Este blog é mais uma ferramenta para ajudar mães enlutadas a viverem seus dias de saudade entre o céu e a terra.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Tempos angustiantes...
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Está chegando o dia em que voltar a ter as rédeas do país só dependerá de nós!
Será que você vem observando o que está acontecendo com o pessoal da segurança pública no Rio de Janeiro?
Pois é... eu venho observando.
Tenho acompanhado o movimento de profissionais da segurança pública que estão colocando seus nomes à disposição para disputar cargos legislativos e executivos. Policiais federais, civis, militares e outros profissionais que conhecem a criminalidade não apenas pelos números das estatísticas, mas pelo que encontram todos os dias nas ruas.
E há algo nesse movimento que merece ser analisado com atenção.
Talvez muitos desses profissionais tenham chegado à conclusão de que não basta continuar prendendo.
Não basta prender o assaltante, o traficante, o integrante de uma organização criminosa... para, pouco tempo depois, vê-lo de volta às ruas por brechas legais, interpretações jurídicas, fragilidades processuais ou por um sistema que, em determinados casos, não consegue manter preso quem representa efetivamente uma ameaça à sociedade.
E aqui é preciso fazer uma distinção: não estou dizendo que toda soltura seja ilegal ou que todo profissional do Judiciário esteja equivocado. O Estado de Direito exige regras, devido processo e garantias. O problema é outro:
as leis e as estruturas criadas para combater o crime precisam acompanhar a velocidade com que o crime se organiza.
O crime mudou.
As organizações criminosas mudaram.
O narcotráfico se profissionalizou, ampliou seus territórios, criou redes financeiras, armamentos, comunicação e logística cada vez mais sofisticadas.
E nós ainda discutimos muitas vezes como se estivéssemos enfrentando o mesmo criminoso de décadas atrás.
Enquanto isso, quem está na ponta dá o murro em ponta de faca.
Prende.
Investiga.
Produz provas.
Arrisca a própria vida.
E, quando o criminoso volta para a rua, muitas vezes retorna ainda mais estruturado e perigoso.
É compreensível, portanto, que parte desses profissionais esteja começando a olhar para o Legislativo e pensar:
“Talvez eu precise estar lá para mudar aquilo que, aqui fora, eu não consigo mudar.”
Porque segurança pública não se faz somente com viatura, fuzil, investigação e operação policial.
Segurança pública também se faz com leis adequadas à realidade, inteligência, integração entre instituições, investigação financeira, fortalecimento das estruturas policiais, sistema prisional eficiente e um sistema de Justiça capaz de responsabilizar, dentro da lei, quem efetivamente comete crimes.
E talvez seja justamente essa percepção que esteja levando tantos profissionais da segurança a sair das ruas e entrar na política.
Não necessariamente porque desistiram de combater o crime.
Talvez porque tenham entendido que combater o crime também significa combater, dentro das instituições, aquilo que permite que ele continue se reproduzindo.
E há ainda uma discussão maior, que merece ser feita com muita responsabilidade: como aperfeiçoar os mecanismos de controle e responsabilização de todos os agentes públicos envolvidos no sistema de Justiça, preservando a independência institucional e as garantias constitucionais.
Eu mesma já pensei sobre a possibilidade de mecanismos diferentes de escolha ou avaliação para determinadas funções do sistema de Justiça. Mas isso é um debate constitucional e institucional complexo, que não pode ser reduzido a simplesmente “eleger juiz”. Afinal, independência judicial também é uma garantia importante do Estado de Direito.
O ponto central, para mim, é outro:
não podemos exigir que o policial resolva sozinho um problema que é muito maior do que a polícia.
Enquanto um profissional arrisca a vida para retirar um criminoso das ruas, o restante do sistema precisa funcionar.
Porque, se não funciona, chegamos a uma situação perversa:
o policial prende, o criminoso retorna e a sociedade continua refém.
E talvez seja justamente por isso que estamos vendo tantos homens e mulheres da segurança pública decidindo ocupar espaços na política.
Eles já experimentaram o limite da atuação de dentro das ruas.
