Este blog é mais uma ferramenta para ajudar mães enlutadas a viverem seus dias de saudade entre o céu e a terra.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Quando o dia muda o rumo...
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Vivendo o curso normal da vida...
No fim de semana, tivemos um daqueles encontros que fazem bem à alma. Estávamos em Areal, reunidos: os Olivieris e aqueles que chegaram aos Olivieris pelo caminho do amor, da amizade, dos casamentos, da vida.
Em determinado momento, meu filho olhou para mim, referindo-se à minha neta, que já está entrando naquela fase entre os dez e os onze anos, e disse:
— Tá vendo, mãe? Olha só... Agora ela não quer mais saber da vovó, não quer mais perder tempo com a vovó nem com o papai. Você ainda prefere se sacrificar para comprar uma bebê reborn nova, o vestido de caipira mais caro?
E eu sorri.
Mas não sorri porque não houvesse verdade no que ele dizia. Sorri porque havia muito mais preocupação naquele comentário do que realmente preocupação comigo. Havia ali a dorzinha de um pai percebendo que a filha está crescendo.
Eu entendo.
Também já estive naquele lugar.
Houve um tempo em que eu era apenas mãe. E, como toda mãe, também acompanhei meus filhos deixando, pouco a pouco, algumas coisas para trás. A infância vai dando lugar a outras vontades, outros interesses, outras companhias. E nós, adultos, às vezes confundimos esse movimento natural com afastamento.
Quando eles preferem os amigos, pensamos que não querem mais estar conosco.
Quando começam a fazer escolhas próprias, sentimos que estamos perdendo espaço.
Quando já não querem brincar como antes, quase perguntamos, em silêncio: “Em que momento você deixou de precisar tanto de mim?”
Mas a maturidade foi me ensinando, especialmente através dos netos, que crescer não é deixar de amar.
É apenas crescer.
É descobrir o mundo para além do colo da mãe, da mão do pai, da brincadeira com a avó.
É começar a fazer escolhas. Ter preferências. Ser seletivo. Querer aquilo que os adultos, muitas vezes, não entendem. Uma bebê reborn. Um vestido de caipira mais bonito. Uma tarde com os amigos. Um mundo que, aos poucos, começa a ser deles.
E nós precisamos aprender a não transformar cada passo de independência em uma sensação de abandono.
Porque talvez não estejamos perdendo espaço.
Talvez estejamos apenas precisando aprender a ocupar um lugar diferente.
Hoje eu entendo que o meu amadurecimento protege os meus netos. Protege-os da culpa de crescer. Da obrigação de permanecerem pequenos para que os adultos não sofram. Uma criança precisa poder mudar, escolher, experimentar, afastar-se um pouquinho e voltar, sem sentir que está machucando quem a ama.
Mas o meu amadurecimento também protege a mim.
Porque, quando compreendemos o curso natural da vida, não enxergamos todas as mudanças como perdas.
Aquela menina que hoje já não quer passar tanto tempo brincando com a vovó não deixou de amar a vovó.
Ela está apenas crescendo.
E o meu filho, naquele instante, talvez ainda estivesse aprendendo a ser pai de uma menina que já não é tão menina.
Eu olhei para ele e sorri porque hoje sei de uma coisa que talvez só o tempo ensine:
Não devemos tentar impedir que eles cresçam para que continuem precisando de nós.
Precisamos crescer junto com eles, para que, mesmo quando não precisarem mais de nós como antes, continuem querendo voltar para nós.
Porque o colo muda.
As conversas mudam.
As brincadeiras mudam.
O tempo junto muda.
Mas o amor...
Ah, o amor não precisa diminuir.
A vida apenas segue o seu curso.
E nós, que amamos, precisamos aprender a acompanhá-la. ❤️
Explicando felicidade...
As músicas e os amores abafados no fundo da alma...
QUANDO O ONTEM AINDA ECOA...🌪🌬🌀
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
EM QUE MOMENTO NÓS NOS PERDEMOS?
Em que momento nós nos perdemos?
Há imagens que a gente assiste e gostaria de poder esquecer.
Mas algumas imagens não deveriam ser esquecidas.
Um pai caminhando tranquilamente com a filha pequena, aparentemente a caminho da escola. Uma criança ao seu lado, seguindo a rotina de qualquer manhã. Até que um carro se aproxima e, segundo o que mostram as imagens, homens atiram contra ele sem demonstrar qualquer preocupação com a presença daquela criança.
O motivo que levou à execução não é o que quero discutir aqui.
Porque existe algo ainda mais assustador do que tentar compreender por que alguém decidiu matar outro ser humano: é perceber que, naquele momento, aparentemente não houve sequer a preocupação de poupar uma criança do horror.
E isso me faz pensar que alguma coisa muito profunda se rompeu.
Durante muito tempo, mesmo no universo brutal da criminalidade, existiam limites que pareciam ser reconhecidos. Crianças, idosos, famílias... havia, ou pelo menos se imaginava haver, determinados códigos que não deveriam ser ultrapassados.
