quinta-feira, 25 de junho de 2026

A calma do mar...


O mar e a minha alma...

Há algo no mar que conversa com a minha alma em silêncio...

Talvez seja a sua imensidão que me lembra o quanto somos pequenos diante da grandeza da vida. Talvez seja o movimento constante das águas, que nunca param, mas nunca perdem a capacidade de recomeçar.

Quando observo o mar, meu coração desacelera. As preocupações diminuem de tamanho, os ruídos do mundo ficam distantes e encontro um lugar de calma dentro de mim.

Assim como esse pequeno peixe encontra abrigo entre as rochas, também encontro no mar um refúgio para os dias difíceis, um espaço onde posso respirar fundo, reorganizar os pensamentos e renovar as esperanças.

"O mar acalma minha alma porque conhece o segredo do tempo. Ele sabe avançar sem pressa, recuar sem desistir e recomeçar todos os dias. E, em sua imensidão serena, encontro a paz que tantas vezes procuro dentro de mim."

Talvez seja por isso que amo tanto o mar...

Porque, diante dele, minha alma encontra paz.

domingo, 21 de junho de 2026

Uma mãe, vários filhos...


Uma realidade muitas vezes escondida atrás de um comentário debochado...
Há muito mais mágoa pelo que não se teve do que espanto ou graça diante de uma mãe zelosa, presente e atenta.

Meus filhos sofreram um pouco com isso, é verdade. Afinal, eles eram os "pintinhos da mamãe". E eu sempre fui, antes de qualquer outra coisa, mãe.

Dediquei meu tempo, minha energia e meu coração. Estive ao lado deles nos momentos bons e nos difíceis. Falei o que precisava ser falado, sem deixar de caminhar junto, sem abandonar a mão que eu mesma ensinava a seguir o próprio caminho.

E talvez por isso muitos amigos deles — os de verdade, os da infância, aqueles que a vida foi trazendo para dentro da nossa casa — tenham acabado me considerando mais do que uma simples "tia". Eu me tornei uma espécie de mãe emprestada, um porto seguro, um colo disponível, um ouvido atento.

Hoje entendo que o amor vigilante de uma mãe pode até despertar algumas brincadeiras. Mas a ausência desse amor costuma deixar marcas muito mais profundas do que sua presença.

Porque filhos crescem, ganham o mundo, constroem suas próprias histórias... mas nunca deixam de precisar saber que existe um lugar onde são amados sem medida e sem condições.

sábado, 20 de junho de 2026

Liberdade de expressão e fé!


Ontem meu marido me chamou a atenção por causa das coisas que escrevo.

Parei para pensar. Sou uma mulher de fé. Sou uma mulher voltada para a minha família, para os meus filhos, para os meus netos. Sou uma mãe que carrega a saudade de um filho que partiu cedo demais. Mas também sou uma mulher que valoriza profundamente a liberdade que Deus nos concedeu: a liberdade de pensar, de escolher e de expressar aquilo em que acreditamos.

Não tenho dificuldade em escolher um lado do muro quando a vida me pede posicionamento. Escolho, assumo as consequências das minhas escolhas e, quando acerto, recebo com gratidão a alegria de ter caminhado de acordo com aquilo que considero correto aos olhos de Deus.
Também não tenho medo de manifestar minha opinião quando o assunto é polêmico. O importante para mim não é agradar a todos. O importante é ser coerente com os meus valores, com a minha fé e com a minha consciência.

Aprendi que a omissão também é uma escolha. E, muitas vezes, aqueles que mais precisam ser ouvidos não têm voz suficiente para se fazer escutar. Se Deus me deu voz, palavras e a oportunidade de alcançar pessoas, não quero desperdiçar esse presente.

Por isso escrevo. Por isso me posiciono. Não por coragem extraordinária, mas porque acredito que viver de acordo com aquilo que se crê é uma forma de testemunho.
Sem medo. Sem agressividade. Sem desrespeito.

Mas também sem abrir mão da verdade que carrego no coração.

11 anos... um longo mas reformulador caminho.

11 anos...

Completa hoje a data fatídica do dia em que meu filho saiu de casa para ir àquela maldita festa, com o objetivo de prestigiar um amigo, irmão da garota por quem era apaixonado.
11 anos que recebi aquele beijinho jogado, acompanhado de um simples:

— Volto de manhã para levar a Jaque na festa...

