quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Quando até a ética vira relativa...



QUANDO ATÉ A ÉTICA VIRA RELATIVA...

Tem coisas que a gente escuta e demora um pouco para acreditar.

Não porque não tenha entendido as palavras... mas porque custa acreditar que elas tenham sido ditas justamente por quem deveria estar entre os primeiros a defender a lei, a ética, a responsabilidade e o respeito às instituições.

Ouvir que até a máfia tem ética...

Meu Deus... que vergonha!

Não é apenas uma frase. É o que ela revela.

Quando alguém tenta justificar o silêncio diante de possíveis erros cometidos por um colega, sob o argumento de que não se deve expor, divulgar ou julgar aquilo que ele teria feito, alguma coisa muito séria está sendo colocada em discussão.

Porque ética não pode ser uma regra para os outros e uma exceção para os nossos.

Lei não pode ser bonita quando serve para punir quem está do outro lado e inconveniente quando alcança quem caminha ao nosso lado.

E lealdade...

Lealdade não deveria significar proteger o erro.

Deveria significar ter coragem de dizer: você errou.

É justamente aí que mora a minha tristeza.

Porque a gente quer acreditar.

Quer acreditar que ainda existe conserto.
Que ainda existe limite.
Que ainda existe vergonha.
Que ainda existe gente disposta a colocar princípios acima de conveniências.

A gente quer acreditar que o fundo do poço ainda não chegou...

Mas, de repente, vem a turma do "vamos ver"... do "oba-oba"... do "deixa isso pra lá"... muitas vezes vestida de autoridade, de conhecimento, de bons costumes, de gente de bem...

E dá aquela pernada na nossa esperança.

Não é só indignação.

É tristeza.

Tristeza porque, quando aqueles que deveriam ensinar o caminho da lei começam a relativizar a ética para proteger os seus, quem fica sem saber para onde olhar somos nós.

E talvez seja justamente por isso que eu ainda me recuse a desistir.

Porque, apesar de tudo, eu continuo acreditando que erro não deixa de ser erro porque foi cometido por alguém de quem gostamos.

Que crime não muda de nome conforme a pessoa que o pratica.

E que ética, quando é verdadeira, não tem bancada, lado, amizade ou conveniência.

Ou ela vale para todos...

ou não é ética.

É apenas um discurso usado quando interessa. 😔😒

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Vamos orar para que possamos ESPERANÇAR!


Hoje é dia de esperança...

Há dias que parecem carregar um significado maior do que as próprias palavras conseguem explicar.

Hoje é um desses dias para nós, brasileiros.

Não quero falar de julgamentos... nem apontar culpados.
Hoje quero falar de esperança.

Daquela esperança que faz a gente respirar fundo e pensar:

“Bem... talvez esteja na hora de colocarmos a casa em ordem.”

Está na hora de resgatarmos aquilo que um país precisa representar de verdade: credibilidade, justiça e respeito.

Hoje, a esperança mexe com uma nação inteira.

Esperança por justiça.
Esperança por dias melhores.
Esperança de que as instituições compreendam o tamanho da responsabilidade que carregam.
Esperança de que decisões importantes não sejam reduzidas à velha sensação de que, no final, tudo acaba em pizza...

“E olha que curioso... hoje também tem o prêmio simbólico da Lotofácil da Independência.
Um dinheiro que pode, literalmente, cair do céu... e transformar vidas.
Que ironia bonita dos céus, não?
Porque dinheiro pode comprar muitas coisas...
mas não deveria comprar consciência, justiça, leis ou dignidade.
Então vamos torcer pela Lotofácil, é claro... 
Mas, principalmente, vamos torcer para que ninguém precise ganhar nada por fora para fazer aquilo que a Justiça deveria garantir por direito.
Porque, no fim das contas, o que queremos não é dinheiro caindo do céu.
Queremos justiça sendo feita na Terra.”

Torcer pela Lotofácil, é claro...
Mas, principalmente, torcer para que a Justiça seja respeitada.

Independentemente de ideologias.
Independentemente de lados.
Independentemente de amizades, interesses ou corporativismos.

Porque justiça, quando é verdadeiramente justiça, não pode ter lado.

Que hoje seja um dia de respirar fundo...
de olhar para o Brasil e acreditar que ainda existe caminho.

