendência perigosa a acreditar que aquilo que acontece com o outro nunca acontecerá conosco.

“Ah, isso não vai acontecer aqui.”

“É só um ventinho.”

“Já passou.”

“Eles estão exagerando.”

Até que não passa.
Até que a árvore cai.
Até que o vidro quebra.
Até que a água entra.
Até que alguém se machuca.

E aí, quando o problema já se instalou, queremos desesperadamente encontrar uma solução que talvez pudesse ter sido construída muito antes.

Prevenção não é medo.

Prevenção é responsabilidade.

É reconhecer que não temos controle sobre tudo, mas podemos controlar algumas das nossas atitudes diante daquilo que está sendo anunciado.

É pensar antes.

É se antecipar.

É olhar para os nossos filhos, nossos netos, nossos pais, nossos companheiros, nossos animais, para aqueles que dependem de nós emocional ou fisicamente, e perguntar:
“O que eu posso fazer hoje para diminuir o risco de amanhã?”

Porque cuidar também é isso.

É assumir o comando quando necessário.
É não esperar que alguém venha resolver aquilo que estava ao nosso alcance prevenir.
E talvez essa seja a grande lição escondida nesses dias de ventos fortes.

O vento pode até ser imprevisível.
A nossa responsabilidade, não.

Então, me diga:
Você é daqueles que espera o problema chegar para depois tentar resolvê-lo?

Ou é daqueles que prefere chegar à solução antes que o problema se instale?
Você acredita na prevenção?
Você ouve os alertas?
Você se prepara?
Você está fazendo alguma coisa por você, pelos seus e por aqueles que dependem das suas decisões?

Porque, no fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Será que vai acontecer?”
Mas sim:
“E se acontecer, eu estou preparado?”

Que os ventos passem.
Que os alertas nos protejam.
E, sobretudo, que a gente aprenda a não confundir tranquilidade com negligência.
Porque prevenir não é viver com medo.

É viver com consciência.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Pressentimentos e Reflexões...


Você já teve um pressentimento?
Aquele lampejo... como se, por um instante, uma cena surgisse dentro de você. Um sentimento silencioso, profundo, quase impossível de explicar, mas que insiste em dizer que alguma coisa está por vir.

E não necessariamente algo ruim ou algo bom. Apenas a certeza de que um acontecimento já começou a existir, mesmo antes de acontecer.

Bem, eu já vivi isso muitas vezes.

Tive pressentimentos bons, que mais tarde se confirmaram. Mas, confesso, foram muito mais numerosos aqueles que antecederam acontecimentos difíceis.

Também já vivi aquela situação em que alguém se aproxima e diz:
— Tenho uma coisa para te contar.
E, antes mesmo de ouvir, alguma coisa dentro de mim responde:
— Eu já sei.
Não porque alguém tenha contado. Não porque eu tenha visto com os olhos. Mas porque, de alguma forma, aquela cena já havia passado por dentro de mim.

Até hoje não sei explicar o que é isso.

É um tema controverso. Para alguns, mera coincidência. Para outros, intuição. Para outros ainda, um fenômeno da mente que a ciência talvez um dia consiga compreender.
Mas é, acima de tudo, um assunto profundamente instigante.

Quantas pessoas vivem experiências parecidas e preferem silenciar por medo de parecerem fantasiosas?

A quem foi dada essa percepção tão aguçada? Seria uma habilidade do cérebro? Um mecanismo da mente? Algo guardado no nosso inconsciente? Ou seria uma oportunidade concedida pela espiritualidade para que, em alguns momentos, possamos enxergar além do que os olhos alcançam?

Não tenho respostas.
Tenho apenas perguntas... e experiências que nunca consegui ignorar.

 "Existem acontecimentos que chegam primeiro ao coração e só depois se revelam aos nossos olhos."


QUANDO HONESTIDADE VIROU TIPO...


Vivemos um tempo curioso. Parece que tudo perdeu a sua essência. As palavras continuam existindo, mas o significado delas foi ficando pelo caminho.

Hoje não se é honesto. É "tipo honesto".
Não se é justo. É "tipo justo".
Não se é bondoso. É "tipo legal".
Como se a aparência bastasse. Como se bastasse parecer, sem o compromisso de realmente ser.

A honestidade nunca foi um adjetivo para impressionar os outros. Sempre foi uma decisão silenciosa, tomada quando ninguém está olhando. Ela mora nos pequenos gestos, nas escolhas difíceis, nas verdades que custam caro, nas renúncias que ninguém aplaude.