Agora querem participar da construção das regras que organizam o jogo.
E isso, gostemos ou não, é um movimento que merece ser observado.
Porque quando quem passa a vida combatendo o crime começa a concluir que precisa entrar no Legislativo para mudar as condições desse combate...
talvez seja um sinal de que há alguma coisa muito séria precisando ser discutida no Brasil.
Um fim de semana que valeu a minha vida!
Um fim de semana muito bom! ❤️
Um lugar paradisíaco... pessoas dispostas a tornar nossa estada ainda mais prazerosa... e uma harmonia que parecia blindada pelos céus!
Tudo concorreu para o êxito da viagem: o tempo, o lugar escolhido... até São Pedro deu um refresco e liberou o sol — mesmo que um tanto envergonhado —, mas ele esteve por lá durante toda a sexta e o sábado! ☀️🌿🌊
Mas houve algo que, para mim, bateu forte no coração: ver pais e filhos em uma integração que pouco se vê nos dias atuais, quando a pressa da vida parece não deixar espaço para o simples e tão necessário “crescer juntos”.
Não teve briga... não teve malcriação... não houve necessidade de uma palavra mais ríspida.
Houve convivência.
Houve presença.
Houve brincadeira, conversa, cumplicidade e, acima de tudo, tempo compartilhado.
Foi um daqueles fins de semana que certamente ficarão guardados no HD pessoal de cada criança e de cada adulto que esteve ali... como uma memória boa para ser acessada lá na frente, quando a vida estiver corrida demais e o coração precisar se lembrar de tempos felizes.
E para mim e meu marido, que pertencemos à ala da terceira idade desse encontro, ficou uma alegria tranquila e profunda: a de ver nossos netos e seus amiguinhos cercados por pais dispostos a mostrar, através das próprias atitudes, que família é o melhor investimento que podemos fazer na vida.
Que essas crianças cresçam carregando muito mais do que fotografias desse fim de semana.
Que carreguem lembranças.
Que carreguem afetos.
Que carreguem a certeza de que houve um tempo em que seus pais pararam tudo para simplesmente... estar com eles.
Deus abençoe a todos! 🙏🏻
E que dias assim, dignos de memória positiva, aconteçam cada vez com maior frequência. ❤️
Porque, no fim das contas, talvez seja isso que realmente importa:
criar memórias felizes enquanto ainda temos tempo de vivê-las.
domingo, 27 de setembro de 2026
Tudo por ela... nossa arco-íris!
Nina... 11 anos de um amor que chegou para iluminar nossos dias! 💙🌊🧜♀️
Ela só completa 11 anos amanhã...
Mas nós resolvemos antecipar a comemoração e passar este fim de semana prolongado aqui na ilha, em Angra, cercados pelo vovô, pela vovó, pela outra vovó, papai, mamãe, irmão, as melhores amigas e o primo do coração.
E que fim de semana!...
Um lugar paradisíaco, daqueles que parecem ter sido cuidadosamente preparados por Deus para nos lembrar que a vida também sabe ser bonita.
Com sol ou sem sol, Angra oferece uma paz... meu Deus, uma paz maravilhosa!
As fotos não negam a felicidade.
Os sorrisos não deixam esconder.
As memórias já estão guardadas para sempre. ❤️
Mas, apesar de toda essa beleza, ela é o foco.
Ela é a nossa rainha.
A menina que chegou para encantar os nossos corações, para trazer alegria e, de alguma maneira tão bonita, devolver razões para sorrir e continuar acreditando que a vida sempre pode nos surpreender.
Nina chegou pequenininha... e trouxe um mundo inteiro de amor com ela.
E hoje, olhando para essa menina de 11 anos, eu só consigo agradecer a Deus pelo presente que nos deu.
Minha oração é que os caminhos dela sejam sempre protegidos pela Virgem Mãe Maria e iluminados pelo Pai Maior.
Que ela cresça com a mesma vontade de vencer que vê no pai e na mãe...
com o senso de justiça que o pai carrega...
com o valor da família que aprendemos a cultivar...
com esse amor incondicional que tenho pela minha família.