Porque mesmo quando parece que chegamos ao fundo do poço...

a esperança insiste em nos lembrar que ainda há luz.

E talvez seja exatamente disso que uma nação cansada precise:

não de mais ódio, não de mais divisão...
mas de esperança, coragem e justiça.

Um dia de cada vez...
cada dia um pouquinho...

Até que a casa volte a estar em ordem. 🇧🇷

Uma escolha só pode ser eterna se te faz bem...

Todo mundo tem direito de ter opinião.

Todo mundo deveria, inclusive, aprender a escolher um lado do muro... saber por que escolheu, conhecer aquilo que esse lado representa e, principalmente, ter consciência de que toda escolha traz consequências. Algumas boas... outras nem tanto.

E assumir as consequências das nossas escolhas faz parte da maturidade.

Mas escolher um lado não significa ficar engessado nele para sempre. Não significa fechar os olhos, tapar os ouvidos e se tornar incapaz de questionar aquilo que está diante dos nossos olhos.

Porque mudar de opinião não é, necessariamente, falta de convicção.

Às vezes, é justamente o contrário.

É preciso muita coragem para olhar para uma escolha que fizemos, reconhecer que alguma coisa não está certa e dizer: “Eu me enganei.”

É preciso humildade para admitir que aquilo que um dia pareceu correto talvez já não seja mais compatível com aquilo que acreditamos.

E é aí que entra a consciência...

Não aquela consciência que a gente apresenta para os outros. Não aquela fé que a gente anuncia aos quatro ventos, mas que desaparece quando nossos interesses são contrariados.

Falo daquela consciência silenciosa... aquela que mora dentro da gente e que, quando estamos sozinhos, não permite que a mentira seja confortável.

Se acreditamos verdadeiramente em Deus, na justiça, na honestidade, na espiritualidade, no amor ao próximo... precisamos permitir que esses valores sejam também instrumentos para avaliar nossas escolhas.

Porque não adianta falar de Deus e defender aquilo que sabemos ser injusto.

Não adianta falar de honestidade enquanto fechamos os olhos para a desonestidade quando ela favorece o nosso lado.

Não adianta falar em justiça quando só consideramos justa a decisão que beneficia aquilo que defendemos.

E não adianta dizer que somos pessoas de fé se a nossa fé só serve para justificar aquilo que queremos acreditar.

Fé também é coragem para enxergar.

É coragem para reconhecer.

É coragem para corrigir.

Por isso, se um dia você perceber que o lado do muro que escolheu não está mais de acordo com aquilo que sua consciência, sua fé e seus princípios lhe dizem ser correto... não tenha vergonha de mudar.

Descer do muro não é fracasso.

Atravessá-lo não é fraqueza.

Mudar a direção não é falta de inteligência.

Às vezes, é justamente a maior demonstração de inteligência emocional, de caráter e de maturidade que uma pessoa pode oferecer.

Porque permanecer no erro apenas para não dar o braço a torcer é uma das formas mais tristes de escravidão.

A pessoa deixa de defender aquilo em que acredita e passa a defender apenas a própria escolha.

E são coisas muito diferentes.

Eu posso ter escolhido um caminho ontem e perceber hoje que preciso tomar outro.

Posso ter admirado alguém e, diante de novas atitudes, deixar de admirar.

Posso ter acreditado em uma ideia e, depois de enxergar suas consequências, reconsiderá-la.

Isso não me diminui.

Isso me humaniza.

O problema não está em errar na escolha.

O problema está em enxergar o erro e, mesmo assim, continuar caminhando por ele apenas porque admitir a mudança machuca o nosso orgulho.

Talvez seja por isso que algumas pessoas prefiram permanecer do lado errado do muro...

Não porque não enxerguem.

Mas porque enxergar exigiria delas uma coragem que ainda não encontraram.

E talvez a maior liberdade que alguém possa conquistar seja justamente essa:

a liberdade de não ser prisioneiro das próprias escolhas.

Porque princípios não são partidos.

Princípios não têm lado.

Princípios não precisam de torcida.

Ou são princípios... ou não são.

No final das contas, cada um de nós terá que responder não apenas pelo lado do muro que escolheu, mas pelo que fez enquanto esteve ali.

