Há dias em que parece que o mundo perdeu o seu eixo.
As notícias nos atravessam como lâminas. Pessoas insanas cometem atos que não apenas chocam — ferem a alma. São acontecimentos difíceis de digerir, difíceis de entender, difíceis até de aceitar como parte da realidade.
Perdeu-se a fé.
Perdeu-se o amor à família.
Perdeu-se o respeito à Pátria.
O que antes era valor, hoje parece detalhe.
O que antes era limite, hoje parece exagero.
A ganância se disfarça de inteligência.
O despudoramento se fantasia de liberdade.
O roubo encontra justificativas.
A violência encontra palco.
E o mais doloroso: já não há idade para o sofrimento.
Crianças feridas. Jovens perdidos. Idosos esquecidos...
Isso cansa.
Cansa o coração de quem ainda acredita.
Cansa a alma de quem foi educado para respeitar.
Cansa a esperança de quem não aceita a injustiça como regra.
E então surge aquele sentimento silencioso… de impotência.
Como se estivéssemos pequenos demais diante de tanto desajuste moral.
Mas talvez o mundo não tenha perdido o eixo.
Talvez o eixo esteja sendo testado.
Porque enquanto ainda houver quem se indigne,
quem se entristeça,
quem se recuse a normalizar o absurdo —
ainda há consciência viva.
O mal cresce quando o bem se acomoda.
Mas o bem resiste quando decide permanecer firme.
Não podemos controlar o mundo.
Mas podemos vigiar o nosso caráter.
Não podemos corrigir todas as injustiças.
Mas podemos não participar delas.
E isso já é resistência.
Que o mundo enlouqueça lá fora —
mas que dentro de nós permaneça a lucidez.
Que a fé não seja negociada.
Que a família continue sendo sagrada.
Que a dignidade não tenha preço.
Porque, no fim, não é o barulho da degradação que sustenta o mundo —
é a firmeza silenciosa de quem ainda escolhe o bem.
E assim seguimos.
Um dia de cada vez.
Cada dia um pouquinho.
Até o reencontro.
Nunca esqueçam: "Evoluir também é não aceitar que o erro vire regra.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário