quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Insônia... desgaste constante...


Acordada desde 1:17 da manhã... agora 6:01

Não consegui dormir a maior parte da noite... estou acordada faz horas e daqui a pouco preciso ir ao dentista...

Estou cansada... faz dias... há em mim uma preguiça da alma... um esgotar de emoções...

Não  consigo passar pela dor dos outros como quem olha pela janela. Eu entra nela. Sinto. Penso. Me coloco no lugar. E, quando o mundo está cheio de sofrimento, acabo carregando um pouco de cada história dentro de mim.

Ando demais solidária a dor dos outros... não sei fugir disso!

Hoje  só precisava atravessar esta manhã.

Mesmo estando  sem dormir, cansada há dias e ainda precisando ir ao dentista... Então farei o mínimo necessário. Irei devagar. Depois, voltarei para casa, se puder,  me permitirei não produzir nada. Não preciso escrever o bom dia perfeito, não preciso responder todo mundo, não preciso absorver mais nenhuma dor.

Hoje  só preciso atravessar esta manhã.

Às vezes o cansaço coloca na gente uma espécie de neblina sobre aquilo que, em outro dia, conseguimos enxergar com mais clareza.

E eu já atravessei neblinas antes.

Hoje, talvez seja só mais um daqueles dias em que a  frase do Bruno precisa ser aplicada a mim:

um dia de cada vez… cada dia um pouquinho… até o reencontro.

Só que, desta vez, sem cuidar de todo mundo primeiro.

Preciso cuidar de mim...

Ando demais desanimada com o rumo da vida...

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Dias sim... dias não... mas vou sobrevivendo sem um arranhão... ou quase!

Tem dias que, mesmo que não esteja chovendo, eles são nublados...

Isso acontece... com algumas pessoas mais vezes do que gostariam, mais vezes do que imaginamos que alguém pudesse suportar... mas elas atravessam o dia assim mesmo.

Elas entendem que faz parte de todo um processo... que nem todo dia precisa ser bonito para ser importante.

Agora, existem dias ensolarados... cheios de cor, de sons que evidenciam a vida em harmonia, de cheiros que despertam memórias, de calor que abraça...

Isso também acontece com algumas pessoas que, às vezes, nem acreditam que merecem tamanha Luz e tanto Calor!

A vida é assim...

Tem variações de tempo, de temperatura, de humores, de sentimentos... há manhãs de céu azul e há tardes em que precisamos simplesmente esperar a tempestade passar.

E, no fim, talvez esteja tudo bem...

Porque aquele que confia no processo e no Criador continua caminhando.

Vai se reformulando... aprendendo... amadurecendo... fazendo sua reforma íntima... e se preparando.

Até o dia em que o Pai Maior disser:

— Pronto, Filho... agora é Comigo!

E então, quem sabe, a gente finalmente compreenda que todos aqueles dias nublados também faziam parte do caminho até a Luz...

Um dia de cada vez...
Cada dia um pouquinho...
Até o reencontro...


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Sou... mas quem não é? rsrs


E tô eu aqui hoje, tranquila, fazendo minha comidinha saudável, convivendo com minhas dores e tentando cuidar de mim, sem incomodar absolutamente ninguém… quando abro o direct e encontro:

“Amiga, você está obcecada por fazer campanha política para a direita. Maneira um pouco, você está ficando enfadonha.”

Bom… vamos conversar.

Primeiro: quem vê o que eu publico é porque está no meu perfil, entre as pessoas que eu permiti que estivessem ali. Meu perfil não é público. É um espaço onde compartilho minha vida, meus pensamentos, minhas experiências e, naturalmente, minhas opiniões.

Você não concorda comigo? Tudo bem.

Não gosta do que eu escrevo? Tudo bem também.

Pode deixar de acompanhar, silenciar, sair da minha lista de amigos… e eu prometo que não vou ficar magoada, contrariada ou pensando mal de você por isso. Cada pessoa tem o direito de pensar diferente. É assim que a vida funciona.

Agora, você quer saber por que eu estou tão obstinada em falar sobre política e em defender uma mudança no cenário que considero necessário para o nosso país?

Porque, para mim, isso não começou ontem.