E quando chegar a hora de olhar para trás, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Eu estava do lado certo?”

Talvez seja:

“Quando percebi que estava errado, tive coragem de mudar?”

Porque reconhecer o próprio erro não apaga o caminho percorrido...

Mas pode impedir que continuemos caminhando na direção errada.

E isso também é evolução.

Também é fé.

Também é reforma íntima.

Também é Deus nos ensinando, através da nossa própria consciência, que ninguém precisa permanecer para sempre onde um dia escolheu estar.

A vida é movimento...

E quem realmente busca a verdade precisa estar disposto a caminhar com ela, mesmo quando ela nos obriga a mudar de direção.

sábado, 12 de setembro de 2026

Quando o amor e a família parecem não ter sido suficiente...


Há histórias que chegam até nós pela televisão, pelas redes sociais, pelos jornais... e, antes mesmo de pensarmos nos envolvidos, deveriam nos fazer pensar sobre o ser humano.

Hoje eu me peguei pensando em uma mulher.

Não na mulher pública, não na empresária, não na esposa de alguém que, segundo as notícias, teria construído uma vida paralela cercada de situações que ela talvez jamais imaginasse.

Pensei simplesmente na mulher.

O que passa pela cabeça dela quando as notícias chegam?

Será que ela sabia?

Será que desconfiava e preferiu não enxergar?

Ou será que, como tantas pessoas dentro de uma relação, acreditava que conhecia profundamente aquele homem com quem dividia a vida?

Eu não sei.

E, justamente por não saber, não me sinto no direito de condená-la.

Porque existe uma coisa que pouca gente parece compreender: ser enganado dentro de uma relação também é uma forma de violência emocional.

A pessoa que descobre que o companheiro mantinha uma vida que ela desconhecia não perde apenas a confiança nele.

Ela começa a questionar a própria história.

"Quantas coisas eu não percebi?"

"Quantas vezes ele mentiu olhando nos meus olhos?"

"Quem era, afinal, a pessoa que dormia ao meu lado?"

"E quanto da nossa vida foi verdadeiro?"

Talvez essa seja uma das maiores humilhações que alguém possa experimentar.

Não necessariamente pelo que o outro fez, mas pela sensação de ter sido colocada, sem saber, dentro de uma história da qual não conhecia o roteiro.

E existe ainda uma dor muito particular para uma mulher que está exposta publicamente.

Porque enquanto ela tenta entender o que aconteceu dentro de sua própria casa, milhares de pessoas, que não conhecem sua intimidade, já estão formando opiniões sobre ela.

Alguns dirão que ela sabia.

Outros dirão que não poderia não saber.

Haverá quem a culpe por ter permanecido.

Haverá quem diga que ela foi ingênua.

E talvez ninguém pare para pensar que, naquele momento, ela também pode estar tentando juntar os próprios caquinhos para descobrir onde termina a mentira e começa aquilo que ela acreditava ser a sua vida.

Não sabemos o que ela sabia.

Não sabemos o que ela sentia.

Não sabemos o que acontecia dentro daquela casa.

E talvez essa seja justamente a reflexão que precisamos fazer:

até onde vai a nossa capacidade de julgar a vida de alguém quando conhecemos apenas aquilo que foi exposto?

Eu acredito que o ser humano pode ser ganancioso, ambicioso, apaixonado, dependente, cego...

Mas também acredito que ninguém merece ter sua dignidade transformada em espetáculo.

Há momentos em que o melhor julgamento é simplesmente não julgar.

Porque amanhã pode ser a nossa vez de descobrir que alguém que amávamos não era exatamente quem imaginávamos.

E, quando isso acontece, não existe dinheiro, posição social, poder ou aparência capaz de impedir a pergunta que provavelmente dói mais:

"Como eu não percebi?"

Talvez essa mulher esteja vivendo exatamente esse momento.

E, antes de apontarmos o dedo, talvez devêssemos lembrar que existem dores que não precisam da nossa sentença.

Precisam apenas de silêncio, respeito e humanidade. 😑

“Há escândalos que o público acompanha como notícia, mas alguém precisa acordar no dia seguinte e continuar vivendo dentro deles.”

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

QUANDO A FELICIDADE DO OUTRO INCOMODA...


