terça-feira, 28 de abril de 2026

Onde fica o meio termo?


Vivemos uma era de muitos nomes, muitos rótulos e diagnósticos que surgem com uma rapidez que, às vezes, assusta. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Transtorno do Espectro Autista, Transtorno Opositivo-Desafiador… termos sérios, necessários e que, quando bem conduzidos, transformam vidas.

Mas é impossível não se inquietar: estamos realmente diante de mais casos — ou de mais diagnósticos apressados?

Entre a pressa de nomear e a dificuldade de educar, corremos um risco silencioso: transformar comportamentos em rótulos e, ao mesmo tempo, enfraquecer a responsabilidade de formar.

Nem tudo é transtorno.
Mas também nem tudo é “falta de limites”.
Crianças precisam ser vistas com profundidade — não resumidas a um laudo, nem abandonadas à própria sorte. Precisam de adultos que saibam equilibrar acolhimento e firmeza, escuta e direção, amor e responsabilidade.

Diagnóstico sério não é desculpa — é ferramenta.
Educar de verdade não é rigidez — é compromisso.

Talvez o maior desafio da nossa geração seja esse: não cair nos extremos.
Nem negar o que precisa de cuidado.
Nem justificar o que precisa de correção.

No meio disso tudo, seguimos… aprendendo, ajustando, e, muitas vezes, cansados.
Mas ainda responsáveis por formar seres humanos capazes de viver em sociedade — com respeito, consciência e limites.

E talvez a pergunta mais honesta não seja “o que está acontecendo com as crianças?”
Mas sim: o que estamos fazendo — ou deixando de fazer — como adultos?

segunda-feira, 27 de abril de 2026

As pancadas da vida não são castigo — são alertas.

As pancadas da vida não são castigo — são alertas.

Alertas da necessidade de uma reformulação íntima, profunda, real.

Não existe mudança feita apenas de palavras.
Mudança exige exercício, prática, entrega.

Eu sofri... caminhei...
em alguns momentos, quase me arrastei.

Mas foi nesse percurso que compreendi os sinais de Deus.

E, quando decidi mudar de verdade,
não apenas sobrevivi —
passei a viver com qualidade, com consciência, com paz.

Meu dia comigo... apenas curtindo minha preguiça!


Dia da preguiça.

E que palavra injustiçada, não é? Como se parar fosse falha… como se desacelerar fosse fraqueza. 

Hoje, não. Hoje eu me permito não fazer. Não produzir. Não pensar além do necessário. Hoje eu simplesmente existo.

Deixo o tempo correr sem pressa, sem metas, sem culpa. O corpo desacelera, a mente silencia, e aos poucos vou lembrando que a vida também acontece nesses intervalos — nos respiros, nos vazios, nos momentos em que não há urgência alguma.

É no descanso que a gente se reencontra. É no silêncio que a gente se escuta. E é nesse “não fazer nada” que, curiosamente, tanta coisa se reorganiza por dentro.

Que tal experimentar? Escolher um dia — ou algumas horas — só para você. Sem cobrança, sem lista, sem necessidade de ser útil o tempo todo. Apenas sentir. Apenas estar.

Porque viver também é isso: saber a hora de ir… e a hora de simplesmente ficar.

sábado, 25 de abril de 2026

CASAR MUITAS VEZES... COM A MESMA PESSOA!

E esse texto foi criado por sugestão do meu marido que viu um vídeo e achou bacana... então ele queria a minha visão. Vamos lá!
                              🥰😍

Casamento, para mim, é a oportunidade de crescer junto.

Às vezes ouço alguém dizer, com certo orgulho, que gosta tanto de casamento que já se casou muitas vezes. Mas, sinceramente, não vejo nisso mérito algum. Não há brilho em recomeçar sempre com pessoas diferentes como se o novo, por si só, fosse sinal de sucesso.

O verdadeiro mérito — esse sim, silencioso e profundo — está em casar várias vezes com a mesma pessoa.