11 anos que tive um aviso dos céus e te liguei já bem tarde... E você, ao atender pela última vez, mostrou mais uma vez o tamanho do seu coração, preocupado com o Jojo.

11 anos que minha vida se quebrou como vidro de janela em meio a um furacão. E eu fiquei assim: partida entre o desespero, o medo e a dolorosa interrogação de como seria minha vida dali em diante.
Foram quase 11 anos elaborando o luto.

 Aprendendo o que fazer com ele. Aprendendo a caminhar ao seu lado. Reformulando quem eu era a partir dele.

Hoje, eu sei que consegui.

Você não morreu.

Você passeia sereno no lugar mais protegido do mundo:
o meu coração.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Dias bem... outros nem tanto!


"Tem dias em que nosso humor caminha sereno. Há uma leveza silenciosa que nos acompanha, e até os desafios parecem encontrar seu lugar. Mas há dias em que manter a serenidade é um exercício angustiante. Dias em que o mundo parece um ringue, onde opiniões se chocam, intolerâncias se enfrentam e cada palavra pode se transformar em combate.

Nesses momentos, permanecer sereno não significa indiferença ou fraqueza. Ao contrário. Exige força. Exige escolher, a cada instante, não responder à agressividade com mais agressividade, não permitir que o barulho externo se transforme em tempestade interior.


Viver em paz quando tudo ao redor é paz é relativamente simples. Difícil é preservar a calma quando somos constantemente convidados para a luta. E talvez seja justamente aí que a serenidade revele seu maior valor: não como ausência de conflito, mas como a capacidade de não deixar que o conflito nos defina."

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O avanço da tecnologia versus a irresponsabilidade de quem precisa gerir... deixando a porta ser arrombada...

Foto copiada do site Sou Petrópolis.

Vivemos uma época curiosa. Nunca tivemos tanta capacidade de prever os humores da natureza. Satélites observam oceanos, computadores simulam cenários climáticos e especialistas alertam com meses de antecedência sobre secas, enchentes, ondas de calor e tempestades cada vez mais severas.

Ao mesmo tempo, nunca pareceu tão comum assistir às tragédias anunciadas acontecerem diante dos nossos olhos.

Se um possível super El Niño vier a se confirmar, não poderemos dizer que fomos pegos de surpresa. Os sinais estão aí. As previsões estão aí. A informação circula em velocidade instantânea. O que falta não é conhecimento; é compromisso.

Enquanto cidadãos recebem alertas em seus celulares, muitas cidades continuam sem planejamento adequado, sem obras preventivas, sem manutenção da infraestrutura e sem políticas capazes de proteger as populações mais vulneráveis. A ganância, os interesses eleitorais de curto prazo e a velha cultura de agir apenas depois do desastre parecem falar mais alto do que a responsabilidade coletiva.

Precisamos ter coragem de levantar essa discussão. Não para espalhar medo, mas para exigir prevenção. Não para apontar culpados depois da tragédia, mas para cobrar providências antes dela.

Porque a chuva é um fenômeno natural. O calor extremo é um fenômeno natural. Os ventos são fenômenos naturais. Mas transformar previsões em ações concretas é uma obrigação humana.

E quando a sociedade se cala diante dos alertas ignorados, acaba assistindo, mais uma vez, à repetição de uma história que poderia ter sido diferente.

Talvez o mais preocupante não seja a possibilidade de um super El Niño. Talvez o mais preocupante seja nossa capacidade de assistir aos alertas, conhecer os riscos, prever as consequências e, ainda assim, esperar que a tragédia aconteça para agir.
Temos informações, tecnologia, estudos e previsões. O que falta, muitas vezes, é transformar conhecimento em prevenção.
Vivemos reclamando da cultura do "depois da porta arrombada". Mas, neste caso, a porta está balançando diante dos nossos olhos, os avisos estão sendo dados e os riscos estão sendo amplamente divulgados.

A pergunta que fica não é apenas o que a natureza fará nos próximos meses.

A pergunta que fica é: o que está sendo feito no seu município para prevenir as consequências desse fenômeno?
As galerias pluviais estão sendo limpas? As áreas de risco estão sendo monitoradas? Existe um plano para proteger idosos e pessoas vulneráveis durante ondas de calor? Há preparo para enfrentar enchentes, deslizamentos, secas ou interrupções no abastecimento?

Porque, quando a porta finalmente arromba, já não há tempo para prevenção. Resta apenas contar os prejuízos e lamentar aquilo que poderia ter sido evitado.