Quando o assunto é segurança pública, eu tenho 11 anos de uma história que não me permite tratar esse tema como uma simples discussão política. Eu perdi um filho para a violência. E depois de viver o que vivi, segurança pública deixou de ser uma pauta distante. Passou a fazer parte da minha história, da minha dor e das minhas preocupações.

Também aprendi, dentro da minha própria casa, que a vida precisa caber dentro daquilo que podemos pagar.

Quando eu estava a poucos meses de uma cirurgia cardíaca, nossa realidade financeira mudou e meu marido precisou adequar nosso plano de saúde ao padrão de vida que conseguíamos sustentar naquele momento. E eu entendi perfeitamente.

É assim que pessoas honestas fazem: quando o dinheiro não dá, a gente corta, adapta, muda hábitos, deixa de ter algumas coisas e tenta viver dentro das nossas possibilidades.

Mas também me entristece ver pessoas que sempre trabalharam, pagaram suas contas, colocaram comida na mesa e tentaram viver com dignidade começarem a sentir que até o básico está ficando difícil.

E tem uma coisa que me incomoda profundamente: a sensação de que a corrupção deixou de causar indignação em parte da sociedade e passou, muitas vezes, a ser tratada como algo inevitável, quase como se fosse normal.

Isso me revolta.

Então, sim, eu estou indignada.

Estou cansada.

Estou triste.

E estou falando muito sobre política porque, neste momento da minha vida, eu não consigo simplesmente fingir que não estou vendo aquilo que me incomoda.

Talvez para você seja enfadonho.

Para mim, é a minha forma de exercer o meu direito de pensar, falar e participar da vida do meu país.

Você não precisa concordar comigo.

Só precisa respeitar o fato de que eu também tenho o direito de não me calar.

E, se aquilo que eu escrevo não faz mais sentido para você, está tudo bem.

A porta é a mesma pela qual você entrou.

Pode sair em paz.

Eu continuarei aqui… escrevendo, pensando, questionando e dizendo aquilo em que acredito.

Porque ficar em silêncio só para não incomodar os outros nunca foi exatamente o meu jeito de viver.


Ps. Esse texto não é direcionado a pessoa que , de verdade, se preocupou comigo esses dias ... eu entendo sua preocupação... e sou infinitamente grata por ela! A senhora sabe que a amo! O texto de hoje é direito de resposta que me dei por conta de um direct de outra pessoa!

domingo, 20 de setembro de 2026

Quando uma mãe chora todas as outras mães choram também!

Quando um caso atual te faz voltar a 2015

Quando uma mãe chora, choram todas as outras mães juntas.

Desde ontem, venho acompanhando, pelas redes sociais, as manifestações em torno da morte de uma jovem de apenas 22 anos, no Ceará.

Vi a postagem da mãe.

E, meu Deus...

Aquela mulher não estava apenas contando uma história.
Ela estava tentando entender o inexplicável.
Tentando juntar pedaços de uma realidade que, para uma mãe, simplesmente não deveria existir.

E foi impossível não voltar a 2015.

Foi impossível não voltar para o meu próprio filho.

Há dores que não precisam ser iguais nos detalhes para serem reconhecidas por quem já atravessou aquele território.

Eu sei o que é olhar para uma história e sentir o corpo reagir antes mesmo que a razão consiga organizar os pensamentos.

Sei o que é ouvir determinadas palavras e voltar, por alguns segundos, para aquele dia.

Sei o que é procurar respostas.

Sei o que é conviver com perguntas.

E sei, principalmente, o que significa ser mãe quando aquilo que mais queremos é descobrir a verdade sobre o que aconteceu com um filho.

Por isso, minha solidariedade a essa mãe não nasce apenas da maternidade.

Nasce da experiência.

Eu vivi.

E talvez seja justamente por isso que esse caso esteja me cutucando tanto... me incomodando, me machucando, me remoendo.

Porque quando uma mãe chora, existe algo naquela dor que ultrapassa a história individual daquela família.

Uma mãe que perdeu um filho reconhece o desespero de outra mãe.

Mesmo sem conhecer aquela mulher.

Mesmo sem conhecer aquela jovem.

Mesmo sem saber ainda tudo o que aconteceu.

A dor materna não precisa de tradução.

E existe algo que me inquieta profundamente em histórias assim:

quando as respostas não chegam, o silêncio começa a gritar.

Não estou aqui para apontar culpados antes que as investigações esclareçam os fatos.