Hoje, até isso parece estar desaparecendo.
A vida humana está sendo banalizada.
A morte virou uma cena cotidiana. Um corpo no chão, tiros disparados em plena rua, pessoas correndo, alguém filmando, alguém comentando nas redes sociais... e, pouco depois, seguimos para o próximo assunto.
Como se a vida tivesse perdido o seu valor.
Como se matar fosse apenas mais um acontecimento.
E o que mais me assusta é que não estamos falando apenas de criminosos cada vez mais violentos. Estamos falando de uma sociedade que está sendo obrigada a conviver diariamente com o medo, com a insegurança e com a sensação de que ninguém está realmente protegido.
Hoje é um pai levando a filha para a escola.
Amanhã pode ser alguém indo trabalhar.
Uma mãe voltando para casa.
Um idoso atravessando a rua.
Uma criança brincando na calçada.
Quem será o próximo?
E não estou falando de uma cidade específica. O problema ultrapassou fronteiras. É um sentimento que alcança diferentes lugares deste país.
E nós vamos ficando cansados.
Cansados de assistir.
Cansados de sentir medo.
Cansados de ouvir histórias de pessoas assassinadas, assaltadas, sequestradas, vítimas de uma violência que parece não encontrar mais freios.
Cansados de precisar calcular caminhos, horários, lugares e riscos.
Cansados de tentar proteger quem amamos.
E talvez o mais perverso de tudo seja isso: a violência não mata apenas pessoas. Ela vai matando, aos poucos, a nossa sensação de liberdade.
A gente começa a ter medo de sair.
Medo de voltar.
Medo de estar no lugar errado, na hora errada.
Medo por nossos filhos, nossos netos, nossos pais.
E como continuar vivendo assim sem adoecer por dentro?
Como não sentir angústia diante de um mundo em que uma criança pode presenciar o assassinato do próprio pai simplesmente porque estava caminhando ao lado dele?
Eu me pergunto, sinceramente:
Em que momento nós nos perdemos enquanto humanidade?
Em que momento a vida passou a valer tão pouco?
Em que momento a crueldade deixou de chocar?
Em que momento uma criança deixou de ser um limite?
E, principalmente, até onde nós vamos?
Eu não tenho uma resposta.
Mas ainda quero acreditar que existe salvação.
Porque, se eu deixar de acreditar nisso, então a violência terá conseguido levar mais do que vidas. Terá levado também a nossa esperança.
Talvez a salvação comece justamente quando a gente se recusa a considerar o absurdo normal.
Quando uma morte ainda nos revolta.
Quando uma criança ainda nos faz parar e pensar.
Quando nos recusamos a dizer simplesmente: “É assim mesmo.”
Não. Não deveria ser assim.
Uma sociedade que perde a capacidade de se indignar diante da morte já começou a morrer também.
Por isso, diante dessas imagens, eu não quero apenas sentir medo.
Quero fazer a pergunta que talvez todos nós precisemos fazer:
Que país estamos deixando para nossas crianças?
E, se ainda houver salvação — e eu quero acreditar que há —, talvez ela comece quando decidirmos que a vida humana precisa voltar a ter valor.
Toda vida.
Sem exceção.
Porque quando uma criança deixa de ser um limite para a violência, não é apenas aquela família que está em perigo.
Somos todos nós.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Dor e cansaço...
terça-feira, 11 de agosto de 2026
A política "do faça o que eu digo"...
Eu gosto da democracia.
Gosto da ideia de que um país possa ter esquerda, direita, centro, extremos, moderados, conservadores, progressistas e até aqueles que mudam de opinião no meio do caminho.
O que eu não gosto é de viver em um país onde parece que, para alguns, democracia só é bonita quando o outro concorda.
E talvez seja aí que esteja uma das nossas maiores doenças políticas: a incoerência.
Houve um tempo em que o Brasil tinha apenas dois partidos oficiais: ARENA e MDB. Depois veio a abertura, o pluripartidarismo, e os partidos começaram a se multiplicar. Multiplicaram-se tanto que, às vezes, tenho a impressão de que fizeram como coelho: ninguém sabe mais exatamente de onde veio cada um, mas continuam aparecendo.
O problema não é existirem muitos partidos.
O problema é quando existem muitos partidos e poucas convicções.
Porque política deveria ser, antes de qualquer coisa, uma questão de princípios. Mas, em algum momento, princípios começaram a ser negociados em reuniões fechadas, em troca de cargos, verbas, alianças e conveniências.
E isso não é exclusividade de esquerda ou de direita.
Mas existe uma coisa que me incomoda profundamente quando vem de quem passou anos fazendo da defesa da liberdade uma bandeira.
É difícil ouvir alguém falar em nome dos pobres enquanto vive cercado de privilégios.
É difícil ouvir alguém defender as minorias enquanto trata como inimigo qualquer pessoa que pense diferente.
