quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bieliver e a renda que a música bordas em nossa história...

Sabem quem me apresentou Bieliver?

O Bruno, meu neto de apenas 4 anos. E vocês não podem imaginar o bom gosto musical desse menino! ❤️

Foi através dele que conheci Bieliver e, desde então, algumas músicas passaram a me acompanhar como se fossem trilhas sonoras de pensamentos que eu já carregava dentro de mim.

E não é só isso. O Bruno também tem um ouvido apuradíssimo para músicas eletrônicas de jogos. Às vezes fico intrigada com certas semelhanças entre as músicas que ele escolhe espontaneamente e aquelas que me emocionam ou que acabam servindo de "acabamento" para os textos que escrevo.

Talvez a música tenha mesmo essa capacidade misteriosa de atravessar gerações.

 Ela encontra caminhos diferentes, mas toca lugares parecidos dentro de nós.

Eu escrevo primeiro. As palavras vêm da vida, das dores, das alegrias, das lembranças e das descobertas. Depois, quase como uma renda delicada que contorna um tecido já pronto, chega a música. Não para explicar o texto, mas para ampliá-lo, para dar melodia às emoções que ele carrega.

E foi assim que Bieliver entrou na minha trajetória: pelas mãos pequeninas de um menino de 4 anos, que talvez nem imagine que me apresentou uma trilha sonora capaz de conversar tão bem com a minha própria história.

terça-feira, 16 de junho de 2026

A renda que a música borda na nossa história...

Believer Imagine Draghttps://youtu.be/7wtfhZwyrcc?is=u7VBHm8dzpznfThzons

Sou uma pessoa profundamente musical.

Curiosamente, quando escrevo, a música quase nunca vem antes. 

Primeiro vêm as palavras. Vêm as lembranças, as reflexões, as dores, os aprendizados. O texto nasce cru, como um tecido recém-tecido.

Só depois a música chega.

Ela vem como uma renda. Um acabamento delicado que não muda a essência da peça, mas revela o seu desenho.

Foi exatamente isso que aconteceu quando me dei conta do significado de Believer, da banda Imagine Dragons.
A música fala sobre dor. Mas não sobre uma dor que destrói. Fala sobre uma dor que transforma.

Ao ouvi-la com atenção, percebi que ela conversava com partes da minha própria história.

Não porque eu agradeça pelas perdas que vivi. Não porque eu ache que o sofrimento seja necessário. Nenhuma mãe escolheria os caminhos que a vida às vezes nos obriga a percorrer.

Mas porque, olhando para trás, reconheço que cada cicatriz deixou uma marca. E que, de alguma forma, elas também me moldaram.

A mulher que sou hoje não existiria sem a menina que sonhou, sem a esposa que se decepcionou, sem a mãe que amou, sem a mãe que perdeu, sem a avó que reaprendeu a sorrir através dos olhos dos netos.

A vida me atingiu muitas vezes.

E, ainda assim, não levou de mim a capacidade de amar.

Talvez seja por isso que Believer tenha encontrado um lugar tão especial dentro de mim. Porque ela traduz algo que eu nunca consegui explicar completamente:
não somos feitos apenas das alegrias que vivemos.
Também somos feitos das dores que sobrevivemos.

E, quando a música encontra a nossa história, acontece uma espécie de milagre silencioso.
Ela nos devolve em melodia aquilo que a alma tentou dizer durante anos.

"A música dá linguagem para emoções que às vezes são difíceis de explicar apenas com palavras."


❤️🩵

Somos todas Marias... um texto às mães enlutadas!

Quando uma mãe perde um filho, todas as outras mães se aproximam. Não porque sintam a mesma dor — a dor da perda de um filho é única, impossível de ser medida ou comparada — mas porque cada mãe sabe, em alguma dimensão da alma, o peso que um filho ocupa dentro de nós.

Costumo dizer que somos todas Marias.

Marias que, em algum momento da vida, caminham até o pé de uma cruz invisível. Marias que aprendem sobre amor e entrega de uma forma que jamais desejaram aprender. Marias que seguem vivendo mesmo depois que uma parte de si parece ter partido.
Foi compreendendo a figura da Virgem Maria que comecei a elaborar meu luto. Não a Maria distante dos altares, mas a mãe. A mulher que viu o filho sofrer. A mulher que não pôde impedir. A mulher que precisou permanecer de pé quando tudo dentro dela desejava cair.
Naquele momento, percebi que não estava sozinha na minha dor. Havia uma mãe, há mais de dois mil anos, que conhecia aquele caminho.