Não cabe a mim fazer julgamentos.

Mas cabe a mim, como mãe e como alguém que já passou por uma perda cercada de perguntas, dizer que nenhuma família deveria precisar implorar para ser ouvida.

Nenhuma mãe deveria precisar transformar a própria dor em uma campanha para que o mundo perceba que existe uma história por trás de um corpo.

Nenhuma morte deveria ser apenas mais uma notícia que desaparece depois de alguns dias.

Porque, para aquela mãe, não existe "mais um caso".

Existe a filha dela.

E talvez seja por isso que essa história tenha me levado de volta a 2015.

Porque há onze anos eu também descobri que o calendário continua andando enquanto, dentro da gente, algumas perguntas permanecem paradas no tempo.

E quando vejo outra mãe tentando encontrar sentido onde só existe desespero, alguma coisa dentro de mim reconhece aquela mulher.

Eu não sei o que aconteceu com essa jovem.

E justamente por não saber, não quero inventar respostas.

Quero apenas que as perguntas sejam feitas.

Que sejam investigadas.

Que sejam esclarecidas.

Que a verdade, seja ela qual for, tenha espaço para aparecer.

Porque quando uma mãe perde um filho, ela não perde apenas o presente.

Ela passa a carregar para sempre a necessidade de compreender.

E talvez seja essa a maior semelhança entre tantas histórias de mães:

nós seguimos vivendo... mas nunca deixamos de procurar.

E eu, que em 2015 comecei uma caminhada que jamais imaginei percorrer, hoje olho para essa mãe e sinto vontade de dizer apenas:

Eu sei.

Não sei a sua história.

Não sei as respostas que você procura.

Mas sei o tamanho do vazio que começa quando um filho parte...

E sei como algumas perguntas conseguem atravessar onze anos e ainda encontrar a gente pelo caminho.

Que a verdade encontre essa família.

Que a justiça não se perca no silêncio.

E que nenhuma mãe precise desistir de perguntar aquilo que o coração dela sabe que precisa ser respondido. 😌😪


Dentro de mim moram alguns eusss...


Dentro de mim moram várias Márcias.

E cada uma delas, no seu tempo, foi responsável por caminhar por esse difícil, doloroso e, ao mesmo tempo, tão necessário trajeto da evolução.

Meu Deus... quantas dores eu passei.

Às vezes eu paro e penso que mal tive tempo de ser criança. Tão pequena, precisei observar, compreender e atravessar situações que talvez fossem grandes demais para os olhos de uma menina.

Mas, dentro daquela criança, já havia uma sementinha...

A sementinha do divino.
Do saber.
Da fé.
Da presença do Pai Maior.

E talvez tenha sido ela que, mesmo sem que eu compreendesse, me sustentou tantas vezes.

Porque, por mais difícil que fosse a caminhada, eu instintivamente me recusei a me revoltar. Recusei-me a desistir.

Eu caminhei.

Trafeguei por estradas que muitas vezes não escolhi. Atravessei caminhos tortuosos. Em alguns momentos, quase caí... e em outros, caí mesmo.

Mas eu sempre levantei.

Sempre.

Renascendo das minhas próprias cinzas, recolhendo os pedaços, juntando os caquinhos e seguindo adiante.

E fui crescendo...

Fui aprendendo.
Fui amadurecendo.
Fui compreendendo que algumas dores não chegam para nos destruir, mas para nos transformar.

E, de todas essas Márcias, nasceu essa que hoje, todos os dias, conversa com vocês.

Não me sinto vaidosa por dominar alguma área da vida. Não é isso que me faz sentir orgulho.

O que me faz feliz, verdadeiramente feliz, é saber que, apesar de tudo o que vivi, eu não permiti que a dor arrancasse de mim a capacidade de amar.

Ao contrário...

Se existe alguma coisa que considero uma das minhas maiores conquistas, é saber que me tornei um ser capaz de semear o bem no coração de alguém.

Talvez eu não consiga mudar o mundo.

Talvez eu não consiga resolver todas as dores que encontro pelo caminho.

Mas, se uma palavra minha alcançar um coração cansado...
se uma reflexão minha fizer alguém pensar...
se um gesto meu devolver um pouquinho de esperança a alguém...

então toda aquela caminhada teve sentido.