Mas, acima de tudo, que ela nunca perca o sentido de quem ela é.
Porque é isso que mais desejo para ela:
Que ela saiba que pode amar, cuidar, ajudar, lutar, abraçar o mundo inteiro...
Mas que nunca se esqueça de si mesma.
Que compreenda, desde cedo, que estar segura, estar feliz, estar em paz e ser fiel àquilo que acredita também é uma forma de amar os outros.
Porque ela pode ser muito por todos nós...
mas, antes de tudo, precisa ser por ela.
E talvez seja esse o maior presente que eu possa desejar para os seus 11 anos:
Que a vida não lhe ofereça apenas fins de semana como este...
Que nem todos os dias sejam ensolarados, cercados pelo mar, pela família, pelos amigos e pela alegria.
Porque a vida também terá dias nublados.
Terá desafios, escolhas, perdas, medos e recomeços.
E, quando eles chegarem, minha menina, que você tenha dentro de si a mesma força, a mesma determinação e a mesma intensidade com que viveu este fim de semana.
Que você aprenda a vencer não apenas os dias felizes, mas também aqueles que parecerem difíceis demais.
Que seja forte sem deixar de ser doce.
Que seja determinada sem deixar de ser sensível.
Que seja justa sem perder a ternura.
Que ame profundamente... sem jamais esquecer de se amar.
E que Nossa Senhora caminhe sempre ao seu lado, colocando luz nos seus caminhos e proteção sobre os seus passos.
Porque você é, e sempre será, uma das histórias mais bonitas que Deus escreveu em nossas vidas.
Feliz 11 anos, minha Nina! 🩷
Que você continue mergulhando na vida com essa coragem de quem sabe que o mundo é enorme, bonito e cheio de possibilidades...
E que nunca se esqueça:
você é muito amada.
Você é muito importante.
E nós estaremos sempre aqui... torcendo, amparando, celebrando e agradecendo a Deus por ter colocado você em nossas vidas.
Amanhã você completa 11...
E nós completamos mais um ano de privilégio por ter você conosco. 🌊🧜♀️🎂💙
Te amamos, nossa menina do mar! 🩷🩵🌊✨
sábado, 26 de setembro de 2026
Presentes de Deus...
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Insônia... desgaste constante...
Não consegui dormir a maior parte da noite... estou acordada faz horas e daqui a pouco preciso ir ao dentista...
Estou cansada... faz dias... há em mim uma preguiça da alma... um esgotar de emoções...
Não consigo passar pela dor dos outros como quem olha pela janela. Eu entra nela. Sinto. Penso. Me coloco no lugar. E, quando o mundo está cheio de sofrimento, acabo carregando um pouco de cada história dentro de mim.
Ando demais solidária a dor dos outros... não sei fugir disso!
Hoje só precisava atravessar esta manhã.
Mesmo estando sem dormir, cansada há dias e ainda precisando ir ao dentista... Então farei o mínimo necessário. Irei devagar. Depois, voltarei para casa, se puder, me permitirei não produzir nada. Não preciso escrever o bom dia perfeito, não preciso responder todo mundo, não preciso absorver mais nenhuma dor.
Hoje só preciso atravessar esta manhã.
Às vezes o cansaço coloca na gente uma espécie de neblina sobre aquilo que, em outro dia, conseguimos enxergar com mais clareza.
E eu já atravessei neblinas antes.
Hoje, talvez seja só mais um daqueles dias em que a frase do Bruno precisa ser aplicada a mim:
um dia de cada vez… cada dia um pouquinho… até o reencontro.
Só que, desta vez, sem cuidar de todo mundo primeiro.
Preciso cuidar de mim...
Ando demais desanimada com o rumo da vida...
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dias sim... dias não... mas vou sobrevivendo sem um arranhão... ou quase!
Tem dias que, mesmo que não esteja chovendo, eles são nublados...
Isso acontece... com algumas pessoas mais vezes do que gostariam, mais vezes do que imaginamos que alguém pudesse suportar... mas elas atravessam o dia assim mesmo.