E então encontrei uma outra reflexão, muito presente no espiritismo: a de que os filhos escolhem suas mães. Não somos nós que os escolhemos. Eles nos escolhem porque sabem que seremos o colo possível, o aprendizado necessário, o equipamento emocional e espiritual de que precisarão para a experiência que vieram viver.

Durante muito tempo, confesso que essa ideia me intrigou. Depois, ela me consolou.
Porque, se meu filho me escolheu, talvez tenha visto em mim uma força que eu mesma desconhecia. Talvez tenha sabido que eu conseguiria amá-lo exatamente como ele precisava ser amado. Talvez tenha sabido que, mesmo depois da despedida, eu encontraria um jeito de continuar carregando sua existência dentro de mim.

Hoje acredito que o amor entre mãe e filho não termina na ausência física. Ele muda de forma. Sai dos abraços e passa a habitar as lembranças. Sai da convivência diária e passa a morar na saudade. Sai dos olhos e passa a ocupar a alma.

E talvez seja por isso que nós, mães enlutadas, nos reconhecemos tão rapidamente umas nas outras.
Porque carregamos uma ausência que só outra mãe compreende.

E porque, no fundo, seguimos sendo Marias: feridas, saudosas, mas ainda capazes de amar.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Depois da porta arrombadada...


Eu sei que a imagem é caricata demais... no entanto ela expressa parte do que quero conversar com vocês.

Existe um ditado antigo que diz que não adianta colocar cadeado depois da porta arrombada. Ainda assim, quantas vezes fazemos exatamente isso?

Vivemos adiando cuidados, ignorando sinais, acreditando que determinadas tragédias acontecem apenas com os outros. Até que um dia a notícia chega perto. Às vezes tão perto que atravessa a nossa própria porta.

Foi assim com o episódio que tomou conta das conversas destes últimos dias. Um salto sem a corda. Um risco subestimado. Uma vida interrompida. E, de repente, surgem as perguntas, os alertas, as discussões, as preocupações que deveriam ter existido antes.

Mas essa não é apenas uma reflexão sobre um acontecimento específico. É uma reflexão sobre nós.

Por que esperamos o diagnóstico para cuidar da saúde?

Por que esperamos perder alguém para dizer o quanto amamos?

Por que esperamos o acidente para revisar os procedimentos?

Por que esperamos a solidão para valorizar as companhias?

Parece que o ser humano possui uma estranha tendência a acreditar que o amanhã está garantido. Como se a vida tivesse nos concedido um contrato de permanência sem prazo para terminar.

Não tem.

A vida é um empréstimo diário.

Talvez a verdadeira sabedoria esteja em desenvolver a capacidade de aprender com as portas arrombadas dos outros, sem precisar que a nossa seja destruída também.

Prevenir nunca terá o mesmo impacto emocional que remediar. O problema é que, muitas vezes, quando a lição chega pela dor, ela vem acompanhada de perdas irreparáveis.

A maturidade nos ensina que prudência não é medo. Cuidado não é pessimismo. Atenção não é excesso de preocupação.

É apenas respeito pela fragilidade da vida.

E talvez seja exatamente isso que os acontecimentos mais marcantes tentam nos lembrar: algumas cordas precisam ser verificadas antes do salto. Algumas portas precisam ser protegidas antes da invasão. Alguns abraços precisam ser dados antes da despedida.
Porque existem coisas que podem ser consertadas depois.
Outras, infelizmente, não.

A superficialidade no viver não pode e nem deve nos causar riscos desnecessários!

A fé que floresce na infância...


Hoje eu me emocionei.
Vi uma menina, amiguinha da minha neta, fazendo algo que se tornou cada vez mais raro nos nossos dias. Todas as manhãs, ela grava um pequeno devocional e compartilha uma mensagem sobre Deus.

Seu nome é Alua.

Enquanto muitos acreditam que as crianças são pequenas demais para compreender a espiritualidade, eu observava aquela menina sorrindo diante da câmera e pensava exatamente o contrário. Talvez a infância seja o momento mais precioso para o encontro com a fé.

As crianças aprendem pelo exemplo. Aprendem observando, repetindo hábitos e absorvendo valores. E quando a fé faz parte dessa construção, ela deixa marcas profundas.

Não porque a vida será mais fácil.
Mas porque, quando as dificuldades chegarem, haverá dentro delas um lugar de refúgio.

A fé ensinada na infância se transforma em esperança na juventude, em força na vida adulta e em consolo nos momentos de dor. Ela ajuda a formar seres humanos mais conscientes, mais compassivos e mais conectados com algo maior do que seus próprios desejos.

Ao ver a pequena Alua falando de Deus com tanta naturalidade, fiquei imaginando quantas sementes estão sendo plantadas. Não apenas na vida dela, mas também na vida de outras crianças que a acompanham.