Porque, no fim das contas, talvez seja isso que significa evoluir:

não chegar ao final da estrada perfeita...

mas chegar um pouco mais humana, um pouco mais consciente, um pouco mais amorosa...

e deixar, por onde passamos, algumas sementes de luz.

Dentro de mim ainda moram várias Márcias.

A menina que precisou ser forte cedo demais.
A mulher que caiu.
A mulher que chorou.
A mulher que recomeçou.
A mulher que ainda sente.
A mulher que aprendeu.

E todas elas continuam caminhando comigo...

Porque nenhuma das Márcias que fui deixou de existir.

Elas apenas foram se transformando...

até chegar a esta que hoje olha para trás, respira fundo e consegue dizer:

eu sobrevivi às minhas dores sem permitir que elas me transformassem em alguém que eu não queria ser.

E talvez essa seja a minha maior vitória.

Não ter vencido pessoas, situações ou dificuldades...

mas ter conseguido vencer, todos os dias, a vontade de desistir de mim mesma.

Um dia de cada vez...

cada dia um pouquinho...

até o reencontro.

sábado, 19 de setembro de 2026

Bom fim semana... a todos!

Bom dia! ☕📖

Hoje, o meu Café com Literatura vai, especialmente, para aqueles que pensam como eu, que estão cansados como eu, que desejam mudanças como eu.

Não significa que eu não queira coisas boas para todos. Quero, sim. E talvez seja justamente por pensar no todo, e não apenas em mim e na minha família, que eu me exponho tanto, escrevendo, falando, colocando em palavras aquilo em que acredito.

Mas hoje eu quero conversar com quem compartilha desses mesmos anseios.

E, principalmente, quero falar àqueles que estão colocando seus nomes, sua história e sua integridade à disposição de um projeto de mudança nas próximas eleições:

não desistam de nós.

Continuem firmes.

E a vocês que caminham ao lado dessas pessoas, que trabalham, ajudam, acreditam e colocam energia para transformar um sonho em realidade: não desistam também.

Mas existe uma coisa que eu gostaria de pedir a todos nós:

não entremos no oba-oba do “já ganhamos”.

Porque uma guerra só termina quando chega ao fim.
Só podemos falar em vitória quando o último minuto passou, quando a batalha terminou e uma nova era, de fato, começou.

Até lá, é trabalho.

É humildade.

É respeito.

É perseverança.

É saber defender aquilo em que acreditamos sem precisar agredir quem pensa diferente.

Não precisamos transformar divergência em ofensa, nem convicção em arrogância.

Quem realmente deseja mudança precisa estar disposto a trabalhar por ela até o último instante.

Então, neste sábado, desejo a todos um fim de semana de paz, de alegria e, principalmente, de consciência.

Que não nos falte coragem para continuar, humildade para reconhecer que ainda há muito caminho pela frente e serenidade para percorrê-lo.

Sem agressões.
Sem provocações.
Sem desafios negativos.
Sem soberba.

Apenas trabalho, fé e perseverança.

Porque sonho que se quer transformar em realidade não pode parar no meio do caminho.

Bom dia! Um sábado de paz para todos nós. 🌷

Um dia de cada vez... cada dia um pouquinho...

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

As dicas do Bruno...


O Bruno, em uma de suas últimas postagens no Facebook, escreveu:

“Liberte-se... Um dia de cada vez... Até o reencontro!”

E eu, que acredito em reencarnação, em preparação dos espíritos encarnados para o desencarne, principalmente em face à sua evolução espiritual, penso que meu filho se despediu querendo passar a seguinte mensagem:

“Liberte-se: do medo... das formalidades... das imposições da vida cotidiana... das convenções...

Viva harmonicamente um dia de cada vez, olhando sempre para o próximo com o mesmo amor que olha para os seus... Seja GRATO!!!! Porque a vida é uma grande oportunidade de aprendizado, não desperdice-a! Confie em Deus e nos espíritos de Luz, porque mesmo quando tudo parecer errado... Desgraçadamente cruel, DEUS tem um porquê e esse porquê nunca é ruim...

Até o reencontro... Porque, de alguma forma, em algum dia, nos encontraremos naquela mesma estação!”

Hoje, tantos anos depois, leio essas palavras com outros olhos...

E talvez seja isso que chamamos de evolução.

A vida não é apenas aquilo que conseguimos acumular, conquistar ou deixar para trás. Talvez a nossa verdadeira missão esteja naquilo que conseguimos transformar dentro de nós enquanto caminhamos...

Aprender a amar. Aprender a perdoar. Aprender a agradecer. Aprender a respeitar o tempo do outro e o nosso próprio tempo. Aprender, principalmente, a não permitir que as dores da vida nos tornem pessoas diferentes daquilo que fomos chamadas a ser.

E, quando penso no meu filho, uma certeza me acompanha...

Eu soube educar.

Não porque consegui protegê-lo de todas as dores — isso nenhuma mãe consegue.

Não porque consegui impedir que a vida lhe apresentasse seus caminhos, suas escolhas, seus encontros e desencontros...

Mas porque, quando ele partiu, levou consigo aquilo que uma mãe realmente pode oferecer a um filho: valores, amor, respeito, solidariedade, fé, liberdade para escolher e consciência de que cada escolha tem suas consequências.

Educar um filho é plantar sem saber exatamente quando — ou se — veremos a árvore florescer.

É ensinar enquanto eles ainda precisam da nossa mão e, depois, confiar que aquilo que ensinamos caminhará com eles quando soltarmos essa mão.

Bruno cresceu...

E eu cresci junto com ele.

Hoje compreendo que talvez uma das maiores missões de uma mãe seja justamente essa: preparar um espírito para caminhar pela vida sem ser propriedade de ninguém, nem mesmo da própria mãe.

E talvez, dentro daquilo em que acredito, preparar também seja ensinar que a vida terrena é apenas uma estação...

Uma passagem...

Uma oportunidade.

Por isso, quando releio:

“Um dia de cada vez... até o reencontro!”

não consigo enxergar apenas uma frase.

Enxergo uma síntese de tudo aquilo que ainda estou aprendendo...

Libertar-me do medo. Libertar-me da culpa. Libertar-me do “e se”... Libertar-me da necessidade de encontrar respostas para tudo.

E continuar vivendo.

Um dia de cada vez...

Cada dia um pouquinho...

Porque, se existe uma missão que a vida me deixou depois dele, talvez seja justamente essa:

continuar aprendendo, continuar amando e continuar evoluindo... até que, um dia, naquela mesma estação, nossos caminhos se encontrem novamente.

E quando esse dia chegar...

Talvez eu finalmente possa dizer a ele:

“Filho... eu entendi.” 🩷🩵


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Graças a Deus eu tenho...

Quando a dor nos faz olhar para o outro...

Não é fácil.

Não é fácil conviver com a dor todos os dias... e, quando chega uma friagem dessas que tem castigado o Rio de Janeiro e tantas regiões do Sudeste e do Sul, parece que o corpo inteiro sente.

Para quem convive com artrite reumatoide e fibromialgia, o frio pode significar mais do que simplesmente precisar colocar um agasalho.

É dor.

É desconforto.

É mal-estar.

É aquele corpo que parece reclamar de cada movimento... como se a friagem encontrasse exatamente os lugares onde já existe sofrimento e resolvesse apertá-los um pouco mais.

E, ao mesmo tempo, há coisas que parecem contraditórias...

Um tempo extremamente úmido e, ainda assim, aquela sensação de ressecamento nos olhos, nas mucosas... um incômodo que vai se somando a tantos outros.

Meu Deus... é cruel.

Mas hoje, no meio dessa minha própria dor, uma coisa não sai da minha cabeça:

graças a Deus, eu tenho.

Tenho um agasalho.

Tenho cobertas.

Tenho uma casa.

Tenho um teto.

Tenho abrigo.

Tenho condições de buscar algum alívio, ainda que não possa utilizar tudo aquilo que seria o tratamento mais adequado para mim.

Tenho outras condições de saúde que limitam algumas possibilidades, mas ainda posso contar com medidas paliativas para atravessar esses períodos.

E então eu penso em quem não tem.

Quem sente frio sem ter um agasalho.

Quem sente dor sem ter um teto.

Quem dorme sem saber se estará protegido da chuva, do vento, da friagem...

Quem precisa de um medicamento e simplesmente não pode comprá-lo.

E talvez uma das coisas mais cruéis da dor seja justamente esta:

quem não sente na própria pele aquilo que o outro sente pode acabar julgando aquilo que não compreende.

“É só uma dor.”

“É só frio.”

