terça-feira, 23 de agosto de 2016

3030 - Ogum (Clipe Oficial)








Indecisão


Uma personagem foi mais forte que o apelo gritado de uma mãe... Me lembrei tanto daquele dia fatídico onde coloquei meus pés no chão e clamei ao povo cigano pelo meu menino... Pedi ao Senhor Ogum que enviassem seus capangueiros para ajudar meu menino a não ter medo ao ficar sozinho... Meu coração de mãe já me dizia que naquele corpo jazia Bruno... Será que fui fraca? Será que desisti cedo demais? Será que ainda sou fraca? Há justiça nesta incomensurável dor da perda? há justiça no silencio dos amigos? 


Queria eu ter sido forte, como sou para rezar e ajudar a curar os outros... Fui fraca demais... e com isso deixei meu menino ir.

Percebo que continuo fraca e que bem de mansinho, estou também me deixando ir... Evitando o bom combate.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Mulheres a caminho - Mães Sem Nome




Talvez um dia as pessoas realmente nos entendam...

O difícil dia a dia de cada mãe enlutada




Por mais que eu tenha minhas "amigas-irmãs", por mais que eu esteja parte do meu tempo vivendo no apartamento em que meu filho mora... Eu me sinto angustiantemente sozinha.

E depois da partida do Bruno, veio esse tal de pânico e fobia social que me fazem sentir muita angústia e medo toda vez que saio sozinha... Embora eu não tenha sentido isso em Maceió.

Sou sozinha para ir aos médicos... Sozinha para encontrar as melhores opções de controle da doença... Sozinha para resolver minhas emoções... Uns dirão: "Ah, mas você tem a Nina e a Jaqueline". Sim, graças a Deus, tenho sim, mas mesmo assim sou sozinha.

E mudar essa condição não é algo que alguém possa fazer por mim. Esse é, infelizmente, um caminho que terei que trilhar sozinha. Ontem fui a perícia do Estado e percebi o quanto é humilhante dizer para alguém que você ainda sente sim, uma dor que te faz pensar em desistir, uma dor que te faz - apesar dos ensinamentos religiosos - pensar em vingança, que te faz questionar a tua fé! Sinto um enjoo diário, um nó na minha garganta e parece até que meu sistema digestivo virou um brejo de tantos sapos que preciso engolir. 

Me sinto importunando minha família... Queria um canto só meu aqui no Rio e apagar Mangaratiba da minha lembrança. Os momentos felizes ficarão comigo alimentando minha saudade. Enquanto isso, vamos de remédios violentos, psicólogos e agora vou experimentar a yoga... E também estou pensando em estudar as crenças orientais.




   Deixa eu dizer 
(Claudia)

Deixa eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar

Deixa eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar

Suportei meu sofrimento
De só se mostrar em riso inteiro

Se hoje canto meu lamento
Coração cantou primeiro

E voce não tem direito
De calar a minha boca

Afinal me dói no peito
Uma dor que não é pouca
Tem dó...

Deixa deixa eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar...

Suportei meu sofrimento
De só se mostrar em riso inteiro

Se hoje canto meu lamento
Coração cantou primeiro

E voce nao tem direito 
de calar a minha boca

Afinal me dói no peito 
Uma dor que não é pouca
Tem dó...

Deixa deixa eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar...

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Dia dos Pais




Sei que está doendo... Que você está se sentindo incompleto, mas, meu amor você sempre terá a consciência do dever cumprido, do amor, mesmo que de uma maneira dura, dedicado a seus filhos. Você abriu mão de muitas coisas na vida para que eles um dia, quando viessem a precisar, não precisassem do esforço desumano que você chegou a se submeter para dar a eles uma vida digna; tudo fruto do teu trabalho da tua dedicação sem precisar usurpar de dinheiro público. Éramos felizes e ainda seremos, mas sempre pela metade, amputados, mas seremos! 

Obrigada por existir em nossas vidas! Obrigada pelo pai que foi para o Bruno e que é para o Lourencinho.

Sou uma abençoada! Te amo!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A terapia é essencial

Bem, amigas, estou em um momento muito complicado... Ando me questionando muito sobre a minha real fortaleza... Sobre o porquê de me sentir na obrigação de mostrar que estou reagindo quando na verdade estou despencando...

Não é fácil quando se sente responsável por um tanto de gente... Quando se sente um estorvo para família e amigos que com certeza já não aguentam mais esta oscilação de humores relativos ao luto...