Ser honesto não é construir uma imagem. É construir um caráter.

O problema de uma sociedade que se acostuma com o "tipo" é que ela passa a aceitar cópias daquilo que deveria ser original. A integridade vira marketing. A justiça vira discurso. A bondade vira conveniência.

E, pouco a pouco, vamos desaprendendo a reconhecer quem realmente é.
Talvez esteja na hora de resgatar o peso das palavras. De entender que honestidade não admite meio-termo. Ou ela existe, ou não existe.

Porque o mundo não precisa de pessoas "tipo honestas". Precisa de homens e mulheres que tenham coragem de ser honestos, mesmo quando isso lhes custa oportunidades, aplausos ou vantagens.

No fim das contas, a essência sempre encontra um jeito de aparecer. E o caráter, diferente da aparência, não pode ser improvisado.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Reflexões sobre vacinas e amadurecimento...


Antes mesmo de qualquer diploma pendurado na parede, existe um aprendizado que nenhuma universidade é capaz de oferecer: o diploma conquistado na escola da vida. Com o passar dos anos, percebi que o amadurecimento espiritual e a experiência nos ensinam a enxergar nuances que muitas vezes escapam aos olhos de quem conhece apenas a teoria.

Foi assim que vivi a pandemia.
Eu não tomei a vacina. Não foi uma decisão política. Nunca foi. Minha inquietação era outra. Como professora, aprendi desde cedo a importância das vacinas e sempre reconheci o papel fundamental que elas tiveram na história da humanidade. Mas também aprendi que, tradicionalmente, elas passam por longos anos de estudos, pesquisas e testes antes de chegarem à população.

Naquele momento, senti que ainda havia perguntas sem respostas. Resolvi esperar e assumir as consequências da minha escolha.
Contraí a COVID-19. Fiquei gravemente doente. Tenho uma cardiopatia importante e sabia dos riscos que corria. Felizmente, mantinha uma rotina de suplementação e de cuidados com a alimentação, o que acredito ter ajudado meu organismo. Ainda assim, o vírus deixou marcas e maltratou meu coração.

Hoje, quando acompanho as discussões, as investigações, as revisões de estudos e as diferentes interpretações que continuam surgindo sobre aquele período, sinto um profundo alívio por ter seguido a minha consciência. Não porque deseje provar que alguém estava errado, mas porque agi de acordo com aquilo que, naquele momento, minha experiência, minha fé e meu discernimento me indicavam.

Na minha família, fui a única pessoa adulta que fez essa escolha... Graças a Deus meu filho e minha nora não vacinaram as crianças! E, olhando para trás, continuo em paz com ela. O tempo pode não responder a todas as perguntas, mas me ensinou que viver de acordo com a própria consciência, assumindo os riscos e as responsabilidades das próprias decisões, também é uma forma de liberdade.

QUANDO O ONTEM AINDA ECOA...🌪🌬🌀



Os ventos extremos de ontem provocaram um medo devastador. Um medo que não nasceu apenas da força da natureza, mas da consciência da nossa própria impotência diante dela.

Enquanto ouvia os avisos e as recomendações, uma sucessão de perguntas tomou conta de mim. Será que as janelas vão estilhaçar? Será que vou presenciar uma tragédia? Como vou proteger, sozinha, as crianças e os animais, se alguma coisa realmente acontecer?

Foi assustador.

Mas, passada a tensão, ficou uma constatação ainda mais forte: nós, como povo, ainda não estamos preparados para enfrentar eventos como esse.

Não podemos dizer que faltaram alertas. A Defesa Civil e os órgãos de monitoramento cumpriram o seu papel. As informações chegaram, os avisos foram feitos, as orientações foram divulgadas.

O que continua faltando é um planejamento permanente. Falta uma estrutura que prepare as cidades, fortaleça os municípios, integre os estados e transforme a prevenção em prioridade. Não para combater a natureza — porque isso jamais será possível —, mas para minimizar os danos, proteger vidas e reduzir o sofrimento.

Os acontecimentos de ontem me fizeram pensar em como a vida muda de direção em questão de segundos. Uma rajada de vento foi suficiente para nos lembrar de que não controlamos tudo. Basta um instante para que nossas certezas balancem junto com as árvores.

Talvez o maior desafio não seja impedir que as tempestades aconteçam, mas decidir o que elas deixarão em nós quando passarem.