Porque, ao longo da vida, mudamos. Evoluímos. Revemos princípios, ampliamos nossa visão de mundo, atravessamos fases. E, a cada transformação, existe uma escolha: permanecer… e se reencontrar.

Casar de novo com o mesmo amor é ter coragem de ajustar rotas, de aprender novas formas de amar, de olhar para o outro com novos olhos — e, principalmente, de permitir que o outro também nos redescubra.

É entender que o amor não é estático. Ele é construção contínua.

E talvez seja isso que poucos percebem: não é sobre quantas vezes você começa… mas quantas vezes você escolhe ficar — mesmo sendo, já, alguém diferente de quando tudo começou.

A FORÇA QUE VEM DO SILÊNCIO


A verdadeira força não está em nunca se despedaçar…
a força existe no juntar os caquinhos… pouco a pouco…
sem escândalos… sem palco…
…no silêncio de quem entende que reconstruir-se é um ato íntimo.
É escolher continuar mesmo com as mãos feridas,
é aceitar que algumas partes nunca voltarão a ser como antes —
e ainda assim, seguir.
Força é respirar fundo quando ninguém vê,
é alinhar o coração com paciência,
é respeitar o próprio tempo de cura.
Porque há uma beleza rara
em quem se refaz sem alarde…
em quem transforma dor em aprendizado
e ausência em espaço para recomeços.
E, no fim, não se trata de voltar a ser inteiro como antes —
mas de se tornar algo ainda mais forte,
mais consciente…
e profundamente verdadeiro.
🤫 


“Não é Medida. É Amor.”


Nem sempre a passividade é sinônimo de submissão, covardia ou oportunismo. Muitas vezes, ela nasce de algo muito mais nobre: a consciência de que cada pessoa carrega sua própria história, seus limites, suas formas de sentir e reagir. É o reconhecimento silencioso de que o outro merece respeito — não apesar de ser diferente, mas justamente por isso.

Dentro de um casamento, essa passividade ganha contornos ainda mais delicados. Não existe fórmula pronta, nem medida universal.

 O que para um casal é equilíbrio, para outro pode ser excesso ou falta. É aí que entra a sensibilidade: perceber quando ceder é um gesto de amor e quando falar é um ato de cuidado. Nem sempre o silêncio é ausência — às vezes, ele é escolha. Nem sempre recuar é fraqueza — muitas vezes, é sabedoria.

A verdadeira harmonia está nessa dosagem quase invisível, nessa dança entre agir e esperar, entre falar e escutar. Saber calibrar isso, com respeito e intenção, pode ser o grande segredo de relações duradouras. Não se trata de anular-se, mas de compreender que, em alguns momentos, o equilíbrio vem justamente da capacidade de não disputar tudo, de não reagir a tudo.

Talvez o “pulo do gato” de um casamento longo e sereno esteja exatamente aí: na maturidade de entender que amar também é saber quando suavizar, quando acolher e quando, simplesmente, deixar o outro ser.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O SAGRADO QUE HABITA EM MIM...


Existe um tipo de sabedoria que não se aprende em livros, não se ensina em escolas e não se explica com lógica.

É o sexto sentido de uma mãe.
Não é adivinhação… embora pareça.
Não é exagero… embora muitos duvidem.

É leitura.
Leitura de silêncios.
De olhares que desviam.
De respostas curtas demais para quem sempre foi cheio de palavras.

Uma mãe escuta o que não foi dito.
Percebe o que foi escondido entre vírgulas.
Decifra meias falas como quem traduz uma língua antiga — íntima, única, criada no vínculo invisível entre dois corações que já bateram juntos.

É um dom que nasce antes mesmo do primeiro choro.
Quando o filho ainda é só promessa, a mãe já sente.

E depois, ao longo da vida, ela continua…
afinando esse instrumento invisível que capta mudanças mínimas, quase imperceptíveis ao mundo.

