QUANTOS AINDA PRECISARÃO MORRER?
Penso que está chegando a hora de investigar, com a seriedade e a profundidade necessárias, os fatos apresentados nesta reportagem. Não podemos continuar tratando como números estatísticos vidas interrompidas pela violência, em circunstâncias que apontam para a possível atuação do crime organizado.
Em 20 anos, 43 políticos foram executados no Rio com suspeita de ação do crime organizado; veja todos os casos | Política | O Globo .
E não interessa se as vítimas são de direita, de centro, de esquerda ou se, literalmente, não estão nem aí para a política..
Interessa que são vidas humanas. São famílias destroçadas, filhos que perderam seus pais, pais que enterraram seus filhos, companheiros que ficaram sem seus amores... São histórias interrompidas, sonhos sepultados e perguntas que continuam sem respostas.
As mortes precisam deixar de ter nome apenas quando ganham visibilidade. Precisam deixar de ser números!
Cada caso precisa ser investigado. Cada indício precisa ser apurado. Cada família merece saber quem matou, quem mandou matar e por quais razões, sempre respeitando o devido processo legal e sem transformar suspeitas em condenações antecipadas.
Não se trata de ideologia. Não se trata de preferência partidária. Trata-se do direito à vida, da segurança de quem ousa participar da vida pública e da obrigação do Estado de proteger seus cidadãos.
O Estado Democrático de Direito deve às famílias respostas para os porquês que passaram a marcar suas vidas.
E deve à sociedade muito mais do que estatísticas, notas de pesar e promessas de investigação.
Deve justiça. Deve esclarecimento. Deve responsabilização dos culpados.
Porque, quando a violência cala pessoas e o medo passa a determinar quem pode ou não participar da política, não é apenas uma família que perde. É a própria democracia que sangra.
Quantos ainda precisarão morrer para que cada uma dessas vidas receba a atenção, a investigação e a justiça que merece?
Até quando?
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