A dor pode endurecer o coração ou amadurecer a alma. O medo pode nos paralisar ou nos ensinar a valorizar ainda mais a prevenção, a solidariedade e cada amanhecer.

Ontem passou. As consequências, talvez, ainda permaneçam. Mas hoje continua sendo um convite para aprender. Porque, quando a natureza fala, ela nos lembra, com toda a sua força, de algo que muitas vezes esquecemos: somos profundamente frágeis. E reconhecer essa fragilidade talvez seja o primeiro passo para construirmos uma sociedade mais preparada, mais responsável e mais humana.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

GRATIDÃO QUE TRANSBORDA!

"As palavras são como sementes. Quem as planta raramente vê todas as flores que nascerão. Mas Deus vê. E é Ele quem faz germinar aquilo que foi escrito com amor."

140.416 vezes, alguém parou para ler uma palavra.

Hoje, meu coração só conhece um sentimento: gratidão.

Quando criei este blog, não imaginei números. Imaginei um lugar onde eu pudesse transformar minhas dores em palavras, minhas perdas em esperança e minha fé em companhia para quem também atravessa momentos difíceis.

Escrevo sobre família, superação e fé. Escrevo sobre o cotidiano, sobre o luto, sobre recomeços, sobre a alegria e sobre as pequenas vitórias que tantas vezes passam despercebidas.

Não escrevo para agradar uma bolha nem para seguir tendências. Escrevo aquilo em que acredito, respeitando quem pensa diferente, mas sem abrir mão da minha essência.
Não tenho patrocinadores. Não tenho equipe de produção. Não tenho assessoria, marketing ou grandes recursos.

Tenho apenas um computador, um coração cheio de histórias e uma enorme vontade de mostrar que é possível continuar vivendo, mesmo depois das maiores tempestades.
Se essas palavras chegaram tão longe, foi porque cada um de vocês decidiu levá-las adiante.

Cada leitura, cada compartilhamento, cada comentário e cada gesto de carinho me lembram que vale a pena continuar escrevendo.

Minha gratidão é imensa.

Que Deus continue abençoando este espaço e cada pessoa que passa por aqui. Enquanto Ele me conceder inspiração, continuarei fazendo o que sempre fiz: escrevendo com verdade, com fé e com amor.

"Se uma única pessoa encontrou esperança em minhas palavras, então cada linha escrita já valeu a pena." 

Muito obrigada por caminharem comigo.

Ps: Dra Danielle Hassene vc é a maior responsável por isso! Deus a abençoe!




quarta-feira, 22 de julho de 2026

A santidade que mora em cada um de nós...


É natural que a gente recorra aos santos. Eles nos inspiram, nos fortalecem e nos lembram que é possível viver uma vida de amor, coragem e fé. Eles foram pessoas comuns que, em algum momento, decidiram fazer do extraordinário um hábito: amar, perdoar, servir e perseverar.

Mas será que já nos perguntamos sobre a nossa própria santidade?
Não falo da santidade reconhecida pelos homens, nem daquela que um dia pode ser proclamada por uma instituição. Falo da santidade silenciosa, construída nas pequenas escolhas. Na palavra que acolhe, no gesto que consola, na honestidade quando ninguém está olhando, na coragem de permanecer íntegro mesmo quando seria mais fácil desistir.

Qual é a qualidade da sua santidade?
Durante muito tempo eu mesma procurei entender qual era o meu papel nesta Terra. Custei a compreender que cada vida carrega uma missão. Quando finalmente entendi a minha, percebi que sou exemplo. Sou vitrine. E, se sou vitrine, preciso cuidar daquilo que exponho ao mundo.

Isso não significa ser perfeita. Significa ser coerente. Reconhecer os próprios erros, pedir perdão quando necessário e nunca deixar de tentar ser uma pessoa melhor do que fui ontem.

Talvez seja difícil para muitas pessoas enxergarem isso. Afinal, é mais fácil admirar a santidade dos outros do que assumir a responsabilidade pela própria vida. É mais confortável pedir que um santo interceda por nós do que perguntar: que tipo de exemplo estou oferecendo aos que caminham ao meu lado?

Todos nós deixamos marcas. Todos nós ensinamos alguma coisa, mesmo sem perceber. Nossos filhos, nossos netos, nossos amigos e até desconhecidos aprendem mais com aquilo que fazemos do que com aquilo que dizemos.

Talvez a verdadeira santidade comece exatamente aí: quando entendemos que cada atitude nossa pode aproximar alguém da esperança, da bondade e de Deus.

Quem sabe esse seja o maior milagre que podemos realizar nesta vida: viver de tal maneira que nossa existência seja uma bênção para quem cruza o nosso caminho.

Se sou exemplo, o que minha vida tem ensinado?

segunda-feira, 20 de julho de 2026

A Cigana que mora em mim...


A Cigana que Mora em Mim

Há uma cigana que mora em mim.
Não vive entre paredes,
vive entre caminhos.

Traz nos pés a poeira das estradas,
mas na alma carrega o verde das matas,
o perfume das flores silvestres
e o doce das frutas colhidas com as próprias mãos.

Há uma cigana que mora em mim.
Ela conversa com o vento,
aprende com os rios,
dança com o mar
e reconhece, no canto dos pássaros,
as canções que nenhum instrumento consegue tocar.

Sua riqueza nunca foi o ouro.
Foi a mesa farta de risos,
a família reunida,
o abraço que acolhe,
o olhar que não trai.

Porque a cigana que mora em mim
não mede a vida pelo que possui,
mas pelo clã que protege,
pela fidelidade que oferece,
pela confiança que conquista
e pela honra de nunca abandonar os seus.

Ela sabe que toda árvore forte
tem raízes profundas.
Assim também são os afetos:
crescem quando são regados com presença,
respeito e verdade.

Há uma cigana que mora em mim.
Ela acredita que a música cura,
que as flores anunciam esperança,
que o mar ensina recomeços
e que cada amanhecer é um convite
para agradecer à vida.

Se um dia você a quiser encontrar,
não a procure nas cartas,
nem nas adivinhações do destino.
Procure-a no cheiro da terra depois da chuva,
no riso das crianças,
na força de uma mulher que protege os seus,
na coragem de quem permanece fiel ao amor.

Porque a cigana que mora em mim
não adivinha o futuro.
Ela o constrói,
com raízes na terra,
olhos voltados para o horizonte
e o coração livre para amar.

A cigana que mora em mim
não nasceu para viver presa.
Nasceu para amar sem correntes,
para proteger o seu povo,
para honrar seus ancestrais
e deixar, por onde passar,
o perfume das flores,
o canto da mata,
o sal do mar
e a certeza de que nenhuma riqueza é maior
do que uma família unida.

Sou filha da terra,
irmã do vento,
amiga das águas.
Carrego no peito a memória dos que vieram antes de mim
e caminho sem medo,
porque sei quem sou.

A cigana que mora em mim não procura um lugar no mundo.
Ela transforma em lar todo lugar onde o amor permanece.

Amizade: muito além de uma data.




Escolheram um dia para celebrar a amizade. É bonito que exista uma data, mas a verdadeira amizade nunca coube no calendário.

Vivemos em um tempo em que colecionar seguidores parece mais importante do que cultivar amigos. Em que um clique substitui um abraço, uma curtida tenta ocupar o lugar da presença e uma mensagem rápida, muitas vezes, tenta preencher o silêncio de quem precisava apenas ser ouvido.

Mas o que é, de fato, ser amigo?
Ser amigo é permanecer quando todos os outros partiram. É comemorar as vitórias sem inveja e estender a mão nas derrotas sem julgamento. É ter coragem de dizer a verdade quando ela precisa ser dita, mas envolvê-la na delicadeza do carinho.

Amizade não é concordar sempre. É respeitar as diferenças sem deixar que elas destruam o afeto. É celebrar a essência do outro sem querer moldá-lo à nossa vontade.

Os verdadeiros amigos conhecem nossas lágrimas, não apenas nossos sorrisos. Sabem dos nossos medos, das nossas cicatrizes, dos nossos fracassos e, ainda assim, escolhem permanecer.

Talvez seja por isso que a amizade seja um dos maiores presentes da vida: porque ela não nasce da obrigação, mas da escolha. Escolha de caminhar ao lado, de cuidar, de proteger, de celebrar e, quando necessário, de apenas estar presente.

Que a amizade nunca seja lembrada apenas em um dia do ano. Que ela seja vivida todos os dias, nas pequenas atitudes que revelam um coração disposto a amar sem interesses.
Porque, no fim das contas, amigos não são aqueles que passam pela nossa vida. E pir mais cliché que seja a frase: amigos são aqueles que deixam um pedaço deles em nós e levam um pedaço de nós para sempre.

domingo, 19 de julho de 2026

As músicas e os amores abafados no fundo da alma...