Ela percebe quando o “tá tudo bem” vem pesado.
Quando o sorriso não alcança os olhos.
Quando o silêncio grita.
E não adianta disfarçar.

Para uma mãe, o filho nunca é um enigma completo — sempre existe uma fresta por onde a verdade escapa.

Talvez seja, sim, algo quase bíblico.
Um tipo de dom sagrado, desses que não se explicam, apenas se vivem.
Uma missão silenciosa de vigiar com amor, interpretar com sensibilidade e acolher sem precisar de provas.

Ser mãe é carregar dentro de si um radar emocional afinado pelo amor.
É enxergar além do que é mostrado.
É entender sem que seja preciso explicar.

E, no fundo…
é amar tanto a ponto de conhecer alguém até mesmo quando essa pessoa tenta se esconder de si mesma.

Entre os risos e o Silêncio


Os últimos quatro dias ainda moram em mim como um sonho do qual não acordei por completo. Estou meio anestesiada, como se o coração ainda não tivesse entendido que já passou.

A casa esteve cheia. Cheia de passos apressados, de risadas soltas, de vozinhas chamando “vó” a todo instante. Dormimos juntos, apertados numa cama de casal que, de alguma forma, parecia imensa — porque cabia amor demais ali dentro.

Acordávamos cedo, não por obrigação, mas por alegria. O dia começava com brincadeiras, comidinhas feitas com carinho, pequenos desejos atendidos como se fossem grandes missões. Cada gesto simples carregava um significado inteiro.

Foram dias maravilhosos. Dias que não pediam nada além de presença.
E então… eles foram embora.
Ontem.

Hoje, a casa amanheceu diferente. Silenciosa demais. Vazia de um jeito que ecoa.
Eu e o avô, sem combinar, saímos correndo para o quintal. Por um instante, tivemos certeza de ter ouvido eles nos chamando. Como se ainda estivessem ali, escondidos em algum canto da casa, esperando a gente aparecer para mais uma brincadeira.

Mas era só saudade.
Uma saudade viva, quase concreta, que ainda brinca de fazer a gente acreditar que o tempo pode voltar alguns passos.
E talvez volte… de outras formas.
Porque o que foi vivido não vai embora.

Fica.
Nos lençóis ainda bagunçados da memória, no cheiro das manhãs compartilhadas, e nesse amor que continua correndo pela casa — mesmo quando tudo parece em silêncio.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Saudades de você, meu filho!


Filho,
Faltam quatro dias para o que seria o seu aniversário…

E não tem como evitar. A saudade chega.
Ela vem desse jeito estranho, meio tristeza, meio vazio… meio algo que nem sei explicar.

Mas eu estou aqui, vivendo isso.
Porque amar você também é isso: sentir.
Sentir a falta, a dor, a saudade… e entender que tudo isso faz parte do caminho do luto.
E está tudo bem.

Eu me permito sentir… porque você foi amor de verdade.

Filho, eu queria tanto, tanto, tanto saber que você está bem…
Queria ter a certeza de que, de onde você está, você olha por todos nós.
Que continua perto, do seu jeito… cuidando.

Ah, meu filho… que saudade eu tenho de você.
Saudade do que vivemos… e também do que não pudemos viver.

Saudade de te ver construir a sua história,
de saber se você teria filhos…
ou se seguiria dizendo, com aquele seu jeito tão seu,
que ia cuidar da mamãe e do papai.
Você falava que seria juiz…
e, no fundo, eu sei… você já era.
Justo, bom, cheio de amor.

Dói também pensar nas risadas que você não pôde dar com seus sobrinhos,
nas brincadeiras que ficaram só na promessa do tempo…
em tudo aquilo que ficou por vir.

Mas, ainda assim… você vive em nós.
Em cada lembrança, em cada gesto de amor, em cada pedaço da nossa família.

E eu sigo aqui, meu filho…
um dia de cada vez…
com saudade, com amor…
Cada dia um pouquinho 
até o nosso reencontro.