A intrigante missão de refinar o olhar para reconhecer os tesouros que já foram colocados em nossas mãos.



"Meu texto hoje foi motivado por algumas postagens que vi no Instagram: duas atrizes falando das marcas da vida e uma citava a ansiedade provocada pelo medo de em face ao trabalho não poder acompanhar o crescimento da filha com mais presença; o vídeo da mãe relatando o pedido do filho para jogar bafo mais que ela, por estar na Internet não deu naquele momento a atenção solicitada e, mais tarde,  ao ver na mídia uma mãe implorar oração pelo filho pequeno morrendo no hospital, teve um momento de mea culpa; também pensei muito na mãe do Henry Borel... Munique me fez ler sobre Medeia e essa coisa de que muitos não conseguem a classificar como vítima ou algoz."

Às vezes observo algumas mães e me pergunto se elas percebem o tamanho da missão que receberam.

Não falo de perfeição. Nenhuma mãe é perfeita. Falo da presença. Do olhar. Da atenção aos pequenos sinais. Daquilo que não aparece nas fotografias, não rende aplausos e não produz reconhecimento social.

Vivemos uma época que valoriza muito o externo. O sucesso, a carreira, os relacionamentos, as conquistas, a imagem. Tudo isso tem seu valor. Mas me pergunto se, por vezes, não corremos o risco de nos encantar tanto com o que está fora que deixamos de enxergar o que cresce silenciosamente dentro de casa.

Não escrevo isso para julgar. Cada ser humano está em seu próprio estágio de aprendizado. Talvez algumas pessoas ainda estejam vivendo experiências necessárias ao desenvolvimento da própria consciência.
 Talvez ainda precisem descobrir que o amor não se mede apenas pelo que se oferece materialmente, mas pela disponibilidade de estar presente.

Dentro da visão espiritual que abraço, acredito que nada acontece por acaso. Nem os filhos chegam por acaso. Talvez eles sejam espíritos que aceitaram compartilhar uma jornada de crescimento mútuo. Talvez algumas almas venham para ensinar e outras para aprender. Talvez, muitas vezes, os papéis se invertam ao longo do caminho.
Há filhos que recebem colo em abundância. Há filhos que aprendem a sobreviver à ausência. Nenhuma dessas experiências é simples. Mas todas carregam possibilidades de evolução.

O que me toca é pensar que a infância passa depressa. O tempo não volta. O olhar que não foi dado, a conversa que não aconteceu, a presença que foi adiada para depois, tudo isso deixa marcas.

Talvez a verdadeira evolução não esteja apenas em conquistar o mundo, mas em perceber quem está sentado à nossa mesa enquanto tentamos conquistá-lo.

Será que estamos tão ocupados construindo uma vida que, às vezes, esquecemos de vivê-la? E o que é o viver para você? ( Essa é uma resposta para você dar a você mesmo, porque ela fatalmente te levará a uma reflexão que só a você cabe).


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Bieliver e a renda que a música bordas em nossa história...

Sabem quem me apresentou Bieliver?

O Bruno, meu neto de apenas 4 anos. E vocês não podem imaginar o bom gosto musical desse menino! ❤️

Foi através dele que conheci Bieliver e, desde então, algumas músicas passaram a me acompanhar como se fossem trilhas sonoras de pensamentos que eu já carregava dentro de mim.

E não é só isso. O Bruno também tem um ouvido apuradíssimo para músicas eletrônicas de jogos. Às vezes fico intrigada com certas semelhanças entre as músicas que ele escolhe espontaneamente e aquelas que me emocionam ou que acabam servindo de "acabamento" para os textos que escrevo.

Talvez a música tenha mesmo essa capacidade misteriosa de atravessar gerações.

 Ela encontra caminhos diferentes, mas toca lugares parecidos dentro de nós.

Eu escrevo primeiro. As palavras vêm da vida, das dores, das alegrias, das lembranças e das descobertas. Depois, quase como uma renda delicada que contorna um tecido já pronto, chega a música. Não para explicar o texto, mas para ampliá-lo, para dar melodia às emoções que ele carrega.

E foi assim que Bieliver entrou na minha trajetória: pelas mãos pequeninas de um menino de 4 anos, que talvez nem imagine que me apresentou uma trilha sonora capaz de conversar tão bem com a minha própria história.

terça-feira, 16 de junho de 2026

A renda que a música borda na nossa história...