Há músicas que não foram feitas para tocar no rádio. Elas vivem dentro de nós.

Basta ouvir os primeiros acordes e, sem pedir licença, elas abrem portas que jurávamos trancadas. Trazem de volta um perfume, um abraço, um olhar, uma rua, uma tarde de chuva, um amor que nunca encontrou coragem para florescer.

Existem amores que não terminam. Apenas se calam.
Ficam abafados sob as responsabilidades da vida, escondidos atrás das escolhas que fizemos, das renúncias que aceitamos e dos caminhos que seguimos. Não morrem. Apenas aprendem a respirar bem devagar, no fundo da alma.

E, então, um dia qualquer, uma música toca.
De repente, o tempo deixa de existir. O coração reconhece aquilo que a razão passou anos tentando esquecer. É como reencontrar uma parte de nós que permaneceu intacta, esperando apenas o som certo para despertar.

Talvez seja por isso que as músicas tenham tanto poder. Elas não nos fazem lembrar apenas das pessoas. Elas nos devolvem quem éramos quando as amávamos.

E descobrimos que algumas melodias são, na verdade, cartas que a vida escreveu para a nossa memória. Cartas que jamais foram rasgadas, apenas guardadas na gaveta mais silenciosa do coração.

Porque há músicas que acabam.
Mas existem amores que continuam vivendo, abafados e guardados no fundo da alma, esperando apenas uma canção para voltar a respirar.

QUANDO O CHEIRO NOS DEVOLVE A VIDA...


Dizem que temos cinco sentidos para perceber o mundo. Eu acredito que cada um deles guarda uma maneira diferente de registrar a vida. Os olhos fotografam, os ouvidos gravam vozes, as mãos reconhecem texturas, o paladar eterniza sabores... Mas o olfato... ah, o olfato tem um poder que nenhum outro possui: ele nos faz viajar no tempo.

Ontem, aqui no Recreio, o cheiro de queimado invadiu o ar. O cheiro de fuligem, de fogueira, de folhas secas queimando. Para muitos, talvez fosse apenas um incômodo. Para mim, foi uma passagem de volta.

De repente, eu já não estava mais no presente. Estava novamente em Mazomba, no sítio que meus pais compraram com tanto orgulho. Ainda consigo imaginar meu pai feliz por finalmente ter um pedaço de terra para chamar de seu. Minha mãe cuidando das plantas, das frutas, dos pés de aipim, preparando tudo para que os fins de semana fossem dias de descanso e de alegria.

Aquele cheiro que ontem pairava no ar era o mesmo das folhas queimadas, do lixo do sítio sendo queimado, das tardes simples que hoje moram apenas na memória. Curioso como um aroma consegue guardar tantas histórias.

Foi naquele lugar que também escrevemos um dos capítulos mais felizes da minha vida. Meu casamento aconteceu no sítio. Não houve luxo. Houve alegria. Vesti uma roupa de noiva caipira, meu marido também entrou no clima, e fizemos uma festa do nosso jeito, cercados de pessoas queridas, de risadas sinceras e de muito amor.

Depois vieram os meus filhos, que também puderam viver um pouco daquela liberdade de correr pela terra, subir em árvores, brincar ao ar livre, construir lembranças que nenhum brinquedo moderno seria capaz de oferecer.

Infelizmente, o tempo mudou. A violência chegou, tornando inviável continuar naquele lugar. Depois que meu pai partiu, minha mãe ainda escolheu morar ali. Era a forma dela permanecer perto das lembranças que construíram juntos...

... Mas, quando ela também se foi, o sítio perdeu sua alma. Porque alguns lugares não são feitos apenas de terra. São feitos das pessoas que lhes deram vida.

Ontem compreendi que algumas lembranças não precisam de fotografias. Basta um cheiro. E, por alguns instantes, meu pai voltou a sorrir, minha mãe voltou a caminhar entre as plantações, e eu voltei a ser aquela menina que acreditava que a felicidade podia morar em um pedaço de terra, no calor de uma fogueira e no perfume inesquecível da vida.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

MEDO E ABANDONO NO RIO

Mais uma noite no Rio de Janeiro.
Uma noite que começou como tantas outras. A família reunida, as crianças em casa, a rotina seguindo seu curso. Mas bastaram alguns minutos para que o som seco dos disparos rompesse a normalidade. Não eram fogos de artifício. Eram tiros. Tiros que já se tornaram tão frequentes que algumas pessoas insistem em confundi-los com outra coisa, talvez numa tentativa desesperada de acreditar que a realidade não seja tão cruel.