Conversei hoje com minha médica... Estou de saco cheio de ser o que os outros querem de mim... Uma dureza que não existe... Um sorriso que não tem porquê e tem mais, enchi o saco desta frase de quem estuda pela metade e diz: "Seu filho deve estar muito desequilibrado e triste com sua tristeza..."

Ora bolas, se havia uma programação anterior e o objetivo era minha regeneração, o pessoal lá de cima deveria ter me concedido um mínimo de lembrança para que através do meu livre arbítrio, eu decidisse como passar este luto cruel! Haja conflito!

Minha médica me aconselhou a ler sobre a flor de lótus... 

Que tal fazermos juntas e depois colocarmos aqui nossa opinião? Eis um link: http://www.japaoemfoco.com/flor-de-lotus-significado/

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Quando as novelas mexem conosco...



Estou numa fase de muita saudade... 
Muita mesmo! 
Sei que ele estaria dando o de melhor para ajudar ao irmão... 

Faz três dias que esta novela "Velho Chico" mexe muito comigo... Me trouxe o desespero da inércia da polícia... A certeza de que um certo delegado estava apenas aspirando sua colocação mais glamourosa... E o que é pior: a certeza de que aí tem dente de coelho! Tenho dois organizadores engasgados em minha garganta e rezo todos os dias pela integridade física deles para que eles não acabem sendo vítimas como meu filho...

Quero ter um pouco de paz! Aliás, queria sumir, mas tenho outro filho e ele precisa de mim...

Estou cansada... muito cansada!

A mãe do personagem Santo em "Velho  Chico" disse: "Como pode uma mãe viver sem seu filho? Por que tanta violência? Querem tirar tudo de mim!"

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Recaída


Olá, amigas! Antes gostaria de pedir  desculpas  pelo distanciamento. Sou uma mulher de fases... Fiquei muito frustrada no dia da reunião  por já  estar no Recreio  e não  poder ir. 

Eu estive pensando... Meu filho Lourencinho me disse assim: "Mãe,  você é  tão  bonita, porque não coloca dentes nestes teus sorrisos? Poucas são as vezes que você sorri com o coração!"  

Meu filho tem razão! Eu perdi a mão... Perdi o rumo... Às vezes acho que virei uma farsa... Uma bipolar.

Estes dias pensei em desistir. 

Aí, lembrei do meu filho Lourencinho que tem lutado tanto para dar uma vida digna a sua filha... Lembrei das minhas netas e pensei muito em vocês... No quanto minha desistência seria um desestímulo para vocês.

Eu não consigo mais acreditar que meu filho virou mais uma estatística neste estado de merda... Que enquanto eu definho, governadores, prefeitos e chefes das polícias se regozijam com as maravilhas que os cargos lhe oferecem... 

Bem... Estou em uma fase de desesperança... E eu não quero pena de ninguém... Preciso de oração... Muita... Muita mesmo!



quinta-feira, 28 de julho de 2016

O que você sente quando olha uma fotografia de seu(sua) anjo(a) ?




Hoje minha saudade bateu doída... E eu procurei disfarçar o máximo que pude... Por vezes, penso que minha saudade manifestada, cansa as pessoas que vivem ao meu redor... Percebo que todos precisam dar seguimento as suas vidas e essa minha oscilação de humor e sentimentos desgasta muito.

Eu sinto uma falta imensa do meu filho... Uma saudade de suas brincadeiras... De seus momentos musicais ao violão... De nossas conversas na varanda e até de seus momentos de mau humor!

E hoje, ao me sentir saudosa, busquei no celular suas fotografias e por uns instantes eu me confundi... Parecia que tudo foi um pesadelo e que o Bruno estava viajando e já-já chegaria em casa... Foi tão estranho... Não pensei em uma viagem espiritual... Não havia naquele momento lucidez em mim...

Até quando isto vai durar? Até quando vou me sentir incompetente como mãe? Por que será que este sentimento de culpa não vai embora?

Preciso de vocês, amigas irmãs! Preciso da experiência de vocês embora saiba que a dor de perder um filho seja única... 

domingo, 24 de julho de 2016

E a cada dia, uma nova descoberta... Um dia de cada vez... Cada dia um pouquinho...


Hoje foi dia de psicografia na Associação Obreiros de Jesus - AOJ. A noite passada eu havia ficado com minha neta de 10 meses para os pais trabalharem no FoodTruck... Fui dormir bem tarde e creio que devo ter conseguido realmente dormir lá pelas 3h da manhã. Hoje acordei às 6h30min para tomar banho, rezar, tomar café e estar como recomendado às 8h na porta da Casa Espiritual.