“É só cansaço.”

Não...

Às vezes, para quem carrega uma doença crônica, o que parece pequeno para os olhos de quem observa pode ser gigantesco para quem está vivendo.

E isso me faz pensar ainda mais em quem não tem sequer o mínimo para amenizar aquilo que sente.

Eu tenho uma consciência espiritual que me ensina que nem tudo aquilo que vivemos precisa ser compreendido imediatamente. Há experiências que atravessamos, aprendizados que fazemos, reformas íntimas que precisamos buscar...

Mas existe uma coisa que eu ainda não consigo fazer:

ficar indiferente diante do sofrimento do outro.

Talvez porque a minha própria dor tenha me ensinado que sentir dor muda a maneira como enxergamos o mundo.

E, quando a dor nos torna mais sensíveis à dor alheia, talvez ela também possa se transformar em alguma coisa maior do que sofrimento.

Pode se transformar em compaixão.

Em gratidão.

Em oração.

Em vontade de fazer alguma coisa.

Hoje, portanto, antes de reclamar somente do frio que dói em mim, eu quero agradecer pelo teto que me protege.

Pelas cobertas que me aquecem.

Pelo agasalho que posso vestir.

Pelo alimento que tenho.

Pelo recurso que, dentro das minhas possibilidades, ainda consigo buscar.

E quero pedir por aqueles que não têm.

Porque, meu Deus...

tem piedade de nós.

Olha pelos que sentem frio.

Pelos que sentem fome.

Pelos que sentem dor.

Pelos que não conseguem comprar o medicamento de que precisam.

Pelos que não têm onde descansar o corpo quando a noite chega.

E, principalmente, não permita que a nossa própria dor nos torne indiferentes à dor do outro.

Dá-nos misericórdia.

Dá-nos força.

Dá-nos sensibilidade para enxergar.

E coragem para ajudar quando pudermos.

Porque há dias em que continuar é difícil...

Muito difícil.

Mas talvez seja justamente nesses dias que precisamos nos lembrar:

um dia de cada vez... cada dia um pouquinho... até o reencontro.

E que, enquanto estivermos aqui, que a nossa dor não seja apenas algo que carregamos...

Que ela também possa nos ensinar a carregar um pouquinho da dor do outro.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Estou exausta de ter medo...

Porque vou votar com eles...

EU ESTOU EXAUSTA DE TER MEDO

O que a gente pensa — ou deveria pensar — quando, através do voto, delega poderes a uma pessoa para decidir por nós?

Na Câmara dos Deputados, na Câmara de Vereadores, na Assembleia Legislativa, no Senado, na Presidência da República, nas prefeituras, nos governos dos estados...

O voto é muito mais do que escolher um nome.

É entregar a alguém uma parcela da nossa voz, da nossa confiança e do poder de decidir sobre aquilo que interfere diretamente na nossa vida.

E talvez seja justamente por isso que, neste momento, o meu voto esteja tão ligado à defesa da segurança pública.

Eu estou cansada.

Estou exausta de ter medo.

Cansada de ver tragédias.
De ver gente estirada no chão por causa de um tiro.
De ver carros parados nas estradas e pessoas se jogando ao chão, apavoradas, sem saber se serão as próximas vítimas.

Estou cansada de ter medo de sair com o celular.

De colocar um cordão, ainda que simples, no pescoço.

De usar uma aliança de casamento.

Cansada de pensar que objetos que, muitas vezes, nem têm um valor tão grande podem se transformar em motivo para alguém perder a própria vida.

Mas existe um medo ainda maior...

O medo de receber novamente a notícia de que um filho meu foi encontrado morto.

Eu já conheço essa dor.

E eu não quero passar por isso outra vez.

Não quero viver presa a esse sofrimento.

Mas também não quero transformar a minha dor em vingança.

Não quero alimentar ódio.

Não quero alimentar violência.

Quero outra coisa.

Quero acreditar que podemos construir uma sociedade em que a vida tenha valor.

Quero acreditar que, com representantes comprometidos com a segurança pública, podemos discutir e elaborar leis que acompanhem a realidade que estamos vivendo.

Uma sociedade mudou. Os problemas mudaram. As formas de violência também mudaram.

E talvez as nossas leis precisem acompanhar essas mudanças.

Não acredito que segurança pública seja sinônimo de vingança.

Não acredito que combater a criminalidade precise significar abandonar direitos, dignidade ou humanidade.

Mas também não acredito que proteger direitos possa significar ignorar o direito mais básico de todos: o direito de viver.

Por isso, quando penso no meu voto, penso também naquilo que eu espero daqueles a quem vou delegar poder.

Quero representantes que compreendam que segurança pública não é apenas uma pauta política.

É o direito de uma mãe voltar para casa.

É o direito de um trabalhador atravessar uma estrada sem precisar deitar no chão para se proteger de tiros.

É o direito de uma mulher usar sua aliança sem medo.

É o direito de um jovem sair de casa e voltar.

É o direito de uma família não receber a ligação que muda sua história para sempre.

É o direito de todos nós de viver sem que o medo determine até onde podemos ir.

Meu voto, neste momento, será também uma resposta àquilo que eu tenho vivido e observado.

Não por ódio.

Não por vingança.

Mas porque eu preciso acreditar.

Preciso acreditar que ainda é possível elaborar leis mais adequadas ao tempo em que vivemos.

Preciso acreditar que podemos encontrar caminhos para proteger a população sem abandonar a humanidade.

Preciso acreditar que vale a pena continuar morando aqui.

Preciso acreditar que o Brasil pode voltar a ser, para nós, mais do que um lugar bonito no mapa.

Quero continuar acreditando naquele verso que aprendemos a cantar:

“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”

E talvez, depois de tudo...

ainda conseguir cantar:

“Mas que beleza...
mas que beleza.”

Porque eu não quero desistir do meu país.

Eu só quero poder viver nele sem medo.🙂.

Eu sei, meu filho... hoje eu estou precisando de você.”

odia que não terminou

O dia que não terminou

Existem dias que terminam quando o sol se põe.

E existem dias que não terminam nunca...

Ficam suspensos no tempo, congelados em algum lugar dentro da gente, esperando que alguma coisa os descongele. Uma música, uma lembrança, uma fotografia, uma palavra... ou simplesmente um daqueles momentos em que o corpo enfraquece e a alma procura quem um dia foi abrigo.

É nesses momentos que eu sinto ainda mais falta do Bruno.

Porque Bruno não era apenas meu filho.

Era meu parceiro.
Meu amigo.
Meu companheiro.

Era aquele com quem eu podia dividir a vida, as conversas, as pequenas coisas... e talvez seja por isso que, quando eu estou fragilizada, cansada ou sentindo dor, alguma parte de mim ainda procure por ele.

Como se meu coração dissesse:

“Cadê o Bruno?”

E então eu volto para aquele dia...

O dia em que ele me deu um beijo de despedida.

O dia em que eu o vi sair acreditando que a manhã seguinte chegaria normalmente.

O dia em que eu ainda tinha um amanhã com ele.

Mas aquele amanhã não aconteceu como deveria.

E foi assim que aquele dia nunca terminou.

Ele ficou ali...

Naquele beijo.
Naquela porta.
Naquela despedida.
Na certeza de que ele voltaria.

Ficou congelado na minha vida.

Mas aprendi, ao longo desses onze anos, que um dia congelado não significa uma vida congelada.

Eu continuei.

Chorei.
Caí.
Me reconstruí.
Aprendi a conviver com a ausência.

Aprendi que saudade não é retrocesso.

Que sentir falta não significa que eu não tenha seguido em frente.

Significa apenas que alguém foi muito amado.

E o Bruno foi.

É.

Talvez seja por isso que, quando estou mais frágil, eu me lembro tanto dele.

Não é somente da morte que eu me lembro.

Eu me lembro da vida.

Do filho que esteve comigo.

Do amigo que caminhou ao meu lado.

Do companheiro que tantas vezes fez parte dos meus dias.

E talvez seja essa a maior diferença entre a ausência e o esquecimento:

ele está ausente... mas nunca foi esquecido.

O tempo passou.

Muita coisa mudou.

Eu mudei.

Mas aquele dia...

Aquele dia ainda não terminou.

E talvez nunca termine.

Porque algumas histórias não terminam quando a vida física acaba.

Elas apenas mudam de lugar.

Saem dos nossos braços...

E passam a morar para sempre dentro do coração.

E eu sigo...

Um dia de cada vez, cada dia um pouquinho...

Até o reencontro.