Elas entendem que faz parte de todo um processo... que nem todo dia precisa ser bonito para ser importante.
Agora, existem dias ensolarados... cheios de cor, de sons que evidenciam a vida em harmonia, de cheiros que despertam memórias, de calor que abraça...
Isso também acontece com algumas pessoas que, às vezes, nem acreditam que merecem tamanha Luz e tanto Calor!
A vida é assim...
Tem variações de tempo, de temperatura, de humores, de sentimentos... há manhãs de céu azul e há tardes em que precisamos simplesmente esperar a tempestade passar.
E, no fim, talvez esteja tudo bem...
Porque aquele que confia no processo e no Criador continua caminhando.
Vai se reformulando... aprendendo... amadurecendo... fazendo sua reforma íntima... e se preparando.
Até o dia em que o Pai Maior disser:
— Pronto, Filho... agora é Comigo!
E então, quem sabe, a gente finalmente compreenda que todos aqueles dias nublados também faziam parte do caminho até a Luz...
Um dia de cada vez...
Cada dia um pouquinho...
Até o reencontro...
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Sou... mas quem não é? rsrs
E tô eu aqui hoje, tranquila, fazendo minha comidinha saudável, convivendo com minhas dores e tentando cuidar de mim, sem incomodar absolutamente ninguém… quando abro o direct e encontro:
“Amiga, você está obcecada por fazer campanha política para a direita. Maneira um pouco, você está ficando enfadonha.”
Bom… vamos conversar.
Primeiro: quem vê o que eu publico é porque está no meu perfil, entre as pessoas que eu permiti que estivessem ali. Meu perfil não é público. É um espaço onde compartilho minha vida, meus pensamentos, minhas experiências e, naturalmente, minhas opiniões.
Você não concorda comigo? Tudo bem.
Não gosta do que eu escrevo? Tudo bem também.
Pode deixar de acompanhar, silenciar, sair da minha lista de amigos… e eu prometo que não vou ficar magoada, contrariada ou pensando mal de você por isso. Cada pessoa tem o direito de pensar diferente. É assim que a vida funciona.
Agora, você quer saber por que eu estou tão obstinada em falar sobre política e em defender uma mudança no cenário que considero necessário para o nosso país?
Porque, para mim, isso não começou ontem.
Quando o assunto é segurança pública, eu tenho 11 anos de uma história que não me permite tratar esse tema como uma simples discussão política. Eu perdi um filho para a violência. E depois de viver o que vivi, segurança pública deixou de ser uma pauta distante. Passou a fazer parte da minha história, da minha dor e das minhas preocupações.
Também aprendi, dentro da minha própria casa, que a vida precisa caber dentro daquilo que podemos pagar.
Quando eu estava a poucos meses de uma cirurgia cardíaca, nossa realidade financeira mudou e meu marido precisou adequar nosso plano de saúde ao padrão de vida que conseguíamos sustentar naquele momento. E eu entendi perfeitamente.
É assim que pessoas honestas fazem: quando o dinheiro não dá, a gente corta, adapta, muda hábitos, deixa de ter algumas coisas e tenta viver dentro das nossas possibilidades.
Mas também me entristece ver pessoas que sempre trabalharam, pagaram suas contas, colocaram comida na mesa e tentaram viver com dignidade começarem a sentir que até o básico está ficando difícil.
E tem uma coisa que me incomoda profundamente: a sensação de que a corrupção deixou de causar indignação em parte da sociedade e passou, muitas vezes, a ser tratada como algo inevitável, quase como se fosse normal.
Isso me revolta.
Então, sim, eu estou indignada.
Estou cansada.
Estou triste.
E estou falando muito sobre política porque, neste momento da minha vida, eu não consigo simplesmente fingir que não estou vendo aquilo que me incomoda.
Talvez para você seja enfadonho.
Para mim, é a minha forma de exercer o meu direito de pensar, falar e participar da vida do meu país.
Você não precisa concordar comigo.