É difícil ouvir discursos inflamados sobre democracia quando a liberdade de expressão parece ser considerada maravilhosa — desde que a expressão seja a que agrada.
Aí eu me lembro daquela velha frase, tão simples e tão atual:
“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.”
E talvez seja exatamente isso que esteja afastando tanta gente da política.
Não é necessariamente a esquerda.
Não é necessariamente a direita.
É a sensação de que existe uma classe política que descobriu como falar bonito para o povo enquanto continua vivendo muito confortavelmente às custas dele.
E tem mais.
Eu não quero um político que pense como eu.
Quero um político que tenha coragem de pensar diferente e, ainda assim, respeite o meu direito de discordar.
Quero poder criticar um governo sem ser chamada de inimiga.
Quero poder elogiar uma medida de esquerda sem ser considerada de esquerda.
Quero poder elogiar uma medida de direita sem ser considerada de direita.
Quero continuar sendo apenas uma cidadã que pensa.
Porque foi para isso que lutamos tanto pela democracia: para que ninguém tivesse o monopólio da verdade.
A liberdade de expressão não pode ser uma concessão do poder.
E democracia não pode ser um prêmio concedido somente a quem se comporta de acordo com a cartilha de quem está mandando.
Se eu posso falar apenas aquilo que não incomoda, então eu não sou livre.
Se você pode falar apenas aquilo que o seu grupo aprova, você também não é.
E talvez esteja na hora de lembrarmos de uma coisa muito simples:
Democracia não é o direito de ouvir apenas aquilo que queremos.
É o direito de ouvir o que não queremos, responder, discordar, argumentar e continuar vivendo juntos.
Eu não tenho medo de uma esquerda forte.
Não tenho medo de uma direita forte.
Tenho medo de qualquer poder forte demais e de uma sociedade fraca demais para questioná-lo.
Porque quando o cidadão deixa de poder perguntar “por quê?”, o poder começa a acreditar que não precisa mais responder.
E aí, meus amigos, a coisa fica perigosa.
Muito perigosa.
Não importa a cor da bandeira.
Quando o poder se sente dono da verdade, a liberdade começa a perder a sua.
BRUNO, MEU PEQUENO GUERREIRO ...
Hoje o meu netinho Bruno completa 5 anos.
Ele chegou ao mundo em um tempo estranho, difícil, assustador. Nasceu em meio a uma pandemia, quando todos nós aprendíamos a conviver com o medo e com as incertezas. E, quando tinha apenas dois meses de vida, quase precisou partir por causa de uma bronquiolite.
Mas esse menino já chegou mostrando a que veio.
Bruno é um guerreiro.
Venceu os primeiros obstáculos da vida e cresceu forte, esperto, alegre, carinhoso e cheio de personalidade. Uma verdadeira espoleta — igualzinho ao pai! 😂
Ele recebeu o nome do tio, e é impossível não perceber algumas pequenas semelhanças que parecem atravessar o tempo.
Tem a inteligência, a curiosidade, o gosto pelos jogos, essa paixão por música... aliás, ama Believer do Imagine Dragons, que me faz sorrir quando vejo o quanto ele gosta… 🎶 E tem esse jeitinho de mergulhar nas coisas de que gosta, como se o mundo inteiro pudesse caber dentro daquela cabecinha inquieta.
Mas existe uma coisa que é só dele.
O meu neto Bruno é o meu neto Bruno.
É aquele menino que me ama com uma intensidade que me desmonta. Que me admira, que me olha como se eu fosse muito mais importante do que realmente sou. Que me enche de beijos, de abraços, de perguntas, de risadas e de vida.
Ele não sabe, talvez ainda não tenha idade para compreender, mas é um dos grandes presentes que a vida me deu.
E talvez seja justamente isso que eu mais quero celebrar hoje: a vida.
A vida desse menino que chegou tão pequenininho, atravessou seus primeiros desafios e hoje está aqui, completando cinco anos, fazendo bagunça, jogando seus joguinhos, ouvindo suas músicas e espalhando alegria por onde passa.
Meu pequeno Bruno, que você cresça sabendo que é profundamente amado.
Que nunca lhe faltem saúde, coragem, alegria, curiosidade e sonhos.
Que a vida seja generosa com você.
E que você continue sendo essa criança luminosa, espoleta, inteligente e amorosa que faz a nossa família sorrir.
Você ganhou o nome de alguém muito amado por mim.
Mas você ganhou também o direito de escrever a sua própria história.
E eu estarei aqui, meu amor, para assistir a cada capítulo dela — torcendo, vibrando, cuidando, rindo das suas travessuras e agradecendo a Deus pelo privilégio de ser sua avó.
Feliz 5 anos, meu Bruno! 💙
Que Deus abençoe seus passos e conserve sempre essa luz que existe em você.
A vovó te ama mais do que as palavras conseguem dizer.
Você é alegria na minha vida. 💙🎂🎈