Noite mal dormida... Ansiedade a mil e a saudade, nem preciso falar... E lá fui eu cumprindo com o estabelecido, camiseta do G.A.M.E. com meu filho em um coração amparado por minhas amigas-irmãs e muito amor para dar e receber.


A casa ficou lotada como sempre e hoje, muitos eram os pais que estavam faz pouco tempo trilhando o caminho do luto. Observei cada rosto... E me vi várias vezes dentro daqueles olhares vazios "tão cheios" de uma dor que não se explica... E doeu forte em mim, por cada um deles, por cada lágrima de dor e solidão! Sim, porque por mais que tenhamos familiares e que estejamos sendo assistidos, esta dor é única, solitária e covardemente cruel.

Uma coisa em meio a tanta tristeza me ofereceu em princípio um certo conforto: eram mais casais que de costume. Normalmente, é a mãe que procura ajuda. Raramente o pai e creio que isso se deva a esta cultura machista que é incrustada no homem, como se a ele fosse proibido sofrer! Aff, não entendo isso... Tenho muita dificuldade para entender ou aceitar certos costumes dessa humanidade!

Vi mães que traduziam de maneira fidedigna o meu retrato nos primeiros meses do luto, assim como, vi um pai com 13 meses de luto que me garantiu que por vezes tinha vontade de sumir... E eu o entendo... Quantas não foram as vezes que pensei o mesmo.

Eu já sabia que não receberia uma cartinha do meu filho... MÃES SEMPRE SABEM DAS COISAS! E após a hora do almoço, eu poderia ter me retirado e seguir para casa como havia combinado com meu filho e nora. Não consegui sair! Eu senti que precisava ficar, que precisava conversar com aquelas pessoas e dizer: "Olha, eu sei o que você está sentindo... Sua dor é a minha dor... Vamos chorar e vencer juntos!" E assim o fiz: fiquei e conversei com os pais.

Expliquei a mãe o que aprendi com a empresária e  mãe enlutada Andrea Murgel: o luto possui 05 fases distintas, que não possuem tempo de demora, e muito menos que sejam pré-requisitos umas das outras para avanço nesse processo... Nós, nosso sentimento, nossa força interior e nossa fé é que nos dirão este tempo.

Falei com uma mãezinha: "Você sabia que há um alto índice de separação entre casais que perdem seus filhos?" Vi que ela se interessou pelo assunto e fui logo discursando pelo tema. Após falar pelos dados técnicos do assunto, mostrei uma passagem do livro "O Encantador de Almas", mostrei qual o objetivo espiritual no desencarne de filhos antes dos pais. Dei meu depoimento de vida conjugal antes do luto e pós-luto... Reconheço neste processo a explicação pela passagem de meu filho: O RESGATE DA FAMÍLIA! 

Conversei com um paizinho muito humilde que sempre está no Obreiros. Eita, como gosto desse senhorzinho! Conversamos sobre vários temas dentro do luto e foi uma troca gratificante de experiências...

Ao final da sessão, quando foi lida a última cartinha, eu tinha dentro do meu peito uma sensação de paz... De dever cumprido... De GRATIDÃO!

Como assim? Como estar grata depois de passar 10 horas em um lugar cheio de gente, me entupindo de café, ouvindo gente tagarelar ao esquecer que - embora não aparente - a casa é uma igreja, um local santificado e nem receber um bilhetinho, quiçá uma carta de 13 folhas como das outras vezes?  E receber apenas um recadinho assoprado no ouvido da pessoa responsável pelas psicografias...

Eis a explicação! Eu nunca briguei com Deus! Nunca me revoltei com Ele! Minha tristeza e desesperança foi em relação ao ser humano, uma coisa que aos poucos estou conseguindo digerir... Como ser espírita e não respeitar as individualidades? Como crer em Deus, orar o Pai Nosso e esquecer que recitamos na oração o trecho: "Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como nos céus?" Como amar a Carta aos Coríntios, 1 de Paulo e esquecer justamente da caridade?

Foi isso! Minha alegria foi justamente a alegria e felicidade do outro! Foi ver cada rosto de mãe e de pai enlutados sentindo um refrescar na sua dor, um amansar das tristezas, um usufruir do verdadeiro espírito consolador das religiões! Hoje o dia também foi de alegria e de gratidão, mas foi acima de tudo um dia de CRESCIMENTO ESPIRITUAL! 

DEUS NOS ABENÇOE! AMO VOCÊS!

Reunião do G.A.M.E. - Grupo de Apoio a Mães Enlutadas



Não percam!
JUNTOS SOMOS FORTES!