Só precisa respeitar o fato de que eu também tenho o direito de não me calar.
E, se aquilo que eu escrevo não faz mais sentido para você, está tudo bem.
A porta é a mesma pela qual você entrou.
Pode sair em paz.
Eu continuarei aqui… escrevendo, pensando, questionando e dizendo aquilo em que acredito.
Porque ficar em silêncio só para não incomodar os outros nunca foi exatamente o meu jeito de viver.
Ps. Esse texto não é direcionado a pessoa que , de verdade, se preocupou comigo esses dias ... eu entendo sua preocupação... e sou infinitamente grata por ela! A senhora sabe que a amo! O texto de hoje é direito de resposta que me dei por conta de um direct de outra pessoa!
domingo, 20 de setembro de 2026
Quando uma mãe chora todas as outras mães choram também!
Quando um caso atual te faz voltar a 2015
Quando uma mãe chora, choram todas as outras mães juntas.
Desde ontem, venho acompanhando, pelas redes sociais, as manifestações em torno da morte de uma jovem de apenas 22 anos, no Ceará.
Vi a postagem da mãe.
E, meu Deus...
Aquela mulher não estava apenas contando uma história.
Ela estava tentando entender o inexplicável.
Tentando juntar pedaços de uma realidade que, para uma mãe, simplesmente não deveria existir.
E foi impossível não voltar a 2015.
Foi impossível não voltar para o meu próprio filho.
Há dores que não precisam ser iguais nos detalhes para serem reconhecidas por quem já atravessou aquele território.
Eu sei o que é olhar para uma história e sentir o corpo reagir antes mesmo que a razão consiga organizar os pensamentos.
Sei o que é ouvir determinadas palavras e voltar, por alguns segundos, para aquele dia.
Sei o que é procurar respostas.
Sei o que é conviver com perguntas.
E sei, principalmente, o que significa ser mãe quando aquilo que mais queremos é descobrir a verdade sobre o que aconteceu com um filho.
Por isso, minha solidariedade a essa mãe não nasce apenas da maternidade.
Nasce da experiência.
Eu vivi.
E talvez seja justamente por isso que esse caso esteja me cutucando tanto... me incomodando, me machucando, me remoendo.
Porque quando uma mãe chora, existe algo naquela dor que ultrapassa a história individual daquela família.
Uma mãe que perdeu um filho reconhece o desespero de outra mãe.
Mesmo sem conhecer aquela mulher.
Mesmo sem conhecer aquela jovem.
Mesmo sem saber ainda tudo o que aconteceu.
A dor materna não precisa de tradução.
E existe algo que me inquieta profundamente em histórias assim:
quando as respostas não chegam, o silêncio começa a gritar.
Não estou aqui para apontar culpados antes que as investigações esclareçam os fatos.
Não cabe a mim fazer julgamentos.
Mas cabe a mim, como mãe e como alguém que já passou por uma perda cercada de perguntas, dizer que nenhuma família deveria precisar implorar para ser ouvida.
Nenhuma mãe deveria precisar transformar a própria dor em uma campanha para que o mundo perceba que existe uma história por trás de um corpo.
Nenhuma morte deveria ser apenas mais uma notícia que desaparece depois de alguns dias.
Porque, para aquela mãe, não existe "mais um caso".
Existe a filha dela.
E talvez seja por isso que essa história tenha me levado de volta a 2015.
Porque há onze anos eu também descobri que o calendário continua andando enquanto, dentro da gente, algumas perguntas permanecem paradas no tempo.
E quando vejo outra mãe tentando encontrar sentido onde só existe desespero, alguma coisa dentro de mim reconhece aquela mulher.
Eu não sei o que aconteceu com essa jovem.
E justamente por não saber, não quero inventar respostas.
Quero apenas que as perguntas sejam feitas.
Que sejam investigadas.
Que sejam esclarecidas.
Que a verdade, seja ela qual for, tenha espaço para aparecer.
Porque quando uma mãe perde um filho, ela não perde apenas o presente.
Ela passa a carregar para sempre a necessidade de compreender.