Hoje, em meio a quatro dias de dor, exausta, com a voz até mais fraca de tanto cansaço, fiz uma oração pedindo a Deus que me ajudasse a compreender algumas coisas...

E uma palavra ficou latejando na minha cabeça: inveja.

Não sei exatamente por quê.

Talvez porque, em alguns momentos da vida, a gente perceba que nem todo mundo está preparado para assistir à felicidade do outro.

E isso é curioso...

Porque inveja nem sempre chega vestida de maldade. Às vezes ela vem disfarçada de brincadeira, de ironia, de indiferença, de um comentário aparentemente inocente... às vezes vem até acompanhada de um sorriso.

E ela pode estar em qualquer lugar.

Na família, nas amizades, no trabalho, nos relacionamentos mais próximos ou mais distantes...

Mas existe uma coisa que eu aprendi: a felicidade de alguém não diminui a felicidade de ninguém.

Tudo aquilo que conquistamos ao longo da vida teve um preço.

Horas de trabalho, noites maldormidas, escolhas difíceis, organização financeira, renúncias...

Nada veio de graça.

E hoje, como tantas famílias brasileiras, também precisamos fazer escolhas. Diminuímos gastos, abrimos mão de algumas coisas, trocamos planos, reduzimos encontros... até o plano de saúde precisou ser revisto.

Estamos precisando trocar um carro velho, que já começa a representar um risco.

A vida não está fácil.

Mas, apesar de tudo isso, estamos vivendo uma fase bonita.

Meu filho, minha nora e meus netos conseguiram sair de um lugar que não era deles e foram morar em um imóvel próprio.

Um imóvel que estava praticamente destruído e que precisou de muito trabalho para se transformar novamente em um lar.

Meu marido comprou.

Meu filho colocou a mão na massa.

Outros trabalhadores ajudaram.

E, aos poucos, aquilo que era apenas um imóvel passou a ter cara de casa... de família... de conquista.

E eu me alegro.

Muito.

Não porque tenhamos ficado ricos.

Não porque nossa vida tenha se tornado perfeita.

Mas porque, no meio de tantas dificuldades, uma família conseguiu dar um passo adiante.

E talvez seja justamente aí que esteja a questão...

Nem sempre as pessoas conseguem olhar para a felicidade do outro sem compará-la com a própria vida.

Nem sempre conseguem simplesmente dizer:

"Que bom! Fico feliz por vocês."

Às vezes precisam diminuir a conquista.

Questionar.

Ironizar.

Encontrar um defeito.

Disfarçar o incômodo.

Talvez porque a conquista do outro acabe mostrando aquilo que elas próprias ainda não conseguiram alcançar.

Mas eu não quero viver olhando para os lados para descobrir quem está feliz com a minha felicidade e quem não está.

Também não quero esconder minhas alegrias para que ninguém se sinta incomodado.

Quero apenas aprender a protegê-las.

Não com arrogância.

Não com ostentação.

Não com confronto.

Mas com discrição, maturidade e fé.

Porque existe uma diferença enorme entre não provocar a inveja e ter medo dela.

Eu não quero provocar ninguém.

Mas também não quero ter medo de ser feliz.

E talvez seja essa a grande lição...

A negatividade alheia pode nos afetar, pode nos entristecer, pode nos fazer questionar pessoas e relações.

Mas não podemos entregar a ninguém o poder de determinar o tamanho da nossa alegria.

Se Deus nos permitir florescer depois de tantos temporais, não devemos esconder as flores.

Devemos apenas aprender onde colocá-las...

E nas mãos de quem vale a pena entregá-las.

Porque, no fim, talvez a melhor resposta para qualquer olhar atravessado seja continuar vivendo...

Sem ostentar.

Sem provocar.

Sem explicar demais.

Sem diminuir nossas conquistas.

E, principalmente...

sem deixar de agradecer.

A felicidade também é uma forma de resistência.

E quando ela nasce depois de muita luta...

ela merece ser vivida. ❤️

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

QUANDO O PACIENTE DEIXOU DE SER OUVIDO COM MAIS APURO?

QUANDO O PACIENTE DEIXA DE SER OUVIDO?

Ontem eu não estava bem.