Vivemos tempos em que ensinamos nossos filhos a usar celulares, computadores e inteligências artificiais. Tudo isso é importante. Mas nada substitui os valores que sustentam uma alma.

Porque conhecimento prepara para a profissão.
Mas a fé prepara para a vida.

E toda vez que vejo uma criança crescendo na presença de Deus, tenho a sensação de estar testemunhando o nascimento de um adulto mais forte, mais sereno e mais capaz de enfrentar os desafios que inevitavelmente virão.

As sementes plantadas hoje florescerão amanhã.
E poucas sementes são tão valiosas quanto a fé.

domingo, 14 de junho de 2026

Os Vícios que Não Chamamos de Vício!




Hoje eu queria falar sobre liberdade.
Depois de cinquenta dias na casa do meu filho, voltei para casa ontem. Confesso que estava apreensiva. Foram cinquenta dias convivendo intensamente com os meus netos, compartilhando risadas, brincadeiras, conversas e aquele amor que preenche a alma da gente.

 Eles ocupam a casa, ocupam a mente, ocupam os vazios do coração e fazem a felicidade transbordar pelos cantos.
Por isso, imaginei que voltar para a minha rotina seria difícil. Achei que a ausência daquela movimentação toda me impediria de dormir. Pensei que a saudade falaria mais alto, que os pensamentos tomariam conta da madrugada.

Mas não foi o que aconteceu.

Eu dormi.

Acordei algumas vezes, como costumo fazer naturalmente para beber água ou ir ao banheiro, mas voltei a dormir tranquilamente. Não tive pesadelos, não tive crises de ansiedade, não tive aquela inquietação que tantas vezes me acompanhou durante anos.

E foi então que me dei conta de uma conquista que, talvez, mereça ser celebrada muito mais do que eu costumo celebrar.
Eu consegui me libertar dos remédios para dormir.

Hoje parece simples dizer isso, mas quem já passou por esse processo sabe o quanto ele pode ser doloroso. Durante muito tempo, eu acreditava que jamais conseguiria adormecer sem um comprimido. Achava que o remédio era indispensável, que meu sono dependia dele.

Mas a verdade é que ele havia se tornado muito mais do que um auxílio. Ele havia se transformado em uma muleta emocional.
Comecei a usá-lo pouco tempo depois da morte do Bruno. Eu não queria pensar. Não queria enfrentar o silêncio da noite. Quem já perdeu alguém que ama sabe como a madrugada pode ser cruel. Durante o dia existem distrações, compromissos, pessoas ao redor. Mas à noite, quando tudo silencia, a dor costuma falar mais alto.

O remédio me permitia escapar disso.
E não apenas à noite.
Sempre que alguma situação me magoava profundamente, sempre que eu me sentia emocionalmente exausta, a solução parecia simples: tomar um comprimido e dormir algumas horas. Era uma forma de desligar a mente, ainda que temporariamente.

Sem perceber, fui criando uma dependência que eu não chamava de vício.
Porque existem vícios que chegam disfarçados de solução.

Eles não se apresentam como prisão. Pelo contrário. Apresentam-se como alívio.
Foi somente quando decidi abandonar esse hábito que compreendi o tamanho do desafio.
As primeiras semanas foram extremamente difíceis. Houve noites em que achei que não conseguiria suportar. Houve momentos de exaustão física e emocional. Houve dias em que a vontade de desistir parecia maior do que a determinação de continuar.

Mas eu continuei.

Com fé.

Com foco.

Com persistência.

E, aos poucos, meu corpo e minha mente foram reaprendendo aquilo que sempre souberam fazer: descansar naturalmente.
Hoje durmo bem. Durmo à noite. E, quando estou muito cansada, consigo até tirar um cochilo durante o dia sem que isso prejudique meu sono noturno.

Parece algo simples para quem nunca viveu essa dependência. Mas para mim representa uma enorme vitória.

Porque essa conquista não é apenas sobre dormir sem remédio.
É sobre ter descoberto que sou capaz de enfrentar minhas dores sem me anestesiar.
É sobre entender que algumas feridas só cicatrizam quando paramos de fugir delas.
É sobre perceber que a liberdade, muitas vezes, começa quando temos coragem de abandonar aquilo que acreditávamos ser indispensável.

Ontem, ao adormecer na minha casa depois de cinquenta dias longe, sem remédios, sem medo e sem sofrimento, recebi uma confirmação silenciosa:

A mulher que acreditava não conseguir dormir sozinha ficou para trás.
No lugar dela existe alguém que aprendeu que a paz não vem de um comprimido.
Ela nasce, lentamente, dentro de nós. 