Te amo para sempre.

domingo, 12 de abril de 2026

O quebra- cabeça da vida...

A vida, às vezes, é mesmo como um quebra-cabeça espalhado sobre a mesa: peças soltas, cores misturadas, bordas difíceis de encontrar. 

Há momentos em que tudo parece confuso demais, como se nunca fosse possível enxergar sentido no meio de tanto embaralho.

Mas a verdade é que nenhuma imagem se revela com pressa.
É preciso calma para observar cada detalhe, paciência para tentar, errar, recomeçar… e, sobretudo, vontade de não desistir de organizar aquilo que, à primeira vista, parece impossível. Cada pequena peça encaixada já é um avanço silencioso, um gesto de esperança.

Não ter medo do tempo também faz parte. Há soluções que só aparecem quando damos espaço para que elas cheguem. Há respostas que nascem no intervalo entre uma tentativa e outra.

E assim, pouco a pouco, aquilo que antes era desordem começa a ganhar forma. A imagem surge, bonita, inteira — não porque foi fácil, mas porque foi construída com cuidado.

A vida não exige pressa. Ela pede presença, coragem e confiança de que, no tempo certo, tudo encontra o seu lugar.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O peso e a Luz dos dias...

Os últimos dias têm sido densos…
daqueles que pesam mais na alma do que no corpo.

O cansaço chegou devagar, quase sem pedir licença,
e quando percebi, já estava ocupando espaços dentro de mim.

Tenho feito o necessário — o básico da vida —
como quem acende pequenas luzes para não deixar o dia apagar de vez:
preparar a comida, cuidar da casa, colocar uma roupa para lavar...
gestos simples, mas que exigem mais de mim do que antes.

Tenho repousado mais.
Não apenas o corpo… mas o coração também.

As partidas recentes tocaram fundo.
Pessoas queridas que seguiram para o outro lado da vida
deixaram um silêncio diferente no mundo —
e dentro de mim também.
É um tipo de saudade que não faz barulho,
mas ocupa.

Talvez seja o tempo…
talvez seja o acúmulo dos dias, das responsabilidades,
ou essa caminhada muitas vezes solitária de dar conta de tudo.

Mas há algo em mim que permanece firme.
Porque, apesar do cansaço,
apesar das ausências,
apesar dos dias mais pesados…
eu não desisto de viver bem.

E viver bem, agora eu sei,
nem sempre é estar cheia de energia ou rodeada de certezas.
Às vezes, viver bem é simplesmente continuar.

É respeitar o próprio tempo,
acolher o próprio limite,
e ainda assim… escolher seguir.
Com calma.
Com verdade.
Com coragem quieta.

domingo, 5 de abril de 2026

Que este Domingo de Ressurreição renove a nossa fé, fortaleça o nosso coração e nos lembre: a luz sempre vence. Feliz Páscoa!


Jesus ressuscitou!

Jesus Cristo venceu a morte e nos mostrou que, depois dela, há vida.

Há vida no amor… na entrega… na esperança… no reencontro.

Que este Domingo de Ressurreição renove em cada um de nós a fé e a coragem de continuar.

Que ele nos traga não apenas esperança, mas a certeza:
não há calvário que não termine,
não há dor que seja eterna,
não há escuridão sem que, ao fundo, a luz nos espere.

E que essa luz nos encontre… e nos transforme. ✨

sexta-feira, 3 de abril de 2026

No dia de hoje, minha gratidão ao Cristo e a Virgem Mãe - a mulher que me ensinou a caminhar pelo luto por um filho!


Hoje, na Sexta-feira da Paixão, meu coração não contempla apenas a cruz de Cristo… ele revive a minha própria.

Eu, como mãe enlutada, conheço a dor que rasga, que cala, que transforma para sempre. Perder um filho de forma brutal não é apenas dor — é a inversão da vida, é um vazio que não encontra explicação.