Na verdade, a madrugada anterior tinha sido uma daquelas que a gente gostaria de apagar da memória.

Muita dor. Uma dor intensa no abdômen, principalmente na parte superior esquerda. Uma sensação estranha, acompanhada de barulhos no estômago que eu nunca tinha sentido daquela maneira. Depois vieram o enjoo e os vômitos... e o que mais me assustou foi perceber que o vômito estava escuro.

Amanheceu e pedi ao meu marido que me levasse à emergência.

Saímos de Muriqui em direção a Santa Teresa, debaixo de chuva, enfrentando um trânsito que já é difícil em dias normais. Levamos mais de três horas.

Cheguei à emergência com muita dor, cansada, depois de uma madrugada inteira sem dormir.

E quero começar fazendo uma ressalva muito importante:

Eu não fui maltratada.

Muito pelo contrário.

Fui bem recebida na recepção. A enfermeira da triagem foi atenciosa. A enfermeira que administrou a medicação também. O médico me tratou com educação.

Então não é sobre grosseria.

Não é sobre falta de respeito.

É sobre outra coisa...

É sobre a sensação de que faltou investigação.

Eu contei tudo o que estava acontecendo. Expliquei que sou bariátrica. Relatei a dor, os vômitos, a mudança na aparência do vômito, os sintomas que haviam surgido antes.

E fiquei surpresa quando percebi que meu abdômen sequer foi examinado fisicamente.

Não houve aquele exame que nós, pacientes, esperamos de um médico diante de uma dor abdominal: apertar, palpar, procurar onde dói mais, observar a reação do corpo, tentar entender o que aquela dor está dizendo.

A consulta pareceu se concentrar em um único aspecto do meu relato.

O mais simples.

O mais rápido.

E eu saí de lá medicada, sim. A dor melhorou, o enjoo melhorou...

Mas a minha pergunta continuou comigo:

E a causa?

É aí que começa a minha inquietação.

Será que estamos construindo uma medicina em que o tempo de consulta ficou tão curto que o médico precisa escolher rapidamente uma hipótese e seguir adiante?

Será que os protocolos, as autorizações, os custos e a necessidade de controlar despesas estão interferindo, ainda que indiretamente, na profundidade da investigação?

Eu não estou dizendo que o médico recebeu uma ordem para ser superficial.

Eu não tenho como afirmar isso.

Estou perguntando.

Porque existe uma diferença enorme entre atender um paciente e investigar um paciente.

E talvez essa diferença esteja passando despercebida por nós.

Eu penso também em nós dois, meu marido e eu, já idosos, saindo de tão longe, debaixo de chuva, enfrentando horas de estrada e trânsito, chegando a um hospital com uma pessoa em dor intensa, depois de uma madrugada inteira sem dormir...

Será que o sistema de saúde está conseguindo enxergar a pessoa que existe por trás do prontuário?

Ou estamos nos tornando apenas uma queixa, um código, um protocolo, uma medicação e um exame solicitado?

Eu reconheço que ninguém pode fazer todos os exames possíveis em todo paciente.

Eu reconheço que medicina não é adivinhação.

Eu reconheço que o médico precisa trabalhar com hipóteses e probabilidades.

Mas também acredito que uma boa medicina começa pela escuta e passa pelo olhar, pelo toque, pela investigação e pela capacidade de juntar as peças.

Eu saí da emergência melhor da dor.

Mas não saí tranquila.

E talvez essa seja a questão mais grave de todas:

Quando o paciente deixa o hospital medicado, mas continua sem entender o que aconteceu com ele, será que o atendimento terminou?

Ou será que apenas terminou a consulta?

Não quero acusar.

Quero provocar reflexão.

Porque saúde não pode ser apenas uma questão de custo, protocolo e velocidade.

Do outro lado daquela ficha existe uma pessoa.

E, algumas vezes, tudo o que essa pessoa espera é que alguém pare por alguns minutos e realmente tente descobrir o que o corpo dela está dizendo...

Um dia de cada vez... cada dia um pouquinho...

terça-feira, 8 de setembro de 2026

CARTAS QUE CHEGAM ONDE A SAUDADE NÃO CONSEGUE CHEGAR


Hoje eu quero falar de um assunto polêmico, daqueles que estão sendo debatidos nas redes sociais, na televisão e em todos os cantos.