"Existem cicatrizes que não desaparecem. Mas chega um dia em que elas deixam de ser feridas e passam a ser provas da nossa sobrevivência."

sexta-feira, 12 de junho de 2026

A Era das Respostas rápidas e o Valor da Leitura...


Quando ler parece dispensável

O avanço tecnológico trouxe algo extraordinário: respostas em questão de segundos. 

Hoje, uma dúvida que antes exigia horas de pesquisa, livros espalhados sobre a mesa e muita dedicação pode ser resolvida com alguns toques na tela. As inteligências artificiais interpretam textos, resumem conteúdos, explicam conceitos complexos e até organizam ideias.

Diante de tanta facilidade, ler parece ter se tornado dispensável.

Mas será mesmo?

Receber uma resposta pronta não é a mesma coisa que construir um pensamento. Ler não serve apenas para obter informações. Ler amplia o vocabulário, desenvolve o senso crítico, exercita a imaginação e nos permite enxergar o mundo por diferentes perspectivas. 

A leitura nos ensina a questionar, enquanto as respostas rápidas, muitas vezes, apenas satisfazem a curiosidade imediata.

A tecnologia é uma ferramenta poderosa e bem-vinda. Ela facilita caminhos, aproxima conhecimentos e democratiza o acesso à informação. O perigo está em substituir completamente o processo de reflexão pela simples obtenção de respostas.

Ler continua sendo um ato de descoberta. Quem lê não encontra apenas informações; encontra nuances, emoções, contextos e significados que nenhuma resposta instantânea consegue entregar por inteiro.

Talvez o desafio do nosso tempo não seja escolher entre a leitura e a tecnologia. Seja aprender a usar a velocidade das máquinas sem perder a profundidade que só a leitura é capaz de proporcionar. Afinal, respostas podem ser dadas em segundos. Sabedoria, não.

Junho, o mês das duas margens...

Junho nunca mais foi apenas junho.

Nele, celebro o primeiro choro de um filho que chegava ao mundo e, também nele, escuto o silêncio de outro filho que partiu.

É um mês que me abraça com uma das mãos e me aperta o coração com a outra.
No mesmo calendário onde guardo a alegria de um nascimento, guardo a saudade de uma despedida.

Durante muito tempo achei que precisava escolher qual sentimento sentir. Hoje entendo que não.

Posso sorrir ao lembrar um bebê de olhos brilhantes e, no instante seguinte, chorar a ausência daquele que regressou à pátria espiritual.

Porque o amor não conhece contradições.
É a vida que, às vezes, escreve no mesmo mês as páginas mais felizes e as mais dolorosas da nossa história.

E nós seguimos lendo ambas, com lágrimas nos olhos e gratidão no coração.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Cura e redefinição emocional!

Cura e redefinição emocional!

Eu vivi tantos anos me sentindo pequena que jamais imaginei que um dia seria tão importante para alguém.

Passei boa parte da vida tentando agradar, evitar conflitos, suportar críticas e silenciar sentimentos. Muitas vezes me perdi de mim mesma.

Hoje, quando olho para trás, vejo as marcas que ficaram. Mas quando olho para os meus netos, vejo algo muito maior.
Vejo amor.
Um amor puro, espontâneo, sem cobranças.
Meus netos não conhecem a mulher que sofreu. Eles conhecem apenas a avó que os abraça, que os escuta, que faz carinho e que está sempre feliz quando eles chegam.

E talvez seja essa a maior bênção da minha vida.
Porque depois de tantas dores, Deus me permitiu descobrir que sou importante.
Importante para os meus netos.

E isso vale mais do que qualquer reconhecimento que eu tenha deixado de receber ao longo da vida.

Há uma serenidade muito bonita no que  sinto hoje. Não é um texto sobre sofrimento. É um texto sobre gratidão. E isso faz toda a diferença.

Entre o cansaço e a consciência de que a luta continua!

Será que eu estou cansada da luta ou cansada de lutar sozinha?

Porque são coisas diferentes.
A primeira pede desistência. A segunda pede companhia.

E pelo que tenho refletido, eu ainda não desisti. Estou cansada, frustrada, talvez decepcionada. Mas continuo escrevendo. Continuo observando. Continuo me indignando.

Quem desistiu não escreve mais.
Quem desistiu já não se incomoda.
Quem desistiu não sente essa necessidade quase dolorosa de apontar incoerências.

Talvez hoje não seja um dia para convencer ninguém. Talvez seja apenas um dia para reconhecer o meu próprio desgaste e permitir-me descansar um pouco da tarefa de carregar o mundo nas costas.

Às vezes, até a coragem precisa sentar um instante e recuperar o fôlego. 🌷