E é por isso que, hoje, eu olho para Maria.
A Virgem Mãe não é apenas símbolo de fé… ela é espelho. Ela também viu seu filho sofrer, também enfrentou o impossível, também permaneceu de pé quando tudo dentro dela já havia caído.

Nós, mães enlutadas, somos todas Maria.
Na dor que nos atravessa.
Na ausência que grita.
Na força que não sabemos de onde vem.
E talvez seja nela que encontramos um sopro de sentido… não para entender, mas para continuar.

Hoje, mais do que nunca, eu não celebro — eu sinto.

E no silêncio da minha dor, eu me uno à dela.
Porque só uma mãe sabe.
E Maria sabe.

À todas as minhas amigas irmãs! Somos todas Marias! Amo vocês! Nossa dor nos une e nossa união nos fortalece!

Sexta-feira da Paixão


Sexta-feira da Paixão ✝️

Hoje não é apenas um feriado.
É um convite ao silêncio… à pausa… à reflexão.

É o dia que nos lembra do amor levado até o extremo — um amor que não desiste, que perdoa, que se entrega mesmo diante da dor.

Em meio à correria, às distrações e aos compromissos, fica a pergunta:
o que estamos fazendo desta data?

Talvez não seja sobre deixar de viver o dia,
mas sobre como estamos vivendo.

Um pouco mais de silêncio.
Um pouco mais de presença.
Um pouco mais de empatia.

Que hoje possamos olhar para dentro, reconhecer nossas próprias dores e lembrar: nenhuma cruz é carregada sozinha.

Porque a Sexta-feira nos ensina algo essencial…

a dor não é o fim.

Depois dela, sempre vem a ressurreição 🌿

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Quinta-feira Santa! Temos seguido o exemplo de Jesus?

A Quinta-feira Santa é um daqueles dias que não passam apenas pelo calendário — eles atravessam o coração.

É a noite da mesa simples, do pão repartido, do gesto que se transforma em eternidade. É quando Jesus Cristo, mesmo sabendo de tudo o que viria, escolhe amar até o fim — não com discursos grandiosos, mas com gestos silenciosos, profundos e eternos.

Foi ali, na Última Ceia, que Ele nos deixou mais do que um ritual: deixou presença.

“Enquanto ceavam, Jesus tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e o deu a seus discípulos dizendo:
Tomai e comei, isto é o meu corpo.
Tomando a taça, pronunciou a ação de graças e deu-a, dizendo:
bebei todos dela, porque este é o meu sangue da aliança, que se derrama por todos para o perdão dos pecados.”

Esse momento não fala apenas de fé — fala de entrega.
Fala de alguém que se doa por inteiro, que se faz alimento, que se faz caminho dentro de nós.

A Quinta-feira Santa também nos convida ao silêncio…
à reflexão sobre como temos nos oferecido ao outro.
Se temos sido pão — que alimenta, acolhe, sustenta.
Ou se temos sido ausência — mesmo estando presentes.

E talvez a pergunta mais profunda dessa noite seja simples:
o quanto de amor temos repartido?
Porque, no fim, a mensagem não está apenas no que Ele fez —
mas no que nós fazemos com isso todos os dias.!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

EU ESCREVO PARA QUEM ESQUECEU DE SENTIR...


Eu não escrevo por escrever.

Eu escrevo porque sinto demais.

E, talvez, no meio de tantas palavras que nascem de mim, exista um desejo silencioso:
o de alcançar alguém.

Alguém que também anda apressado demais,
cansado demais,
ocupado demais…
para perceber o que sente.

As pessoas têm vivido na urgência.
Tudo é pra ontem.
Tudo é corrido.
Tudo é superficial.
E, nisso, o essencial vai ficando para depois.
Ou pior… vai sendo esquecido.

Eu escrevo porque acredito que ainda existe algo muito bonito dentro de cada pessoa —
mas que precisa de pausa para aparecer.

Precisa de silêncio.
Precisa de coragem.
Precisa de sentir.