E talvez seja essa a maior semelhança entre tantas histórias de mães:
nós seguimos vivendo... mas nunca deixamos de procurar.
E eu, que em 2015 comecei uma caminhada que jamais imaginei percorrer, hoje olho para essa mãe e sinto vontade de dizer apenas:
Eu sei.
Não sei a sua história.
Não sei as respostas que você procura.
Mas sei o tamanho do vazio que começa quando um filho parte...
E sei como algumas perguntas conseguem atravessar onze anos e ainda encontrar a gente pelo caminho.
Que a verdade encontre essa família.
Que a justiça não se perca no silêncio.
E que nenhuma mãe precise desistir de perguntar aquilo que o coração dela sabe que precisa ser respondido. 😌😪
Dentro de mim moram alguns eusss...
Dentro de mim moram várias Márcias.
E cada uma delas, no seu tempo, foi responsável por caminhar por esse difícil, doloroso e, ao mesmo tempo, tão necessário trajeto da evolução.
Meu Deus... quantas dores eu passei.
Às vezes eu paro e penso que mal tive tempo de ser criança. Tão pequena, precisei observar, compreender e atravessar situações que talvez fossem grandes demais para os olhos de uma menina.
Mas, dentro daquela criança, já havia uma sementinha...
A sementinha do divino.
Do saber.
Da fé.
Da presença do Pai Maior.
E talvez tenha sido ela que, mesmo sem que eu compreendesse, me sustentou tantas vezes.
Porque, por mais difícil que fosse a caminhada, eu instintivamente me recusei a me revoltar. Recusei-me a desistir.
Eu caminhei.
Trafeguei por estradas que muitas vezes não escolhi. Atravessei caminhos tortuosos. Em alguns momentos, quase caí... e em outros, caí mesmo.
Mas eu sempre levantei.
Sempre.
Renascendo das minhas próprias cinzas, recolhendo os pedaços, juntando os caquinhos e seguindo adiante.
E fui crescendo...
Fui aprendendo.
Fui amadurecendo.
Fui compreendendo que algumas dores não chegam para nos destruir, mas para nos transformar.
E, de todas essas Márcias, nasceu essa que hoje, todos os dias, conversa com vocês.
Não me sinto vaidosa por dominar alguma área da vida. Não é isso que me faz sentir orgulho.
O que me faz feliz, verdadeiramente feliz, é saber que, apesar de tudo o que vivi, eu não permiti que a dor arrancasse de mim a capacidade de amar.
Ao contrário...
Se existe alguma coisa que considero uma das minhas maiores conquistas, é saber que me tornei um ser capaz de semear o bem no coração de alguém.
Talvez eu não consiga mudar o mundo.
Talvez eu não consiga resolver todas as dores que encontro pelo caminho.
Mas, se uma palavra minha alcançar um coração cansado...
se uma reflexão minha fizer alguém pensar...
se um gesto meu devolver um pouquinho de esperança a alguém...
então toda aquela caminhada teve sentido.
Porque, no fim das contas, talvez seja isso que significa evoluir:
não chegar ao final da estrada perfeita...
mas chegar um pouco mais humana, um pouco mais consciente, um pouco mais amorosa...
e deixar, por onde passamos, algumas sementes de luz.
Dentro de mim ainda moram várias Márcias.
A menina que precisou ser forte cedo demais.
A mulher que caiu.
A mulher que chorou.
A mulher que recomeçou.
A mulher que ainda sente.
A mulher que aprendeu.
E todas elas continuam caminhando comigo...
Porque nenhuma das Márcias que fui deixou de existir.
Elas apenas foram se transformando...
até chegar a esta que hoje olha para trás, respira fundo e consegue dizer:
eu sobrevivi às minhas dores sem permitir que elas me transformassem em alguém que eu não queria ser.
E talvez essa seja a minha maior vitória.
Não ter vencido pessoas, situações ou dificuldades...
mas ter conseguido vencer, todos os dias, a vontade de desistir de mim mesma.
Um dia de cada vez...
cada dia um pouquinho...
até o reencontro.