E quero falar não como alguém que simplesmente ouviu falar. Quero falar como mãe enlutada. Como alguém que, há onze anos, conhece de perto o abismo que é perder um filho.

Quero falar sobre os médiuns e, especialmente, sobre as chamadas cartas consoladoras.

Antes de qualquer discussão, antes de qualquer julgamento, antes de qualquer tentativa de desqualificar alguém, talvez fosse importante lembrar de uma coisa: existem pessoas do outro lado dessas cartas. Pessoas que estão sofrendo. Pessoas que perderam filhos, pais, irmãos, companheiros, netos, amigos. Pessoas tentando sobreviver à ausência.

Eu recebi uma carta alguns meses depois da morte do meu filho, Bruno.

Foi escrita por um médium de Sergipe, um rapaz que jamais havia me visto. E aquela carta trazia informações que, para mim, eram absolutamente inimagináveis de serem encontradas nas redes sociais.

Ele mencionava, inclusive, o número da OAB do Bruno, o e-mail e até uma senha que eu sequer conhecia.

E havia detalhes muito mais profundos. Coisas íntimas, nossas, pertencentes à nossa história familiar. Coisas que não estavam publicadas em lugar algum.

Eu não estou aqui para exigir que ninguém acredite naquilo em que eu acredito.

Não estou dizendo que toda carta é verdadeira. Não estou dizendo que todo médium é legítimo. E muito menos que qualquer pessoa que se apresente como médium esteja acima de questionamentos.

Fraude deve ser investigada. Engano deve ser denunciado.

Mas existe uma diferença enorme entre investigar e destruir.

Existe uma diferença entre questionar e transformar a dor alheia em espetáculo.

E é justamente isso que me incomoda profundamente quando vejo determinadas abordagens na televisão e nas redes sociais.

Porque, quando se coloca um médium no centro de uma exposição pública, muitas vezes não existe apenas um profissional sendo questionado.

Existe uma mãe assistindo.

Existe um pai.

Existe uma família inteira.

Existe alguém que talvez tenha encontrado naquela carta o primeiro fio de esperança depois de uma tragédia.

Para quem está de fora, pode parecer apenas uma folha de papel.

Para quem perdeu alguém, pode ser muito mais do que isso.

Pode ser um abraço.

Pode ser uma oportunidade de respirar depois de meses vivendo com a sensação de que o mundo acabou.

Pode ser aquilo que ajuda uma pessoa a continuar caminhando.

Eu sei disso porque vivi isso.

E talvez por isso eu me sinta no direito — e até no dever — de pedir um pouco mais de respeito.

Não estou pedindo que a imprensa deixe de investigar. Estou pedindo que a dor humana não seja esquecida no caminho da audiência.

Tenho profunda solidariedade por Maira.

Tenho solidariedade também por Fernando Ben, que, como tantos outros, passou por momentos extremamente difíceis diante de questionamentos, exposições e julgamentos públicos.

E eu me pergunto:

Será que, em algum momento, nós vamos compreender que nem tudo precisa ser transformado em espetáculo?

Há coisas que pertencem ao território da fé.

Há coisas que pertencem ao território da ciência.

Há coisas que pertencem ao território da investigação.

E há coisas que pertencem ao território íntimo de quem sofre.

Eu não quero convencer ninguém da existência da comunicação entre vivos e mortos.

Eu só peço que não tirem de quem acredita o direito de encontrar, através da fé, uma maneira de continuar vivendo.

Porque quem nunca perdeu um filho talvez não consiga compreender.

Mas quem já esteve naquele lugar sabe:

às vezes, uma palavra de esperança não precisa provar o céu. Ela só precisa ajudar alguém a sobreviver à Terra.

E, para mim, algumas dessas cartas fizeram exatamente isso.

Por isso, antes de destruir um médium, antes de transformar uma carta consoladora em manchete, antes de julgar aquilo que não compreendemos, talvez devêssemos pensar em quem está segurando aquela carta do outro lado.

Talvez ali esteja alguém apenas tentando encontrar forças para viver mais um dia.