Believer Imagine Draghttps://youtu.be/7wtfhZwyrcc?is=u7VBHm8dzpznfThzons

Sou uma pessoa profundamente musical.

Curiosamente, quando escrevo, a música quase nunca vem antes. 

Primeiro vêm as palavras. Vêm as lembranças, as reflexões, as dores, os aprendizados. O texto nasce cru, como um tecido recém-tecido.

Só depois a música chega.

Ela vem como uma renda. Um acabamento delicado que não muda a essência da peça, mas revela o seu desenho.

Foi exatamente isso que aconteceu quando me dei conta do significado de Believer, da banda Imagine Dragons.
A música fala sobre dor. Mas não sobre uma dor que destrói. Fala sobre uma dor que transforma.

Ao ouvi-la com atenção, percebi que ela conversava com partes da minha própria história.

Não porque eu agradeça pelas perdas que vivi. Não porque eu ache que o sofrimento seja necessário. Nenhuma mãe escolheria os caminhos que a vida às vezes nos obriga a percorrer.

Mas porque, olhando para trás, reconheço que cada cicatriz deixou uma marca. E que, de alguma forma, elas também me moldaram.

A mulher que sou hoje não existiria sem a menina que sonhou, sem a esposa que se decepcionou, sem a mãe que amou, sem a mãe que perdeu, sem a avó que reaprendeu a sorrir através dos olhos dos netos.

A vida me atingiu muitas vezes.

E, ainda assim, não levou de mim a capacidade de amar.

Talvez seja por isso que Believer tenha encontrado um lugar tão especial dentro de mim. Porque ela traduz algo que eu nunca consegui explicar completamente:
não somos feitos apenas das alegrias que vivemos.
Também somos feitos das dores que sobrevivemos.

E, quando a música encontra a nossa história, acontece uma espécie de milagre silencioso.
Ela nos devolve em melodia aquilo que a alma tentou dizer durante anos.

"A música dá linguagem para emoções que às vezes são difíceis de explicar apenas com palavras."


❤️🩵

Somos todas Marias... um texto às mães enlutadas!

Quando uma mãe perde um filho, todas as outras mães se aproximam. Não porque sintam a mesma dor — a dor da perda de um filho é única, impossível de ser medida ou comparada — mas porque cada mãe sabe, em alguma dimensão da alma, o peso que um filho ocupa dentro de nós.

Costumo dizer que somos todas Marias.

Marias que, em algum momento da vida, caminham até o pé de uma cruz invisível. Marias que aprendem sobre amor e entrega de uma forma que jamais desejaram aprender. Marias que seguem vivendo mesmo depois que uma parte de si parece ter partido.
Foi compreendendo a figura da Virgem Maria que comecei a elaborar meu luto. Não a Maria distante dos altares, mas a mãe. A mulher que viu o filho sofrer. A mulher que não pôde impedir. A mulher que precisou permanecer de pé quando tudo dentro dela desejava cair.
Naquele momento, percebi que não estava sozinha na minha dor. Havia uma mãe, há mais de dois mil anos, que conhecia aquele caminho.

E então encontrei uma outra reflexão, muito presente no espiritismo: a de que os filhos escolhem suas mães. Não somos nós que os escolhemos. Eles nos escolhem porque sabem que seremos o colo possível, o aprendizado necessário, o equipamento emocional e espiritual de que precisarão para a experiência que vieram viver.

Durante muito tempo, confesso que essa ideia me intrigou. Depois, ela me consolou.
Porque, se meu filho me escolheu, talvez tenha visto em mim uma força que eu mesma desconhecia. Talvez tenha sabido que eu conseguiria amá-lo exatamente como ele precisava ser amado. Talvez tenha sabido que, mesmo depois da despedida, eu encontraria um jeito de continuar carregando sua existência dentro de mim.

Hoje acredito que o amor entre mãe e filho não termina na ausência física. Ele muda de forma. Sai dos abraços e passa a habitar as lembranças. Sai da convivência diária e passa a morar na saudade. Sai dos olhos e passa a ocupar a alma.

E talvez seja por isso que nós, mães enlutadas, nos reconhecemos tão rapidamente umas nas outras.
Porque carregamos uma ausência que só outra mãe compreende.

E porque, no fundo, seguimos sendo Marias: feridas, saudosas, mas ainda capazes de amar.