Aqui, perto do apartamento do meu filho, o medo chegou antes mesmo da noite amadurecer.

E junto com ele veio um sentimento difícil de explicar. Um sentimento de abandono. A sensação de que estamos perdendo uma batalha que nem deveria existir. Vi meu filho fazer aquilo que qualquer pai faria: proteger sua família pedindo que ficassemos dentro do quarto. Vi meus netos vulneráveis diante de uma realidade que nenhuma criança deveria conhecer. E eu senti medo. Um medo profundo, daqueles que deixam a alma entorpecida.

Hoje, ainda tento organizar os pensamentos.
Como chegamos até aqui?
Em que momento nos acostumamos a viver entre barricadas, operações, confrontos e notícias de inocentes atingidos? Em que momento o direito de ir e vir passou a depender da sorte, do horário ou da rua escolhida?

O que está faltando para que haja uma reação verdadeira? O que falta para que o Rio de Janeiro recupere as rédeas da própria história? As rédeas do bem viver, da tranquilidade, da esperança?

Até quando a hipocrisia permitirá que discursos substituam ações?
Até quando a covardia impedirá que se enfrentem os problemas pelo nome que eles têm?
Até quando a conveniência política continuará servindo de desculpa para a inércia?

Porque o cidadão comum sabe o que está vendo. Sabe o que está ouvindo. Sabe o que está vivendo.

Quando homens circulam portando armamentos de guerra, quando territórios são dominados pelo medo, quando estratégias militares são usadas para sufocar adversários e controlar comunidades inteiras, não estamos falando apenas de criminalidade comum. Estamos falando de um nível de violência que transforma bairros em campos de tensão permanente e moradores em reféns de uma guerra que nunca escolheram travar.

Enquanto isso, famílias se escondem atrás de paredes, mães rezam pelos filhos, avós abraçam seus netos e tentam fingir serenidade para não aumentar o medo das crianças.

Mas a verdade é que estamos cansados.
Cansados de enterrar sonhos.
Cansados de adaptar a vida ao medo.
Cansados de ouvir promessas.
O Rio de Janeiro merece mais do que sobreviver. Seu povo merece viver.

E talvez a pergunta mais urgente não seja apenas como chegamos até aqui.
Talvez seja: quanto mais estamos dispostos a perder antes de decidir que já perdemos demais?

terça-feira, 14 de julho de 2026

Você estaria disposto para permanecer fiel a si mesmo, abrir mão de coisas que pareciam indispensáveis?

O preço de nossas convicções...

Ter opinião tem um preço.
Enquanto muitos moldam seus pensamentos para agradar, há quem escolha permanecer fiel ao que acredita, mesmo sabendo que isso pode custar caro.

Às vezes, o preço é um sonho que deixa de acontecer. Outras vezes, são portas que se fecham, oportunidades que desaparecem, aplausos que nunca chegam.

Há quem perca amigos. Há quem perca um grande amor.
Porque nem todo mundo suporta conviver com quem pensa diferente.

Vivemos um tempo em que a liberdade de expressão é frequentemente confundida com a obrigação da concordância. Se você não segue a corrente, passa a ser visto como problema. E, muitas vezes, o silêncio é recompensado, enquanto a sinceridade é punida.

Mas existe uma pergunta que cada um precisa responder para si:
Quanto vale a sua consciência?

Vale a pena conquistar o mundo inteiro se, para isso, você precisar abandonar aquilo que acredita? Vale a pena ser aplaudido por um personagem e esquecer quem você realmente é?

Nem toda perda é derrota.
Há perdas que preservam nossa dignidade. Há renúncias que protegem nossa essência. E há escolhas que, embora doam hoje, nos permitem dormir em paz amanhã.

Não existe caminho sem preço.
A questão é escolher qual preço estamos dispostos a pagar: o de sermos rejeitados por defender nossas convicções ou o de nos rejeitarmos para sermos aceitos pelos outros.

No fim das contas, sonhos podem ser reconstruídos. Aplausos cessam. Amores também podem partir.
Mas uma consciência traída... essa nos acompanha para sempre.