Se, em algum momento, o que eu escrevo fizer alguém parar por um instante…
respirar mais fundo…
se reconhecer em uma palavra…
ou simplesmente permitir-se sentir…
Então, já valeu.

Porque sentir não é fraqueza.

É caminho.

E talvez tudo o que a gente mais precise hoje
seja reaprender a caminhar por dentro.

terça-feira, 31 de março de 2026

A mulher que me tornei...

A mulher que um dia eu fui começou frágil.
Não frágil de delicadeza — mas de medo.
Medo de perder, de desagradar, de não sustentar o amor que acreditava ser tudo.
Vivi por muito tempo tentando caber, tentando manter, tentando segurar o mundo com mãos trêmulas.

Até que, em algum momento, algo dentro de mim despertou.
Descobri uma força que eu não sabia que existia.
Lutei, me posicionei, acreditei — não só por mim, mas também por quem eu amava.

Ali nasceu uma mulher firme. Decidida.
Uma mulher que aprendeu a dizer “não” sem culpa e “sim” com doçura.

Mas a vida… a vida também me atravessou.
E o luto me quebrou.
Não foi uma fragilidade de início — foi ruptura.
Fui uma mulher partida, tentando juntar pedaços que já não encaixavam como antes.
Por muito tempo, me senti apagada… como se existisse apenas em silêncio.

Foram anos.
Anos de tentativa, de dor, de reconstrução.
Anos de psicoterapia, de fé, de busca.
E, pouco a pouco, fui me reencontrando.

Hoje, a mulher que eu sou não é a mesma — e nem poderia ser.
Sou calma. Sou consciente.
Aprendi que família não é prisão — é convivência com respeito, com espaço, com amor leve.

Aprendi, sobretudo, a habitar a mim mesma.
Existe em mim uma paz que não é ausência de dor,
mas presença de entendimento.

E talvez essa seja a maior transformação:
eu não precisei voltar a ser quem eu era —
eu precisei me tornar quem eu sou.


O Caminho da Gratidão

O CAMINHO DA GRATIDÃO 

Entender a espiritualidade como um caminho — e não como um destino — foi o que, aos poucos, me devolveu a mim mesma.

Por muito tempo, vivi presa a expectativas: do que deveria sentir, do que deveria conquistar, de como a vida deveria responder aos meus esforços. Quando vinham as frustrações, elas pareciam maiores do que realmente eram. Quando vinham as alegrias, eu me agarrava a elas com medo de perdê-las. E assim, entre excessos e faltas, fui me perdendo… até me ver dentro de um buraco que levou anos para ser reconhecido — e mais ainda para ser enfrentado.

Foi então que, quase sem perceber, comecei a mudar o olhar.
A espiritualidade deixou de ser uma busca por respostas prontas, por milagres imediatos ou por um estado constante de felicidade. Ela passou a ser companhia. Passou a ser caminho. Um caminho silencioso, muitas vezes lento, mas profundamente transformador.

Aprendi que não preciso viver refém de grandes expectativas para seguir em frente. Que a vida não precisa ser o tempo todo intensa para ser significativa. Que existe uma beleza imensa na constância, na serenidade, no simples fato de continuar caminhando — mesmo quando os passos são pequenos.

A espiritualidade me ensinou a atravessar os dias difíceis sem me desesperar, e a viver os dias bons sem o medo constante de que eles acabem. Me ensinou que tudo passa — mas que eu posso permanecer firme, enraizada em algo maior do que as circunstâncias.

Aquele buraco de anos não desapareceu de uma vez. Não houve um momento mágico de virada. Houve passos. Houve quedas. Houve recomeços. Mas, acima de tudo, houve um caminho… e a decisão de não parar.
Hoje, sigo entendendo que a espiritualidade não me tira da vida — ela me ensina a vivê-la com mais leveza. Sem tantas cobranças. Sem tantos medos. Sem a necessidade de controlar tudo.