E isso, por si só, já deveria merecer respeito.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

🇧🇷 7 de Setembro — Dia da Independência do Brasil


Hoje celebramos a Independência do Brasil. Mas, depois de tantos anos, não podemos deixar de perguntar: somos realmente livres?
Um país pode não estar sob o domínio de outra nação e, ainda assim, estar preso. Preso à ambição, aos interesses particulares, aos projetos de poder e às mãos daqueles que nem sempre parecem compreender que governar é servir.
A verdadeira independência não está apenas na história que aprendemos nos livros. Ela está na liberdade de pensar, de escolher, de trabalhar, de falar, de viver com dignidade e de acreditar que a Justiça e a Lei devem valer para todos.
Por isso, hoje, mais do que levantar a nossa bandeira, precisamos elevar uma oração. 🙏🇧🇷
Que os céus protejam o nosso Brasil.
Que nos deem sabedoria para reconhecer os caminhos que precisamos mudar, coragem para não nos calarmos diante das injustiças e força para reconstruir aquilo que precisa ser reconstruído.
Que possamos, juntos, buscar uma nova independência: a independência de um Brasil soberano, justo, livre e verdadeiramente pertencente ao seu povo.
Porque o Brasil não pertence a governos, partidos ou grupos de poder.
O Brasil pertence aos brasileiros. 🇧🇷
E que Deus nos ajude a reconquistar a nossa liberdade. 🙏💚💛

domingo, 6 de setembro de 2026

O reencontro de uma era... de volta ao passado!

VIAJAR NAS LEMBRANÇAS BOAS
Ontem foi dia de voltar ao passado.
Mas não a qualquer passado. Foi dia de viajar nas lembranças boas.

Foi dia de emoção, de saudade gostosa, de fechar os olhos e quase sentir novamente o cheiro dos filhos pequenos, da torta salgada, dos bolos, das coisas deliciosas feitas pela Zete. Foi dia de ouvir, outra vez, aquela voz marcante que ficou guardada na memória.



Ontem foi dia de comemorar a vida do Régis... o Reginaldo da MBR, marido da Airizete pai do Alex. ANA Paula e Aline! 

Ontem foi dia de olhar para cinco crianças. Cinco não sete, porque é claro que Guiomar e Ricardo estavam presentes na conversa... eles também fizeram parte importante desta história! Eles e os filhos: 

E não podemos esquecer do querido Roque, que é padrinho da Aline, e um grande amigo da época feliz de MBR!

Sete crianças!

Duas minhas e do Lourenço, duas da Giomar e Ricardo e três da Alrizete e do Reginaldo. Crianças que brincavam juntas, que faziam parte de uma mesma história, de uma mesma época, de uma vida que parecia que nunca iria mudar.

E mudou.

Como tudo na vida muda.

Foi uma tarde maravilhosa. Um grupo pequeno, mas com uma história enorme. Pequeno no número de pessoas, imenso nas lembranças, nos afetos e nos sentimentos bons.


E foi engraçado perceber como algumas coisas não mudam.


Eu, por exemplo, destravei a tagarelice!

Falei sem parar. Nós falamos sem parar. Era tanta coisa para lembrar, tanta história para contar, que parecia que o tempo que passou precisava ser recuperado em algumas horas.

A gente queria recordar como era.

Queria contar o que aconteceu depois.

Queria saber como cada um viveu quando a vida levou cada qual para um lado.

Queria falar dos caminhos que escolhemos, das coisas que enfrentamos, das mudanças, das perdas, das conquistas...

A vida é mesmo uma viagem extraordinária.

E talvez seja por isso que encontros assim tenham um efeito tão poderoso sobre nós. Ontem, aquela tarde fez mais pela minha alma do que qualquer remédio que pudesse simplesmente acalmar a dor ou o cansaço emocional.

Foi remédio de memória.

Remédio de afeto.

Remédio de pertencimento.

Porque existem encontros que não apenas nos fazem felizes. Eles nos devolvem pedaços de nós mesmos.



Eu gostaria que todas as pessoas tivessem, um dia, a oportunidade de reencontrar amigos assim. Amigos que a vida afastou fisicamente, mas que o tempo jamais conseguiu apagar.

Porque amizade verdadeira pode até se afastar por conta dos rumos que a vida precisa tomar.

Pode passar anos sem um abraço.

