No Brasil — e em qualquer lugar — a corrupção não sobrevive sozinha. Ela é uma relação. Existe quem aceita, mas também existe quem oferece. Existe quem se vende, mas também quem compra.
A própria Transparência Internacional costuma reforçar que a corrupção é um sistema alimentado por duas pontas: o agente público que trai sua função e o particular que escolhe o atalho em vez da ética.
O “pixulé” não nasce no vazio. Ele nasce da cultura do: — “todo mundo faz”
— “é só para agilizar”
— “ninguém vai saber”
E assim vamos normalizando pequenas concessões que, somadas, corroem estruturas inteiras.
A Controladoria-Geral da União frequentemente destaca que o combate à corrupção depende tanto de fiscalização e punição quanto de mudança cultural — educação ética, transparência e responsabilidade social.
Porque, no fim, a pergunta é simples e desconfortável: Que tipo de país construímos quando justificamos o atalho?
A corrupção pública é grave, mas a corrupção moral — aquela que começa nas pequenas escolhas individuais — é o terreno onde tudo germina.
Talvez o maior enfrentamento não seja apenas jurídico. Seja de caráter.
E isso começa quando alguém decide não pagar. E alguém decide não aceitar.
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