É um caminhar mais calmo. Mais consciente. Mais humano.
E, talvez, seja exatamente isso que me salvou.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Fomos nos despindo daquilo que nos fazia grande...


Há um silêncio estranho que se instalou dentro de nós — um silêncio que não é de paz, mas de esquecimento. Esquecimento de quem somos, de onde viemos, do chão que sustenta os nossos passos.

Houve um tempo em que a escola ensinava mais do que letras e números. Ensinava pertencimento. Havia um momento de parar, colocar a mão no peito e cantar o hino com respeito, mesmo sem compreender totalmente o peso de cada palavra. Havia o olhar atento para a bandeira, não como um pedaço de pano, mas como um símbolo vivo de uma história construída com dores, lutas, conquistas e esperança.

Ficar de pé, cantar o hino nacional antes de entrar em sala de aula ou antes de iniciar qualquer evento nunca foi um sacrifício. Sempre foi, antes de tudo, um gesto de respeito. Respeito ao pavilhão que nos representa, ao país que nos acolhe, mas também a todos aqueles que vieram antes de nós — homens e mulheres que, de alguma forma, fizeram seus próprios sacrifícios para que hoje pudéssemos viver a vida que temos.

 É um reconhecimento silencioso de que não começamos do zero, de que somos continuidade de uma história.

Em algum ponto do caminho, fomos deixando isso para trás. Talvez por pressa, talvez por desencanto, talvez por tantas decepções que fizeram o amor pelo país se confundir com a crítica aos seus problemas. E, pouco a pouco, fomos ensinando — mesmo sem perceber — que não valia mais a pena sentir orgulho.

Mas o orgulho de uma pátria não deveria nascer da perfeição. Ele nasce do vínculo. Do reconhecimento de que, apesar das falhas, existe algo que nos une — uma língua, um jeito de sorrir, uma forma única de enfrentar a vida, uma capacidade quase teimosa de recomeçar.

Quando deixamos de ensinar uma criança a respeitar sua bandeira, não estamos apenas abrindo mão de um ritual. Estamos rompendo um elo. Estamos dizendo, ainda que em silêncio, que aquele lugar não merece ser cuidado, não merece ser amado.
E talvez seja aí que começa a maior perda: quando deixamos de nos sentir parte. Porque quem não se sente parte, não protege, não valoriza, não transforma.

Resgatar esse orgulho não é fechar os olhos para os problemas. É justamente o contrário. É olhar para eles com responsabilidade e dizer: “isso também é meu, e eu me importo o suficiente para querer melhor”.

Talvez ainda haja tempo. Tempo de ensinar aos pequenos — e reaprender com eles — que amar um país não é um ato político, é um gesto de pertencimento. É cuidar do que é nosso. É reconhecer que, mesmo imperfeito, é aqui que nossas histórias florescem.
E, quem sabe, ao voltarmos a cantar — não apenas com a voz, mas com o coração — possamos reconstruir, pouco a pouco, esse laço esquecido.

segunda-feira, 23 de março de 2026

A finitude da vida


A notícia do retorno a Pátria Espiritual de dona Mariazinha me impactou demais...

Ela era dessas pessoas que nunca vamos esquecer...

Candida... forte e ao mesmo tempo dócil... agregadora da família... um ser humano incrível!

Nunca vou esquecer do tempo em que trabalhava na prefeitura e que quando as coisas me sufocaram e tiravam do eixo, inventava algo para comprar na papelaria já rezando para ela estar lá... e aí  10 minutos de prosa já acalmavam a mente e o coração! 

Que anjos de Luz e Afinidades a acompanhe em seu retorno ao nosso Verdadeiro Lar!

Que seus filhos e netos tenham o conforto da Virgem Mãe!

E que nosso município nunca se esqueça daquela que sempre será o exemplo personificado do que há de melhor nessa vida: a família!

Até breve... um dia de cada vez... cada dia um pouquinho...até o reencontro!

Paz e Luz a todos!