Pode haver silêncio.

Pode haver distância.

Mas, quando o reencontro acontece, parece que alguma coisa simplesmente diz:

“Onde você estava? Eu estava aqui, guardado no mesmo lugar.”

Na memória.

No coração.

E ontem nós estivemos exatamente nesse lugar.

Foi maravilhoso voltar para casa carregando, outra vez, aquelas lembranças boas.

E, por algumas horas, fomos novamente os pais e aquelas sete crianças.

Só que agora com uma vida inteira para contar.



sexta-feira, 4 de setembro de 2026

As mulheres invisíveis... São tantas.

Nem sempre a mulher invisível dentro de casa é uma mulher frágil.
Nem sempre aquela que não faz questão de mostrar o que faz, que não anuncia o quanto trabalha, que não enumera as coisas que organiza, resolve e sustenta, é uma mulher apagada.
Às vezes, ela simplesmente entendeu uma coisa que leva muitos anos para aprender: nem toda batalha merece ser vivida.
Eu conheço muitas mulheres assim.
Mulheres que poderiam passar horas explicando tudo o que fazem, mas não sentem necessidade. Mulheres que não precisam que alguém diga que a casa está impecável, que a comida estava maravilhosa, que elas são incansáveis, que conseguem dar conta de tudo.
Elas simplesmente fazem.
E seguem a vida.
Não porque não tenham orgulho de si mesmas, mas porque já descobriram que existe uma liberdade enorme em não precisar da aprovação dos outros.
Essa mulher pode parecer distraída. Pode parecer acomodada. Pode até ser confundida com aquela pessoa que "não liga para nada".
Mas experimente mexer com aquilo que ela ama.
Experimente ameaçar sua família.
Experimente ferir alguém que ela considera seu.
Experimente ultrapassar os limites daquilo em que ela acredita.
Aí você vai descobrir que, por trás daquela aparente invisibilidade, existe uma força que talvez ninguém tivesse percebido.
Porque essa mulher não é feita de delicadeza o tempo inteiro.
Ela é um touro bravo quando precisa defender os seus.
E talvez seja justamente essa a grande contradição dessa mulher: ela não quer disputar espaço dentro de casa, mas não admite que alguém desrespeite o espaço de quem ama.
Ela não precisa ser a protagonista de todas as conversas, mas sabe exatamente quando precisa se posicionar.
Não precisa levantar a voz para ser ouvida.
Não precisa provar que é forte.
Não precisa transformar cada tarefa em troféu.
Ela simplesmente sabe quem é.
E existe uma maturidade silenciosa nisso.
Porque, com o tempo, algumas mulheres deixam de gastar energia tentando convencer o mundo sobre o próprio valor.
Elas passam a escolher.
Escolhem as pessoas.
Escolhem as conversas.
Escolhem as batalhas.
Escolhem onde colocar a força.
E, principalmente, aprendem que ser invisível para algumas pessoas pode ser uma forma de liberdade.
A mulher invisível não necessariamente quer aplausos.
Às vezes, ela quer paz.
Não quer reconhecimento por ter passado anos organizando a vida de todo mundo.
Quer apenas ter o direito de viver a própria vida.
Não quer que percebam cada sacrifício.
Quer que respeitem seus limites.
Não quer ser admirada o tempo inteiro.
Quer ser amada.
E talvez seja por isso que tantas mulheres assim sejam tão difíceis de compreender.
Porque o mundo se acostumou a medir a força feminina pelo barulho que ela faz.
Pela carreira.
Pela produtividade.
Pela capacidade de ocupar espaços.
Pela quantidade de coisas que consegue administrar.
Mas existe outro tipo de força.
Uma força que não se exibe.
Que não compete.
Que não pede licença.
Que fica quieta até que seja necessário falar.
E quando fala, todo mundo entende.
Talvez a mulher invisível não tenha desaparecido dentro da casa.
Talvez ela apenas tenha escolhido não fazer da própria existência um espetáculo.
E isso é muito diferente.
Porque há mulheres que passam a vida inteira tentando ser vistas.
E há outras que, depois de tantas experiências, descobrem que o mais importante não é ser vista por todos.
É ser reconhecida por quem realmente importa.
E, principalmente, ser capaz de se enxergar.